Rádio WNews

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Políticos

Adami e demais,

Já não tenho mais estomago para fazer debate com essa gente.
Pelo sobrenome você já percebe o porquê da antipatia às ações afirmativas.
Você tem toda razão quando fala que "elles" beberam, e quase esvaziaram o pote
de mel, mas agora, na hora de dividir as riquezas que ´nós, negros e negras,
acumulamos para "elles" usufruírem é porque queremos "racializar" o país da
"democracia racial".
Os filhinhos abastados delles podem, mesmo tendo os cofres cheios, freqüentar
universidades públicas e continuar o legado delles de acumulação de todos os
tipos de capital, econômico, intelectual, social, etc.
Acho pertinente que os mande verificar os indicadores brasileiros com corte de
raça.
Mesmo sendo os institutos, tanto brasileiros quanto os internacionais que dizem
que o Brasil é um país racista e discriminador elles não aceitam.
É algo lógico, cresceram nos chamando de mulatos (filhos de mula, coisa criada
pelas sinhazinhas descornadas) , mentiram dizendo que vivíamos numa democracia
racial, diferente dos EUA, mas lá, os filmes colocam negros em papéis
principais, por força de lei. Lá são obrigados a nos dar vagas nas escolas e
universidades e por força de lei. Lá não adiante reclamar, se não
houver visibilidade para os negro tal qual para os brancos "bixo pega".
Mas estes senhores e senhoras deveriam ler as resoluções da Conferência
Internacional de Durban, África do Sul, 2001. O Brasil assinou e se comprometeu
a cumprir tais resoluções, e se uma centena de países reconheceram que a
escravidão aconteceu e que precisa ser reparada, só elles continuam a não
admiti-la.
É quase como se, nós negros, não admitíssemos o Holocausto, página tão brutal da
humanidade quanto a que dizimou mais de 4 milhões de negros nos mais de 350
anos de tráfico negreiro.
Em contrapartida, seu Boehme e seus seguidores tentam nos fazer crer que o
racismo brasileiro vai acabar com escolas de ensino fundamental.
Estas mesmas escolas se negam a contar nossa história de afro-brasileiros e de
África.
O poder econômico delles se nega a nos dar visibilidade nos parlamentos, nos
executivos, nas empresas, etc.
Essa luta que elles dizem ser racial, de fato traduz a realidade dos dois
brasis, o branco polpudo e o negro miserável.
A muito não respondia estes ataques porque essa gente não merece que queimemos
fosfato debatendo com racistas pré-históricos. Elles não irão desistir de
garantir seu caviar e carro importado do ano na garagem. Azar destes negrinhos
que, invés de voltarem para África ficaram por aqui querendo as mesmas benesses
dos brancos que "construíram" este país com seu suor e com o nosso sangue negro.
Mas Adami, não te preocupas, a hora delles irá chegar, tardará, ma irá chegar.
Asé.

Luiz Mendes
Sociólogo
Diretor do Sindjus/RS
Coordenador da CECDR/CUT/RS
Membro do Fórum de Educação e Diversidade Étnico Racial do RS

Citando Gerhard Erich Boehme :

Caro Sr. Adami, o debate é sempre mais proveitoso.

"Eu tenho um sonho. O sonho de ver meus filhos julgados por sua
personalidade, não pela cor de sua pele." (Martin Luther King)

Não me preocupo tanto com os 114 intelectuais, mas me preocupa a tentativa de
se tentar desqualificá- los. Eles adotam um posicionamento claro, que evidencia
a importância de se denunciar a demagogia política que visa “agradar” os
chamados afrodescendentes, com propostas que não irão mudar a realidade da
quase totalidade dos pobres do Brasil.

Mesmo com a política demagógica das cotas a realidade não será alterada, esta,
e disso tenho certeza, somente virá quando investirmos em um ensino
fundamental de qualidade, mas ir na direção certa, na rota de se retirar o
meio que estes políticos demagogos utilizam para conquistar seus eleitorados,
a ignorância de um povão, no melhor estilo de uma oclocracia
(http://www.if. org.br/analise. php?codAnalise= 121).

Quanto as cotas, concordo com dois artigos excelentes sobre o tema, um deles
da Lya Luft (http://veja. abril.com. br/060208/ ponto_de_ vista.shtml) e outro do
Professor Ives Gandra Martins
(http://www.conjur. com.br/2008- mar-11/cota_ racial_forma_ discriminacao_ imposta_lei).
E temos que concordar com ele, isso se quisermos viver em uma democracia e não
em uma oclocracia, pois o sistema de cotas é inconstitucional, porque fere o
princípio fundamental de igualdade entre os cidadãos: "É uma discriminação às
avessas, em que o branco não tem direito a uma vaga mesmo se sua pontuação for
maior. Reconheço que o preconceito existe, mas a política afirmativa não deve
ser feita no ensino superior, e sim no de base".

