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terça-feira, 3 de junho de 2014

Cultura


BOLETIM EXTRA Nº 32-14            02.06.2014
Convite
Representação Regional Sul - Ministério da Cultura
Rua André Puente, 441/604 - Porto Alegre - RS. CEP: 90.035-150 - Fone: (51) 3204.7600
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PRONAC: Clara Cristina Zitkoski - clara.zitkoski@cultura.gov.br - atendimentopronacsul@cultura.gov.br
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Inter 4 x 1 Grêmio (Final do Gauchão 2014) parte 17

Inter 4 x 1 Grêmio (Final do Gauchão 2014) parte 17

Inter 4 x 1 Grêmio (Final do Gauchão 2014) parte 16

Inter 4 x 1 Grêmio (Final do Gauchão 2014) parte 15

Desfile das Campeãs de Porto Alegre parte 97

Novos Jogadores do Inter de Lages SC


Novas figuras
Conheça parte dos reforços do Inter para a disputa da Série B do Catarinense
Nesta segunda-feira, o Internacional de Lages recebeu mais seis reforços para a disputa da Série B do Campeonato Catarinense. Os atletas se juntaram ao grupo que, desde o início de maio, trabalha sob o comando do técnico Nasareno Silva.
Um dos reforços já é conhecido da torcida colorada. O zagueiro Vitor Hugo, de 26 anos, retorna ao Inter depois de, no ano passado, ter conquistado a divisão de acesso (atual Série C) do Campeonato Catarinense. Após o título, Vitor foi contratado pelo Operário de Ponta Grossa para a disputa do Campeonato Paranaense.
Vitor Hugo se junta a dois reforços que estão em Lages desde semana passada - e que, assim como o zagueiro, foram campeões com o Inter em 2013. O goleiro Renan, de 21 anos, está de volta à cidade depois de defender o Boa Esporte no Campeonato Mineiro. Com ele também chegou o volante Maguila, que nesta semana completa 30 anos. Maguila disputou o estadual do Espírito Santo pelo Colatina.
As novidades desta segunda-feira não incluíram apenas rostos já conhecidos da torcida. Pablo, de 32 anos, chega ao Inter para atuar pela primeira vez no futebol catarinense. O goleiro, com passagens por clubes como Moto Club (MA) e Iraty - pelo qual foi campeão paranaense em 2002 -, defendeu o São Paulo de Rio Grande na elite do Campeonato Gaúcho deste ano.
Outro que fará sua estreia no futebol catarinense é Emerson Dantas. O volante de 30 anos, formado nas categorias do Inter de Porto Alegre, tem passagens por clubes como Grêmio Barueri (SP), Crac (GO) e São Paulo de Rio Grande, além do Al Oruba, de Omã, no Oriente Médio. Seu clube mais recente foi o Glória de Vacaria.
Rostos conhecidos
A lista tem estreantes no futebol catarinense, mas também três nomes conhecidos no estado. O volante Xipote chega ao Inter depois de defender o Marcílio Dias no estadual deste ano. Aos 32 anos, o volante - que em Santa Catarina soma passagens por clubes como Metropolitano, Brusque, Guarani de Palhoça e Atlético de Ibirama - vestirá a camisa colorada pela primeira vez.
Santos, de 28 anos, é outro nome conhecido no futebol catarinense. No estado, o lateral-esquerdo vestiu as camisas de Chapecoense, Atlético Tubarão, Atlético de Ibirama, Metropolitano e Brusque. Neste primeiro semestre, Santos disputou o Campeonato Alagoano pelo CSA.
A lista de reforços desta segunda-feira se completa com outro que estreia com a camisa colorada: Leandro Branco. Aos 31 anos, o meia-atacante chega ao Inter tendo no currículo passagens por Chapecoense, Criciúma, Marcílio Dias, Metropolitano e Atlético Tubarão. No exterior, o jogador defendeu o Audax Italiano, do Chile, e o português Vitória de Setúbal. Neste ano, ele foi vice-campeão sul-mato-grossense pelo Águia Negra.
Sobre Leandro Branco, duas curiosidades: a primeira é que seu nome foi revelado oficialmente como reforço do Inter no exato dia em que o atleta completou 31 anos de vida. A outra curiosidade é que, embora seja lageano de nascimento, Leandro Branco vai defender pela primeira vez o time de sua terra natal (leia mais sobre Leandro Branco neste link).
O Inter ainda vai anunciar mais reforços nos próximos dias. 

