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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Lanceiros Negros

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Blá-Blá-Blá Eu te amo - Cover do Lobão

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Taximetro - Oswaldo Montenegro Cover

Revolução Russa

arta O Berro..........................................................repassem
 
 

 
Lênin e os dilemas da Revolução Russa de 1917 *
 
Por Augusto César Buonicore**
 
A essência da obra de Lênin, líder da Revolução Russa, precisa ser melhor conhecida. Isso porque seu pensamento dialético e avesso ao dogmatismo, muitas vezes, foi reduzido a fórmulas esquemáticas. Este artigo aborda a contribuição teórica de Lênin ao processo revolucionário russo entre fevereiro e outubro de 1917 e recupera aspectos menos conhecidos de sua elaboração política.
 
 A particularidade da revolução democrática na Rússia: o duplo poder
Em fevereiro de 1917 o povo russo pôs abaixo a odiada autocracia czarista. Em seu lugar surgiu um governo provisório composto por setores da oposição liberal-burguesa e por correntes socialistas reformistas. Ao lado deste surgiu um outro poder, criado pela ação revolucionária das massas populares: os sovietes. Estava assim estabelecido um duplo poder.

Desde o seu nascedouro o governo provisório deu sinais de que não poderia corresponder aos grandes acontecimentos que estavam sacudindo a Rússia. Por um lado, não se mostrava disposto a atender às principais reivindicações dos trabalhadores, que haviam sido a força decisiva na derrocada do czarismo. Não se comprometia com a decretação da paz, com a reforma agrária e nem mesmo com as bandeiras democráticas, como a convocação de uma assembléia nacional constituinte. E, por outro, os Sovietes dirigidos pelos social-revolucionários e mencheviques não estavam determinados a arrancar dele essas conquistas. A própria direção bolchevique vacilava em relação a que atitude tomar frente ao governo.

Lênin, que estava exilado, mostrava muita preocupação com o desenvolvimento do processo revolucionário. Assim, escreveu cinco cartas analisando a situação política aberta após a revolução e expondo suas opiniões sobre qual devia ser uma tática justa naquela nova, e imprevista, situação. Estas seriam denominadas Cartas de Longe. Ele iniciou sua correspondência vaticinando: “Seguramente, esta primeira etapa não será a última de nossa revolução”.

“Ao lado deste governo (provisório), continuou ele, apareceu um governo operário (...) ainda, relativamente débil, que expressa os interesses do proletariado e de todos os elementos pobres da população da cidade e do campo. Este governo é dos Sovietes (...) Quem pretende que os operários devem apoiar ao novo governo em nome da luta contra a reação czarista (...) trai os operários, trai a causa do proletariado, a causa da paz e da liberdade. Porque, de fato, este novo governo já está atado de mãos e pés ao capital imperialismo, à política imperialista belicista, de rapina e já iniciou as transações (sem consultar ao povo) com a dinastia”. E, concluiu, que aquele governo não podia dar ao povo “nem a paz, nem o pão, nem a liberdade”.

Em abril, Lênin chegou a uma Rússia ainda convulsionada e apresentou, pela primeira vez, a palavra de ordem revolucionária: “Todo o Poder aos Sovietes!”. Nesse período também elaborou dois importantes documentos: Teses de Abril e As tarefas do proletariado na presente revolução.

“Na Rússia”, escreveu, “o poder de Estado passou para as mãos de uma nova classe, a saber, da burguesia e dos latifundiários que se tornaram burgueses. Desta forma a revolução democrático-burguesa está consumada (...) A característica principal de nossa revolução (...) é a duplicidade de poderes (...) Esta circunstância excepcionalmente original, sem precedente na história da humanidade, levou ao entrelaçamento de duas ditaduras: a ditadura da burguesia (...) e a ditadura do proletariado e dos camponeses (o Soviete de deputados operário e soldados)”.

Ele tinha plena consciência da instabilidade dessa situação e dos perigos, e possibilidades, que ela colocava diante do proletariado. “Não há sombra de dúvida”, afirmou, “de que esse ‘entrelaçamento’ não está em condições de se sustentar por muito tempo. Não podem subsistir dois poderes num mesmo Estado. Um deles precisa desaparecer”.