É neste ponto que os brasileiros estão sendo enganados, e os chamados
afrodescendentes sendo manipulados, pois é justamente no ensino público que
reside uma outra crítica à reserva de vagas. Ao adotar a medida, que não gera
custos para os cofres públicos, o governo pode deixar para segundo plano o
problema da educação fundamental. E o que é pior, investir em ações que
intencificarã o a discriminação espacial, como o estelionato eleitoral em curso
(Veja anexo).

Refletindo sobre a frase de Martin Luther King, ele toca em um ponto
fundamental, o que de fato denuncia também o conceito que está detrás do
sistema de cotas: o fato de virmos a julgar as pessoas não pelos próprios
méritos, mas pela cor de sua pele.

Quanto à história do Brasil, ao contrario do que se propõe estes mesmos
políticos demagogos, que tentam reescrevê-la, temos sim que estudá-la melhor,
consultar uma infinidade de documentos que ainda não mereceram a devida
atenção. E particularmente me ofende quando se tenta colocar que ela tenha
sido escrita de forma diferenciada aos imigrantes europeus, pois neste ponto
deveríamos estudar uma outra história que também foi omitida ou distorcida no
Brasil, cito como exemplo o livro “Memórias de uma (outra) guerra”
(http://www.agecom. ufsc.br/index. php?secao= arq&id=2573 e
http://www.seer. ufu.br/index. php/neguem/ article/viewFile /446/415).

Agora, se os afrodescendentes, tem lugar de destino o fundo da pirâmide
social, econômica, de emprego, como brasileiros de 2a. classe (Sic), isso se
deve a dois motivos, a falta de uma educação fundamental, o que por si só
anula todo o potencial de uma pessoa, independente de sua etnia, e ao conflito
cultural, em especial quanto aos valores, pois o apreço à família e a
paternidade responsável não é própria dos afrodescendentes, basta ver que na
Bahia, mais de 60% das famílias são mantidas pelas mulheres. Certamente que a
falta de apreço pela família, a fidelidade conjugal em especial, deve ser mais
um dos perversos efeitos da marginalização decorrente da falta de um ensino
fundamental.
Quanto ao Instituto Ethos, é elogiável o trabalho que vem sendo desenvolvido,
razão de nossa empresa ter apoiado o seu trabalho neste sentido.
Quanto a mencionar o termo racismo, este é um conceito que não é apropriado
para designarmos a questão das diferenças entre etnias no Brasil. Raça tem uma
única, a humana.

Vejo como racista aquele que considera o negro inferior, buscando dar a ele
tratamento especial que somente se justifica seja dispensado a deficientes
físicos ou deficientes mentais. A estes deve haver proteção por parte do
Estado, pois a luta pela vida é desigual, àqueles deve ser assegurada uma boa
educação para que possam também vencer pelos seus próprios méritos.

Tenho como uma das mais importantes referências a figura do Engenheiro André
Pinto Rebouças, que segundo esta proposta racista de dividir os brasileiros
pela cor da pele, não seria considerado um brasileiro, mas um afrodescendente.

De minha parte tomo partido contra o sistema de cotas e qualquer outro tipo de
segregação ou discriminação entre todos os brasileiros, e dou total apoio a
todos que são contra o sistema de cotas, pois é um critério que divide o país
entre brancos e negros e que esta não é a melhor forma para se resolver o
problema da desigualdade racial. “Somente um serviço público de qualidade para
todos pode mudar a realidade de exclusão que nós vivemos. Não é com cotas. Eu
defendo a igualdade de todos os brasileiros e aplaudo as iniciativas
inteligentes como a do Movimento Negro Socialista, um dos poucos referenciais
inteligentes neste sentido, próprio de alguém que não se deixa manipular ou
alvo de demagogia política”.

Outro grave risco é que propostas como esta podem levar a sociedade a correr
"um sério risco" de perder sua unidade nacional.

As cotas são um "arremedo para aliviar as culpas de uns e outros e fazer com
que o país seja dividido em brancos e negros" e para que não sejam atacadas as
causas dos problemas fundamentais do Brasil e dos brasileiros: a educação
fundamental que não alcança a todos os brasileiros e que não é de qualidade.
Entendo que o Brasil não deve importar de outros países modelo de combate à
desigualdade racial. As cotas são usadas nos Estados Unidos. Lá precisamos
entender como se deu o processo de segregação e discriminação, aqui formamos
uma unidade, que para mim tem os engenheiros Rebouças como um dos melhores
referenciais.