Sonhos não envelhecem
Aos 31 anos, Leandro Branco realiza desejo de infância de defender o time de sua terra natal
O encontro entre Leandro Branco e a camisa colorada é mais do que apenas o anúncio de um reforço do Inter de Lages para a temporada de 2014. Esse encontro é, também, o resgate de uma geração inteira de jovens promessas do futebol que sonharam em defender o time de sua cidade, mas que tiveram o sonho mutilado por causa dos problemas do clube.
Sem dinheiro, o Internacional de Lages afastou-se completamente das competições oficiais entre 1996 e 1999. O fim daquela década seria o momento em que dezenas de jovens atletas fariam a passagem das categorias de base para o futebol profissional. Para lageanos e serranos que sonhavam em se transformar em jogadores de futebol, o Inter seria a ponte natural para essa transição - se, é claro, ele não estivesse em frangalhos.
Sem oportunidade no Inter, muitas jovens promessas desistiram do futebol profissional. Leandro Branco acabou tendo que perseguir a bola em outras plagas. Ele defendeu Chapecoense, Marcílio Dias, Criciúma, Ituano (SP), Confiança (SE) e Metropolitano, entre outros. No exterior, jogou no Audax Italiano, do Chile, e no português Vitória de Setúbal, pelo qual foi campeão da Taça da Liga (então chamada de Carlsberg Cup). A emocionante final, contra o Sporting, foi decidida nos pênaltis.
Leandro Branco foi oficialmente anunciado como reforço do Colorado Lageano nesta segunda-feira, dia 2 de junho. Nesta mesma segunda-feira, o meia-atacante completou 31 anos de idade. "Eu tinha um sonho de defender o Inter, time da minha cidade, o time que eu ia ver jogar quando era criança", disse Leandro em entrevista à Rádio Princesa. 
Aos domingos, o pequeno Leandro deixava os campinhos do bairro Bela Vista e ia ao Estádio Vidal Ramos Júnior acompanhado do pai. Foi nesses programas dominicais que o Inter fez Leandro sonhar em virar jogador. Foi o Inter que o fez ganhar o mundo. No Inter - e em nome de uma geração que não conseguiu defender o clube da cidade -, sonho e sonhador vão finalmente se encontrar.

NOS ANEXOS:
- Montagem com os novos rostos do Inter de Lages
- Os reforços do Inter anunciados nesta segunda

-- 
Inter de Lages
Imprensa

www.interdelages.com.br






Desfile das Campeãs de Porto Alegre parte 96

Desfile das Campeãs de Porto Alegre parte 95

Desfile das Campeãs de Porto Alegre parte 95

Mensagem

Bom Dia!
Mensagem do Dia.

Por mais difícil que seja acreditarmos nisso, todas as dificuldades da vida são oportunidades de aprendizado. É claro que enquanto ainda não estamos suficientemente maduros para perceber isto, os desafios se assemelham a um castigo e nos levam a questionar as razões pelas quais estamos passando por aquela circunstância.

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Presidência da República

Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Decreto/Image4.gif
Política Nacional de Participação Social - PNPS
Sistema Nacional de Participação Social

Clique e conheça


Passado Negro no RS


O racismo e a sonegação da história afrodescendente no Rio Grande do Sul.
 
Entrevista especial com Jorge Euzébio Assumpção

“Há uma apropriação do passado dos negros pelos imigrantes não só por causa dos imigrantes, mas devido ao mito de o Rio Grande do Sul ser um estado diferenciado”, pontua o historiador. 