No entanto, deixou claro não acreditar na possibilidade de implantação imediata do socialismo e haver a necessidade de um período de transição mais ou menos longo, dependendo de uma série de fatores objetivos e subjetivos. “Nossa tarefa imediata não é a ‘introdução’ do socialismo (...) O partido do proletariado não pode propor-se, de forma alguma, ‘estabelecer’ o socialismo num país de pequenos camponeses enquanto a grande maioria da população não tiver tomado consciência da necessidade da revolução socialista”, escreveu.

Ainda em abril escreveu o artigo Sobre a Dualidade de Poderes, no qual contestava aqueles que pretendiam derrubar imediatamente o governo provisório. O governo devia ser derrubado por ser oligárquico e burguês, mas isso não poderia ser realizado em curto prazo, pois ele ainda tinha apoio dos Sovietes e de parte significativa da população trabalhadora.

O Comitê Central bolchevique de Petrogrado rejeitou as teses de Lênin. Na maioria dos comitês, a nova tática proposta foi recebida com desconfiança. A respeito das sucessivas derrotas sofridas, Sukhanov escreveu: “a massa do partido eleva-se contra Lênin para defender os princípios elementares do socialismo científico tradicional”. Bogdanov comentou: “É um delírio, o delírio de um louco”. Goldenberg afirmou irônico: “Durante muitos anos, o lugar de Bakhunin na revolução russa tinha estado vazio; agora, foi ocupado por Lênin”. Kamenev, importante líder bolchevique, resistiu em publicar os artigos de Lênin. O primeiro deles acabou saindo em 7 de abril com o título Sobre os objetivos do proletariado na revolução atual.

Alguns velhos bolcheviques estavam presos a esquemas enrijecidos. Ao contrário do que pensavam, não aplicavam as teses presentes em Duas táticas da social democracia na revolução democrática – escrita por Lênin em 1905 –, mas sim recuavam para a posição esquemática predominante na II Internacional, que encarava a revolução como uma sucessão de etapas rígidas, estanques, sem comunicação entre si. Segundo essa concepção, seria preciso um longo período de desenvolvimento capitalista, sob o domínio político burguês, para que se pudesse avançar a uma segunda etapa socialista. Tese rejeitada por Lênin desde 1905.

Lênin, buscando novamente esclarecer suas reais posições, escreveu uma série de cartas. A primeira intitula-se Análise da situação atual. Nela, defendeu a justeza da estratégia e da tática bolcheviques aplicadas até a revolução de fevereiro. “Desde a revolução”, escreveu, “o poder está nas mãos de uma classe diferente, uma classe nova, isto é, a burguesia (...). A este nível, a revolução burguesa, ou democrático-burguesa, está concluída (...). As palavras de ordem e idéias bolchevistas, no seu todo, têm sido confirmadas pela história; mas, concretamente, as coisas resultaram de forma diferente; são mais originais, mais peculiares, mais variadas do que se podia ter esperado (...) ‘A ditadura revolucionária e democrática do proletariado e campesinato’ já se tornou uma realidade”. No entanto, “temos lado a lado, coexistindo simultaneamente, a regra burguesa (...) e uma ditadura revolucionária e democrática do proletariado e campesinato que vai cedendo voluntariamente poder à burguesia, tornando-se voluntariamente um apêndice da burguesia”.

E concluiu: “Este fato não se enquadra nos velhos esquemas”. Novamente se defendeu da acusação de querer saltar etapas na revolução: “não estamos correndo o risco de cair no subjetivismo, de querer chegar à revolução socialista ‘saltando’ sobre a revolução democrático-burguesa – que ainda não está concluída (...)? Eu poderia incorrer neste erro se dissesse: ‘Não ao czar, sim a um governo operário’. Mas, eu não disse isso (...). Afirmei que não pode haver outro governo (exceto um governo burguês) na Rússia que não seja o dos Sovietes de Deputados operários, trabalhadores rurais, soldados e camponeses (...). E nestes Sovietes (...) são os camponeses, os soldados, isto é, a pequena-burguesia, que tem preponderância, para usar um termo científico, marxista, uma caracterização classista (...). Nas minhas teses, precavi-me seguramente a fim de não saltar sobre o movimento camponês (...) ou sobre o movimento pequeno burguês em geral, precavi-me contra qualquer brincadeira de ‘tomada do poder’ por um governo operário, contra qualquer tipo de aventureirismo blanquista (...). O controle sobre a banca, a fusão de todos os bancos num só, não é ainda socialismo, mas passos rumo ao socialismo”.