Triste legado este que pessoas querem nos impor, no melhor estilo do
nacional-socialismo , diferenciando pessoas pelo conceito de raça, como se não
fossemos todos nós da raça humana.

O Brasil é um país diverso. Certamente, o mais diverso e miscigenado do mundo.
Se existe uma característica notória e constitutiva da nação Brasilis é a
miscigenação. Diz-se: o Brasil é formado por negros, brancos e índios. Da
mistura e da interação entre estas raças surgiram: o mulato, o cafuzo e o
caboclo. É, pois, que o Brasil é uma nação que possui na diversidade a sua
unidade. A unidade nacional é a síntese da miscigenação que constitui a
própria nação. Desse modo, o Brasil não é nem branco, nem negro nem indígena.
O Brasil tem por identidade a diferença. O que identifica o povo brasileiro é
justamente a diferença. Diferença esta que não diferencia, mas, pelo
contrário, identifica. A unidade nacional é a identidade a partir da
diferença. Somos todos brancos, negros e índios e, ao mesmo passo, não somos
nenhum deles — somos todos brasileiros!

E volto a repetir, se e somente o negro ou aqueles que pertencem à etnia
africana, ou dela descendem fossem limitados física ou mentalmente, ai sim
justificaria um sistema de cotas. Não compactuo desta forma de discriminação,
entendo que todos nós temos os mesmos potenciais, basta que tenhamos as mesmas
oportunidades, e dentre elas começa o de valorizarmos, como fazem os
descendentes de alemães, luteranos em especial, que defendem a trilogia, em
cada comunidade uma igreja, ao lado de cada igreja uma escola, esta apoiada
pela comunidade e pela igreja.

Abraços,

Gerhard Erich Boehme
gerhard@boehme. com.br
(41) 8877-6354
Skype: gerhardboehme
Caixa Postal 15019
80811-970 Curitiba - PR

Postar um comentário em: BLOG do Humberto Adami -
"A discriminação espacial e não a racial é que é o problema, e o que é pior,
ela será agravada ainda mais."
1 comentário - Ocultar postagem original
Caro Gerhard Boehme Manifesto pensamento contrário ao seu. A entrevista de
Ivonne Maggie, deveria ser seguida por outra, depensamento contrário, ao invés
de seguida da costumeira propaganda queo Jornal O Globo vem fazendo contra as
cotas raciais. Dos 114 pseudo intelectuais que subscreveram "O manifesto
contra ascotas", grande parte recebeu ajuda internacional, da caridade
pública,ou "privilégio", como você diz, que não chega a maioria
dosbrasileiros. Porque quando esta é dirigida para os brasileiros negrosnão
pode?Diga-se que Maggie, Fry, Kamel e Magnolli, e muitos outros, beberam
domesmo pote de mel. O debate da Reparação pela Escravidão daria uma
perspectiva muitodiferente à questão das cotas. Você percebeu na História do
Brasil otratamento diferente a imigrantes europeus, asiáticos e
dosdescendentes de africanos, ex-escravos? Outra hora falaremos sobre o imposto
"sisa". As cotas, tem o grande mérito de discutir o fosso racialbrasileiro,
onde cidadãos brasileiros, afro-descendentes, tem lugar dedestino no fundo da
pirâmide social, econômica, de emprego, comobrasileiros de 2a. classe.
Mergulhe nos números sociais ligados à questão ambiental, do InstitutoEthos, e
verá os baixos percentuais da presença do negro, entendidoestes como pretos e
pardos, na forma do IBGE, nas 500 maiores empresasdo Brasil. Quarenta anos de
ação afirmativa nos Estados Unidos deram àquele país a possibilidade de poder
votar seu presidente atual. O Brasil pode desfrutar de igual oportunidade, se
dedicar-se a discutire adotar providências imediatas no sentido de incluir
seus cidadãos,combatendo o racismo institucional. Não esquecer o racismo
ambiental brasileiro, que produz miséria, pobreza e discriminação, com
fundamento na questão racial. Estou remetendo esta minha mensagem, bem como a
sua, que é pública,para que o debate se instale o debate. Postarei ambas, com
seusarquivos em meu Blog http://humbertoadam i.blogspot. com/As medidas do IARA
- Instituto de Advocacia Racial e Ambiental poderão ser localizadas em
http://www.iara. org.br/ e http://www.adami. adv.br/HUMBERTO ADAMI
www.adami.adv. br www.iara.org. br ------------ - Segue mensagem encaminhada
------------ -Data: Sat, 13 Jun 2009 16:53:17 -0300 De: "Gerhard Erich Boehme"
Para: Grupo Polêmica Política CC: SEPPIR - Secretaria Especial de Políticas de
Promoção da Igualdade Racial Assunto: A discriminação espacial e não a racial
é que é o problema, e o que é pior, ela será agravada ainda mais.

