segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Pobres Rurais

Prezado(a) Senhor(a)


 


Consulto-lhe se desejaria receber, em forma gratuita, um artigo de 3 páginas que descreve o seguinte:


 


1. Que a insuficiência de recursos materiais e financeiros dos pequenos agricultores, ainda que real, está muito longe de ser a principal causa da sua pobreza. Muitos deles têm acesso aos recursos necessários para incrementar a renda familiar e mesmo assim não conseguem sair da pobreza; e um fato muito frequente que corrobora esta premissa é que continuam sendo pobres mesmo quando os sucessivos governos lhes proporcionam os recursos materiais e financeiros que, supostamente, lhes faziam falta para poder desenvolver-se.



 


2. Que a principal causa da sua pobreza, embora não seja agradável dizê-lo, são as ineficiências que eles mesmos, sem querer, cometem em suas atividades geradoras de riquezas.


 


3. O artigo descreve quais são as seis ineficiências que eles cometem com maior frequência e demonstra que, se recebessem uma adequada formação e capacitação, muitos dos pobres rurais poderiam evitá-las, corrigi-las ou eliminá-las, mesmo que não recebam nenhum recurso material ou financeiro adicional aos que já possuem ou utilizam.


 


Depois de oferecê-lo à aproximadamente 90.000 instituições e pessoas de 18 países da América Latina, constatou-se que esta proposta, devido à sua simplicidade e aplicabilidade, teve uma grande aceitação. Por esta razão terei muito prazer em enviar-lhe o artigo via e-mail, caso o Senhor(a) manifeste interesse em recebê-lo.



 


Se não deseja continuar recebendo meus oferecimentos de artigos peço-lhe, por favor, para responder esta mensagem colocando em "Assunto" a palavra REMOVER.


 


Saudações


 


Polan Lacki



Rua Bispo Dom José, 2051 apto 706


Telefone: (41) 3243-2366 e Celular: (41) 9602-1239


80440-080 - Curitiba - Paraná - Brasil

Livros

Imagens do Piratini




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Rua da Cidadania em Lagoa Vermelha
A presidente do Comitê de Ação Solidária, Tarsila Crusius, em seu discurso durante a solenidade oficial de abertura da Rua da Cidadania em Lagoa Vermelha.

Local: Lagoa Vermelha - RS
Data: 17/10/2009
Foto: Itamar Aguiar / Palácio Piratini
Código: 32138
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Rua da Cidadania em Lagoa Vermelha
O secretário estadual de Obras Públicas, José Carlos Breda, em seu discurso durante a solenidade oficial de abertura da Rua da Cidadania em Lagoa Vermelha.

Local: Lagoa Vermelha - RS
Data: 17/10/2009
Foto: Itamar Aguiar / Palácio Piratini
Código: 32137
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Rua da Cidadania em Lagoa Vermelha
A presidente do Comitê de Ação Solidária, Tarsila Crusius, acompanhada do prefeito, Getúlio Cerioli visita o estande da da secretaria da Ciência e Tecnologia,durante a Rua da Cidadania em Lagoa Vermelha.

Local: Lagoa Vermelha - RS
Data: 17/10/2009
Foto: Itamar Aguiar / Palácio Piratini
Código: 32143
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Rua da Cidadania em Lagoa Vermelha
A presidente do Comitê de Ação Solidária, Tarsila Crusius, durante a visita ao estande da Emater, na Rua da Cidadania em Lagoa Vermelha.

Local: Lagoa Vermelha - RS
Data: 17/10/2009
Foto: Itamar Aguiar / Palácio Piratini
Código: 32148
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Rua da Cidadania em Lagoa Vermelha
O Instituto-Geral de Perícias(IGP) presente na Rua da Cidadania em Lagoa Vermelha.

Local: Lagoa Vermelha - RS
Data: 17/10/2009
Foto: Itamar Aguiar / Palácio Piratini
Código: 32150
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Rua da Cidadania em Lagoa Vermelha
A presidente do Comitê de Ação Solidária, Tarsila Crusius, acompanhada do prefeito, Getúlio Cerioli, durante visita ao estande da CaixaRS, na Rua da Cidadania em Lagoa Vermelha.

Local: Lagoa Vermelha - RS
Data: 17/10/2009
Foto: Itamar Aguiar / Palácio Piratini
Código: 32156

Preso Matador de Aluguel

Polícia Civil de São Leopoldo prende suspeito de ser matador de aluguel
17/10/2009 20:33

Investigações realizadas pela 3ª Delegacia de Polícia, de São Leopoldo, apontam que um homem de 30 anos, preso nesta sexta-feira (16), no bairro Feitoria, no município, seria um matador de aluguel de duas quadrilhas de traficantes que vem agindo na Cohab-Feitoria.