O “desenvolvimento pacífico da revolução” e o problema da transição ao socialismo

Lênin passou os meses seguintes, pacientemente, esclarecendo suas posições para o conjunto da militância partidária. A crise político-revolucionária recrudesceu com as sucessivas derrotas militares russas e Lênin conseguiu enfim impor sua posição ao conjunto do Partido.
No dia 18 de abril o ministro de negócios estrangeiros do governo provisório lançou uma nota acintosa afirmando que “o povo desejava continuar a guerra até à vitória total”. Dois dias depois mais de 100 mil manifestantes saíram às ruas contra essa declaração. Um grupo de bolcheviques chegou a levantar a palavra-de-ordem “abaixo o governo provisório!”.

Isto contrariava frontalmente a tática apregoada por Lênin. Escreveu ele: “Dissemos que a palavra de ordem ‘Abaixo o governo provisório!’ era aventureira, que agora não se podia derrubar o governo e, por isso, lançamos a palavra de ordem de manifestação pacífica. Só queríamos fazer um reconhecimento pacífico das forças do inimigo, sem lhe dar combate, mas o Comitê de Petersburgo virou um pouco mais para a esquerda, o que neste caso é, naturalmente, um gravíssimo crime (...) No momento da ação era despropositado ir ‘um pouco mais para esquerda’”. Imediatamente o governo e as forças conservadoras acusaram os bolcheviques de serem agentes do governo alemão. A onda reacionária foi tão forte que levou à efetuação de um amplo acordo no interior dos Sovietes: os bolcheviques lançariam uma nota desmentindo as acusações e a direção dos Sovietes exigiria a retirada da nota do ministro. O incidente acarretou sua demissão do ministério. Esta foi a primeira grave crise do governo provisório. Lênin criticou a vacilação da direção dos Sovietes que poderia ter se aproveitado da crise para exigir que todo o poder fosse transferido para ela e assim conduzir a revolução por um caminho menos traumático, através da constituição de um governo efetivamente operário e popular ainda que sob hegemonia dos mencheviques e social-revolucionários.

Na 7ª Conferência dos bolcheviques, iniciada em 24 de abril, as posições de Lênin foram vitoriosas. Ratificou-se a tática de "desenvolvimento pacífico da revolução”, expressa na palavra-de-ordem “Todo poder aos Sovietes!”. Rejeitou-se também a consigna “Abaixo o governo provisório!”.

Outro ponto de divergência era quanto à existência ou não de uma fase de transição na revolução russa, que conduziria ao socialismo. Neste ponto Lênin condenou, novamente, a tese que afirmava ser preciso passar diretamente para o socialismo, sem etapas intermediárias – sem nenhum processo de transição.Lênin criticou também a vacilação da direção dos Sovietes que poderia ter se aproveitado da crise para exigir que todo o poder fosse transferido para ela e assim conduzir a revolução por um caminho menos traumático, através da constituição de um governo efetivamente operário e popular

A resolução aprovada afirmava: “o proletariado da Rússia que atua num dos países mais atrasados da Europa, no meio de uma imensa população de pequenos camponeses, não pode propor-se como fim a realização imediata de transformações socialistas”. E, em seguida, apresentou o programa desta “transição ao socialismo” na Rússia pós-fevereiro: nacionalização da terra, o controle do Estado sobre os bancos – e a sua fusão num banco central único –, controle sobre os maiores consórcios capitalistas, sistema mais justo de impostos progressivos sobre rendimentos e bens. Mesmo na aplicação dess medidas, ainda não socialistas, seria necessário “uma extraordinária prudência e precaução”, pois seria preciso “conquistar uma sólida maioria da população e conseguir a sua convicção consciente na preparação prática desta ou daquela medida”.

A ofensiva reacionária e o fim do desenvolvimento pacífico
No final de junho a situação se tornou desesperadora após sucessivas derrotas do exército russo. A mortandade nos campos de batalha e a fome adubaram o solo da revolução. Finalmente alguns regimentos decidiram pôr abaixo o governo provisório.

Os bolcheviques desaconselharam a rebelião, afirmando que as condições ainda não estavam maduras. No entanto, a situação havia fugido do controle. Os operários também estavam agitados e aderiram ao movimento. Não podendo impedi-lo, sob pena de se isolar das massas avançadas, decidiram participar transformando-o numa manifestação pacífica – evitando assim provocações desnecessárias.