“Qual é o símbolo de que temos presença negra no Rio Grande do Sul?”, pergunta Jorge Euzébio Assumpção, na entrevista a seguir, concedida pessoalmente à IHU On-Line. A resposta é categórica: “Nenhuma. Não há nenhum símbolo que demonstre a presença negra no estado. O negro passa quase que invisível pela história do Rio Grande do Sul e essa invisibilidade faz parte do racismo sulino, ou seja, ao negar e sonegar o papel dos negros no estado, estamos praticando um ato de racismo, porque se está, inclusive, escondendo as fontes históricas”.
Autor do livro Pelotas: escravidão e charqueadas 1780-1888 (Fcm Editora, 2013), resultado da sua dissertação de mestrado, o historiador demonstra que os afrodescendentes tiveram um papel fundamental no desenvolvimento econômico do Rio Grande do Sul, o qual é atribuído majoritariamente aos imigrantes alemães, italianos e açorianos, que colonizaram o estado a partir da segunda década de 1800. “Com a criação das grandes charqueadas, a partir de 1780, houve uma introdução de negros em grande escala no Rio Grande do Sul.
Pelotas foi a cidade em que proporcionalmente houve maior número de trabalhadores escravizados no Rio Grande do Sul, e, por consequência, o maior número de negros proporcionalmente. Calcula-se que Pelotas chegou a ter mais de 70% da sua população descendente de negros escravizados ou não”. Assumpção esclarece que não está negando o valor do imigrante na história gaúcha, “mas tentando restabelecer uma ordem de dizer que não foram somente os imigrantes os responsáveis pelo desenvolvimento do Rio Grande do Sul, mas também os negros, os quais tiveram uma participação anterior à do imigrante”.
De acordo com o pesquisador, a historiografia gaúcha passou a ser revista a partir dos anos 1980, mas ainda persiste no imaginário popular a imagem do gaúcho e da formação de um estado de imigrantes. “Há todo um mito em torno do imigrante do Sul do país, e que este é o estado mais europeu da nação. Por isso, grande parte da pesquisa dos historiadores sonega a participação do negro, porque eles contribuem com esse mito de que o Rio Grande do Sul é formado por imigrantes. Isso leva, por sua vez, ao mito do gauchismo no sentido de que no Sul se teve uma formação diferenciada por conta da qualidade aventureira do gaúcho e aqui a escravidão não se fez presente”. E acrescenta: “O Rio Grande do Sul é, sim, um estado racista. Contudo, com a vinda dos imigrantes, a quantidade de negros pareceu diminuir diante da quantidade desses imigrantes que entraram no estado. Mas esse mito mantém-se até hoje”.
Jorge Euzébio Assumpção é graduado em História pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS e mestre em História pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Atualmente é professor dos cursos de graduação e pós-graduação da Faculdade Porto-Alegrense – FAPA, onde coordena o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros – NEAB, e da Unisinos.
Confira a entrevista.
IHU On-Line - Como a historiografia tem abordado a atuação dos afrodescendentes no Rio Grande do Sul?
Jorge Euzébio Assumpção – De certa forma, até alguns anos atrás, essa questão não era abordada, porque para grande parte dos historiadores, os negros que viviam no Sul não haviam participado efetivamente da história do Rio Grande do Sul. A partir dos anos 1980 inicia um resgate da história da vinda dos negros para o estado e de sua importância.
Nesse meio tempo, houve uma lacuna na história, porque alguns historiadores negaram a participação do negro na história do Rio Grande do Sul, dizendo que ela aconteceu, mas foi pequena, sem tratar da dimensão que deveria, uma vez que o negro foi de fundamental importância para a conquista e a prosperidade do território sulino. Quase sempre que se fala do progresso do Sul, se atribui essa função aos imigrantes alemães e italianos e se sonega a participação da atuação dos afrodescendentes, quando se sabe que eles tiveram uma participação marcante nesse processo, porque quando da chegada dos portugueses noSul, eles trouxeram os negros, os quais se fizeram presentes antes da oficialização do sul como território português.
IHU On-Line - O senhor menciona que a historiografia tradicional costuma associar o desenvolvimento do Rio Grande do Sul com a vinda dos imigrantes europeus, esquecendo-se dos afrodescendentes. Qual era o contexto do Sul do Brasil antes da chegada dos imigrantes e qual foi a atuação dos afrodescendentes nesse período?
Jorge Euzébio Assumpção – O Sul do país teve uma ocupação tardia porque à época havia um modelo agroexportador do Brasil para Portugal, ou seja, da colônia para a metrópole, e o Sul não fornecia as mercadorias que a metrópole queria, como cana-de-açúcar. O Rio Grande do Sul, nesse momento, foi deixado de lado, mas com as guerras de fronteira, posteriormente foi dado um destaque à região. Sendo assim, houve um interesse político militar na ocupação do Sul do país e, somente aí, os portugueses começam a se interessar pela ocupação do Rio Grande do Sul efetivamente. Quando iniciou a ocupação do Rio Grande do Sul, os negros começaram a entrar no território juntamente com os portugueses e foram fundadas algumas colônias, como a de Sacramento. Isso se deu antes da chegada dos imigrantes no Sul.