O primeiro homicídio ocorreu por volta das 21h20min de 19 de setembro do ano passado, na Rua Heitor Vila Lobos, quando Marcos Roni Correa foi alvejado por quatro disparos de arma de fogo. O segundo crime ocorreu por volta das 3h45min do último dia 11 de janeiro, na Rua Erico Veríssimo, quando Juliano Nascimento da Silva foi morto com quatro disparos de arma de fogo. Já o terceiro fato investigado é uma tentativa de homicídio, ocorrida em torno das 23h de 13 de setembro deste ano, também na Rua Erico Veríssimo, quando João Rodrigo da Silva foi alvejado com três disparos de arma de fogo. Socorrido e levado ao hospital Centenário, João Rodrigo prestou declarações dizendo que ao cruzar com o suspeito o cumprimentou e, como resposta, recebeu tiros disparados por ele. A vítima foi atingida no rosto e caiu no chão, tendo o suspeito se aproximado e disparado mais duas vezes.

A arma apreendida com o suposto matador de aluguel será encaminhada ao Departamento de Criminalística para comparar os projéteis extraídos dos corpos das vítimas, uma vez que há a suspeita de que a arma seja a mesma usada nos crimes pelos quais ele é investigado.

Fonte: Ascom PC

Denarc desarticula quadrilha

Denarc desarticula quadrilha de traficantes que agia no centro de Porto Alegre
17/10/2009 20:42

Agentes da 1ª Delegacia de Investigações do Narcotráfico, do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (DENARC), prenderam, nessa sexta-feira (16), quatro pessoas — um casal e dois homens — que estariam traficando drogas no centro da Capital, principalmente, na Praça XV e na Estação Rodoviária. Entre os presos, está o líder da quadrilha, um jovem de 27 anos.

De acordo com o delegado Márcio Zachello, após várias semanas de diligências os agentes da 1ª DIN foram informados de que, na tarde dessa sexta-feira, o líder da quadrilha, com antecedentes por roubo, tráfico de drogas, homicídio e posse ilegal de armas, receberia drogas na Estação Rodoviária. No instante em que uma jovem, também de 27 anos, acabava de lhe alcançar uma pedra de 28 gramas de crack, ambos foram detidos.

Outros dois jovens, de 20 e 23 anos respectivamente, que davam cobertura para a transação ilícita, também foram presos com o casal. Os policiais civis, que já haviam identificado o local de guarda das drogas comercializadas pela quadrilha, deslocaram-se até um hotel na Avenida Julio de Castilhos, onde apreenderam ainda 47 gramas de crack, 128 pedrinhas de crack embaladas e prontas para venda, nove gramas de maconha e quatro gramas de cocaína, além de uma balança de precisão. Todos foram autuados por tráfico e associação para o tráfico de drogas e recolhidos ao sistema prisional.

O Denarc recebe denúncias através do número 0800 518 518.

Fonte: Ascom PC


Rua da Cidadania em Lagoa Vermelha

Comunidade de Lagoa Vermelha e região recebem serviços da Rua da Cidadania
17/10/2009 20:57

Lagoa Vermelha recebeu, neste sábado (17), a 8ª edição do projeto social Rua da Cidadania, na Avenida Afonso Pena, em frente à Igreja São Paulo, onde foi montada a estrutura para oferecer serviços públicos gratuitos à comunidade do Nordeste do Rio Grande do Sul. Aproximadamente 7 mil pessoas buscaram atendimento entre as 9h e as 16h.

O evento foi aberto pela presidente do Comitê de Ação Solidária do Governo do Estado, Tarsila Crusius, que entregou material escolar para estudantes das escolas municipais Gentil Tonial e Luciano Donde e da escola estadual João Rodrigues de Souza. A iniciativa é resultado de parceria entre a Secretaria Estadual de Educação e a Corag, dentro do projeto Caderno para Todos, do governo do Estado.

Também foram entregues aos estudantes bolas para prática de esportes confeccionadas por apenados, no projeto Pintando a Liberdade, coordenado pela Superintendência de Serviços Penitenciários (Susepe).