Entre 3 e 4 de julho ocorreram manifestações de caráter revolucionário que reuniram cerca de 500 mil pessoas. O movimento foi reprimido à bala pelo governo de Kerensky. Nos choques morreram centenas de pessoas.

As forças conservadoras não perderam tempo e passaram à ofensiva contra os bolcheviques. Lênin foi obrigado a se refugiar na Finlândia. Os jornais bolcheviques foram fechados e o Partido passou para a clandestinidade. Temerosa, a direção dos Sovietes capitulou. O duplo poder se esvaiu. O único poder passou a ser o governo provisório e este rapidamente se transmutou num regime assentado nas forças militares reacionárias. A revolução passava, segundo Lênin, por mais uma “viragem histórica” que exigia uma nova tática.

Lênin escreveu: “Todas as esperanças de um desenvolvimento pacífico da revolução russa se desvaneceram definitivamente. A situação é esta: ou a vitória da ditadura militar ou a vitória da insurreição armada dos operários (...). A palavra de ordem da passagem de todo o poder aos Sovietes foi a palavra de ordem do desenvolvimento pacífico da revolução possível em abril, em maio, em junho e até 5-9 de julho, isto é, até o poder passar de fato para as mãos da ditadura militar”.

No artigo A propósito das palavras de ordem, escrito poucos dias depois da vitória da contra-revolução, Lênin voltou ao tema: “A palavra de ordem de passagem de todo poder aos sovietes foi justa durante o período passado de nossa revolução” no qual “reinava a chamada ‘dualidade de poder’ (...). Eis o que garantia a via pacífica de desenvolvimento (...). E isto teria sido o mais fácil, o mais vantajoso para o povo. Tal caminho seria o mais indolor e por isso mesmo era preciso lutar por ele com toda energia (...). A via pacífica do desenvolvimento da revolução foi tornada impossível. Começou a via não-pacífica, a mais dolorosa”. Assim, os bolcheviques abandonaram a consigna “todo poder aos sovietes!” e a insurreição entrou na ordem do dia.

Aqui cabe uma advertência: o denominado “desenvolvimento pacífico da revolução”, apregoado por Lênin, não tinha nenhuma relação com a tese de “via pacífica para o socialismo”, defendida pelas correntes reformistas. Não se confundia com a gradual conquista do poder através da institucionalidade democrático-burguesa. O pressuposto de Lênin era a existência de um duplo poder, no qual o poder operário e popular possuía força política, moral e militar reais. Era preciso construir e fortalecer uma outra institucionalidade mais avançada e mais democrática de caráter operário e popular.

Derrotados os bolcheviques, a reação burguesa voltou-se contra os Sovietes e o governo provisório. O general Kornilov, comandante-em-chefe do exército, exigiu a dissolução imediata dos Sovietes. Não conseguindo seu intento, em 25 de agosto, lançou seu exército contra Petrogrado.

Constituiu-se então um vigoroso movimento de resistência dirigido pelos bolcheviques. Kornilov foi rapidamente derrotado e preso. O governo de Kerensky se enfraqueceu e os bolcheviques adquiriram grande autoridade moral e política.

O crescimento do Partido bolchevique foi assustador e ele passou a dirigir os Sovietes de Petrogrado e de Moscou. Lênin constatou uma nova “viragem histórica” no processo revolucionário e propôs uma alteração na tática – retomando a linha do “desenvolvimento pacífico”.

Os compromissos e as novas perspectivas do “desenvolvimento pacífico”
Em primeiro de setembro Lênin escreveu o artigo Sobre os compromissos. Nele afirmou: “A idéia corrente que o homem de rua tem dos bolcheviques, encorajada por uma imprensa que os calunia, é de que os bolcheviques nunca concordarão com um compromisso com ninguém (...). Contudo, devemos afirmar que esta é uma idéia errada (...). A Revolução Russa está a experimentar uma viragem tão abrupta e original que nós, como partido, podemos conceder um compromisso voluntário (...) com os nossos adversários mais próximos, os partidos pequeno-burgueses ‘dominantes’, os socialistas revolucionários e os mencheviques”.