"Quem trabalhava no século XIX eram os escravos. Em todo o Brasil foi assim"

IHU On-Line – Qual foi a relação dos imigrantes com os negros que estavam no Sul do país? Eles escravizaram os negros?
Jorge Euzébio Assumpção – Sim. Embora a lei não permitisse, os imigrantes tinham escravos, sim, por conta da grande propriedade rural. Apesar de os imigrantes não terem vindo para o Sul com uma grande propriedade rural, mesmo assim, eles precisavam da mão de obra.
Então, em menor escala, escravizaram, sim. Há, inclusive, documentos que mostram que os colonos de São Leopoldo tinham escravos. Nesse sentido, o imigrante vai fazer parte desse contexto escravista, muito embora ele venha para ocupar a pequena propriedade rural. 
Houve um estímulo no Sul para a ocupação de terras. Agora, esse mesmo estímulo dado ao imigrante não foi oferecido para o negro, porque a mão de obra do negro era barata.
Portanto, quando se precisava de trabalhadores, pegava-se o negro, mas como também era necessária uma ocupação do território, chamou-se o imigrante, porque nada melhor do que a pigmentação da pele para diferenciar os inferiores, ou seja, o negro enquanto escravo.
IHU On-Line - Qual era o contexto histórico, social e político de Pelotas em 1814? Por que a cidade foi o grande centro afro-brasileiro da província e como se dava a relação entre afrodescendentes e não afrodescendentes?
Jorge Euzébio Assumpção – O Sul do país, diferente do resto do país, tem um foco na produção interna, e não externa. Assim, produzia produtos que alimentavam o mercado interno, como o charque a partir do gado. Antes, essa produção era feita no Ceará, mas com a seca, José Pinto Martins, um cearense, mudou-se para o Sul e instalou a primeira grande charqueada em Pelotas, no Rio Grande do Sul, porque a lagoa favorecia o escoamento da mercadoria. Embora o charque já fosse produzido no estado, com José Pinto Martins iniciou-se a produção em grande escala, a qual favoreceu o crescimento e o desenvolvimento de Pelotas. O charque trouxe a riqueza para a cidade, tornando-a a grande cidade do Rio Grande do Sul no século XIX, sendo mais importante que Porto Alegre. As companhias de teatro, antes de apresentarem as peças em Porto Alegre, as apresentavam em Pelotas. Então, o desenvolvimento de Pelotas se deu através da mão de obra escrava, por conta da produção de charque.
IHU On-Line – Nessa época o número de escravos era maior do que a população em geral da cidade?
Jorge Euzébio Assumpção – O charque deu condições para que entrasse no Rio Grande do Sul uma quantidade grande de negros escravos. Até então havia uma pequena, mas significativa, entrada de negros no estado. Mas com a criação das grandes charqueadas, a partir de 1780, houve uma introdução de negros em grande escala no Rio Grande do Sul.
Pelotas foi a cidade em que proporcionalmente houve maior número de trabalhadores escravizados no Rio Grande do Sul, e, por consequência, o maior número de negros proporcionalmente. Calcula-se que Pelotas chegou a ter mais de 70% da sua população descendente de negros escravizados ou não, porque nem todo negro era escravo. Já nessa época, no século XIX, o censo de 1914 demonstra um número significativo de negros não escravos. Mas não é pelo fato de esses negros não serem escravos que eles tiveram uma vida semelhante à do homem branco trabalhador.