Tarsila Crusius agradeceu o apoio da prefeitura e disse que, mais uma vez, o Estado cumpriu a obrigação de servir os cidadãos, o que vem sendo uma marca do governo Yeda. Disse também que a Rua da Cidadania "é sempre um espaço de festa e alegria". O prefeito Getúlio Cerioli elogiou a iniciativa do governo, afirmando que a Rua da Cidadania significou oportunidade não só para Lagoa Vermelha, mas para toda a região de ter acesso a serviços públicos e contato direto com o que o Estado oferece. "Este programa é um sucesso", afirmou.

Idealizado e coordenado pelo Comitê, a Rua da Cidadania tem como objetivo aproximar os serviços públicos essenciais dos cidadãos do interior do Estado. A iniciativa cresce a cada edição. Somente neste ano, mais de 50 mil pessoas já foram beneficiadas pelo atendimento itinerante dos órgãos estaduais, dos colaboradores e dos parceiros do programa.

Atendimento

Entre os serviços prestados, estão a confecção de documentos, exames oftalmológicos e de prevenção de câncer, encaminhamento de processos de divórcio e de teste de paternidade. Também fazem parte da programação atividades de lazer, cultura e recreação, e o casamento coletivo, que se tornou um dos principais atrativos.

Em Lagoa Vermelha, a Polícia Civil esteve presente com orientações e dicas sobre segurança e divulgação dos serviços da Delegacia On line. E a Coordenadoria Estadual da Mulher (CEM), além das atividades tradicionais oferecidas em todas as edições do evento, formalizou a adesão do município ao projeto Cidade Amiga da Mulher - que integra o programa estruturante Nossas Cidades e tem como proposta a melhoria da gestão de políticas públicas femininas.

Fonte: Site do Estado

Conjuntura Agrária

JORNAL DO BRASIL, Domingo, 18 de outubro de 2009 Pág. A2

TEMA DO DIA
MST vai “às ruas” para garantir novos índices
Vasconcelo Quadros, Jornal do Brasil


BRASÍLIA - Mentor e principal dirigente do MST, o economista João Pedro Stédile reconhece que a destruição do laranjal, em uma fazenda no interior de São Paulo, “foi negativa” para o movimento e demonstra estar consciente de que a CPI que investigará os repasses de dinheiro público para a organização deve ser instalada, mas avisa que os sem-terra estão atentos e reagirão caso o governo se dobre à pressão dos ruralistas e não mexa na estrutura da propriedade da terra no Brasil. – Vamos às ruas para garantir a atualização dos índices de produtividade – afirma Stédile nessa entrevista ao Jornal do Brasil ao tocar na questão principal da fase atual da luta pela terra. A adoção dos novos índices, compromisso do governo com o MST, deve gerar desapropriações e aumentar os estoques de terra disponíveis para a reforma agrária. Ainda assim, o dirigente diz que, “infelizmente”, o presidente Lula perdeu a “oportunidade histórica de fazer a reforma”. Sobre a acusação de que o MST utiliza ONGs de fachada para receber recursos públicos, Stédile lembra que o repasse de recursos são feitos através de um sistema de convênios desenhado por Fernando Henrique Cardoso e garante que o MST não usa dinheiro público para invadir terras. – As ONGs fazem o papel que deveria ser do governo – afirma.


O governo deve tomar uma decisão em breve sobre os novos índices de produtividade para as grandes propriedades rurais. Que impacto a mudança pode provocar na estrutura fundiária?

- O impacto é pequeno. Mesmo assim, os latifundiários, o agronegócio e a mídia conservadora não admitem que se cumpra a Lei agrária, que determina a atualização regular dos índices de produtividade. Os dados utilizados atualmente são de 1975. Por que eles têm tanto medo? Fora isso, não basta apenas atualização dos índices para fazer a Reforma Agrária. É preciso mudar o modelo agrícola e cumprir a Constituição, que determina que sejam desapropriadas as grandes áreas que não tem função social e não cumprem a lei trabalhista, agridam o ambiente e estejam abaixo da média da produtividade. O censo do IBGE concluiu que temos menos de 15 mil latifundiários com áreas maiores de 2.500 hectares, com um total de 98 milhões de hectares. É muita terra nas mãos de pouca gente, que nem mora no campo.

O MST está confiante numa decisão favorável à revisão dos índices, ou há o receio de que o governo recue do compromisso assumido? Como o senhor imagina que o governo vai administrar a resistência do ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes?

- Quando o governo fez o anúncio da atualização dos índices, já sabia da reação dos setores conservadores e da posição do ministro do agronegócio. Não é uma surpresa. Quem ganhou a eleição foi o Lula, não o ministro. Não acreditamos que o governo volte atrás. A mudança dos índices é uma reivindicação dos camponeses e dos setores progressistas da sociedade. Somente com a força do apoio popular ao governo Lula poderão ser modificados. E estamos atentos e vamos voltar às ruas para denunciar a ofensiva do latifúndio e garantir a atualização dos índices.