Continuou ele: “O compromisso da nossa parte é o nosso regresso à exigência de antes de julho de todo poder aos Sovietes e um governo de social-revolucionários e mencheviques responsável perante ele (...), tal governo poderia ser instalado e consolidado de um modo perfeitamente pacífico (...) e proporcionar fortes possibilidades para grandes progressos nos movimentos mundiais pela a paz e vitória do socialismo (...) uma oportunidade extremamente rara na história e extremamente valiosa (...). O compromisso equivaleria ao seguinte: os bolcheviques, sem fazerem qualquer exigência de participação no governo (...) abster-se-iam de exigir a transferência imediata do poder para o proletariado e camponeses pobres e de empregar métodos revolucionários de luta por essa exigência. Uma condição evidente (...) consistiria na liberdade completa para propaganda e convocação da Assembléia Constituinte sem mais demora”. Mas concluiu: “Talvez isto já seja impossível? Talvez. Mas se ainda houver uma probabilidade em cem, o esforço para concretização desta oportunidade ainda valerá a pena”.

A hora da insurreição armada

Infelizmente, poucos dias depois essa situação propícia para uma transição pacífica ao socialismo já havia passado. Os mencheviques e os social-revolucionários não acataram a proposta dos bolcheviques, criando novamente um impasse no processo revolucionário. Lênin chegou a conclusão de que a insurreição armada estava novamente na ordem do dia.

Esta posição sofreu uma dura oposição. Numa reunião do Comitê Central, em 15 de setembro, a proposta de Lênin não conseguiu ser aprovada e ele resolveu abandonar o exílio. Em outubro já estava em solo russo e em outra reunião do Comitê Central bolchevique, ocorrida no dia 10 de outubro, suas posições saíram vitoriosas.

Abriu-se, então, a polêmica sobre a data da insurreição e quem a dirigiria. Para Trotsky ela deveria ser comandada pela direção do congresso dos Sovietes. Lênin defendeu que não se devia esperar, mas sim colocar a tomada do poder como fato consumado ao congresso e entregar-lhe o poder. O impasse continuou até o dia 16 de outubro, quando uma nova reunião decidiu pelas posições de Lênin.

Em sete de novembro, coincidindo com a abertura do II Congresso dos Sovietes, os bolcheviques tomaram o poder em nome do proletariado revolucionário. Mais tarde ele diria que havia sido mais fácil tomar o poder na Rússia do que dar os primeiros passos na construção da nova sociedade socialista.


Bibliografia

Bambirra, Vânia e Santos, Theotonio dos. La estrategia y la táctica socialistas de Marx y Engels a Lenin, Ediciones Era, México, 1981.
Cruz, Humberto M. da. Lenine e o Partido Bolchevique, Seara Nova, Lisboa, 1976.
Harnecker, Marta. Estratégia e Tática, Expressão Popular, São Paulo, 2004.
Instituto de Marxismo-Leninismo/PCUS, Lenine: Biografia, Lisboa-Moscou, 1984.
Gruppi, Luciano. O pensamento de Lênin, Graal, Rio de Janeiro, 1979.
Lênin, V. I. Obras escolhidas. Volume 2, Alfa-Omega, São Paulo, 1980.
________. Cartas sobre táctica. Editorial Estampa, Lisboa, 1978.
________. Cartas desde lejos. Editorial Progresso, Moscou, 1980.
________. Teses de abril, Acadêmica, São Paulo, 1987.

* Artigo publicado na revista Princípios 92, OUT/NOV, 2007
**Augusto Buonicore é historiador e membro da Comissão Editorial de Princípios.

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Boletim de atualização de Outras Palavras e Biblioteca Diplô - Nº 21 - 9/11/2010


Quase esquina com São João
No coração de São Paulo, o movimento por moradia ocupa um prédio abandonado e reivindica: as maiorias têm direito ao centro das metrópoles. Outras Palavras lança site especial a respeito

Os latifúndios de ideias
Como mega-empresas procuram apropriar-se, na era do conhecimento, de saberes cultivados por toda a humanidade. Por Ladislau Dowbor

Lula-Roussef: uma estreia Nem dependência, nem conflito. A primeira semana após as eleições mostrou que o presidente e sua sucessora podem compor, a partir de 2011,uma inovadora dobradinha política. Por Antonio Martins