"A partir do momento em que se diz que no estado teve escravo e que ele foi fundamental para o desenvolvimento do Rio Grande do Sul, se nega o mito do gauchismo"

IHU On-Line – Os negros não escravos tinham escravos?
Jorge Euzébio Assumpção – Muito poucos, porque quase sempre quando um negro comprava um escravo, o fazia para poder comprar a sua carta de alforria. Era aceitável, à época, que o negro fizesse pequenos “bicos” e, através deles, acumulava uma certa quantidade de riqueza e com ela comprava um escravo para que ele ficasse livre. Mas o número de negros que possuíam escravos era muito reduzido.
IHU On-Line – É possível estimar quantos escravos havia em Pelotas trabalhando nas charqueadas entre 1780 e 1888?
Jorge Euzébio Assumpção – O censo de 1814 mostra que havia 32.300 pessoas residindo na cidade. Dessas, 8.655 eram indígenas, 5.399, homens livres, e 20.611 eram escravos. Se somarmos os indígenas, os livres negros e os recém-nascidos descendentes de negros, é possível verificar uma população significativa de escravos. Se esses escravos somavam esse percentual, mostra-se que eles não foram insignificantes como alguns historiadores fazem parecer.
IHU On-Line – Há um discurso de que o Rio Grande do Sul é o estado mais racista do Brasil. Esse discurso está atrelado a essa sonegação de informações acerca do papel dos negros no estado? Em outros estados, como Minas Gerais, houve bastante trabalho escravo, mas isso é visível na memória de Ouro Preto, por exemplo. Por que o mesmo não ocorre no Rio Grande do Sul?
Jorge Euzébio Assumpção – Quando eu vou para outros estados e digo que sou do Rio Grande do Sul, as pessoas não acreditam, porque o imaginário que se tem é que no Sul só existem pessoas brancas. Há todo um mito em torno do imigrante do Sul do país, e que este é o estado mais europeu da nação. Por isso, grande parte da pesquisa dos historiadores sonega a participação do negro, porque eles contribuem com esse mito de que o Rio Grande do Sul é formado por imigrantes. Isso leva, por sua vez, ao mito do gauchismo no sentido de que no Sul se teve uma formação diferenciada por conta da qualidade aventureira do gaúcho e aqui a escravidão não se fez presente. O Rio Grande do Sul é, sim, um estado racista.
Contudo, com a vinda dos imigrantes, a quantidade de negros pareceu diminuir diante da quantidade desses imigrantes que entraram no estado. E esse mito mantém-se até hoje. 
Qual é o símbolo de que temos presença negra no Rio Grande do Sul? Nenhuma. Não há nenhum símbolo que demonstre a presença negra no estado. O negro passa quase que invisível pela história do Rio Grande do Sul e essa invisibilidade faz parte do racismo sulino, ou seja, ao negar e sonegar, estamos praticando um ato de racismo, porque se está, inclusive, escondendo as fontes históricas.
IHU On-Line – Trata-se de um racismo no sentido de sonegar a informação do papel do negro no desenvolvimento do estado?
Jorge Euzébio Assumpção – Sonegar essa informação é uma forma de ser racista no sentido de que não se dá o mérito às pessoas, ou seja, aos negros, pelo desenvolvimento do estado. Esse processo está dentro da nossa história e de todo o “romanceamento” da história do Rio Grande do Sul, a qual foi contada de uma maneira mitológica pelos historiadores. Dentro desse contexto, não pode haver a escravidão, porque a partir do momento em que se diz que no estado teve escravo e que ele foi fundamental para o desenvolvimento do Rio Grande do Sul, se nega o mito do gauchismo. Não estou negando que se dê valor ao imigrante, deve-se dar, mas tentando restabelecer uma ordem de dizer que não foram somente os imigrantes os responsáveis pelo desenvolvimento do Rio Grande do Sul, mas também os negros, os quais tiveram uma participação anterior à do imigrante.
Na casa da Feitoria, em São Leopoldo, os negros faziam linho cânhamo, mas hoje essa é considerada a casa do imigrante. Há, portanto, uma apropriação do passado dos negros pelos imigrantes não só por causa dos imigrantes, mas devido ao mito de o Rio Grande do Sul ser um estado diferenciado. Estamos tentando mostrar que o Rio Grande do Sul não é um estado diferenciado; ele tem os mesmos componentes que teve o restante do Brasil à época.