De que maneira o fato do governo oscilar politicamente entre o agronegócio e a agricultura familiar afeta as ações do MST? E como o senhor resumiria a visão que o MST tem hoje do que foram esses sete anos de governo Lula? Qual é o aspecto mais positivo e qual o mais negativo?

- Infelizmente, o governo não fez a Reforma Agrária e perdemos mais uma oportunidade histórica. O censo agropecuário demonstra que aumentou a concentração de terras no Brasil, que é líder nesse vergonhoso ranking mundial. Temos famílias acampadas há seis anos. O governo é de composição de interesses, sob hegemonia dos bancos, das transnacionais e do agronegócio. A agricultura familiar e camponesa é mais eficiente, produz alimentos em menor área, gera mais empregos, embora receba menos recursos do que o agronegócio.

A repercussão da destruição de parte do laranjal na área ocupada pela Cutrale e a conjuntura podem impor alguma mudança de tática do MST? O movimento repetiria as ações no local?

- A repercussão foi negativa. Foi uma manipulação midiática e ideológica, a partir de uma atitude desesperada das famílias acampadas. Viver em um acampamento por anos e anos leva a uma situação limite. Há muitos vandalismos que o agronegócio e o latifúndio cometem que são consentidos pela mídia. Não podemos aceitar o vandalismo do agronegócio de usar 713 milhões de litros de venenos agrícolas por ano, que degradam o ambiente, envenenam as águas e os alimentos. Depois de diversas ocupações na fazenda da Cutrale, conseguimos denunciar que a maior empresa do setor de suco de laranja do mundo usa um artifício arcaico da grilagem de terras. Por conta do monopólio da Cutrale no comércio de suco e da imposição dos preços, agricultores que plantam laranjas foram obrigados a destruir entre 1996 a 2006 cerca de 280 mil hectares de laranjais.

A ação contribuiu para aumentar o apoio de parlamentares à CPI do MST? Como o movimento reagirá à sua possível instalação? O senhor teria algum problema para comparecer ao Congresso e prestar esclarecimentos?

- Essa CPI é contra o MST. A Rede Globo forjou um escândalo contra a Reforma Agrária. As imagens foram utilizadas pela direita, pela bancada ruralista e pela mídia para desgastar o MST e forçar uma CPI que já tinha sido derrotada. Já foram criadas as CPI da Terra e das Ongs contra o nosso movimento, com investigações exaustivas sobre os temas requentados atualmente. Podemos prestar todo e qualquer esclarecimento. Já existem instituições que fazem o controle dos convênios do governo com entidades da Reforma Agrária, como o CGU, TCU e o MP. Esses parlamentares não confiam nesses órgãos? O tanto de CPI instaladas no último período levaram esse instrumento importante a uma banalização. A CPI contra o MST, por exemplo, tem motivação eleitoral. O demo Ronaldo Caiado, que é fundador da UDR, confessou que o verdadeiro objetivo da CPI é comprovar que o governo repassa dinheiro para o MST fazer campanha para a Dilma. Essa afirmação é no mínimo ridícula para qualquer sujeito bem informado, se não viesse de uma mente improdutiva e reacionária como todo latifúndio.

Qual a relação que o MST mantém com as ONGs que receberam verbas do governo e são apontadas como entidades de fachada do movimento?

- As entidades da Reforma Agrária atuam em assentamentos do MST e de outros movimentos sociais e sindicais, prestam serviços nas áreas de produção agrícola, assistência técnica e educação. Contratam professores e agrônomos para atuar nos assentamentos. Fazem o papel que deveria ser do Estado. O Estado foi dilapidado pelo governo FHC, que inventou essa história de convênios com Ongs. Nós sempre defendemos que o Estado retome os serviços de natureza pública, tanto nos assentamentos como em todo país. Nunca utilizamos dinheiro público para fazer ocupação de terra. Os inimigos da reforma agrária atacam essas entidades porque querem que os assentamentos dêem errado. Se estão preocupados com o dinheiro público, por que não fazem investigações sobre os recursos destinados aos empresários do sistema S, do SENAR e SESCOOP? E essas feiras de agroexposição para fazer propaganda e tantos outros utilizados sempre em beneficio do latifúndio e dos ricos? Você tem idéia de quanto o Tesouro Nacional paga por ano das diferenças de juros das renegociações de dívidas dos ruralistas? São mais de 2 bilhões de reais!