Os EUA rumo ao quase-fascismo? Obcecado por um entendimento nacional impossível, Obama poupa culpados pela crise e abre espaço para a direita extremada. Por Walden Bello

Cinema e música cubana em São Paulo
O poeta Félix Contreras apresenta e debate dois filmes sobre a música e o quotidiano atual da Ilha. Nesta quarta-feira, 10/11

5ª Mostra de Cinema e Direitos Humanos na América Latina
Entre 8 de novembro e 19 de dezembro, em vinte capitais brasileiras

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Um plano para a Cultura

Um Plano para a Cultura
 
 
Congresso Nacional aprova diretrizes para política cultural
 
O Plano Nacional de Cultura (PNC) foi aprovado, por unanimidade, nesta terça-feira (9), na Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado Federal e segue agora para sanção presidencial. Depois de sua assinatura, o Ministério da Cultura terá 180 dias para definir metas a atingir na implementação do plano.
 
Demandado pela sociedade por meio da I e II Conferência Nacional de Cultura e em esforço conjunto entre o Ministério da Cultura e o Congresso Nacional, o PNC representa um avanço para a Cultura do país ao definir as diretrizes da política cultural pelos próximos 10 anos.
 
“A aprovação do Plano Nacional de Cultura é uma vitória muito grande, primeiro, porque institucionaliza os avanços obtidos nos últimos anos pelo governo federal na área da cultura e, depois, porque garante a continuidade das políticas culturais no Brasil”, comemorou o ministro da Cultura, Juca Ferreira.
 
A relatora do projeto, senadora Marisa Serrano, afirmou ser necessário ao Legislativo dar continuidade aos projetos em prol da cultura brasileira para que as diretrizes estabelecidas no Plano Nacional sejam eficazes ao marco regulatório do setor:  “O PNC servirá como ponto de partida para um conjunto de políticas culturais a serem construídas”.
 
O que é o Plano Nacional de Cultura?
 
O Plano Nacional de Cultura (PNC) é o primeiro planejamento de longo prazo do Estado para a área cultural na história do país. Sua elaboração como projeto de lei é obrigatória por determinação da Constituição desde que o Congresso Nacional aprovou a Emenda Constitucional nº 48, em 2005.
 
As prioridades e os conceitos trazidos por ele constituem um referencial de compartilhamento de recursos coletivos que norteará as políticas públicas da área num horizonte de dez anos, inclusive com metas.
 
Seu texto foi aperfeiçoado pela realização de 27 seminários, em cada unidade da federação, resultantes de um acordo entre MinC e Comissão de Educação e Cultura da Câmara.
 
Os 13 princípios do PNC
- Liberdade de expressão, criação e fruição
- Diversidade cultural
- Respeito aos direitos humanos
- Direito de todos à arte e à cultura
- Direito à informação, à comunicação e à crítica cultural
- Direito à memória e às tradições
- Responsabilidade socioambiental
- Valorização da cultura como vetor do desenvolvimento sustentável
- Democratização das instâncias de formulação das políticas culturais
- Responsabilidade dos agentes públicos pela implementação das políticas culturais
- Colaboração entre agentes públicos e privados para o desenvolvimento da economia da cultura
- Participação e controle social na formulação e acompanhamento das políticas culturais
 
Pelo projeto, o governo federal terá 180 dias para definir metas para atingir esses objetivos, que serão medidas pelo Sistema Nacional de Informações e Indicadores Culturais (SNIIC), já em implantação no Ministério da Cultura.
 
Os estados e municípios que quiserem aderir às diretrizes e metas do Plano Nacional de Cultura terão de elaboração seu respectivo plano decenal em até 180 dias. Para isso, contarão com assistência do MinC. O conteúdo será desdobrado, ainda, em planos setoriais.
 
(Comunicação Social/MinC)

Monteiro Lobato

Que você esteja em paz e harmonia. Abaixo segue uma breve reflexão.