IHU On-Line - A sua pesquisa trata da escravidão nas charqueadas de Pelotas, no Rio Grande do Sul, entre 1780 e 1888. O que a sua pesquisa aponta sobre a escravidão no extremo sul do Rio Grande do Sul, especialmente nas charqueadas?
Jorge Euzébio Assumpção – As charqueadas eram ambientes insalubres e nenhum homem livre queria trabalharnelas. Historiadores da época as narram como lugares sujos, onde se matava o boi, onde havia sangue e vinham as aves; era um local totalmente anti-higiênico.
Não havendo homens livres para trabalhar nas charqueadas, os negros foram obrigados a trabalhar nelas e foram submetidos a um regime monstruoso, porque eles trabalhavam com faca, e o escravo armado representava risco. Ocorreu, portanto, uma grande vigilância sobre eles, e não raro houve escravos matando e dando facadas nos capatazes e tentando matar os senhores. A violência nas charqueadas era muito grande, porque o tratamento dado aos negros era cruel. Tanto é que Auguste de Saint-Hilaire relata que nunca viu alguém ser tão maltratado como eram os escravos nas charqueadas.
Essa relação entre senhor e escravo foi marcada pela violência. O negro nunca se submeteu à escravidão e, portanto, partia para o confronto, o qual nem sempre era aberto, porque as condições não eram favoráveis a ele. Assim, a fuga foi a manifestação mais direta dessa resistência. Entretanto, ainda não se tem, estatisticamente, o número de negros que fugiram do trabalho escravo. Vários desses negros que fugiram do trabalho escravo, nos momentos de conflito, como a Guerra dos Farrapos, foram para estados vizinhos, como o Uruguai, onde eles se alistavam no exército.
IHU On-Line – No Uruguai havia outra consciência em relação aos negros?
Jorge Euzébio Assumpção – Sim, porque no Uruguai a abolição dos escravos se deu muito antes do que no Brasil. Chegando lá, os negros iam para o exército uruguaio, tanto que o exército de Artigas era composto basicamente por negros fugidos. Os Farrapos foram, muitas vezes, ao Uruguai buscar os escravos fugidos. Além disso, a ida dos negros para o Uruguai causava medo aos senhores, porque eles temiam que os negros voltassem para atacar suas terras. Esse foi um dos motivos pelos quais foi dada a alforria aos nascidos negros.
Grande parte do exército dos Farrapos era composta por negros. Esse é outro fato ignorado pela historiografia gaúcha. Esses negros foram para a guerra com a promessa de, depois, serem libertos. Contudo, com o acordo de paz entre o Império e os Farrapos, não se soube o que fazer com os negros, porque o império não aceitava que fosse dada a liberdade aos escravos. Sendo assim, foi feito um acordo entre os Farrapos e o Império, no qual o Barão de Caxias e David Canabarro tramaram o assassinato dos negros: Canabarro desarmou os negros e avisou Caxias, que então os atacou. O acampamento Farrapos não era um acampamento onde todos ficavam juntos: índios, negros e brancos ficavam divididos cada um no seu grupo. Nem ali existiu uma democracia racial. Quando Caxias mandou atacar o grupo dos negros, ele ressaltou que era para atacar os negros e poupar a vida dos índios e dos brancos, “pois essa pobre gente poderia ser útil algum dia”. Essa foi a chamada traição de Porongos, que até hoje é discutida. Os tradicionalistas não aceitam essa discussão, porque toca na imagem de Canabarro, que é um dos ícones deles.
Mas esse fato está documentado e os documentos provam que os negros foram assassinados. Após esse episódio, foi assinada a paz, mas a escravidão permaneceu no Rio Grande do Sul. Portanto, os negros que lutaram com osFarrapos e não foram mortos, foram vendidos como escravos. Esse é outro mito de que os Farrapos queriam a libertação dos escravos. No anteprojeto de constituição elaborado pelos Farrapos, constava a permanência da escravidão. Portanto, nós construímos uma história cheia de mitos e romances, e é difícil ir contra eles, porque já estão enraizados na cultura gaúcha.

"O desenvolvimento de Pelotas se deu através da mão de obra escrava, por conta da produção de charque"

IHU On-Line - A que o senhor atribui o fato de cidades como Porto Alegre, Rio Pardo, Cachoeirinha, Pelotas e Piratini serem as principais cidades escravistas no Rio Grande do Sul em 1814?
Jo