Como o senhor avalia a reação de autoridades do governo, especialmente do presidente Lula condenando e classificando o ato de “vandalismo”? Surpreendeu a maneira veemente como figuras que trabalham pela reforma agrária dentro do governo, a exemplo do ministro Guilherme Cassel e do presidente do Incra, Rolf Hackbart, criticaram a ação?

- Nós também condenamos vandalismo. O presidente Lula e os ministros não tinham conhecimento da versão das famílias acampadas e do ministro de Segurança Institucional general Félix. As famílias nos disseram que não roubaram nem depredaram nada. Da saída das famílias até a entrada da imprensa, o espaço da fazenda foi preparado para produzir imagens de impacto. A direita utilizou repetidamente por meio da mídia as imagens contra a Reforma Agrária. Não vimos nunca a imprensa denunciar a grilagem nem a super-exploração que a Cutrale impõe aos agricultores. O vandalismo da violência social nas grandes cidades provocadas pelo êxodo rural parece não escandalizar a mídia. Vocês do Rio não assistem os vandalismos provocados pelas forças de repressão em despejos de famílias sem teto. A polícia de São Paulo usou trator de esteira para destruir barracos em uma favela. Isso sim é vandalismo contra o povo brasileiro.

Que análise o senhor faz do censo agropecuário do IBGE?

- É um retrato da realidade agrária brasileira, uma vez que os pesquisadores vão pessoalmente a todos os estabelecimentos agrários. Os dados demonstram o que já estávamos denunciando e sentindo no dia a dia: nos últimos dez anos, houve uma brutal concentração da propriedade da terra no Brasil. As propriedades acima de mil hectares controlam nada menos que 43% de todas as terras do país. Já as propriedades com menos de 10 hectares detêm apenas 2,7% das terras. Por outro lado, comprovou que a agricultura familiar e camponesa emprega 75% da mão-de-obra e produz 75% de todos os alimentos, embora receba menos financiamento público. Demonstrou que o agronegócio é um modelo para produzir commodities, às custas da concentração de terras, do êxodo rural, do aumento da pobreza e do envenenamento dos alimentos e da nossa natureza. É um escândalo!

E da pesquisa da CNA/Ibope sobre os assentamentos?

- Foi uma pesquisinha de opinião em nove assentamentos, que não tem relevância nenhuma. É uma perda de tempo. Nos surpreende o Ibope e a imprensa gastar tempo com isso. Um estudo relevante e necessário faria a comparação da situação de uma área antes e depois da criação do assentamento, mesmo nesse quadro desfavorável para a pequena agricultura e para os assentamentos.

Qual é a realidade dos assentamentos rurais em geral, em especial daqueles que resultaram da luta organizada pelo MST? Qual a maior dificuldade enfrentada hoje pelas famílias assentadas?

- Muitos assentamentos ainda enfrentam muitas dificuldades nas áreas de infra-estrutura pública e crédito para produção. No entanto, os assentados deixam de ser explorados, têm trabalho, comida e escola para os filhos. A maioria já tem uma casa própria melhor de quando eram sem-terra. A maior dificuldade é que os assentamentos sozinhos não se viabilizam, sem que haja uma prioridade para um novo modelo agrícola. Precisamos de um programa para a implantação de agroindústrias, na forma de cooperativas, para que se agregue valor e os trabalhadores aumentem a renda e dêem emprego aos jovens. É preciso construir escolas e capacitar professores em todos os níveis, para os jovens não irem para a cidade. É necessário um programa para o desenvolvimento de técnicas agroecológicas, que permitem aumentar a produtividade sem usar veneno, produzindo assim alimentos sadios e baratos para a cidade.

Entre os "presidenciáveis", quem mais agrada ao MST e seus militantes? Mais especificamente, a ministra Dilma Rousseff pode contar com o apoio do movimento em 2010? E a conjuntura política pós-Lula pode forçar alguma mudança tática do movimento?

- Sempre preservamos a nossa autonomia. Os nossos militantes participam das eleições como cidadãos brasileiros. Claro que sempre votam em candidatos que sejam a favor da reforma agrária e de mudanças sociais. Nossa vontade política é impedir a volta do neoliberalismo e discutir um projeto popular de desenvolvimento para o país, que faça mudanças estruturais para resolver os problemas do povo. Infelizmente, cada vez que chega o período eleitoral, a direita se assanha e passa usar todos expedientes para tentar impedir qualquer mudança.





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