MONTEIRO E A LITERATURA AFRO

Recentemente uma polêmica veio à tona relativamente a um livro.
O Conselho Nacional de Educação emitiu um parecer em que considerava que um livro de Monteiro Lobato tinha termos racistas em relação a um personagem e recomendava que a editora colocasse um texto para que os professores trabalhassem esse aspecto com os alunos.
Logo veio à tona uma polêmica: a de que estaria havendo uma censura a Monteiro Lobato, um clássico da literatura brasileira.
Em primeiro lugar queremos dar os parabéns ao Conselho Nacional de Educação por ter colocado o dedo na ferida e ter tocado num intocável. Não é por que é clássico que não pode ter seu racismo analisado e denunciado. Nesse sentido, quem leu Monteiro sabe que ele deve muito às teorias da antropologia racista do século XIX, como mostra o seu livro “Presidente Negro”, uma obra em que aquela pseudociência encontra acolhida.
No entanto gerações e gerações vêm sendo formadas por aqueles estereótipos que aparecem no sítio e em outros livros e nunca se esboçou em relação a isso nenhum tipo de censura.
Essa questão de censura, aliás, é uma questão dúbia. Por princípio, qualquer censura é abominável, mas vemos livros em que se leem palavrões serem sumariamente condenados, numa atitude que também pode ser considerada censura. Afinal, até que ponto se pode cercear a liberdade de um escritor ou uma escritora, transgressores quase sempre?

E o que será que fere mais um estudante negro: um palavrão ou um personagem negro ter colado a si o adjetivo “macaco”, por exemplo?

Monteiro continuará a habitar o imaginário das crianças por muito tempo, a julgar pela reação da mídia conservadora e das classes que ela representa, mas já é hora de exigir mais respeito na forma de livros que retratem sem estereótipos personagens afrodescendentes, e nisso a literatura afro tem trazido sua importante colaboração: os autores afro-brasileiros, especialmente os contemporâneos, têm procurado elaborar personagens dignos.

Valorizar livros assim seria uma forma de contemplar a diversidade, a exemplo do que faz a Prefeitura de Belo Horizonte, um modelo nesse sentido, pois procura oferecer a seus alunos livros que lidem com nossa diversidade étnica. O país agradeceria mais iniciativas como essas.

Que nesses novos tempos que se anunciam para o Brasil, com uma mulher sendo eleita presidente (uma prova de que algumas coisas podem mudar, uma coisa que a eleição de Obama já tinha mostrado), que nesses novos tempos possa haver mais espaço para o sonho e a esperança.

E é isso. Prepare-se. Dia 17 de dezembro será lançado o livro Cadernos Negros volume 33, de poemas. Na sala Olido, av. S. João, 473 - SP. E dias 18 e 19 de dezembro tem a Feira Preta, no Centro de Exposições Imigrantes.

Javali

Associações Protetoras de Animais - ONGs - cariocas pressionam para evitar a liberação do controle do javali no sul do país. Desconhecem a ferocidade dos animais, o seu descontrolado aumento populacional e os danos que causam na fauna e flora do Estado. Instrução Normativa que autorizava o abate por profissionais legalizados foi revogada pelo IBAMA, causando apreensão no meio rural, pelos estragos causados pela "praga do javali".
O mais grave é a utilização de "venenos" para reduzir a ação predatória dos javalis, com inevitáveis danos ao meio ambiente, mas que está sendo utilizada como medida radical, face a ausência de norma legal que ampare as ações dos produtores rurais.  
Enquanto na região de Vacaria a consulta ao Ministério Público deixou os produtores mais tranquilos, no restante do Estado aguarda-se Portaria Estadual (Secretaria da Agricultura) para normatizar o abate. Contudo, o Secretário Gilmar Tietböhl está inclinado a assinar o documento legal, desde que não inclua cães na localização dos javalis, o que tornará a Portaria inútil.  
A AGAJA - Associação Gaúcha do Javali Asselvajado - firmou posição, pelo seu presidente Cassiano Bocchese, que em ofício ao Secretário Tietböhl ratificou a posição dos produtores:
"Comprovadamente não há abate efetivo de javalis sem a ajuda do cão especializado para localizá-lo. Desta forma, a criação de uma portaria que especifica métodos de abate com pouca ou nenhuma eficiência simplesmente para contentar ONGs protetoras de animais não permitirá o controle e erradicação desta praga que dia-a-dia amplia seu crescente potencial devastador sobre lavouras, criações e comunidades de zonas rurais em todo o Rio Grande do Sul.
Com base na série de estudos e laudos técnicos e em diversos relatos de incidentes comprovados já disponíveis, ratifico que, caso a portaria seja emitida excluindo o uso de cães, o problema referente a esta praga não será resolvido. Além de não viabilizar o único método de controle  efetivo, uma portaria sem especificar o uso de cães, acarretaria um problema adicional para o Produtor Rural, que ficará legalmente a descoberto, uma vez que, no desespero de tentar preservar sua fonte de renda e o sustento para sua família, ele continuará a usar cães.
Está consagrada a efetividade dos cães  nas lidas diárias,  mesmo durante seus trabalhos a campo com gado ou lavoura. O produtor que sai a campo com cães, se defronta regularmente com javalis em matos e banhados, abatendo-os ocasionalmente.
Equipes de abate até recentemente instituídas e legalizadas pelo IBAMA desenvolveram as melhores e mais especializadas matilhas para localização de javalis. Elas constituem aparato e mão de obra especializados e gratuitos. A localização e o enfrentamento efetivo de varas de javalis em matas, lavouras e banhados só é possível com o auxílio de cães. O uso de cevas é de baixíssima eficiência pois consegue apenas sucesso em um exemplar enquanto os demais animais de uma vara imediatamente se dispersam quando o primeiro é atingido."  
Na defesa do produtor rural e angustiado com a falta de soluções, Cassiano Bocchese avança e sugere que a Portaria "Deveria permitir que o Produtor Rural pudesse abater javalis dentro do limite de sua propriedade com o uso de seus próprios cães. Melhor seria o texto da Portaria não mencionar e não restringir o uso de cães. Certamente no Estado não haverá oposição, pois nos sete anos em que o abate foi autorizado com o uso de cães, nunca houve contestação ou ação contrária. No Rio Grande do Sul, a comunidade e os técnicos do IBAMA, sabem e concordam com a nocividade do Javali e a efetividade no uso do cão para o seu controle."
O deputado Francisco Appio está sendo pressionado a apresentar proposta legislativa sobre o assunto, mas a matéria é de competência da União e foge da alçada estadual, lamenta o parlamentar, preocupado com o clima de insegurança, criado no meio rural. 
 
 
Deputado Estadual Francisco Appio - www.appio.com.br
 

As Prendas Vacarianas

A minha vida acho que daria um filme, de tantas idas e vindas, a gente sempre se decepciona e parece que não consegue a felicidade no tal dito sentimento chamado amor. Eu aqui em Vacaria não dou sorte com as vacarianas, algumas são muito agressivas, mal educadas e grossas. Não sei elas gostam dos homens machistas gaudérios que dão tapa na cara delas, que são mulherengos ou de marginais. Mas vida é assim aqui em Vacaria RS tudo é difícil até conseguir uma namorada, um bom emprego e crescer na vida. Agora o pilantra safado se dá bem por esses pagos como falam os gaudérios. Não sei se as vacarianas aprenderam no berço do seu lar a ver seus pais agredirem as suas mães ou educação é agressiva e relacionamento familiar dentro das suas casas é assim também. Mas falar de amor e carinho para as vacarianas é motivo de brigas e rompimento e inimizades. O tempo passa e a cabeça delas não muda. Talvez o tempo vai explicar.

As Decepções Amorosas

Infelizmente o ser humano não consegue voltar no tempo e as vezes não escreve novos rumos para o seu destino. A vida é injusta muitos que não merecem encontram amores verdadeiros e outros nunca conseguem encontrar o amor verdadeiro a pessoa legal. Alguns encontram somente malucas que não sabem o querem da vida. Alguns que são verdadeiros instituições do pensamento não conseguiram ser felizes e nem encontraram o amor verdadeiro. O escritor Euclides da Cunha um intelectual que foi traído pela sua esposa que o traiu com um jovem militar do exército, que assassinou Euclides da cunha e foi promovido no exercito brasileiro, aliás grande injustiça a vida é assim o cara roubou a mulher do próximo e matou o marido saiu livre, pecado capital não cobiçar a mulher do próximo. 
Mas ética e a moral é somente nas missas católicas e nos cultos evangélicos um exemplo é a grande Vacaria dos Pinhais. Onde os pilantras e safado se dão bem e são tratados como heróis. Mas a vida é assim cheias de injustiças para os justos, aqueles que pensam no bem estar social são relegados no fundo do baú da história. Os maus vencem sempre na sociedade moderna e ficam para história. Nós não conseguimos voltar no tempo e recuperar e consertar os fatos, as magoas e as decepções de nossas vidas.