Caro Sr. da Silva,

“Fundamental é a educação básica. Nós não temos, principalmente, acesso
à educação”. (Milton Gonçalves)

"Eu tenho um sonho. O sonho de ver meus filhos julgados por sua
personalidade, não pela cor de sua pele." (Martin Luther King)

para nós brasileiros, indepenendentemente da etnia da qual descendemos, ou da
classe social a qual pertencemos, uma legislação especial criando privilégios
somente deve ser redigida e aplicada se, e somente se, for para criar
privilégios para pessoas excepcionais. No mais devemos fazer cumprir o papel
do Estado e assegurar que a discriminação espacial¹, e não a racial, não seja
promovida no Brasil. Pior que neste cenário, caminhamos para uma verdadeira
oclocracia em vez de consolidarmos a nossa frágil democracia:
http://www.if. org.br/analise. php?codAnalise= 121&PHPSESSID= 75d07eab5adad470 395ebe90e6c12e50
Mais um dos efeitos do centralismo crônico que avança no Brasil, em termos de
Modelo de Estado, o racismo, que no mundo inteiro parece estar caminhando para
o que já é chamado de "pós-racismo" , está na contramão, graças à demagogia,
falta de senso critico, falta de visão e... falta de humanidade.

Os defensores de cotas e programas de cunho racial estão conseguindo, aos
poucos, serem grandes coadjuvantes do progressivo esgarçamento do tecido
social brasileiro, criando-se uma inacreditável e inimaginável "consciência de
raças" no País. Com mais de 50% da população nacional considerada negra,
pode-se perceber o avanço de uma espetacular miscigenação, levando ao
desenvolvimento de um quadro social tipicamente brasileiro, algo maravilhoso
para a formação de uma Nação. Mas isso está cada vez mais ameaçado por esses
grupos que se instalaram no atual governo, no Congresso, e com apoio destes,
inflamando a Sociedade Brasileira com um divisionismo sem precedentes no País,
talvez só comparável à abominável época em que a escravidão era tida como
normal.

Não se trata apenas da demagógica aprovação da nova lei de cotas raciais e
sociais nas universidades, uma aberração que depõe contra o mérito individual
independente de raça, credo ou condição social, e interfere gravemente na
alocação de recursos para a formação dos recursos humanos que o País tanto
precisa, mas a criação de guetos dos mais diversos tipos. Experiências
semelhantes foram feitas nos EUA resultando em separatismos sociais não apenas
entre negros e brancos, mas latinos e asiáticos.

De uma forma geral, o racismo naquele país, emblemático pelas lutas e
segregações internas, está caminhando a passos largos para a tão sonhada
integração de todas as raças por Martin Luther King, a ponto de Barak Obama
ser eleito com votos de muitos brancos. Não era apenas Obama, mas os inúmeros
negros que ocupam cargos importantes, na Suprema Corte, na alta cúpula do
atual governo, no cinema, na música, nas artes, na ciência, em tudo! E isso
foi possível graças ao simples fato de cada vez menos se falar em racismo. Mas
no Brasil, até o Sr. Presidente da República, ao invés de promover a união
social, promove discórdias com os inúmeros embates que vão desde a questão
racial, até a social. Até os indígenas foram jogados contra "os brancos",
colocando em risco a soberania do País, ao assinar um escuso tratado
internacional de direitos dos povos indígenas. Ao invés de união, o que se
assiste é a separação em vários sentidos.

E a separação que deveria ocorrer – a de competências, de atribuições, de
poderes – não ocorre, pelo contrário, se unifica. E quanto mais se unifica,
pior fica, em todos os sentidos. Os efeitos estão surgindo, aos poucos, e o
descontrole social gerado por legislação que investe contra a essência da
natureza humana, está produzindo um quadro nunca antes visto neste País.

BANCOS ....

Além da discriminação espacial, que apresento no anexo, um outro exemplo dessa
centralização e concentração é o sistema bancário brasileiro. Ao contrário do
que dizem vários economistas e outros "entendidos" da matéria, o fato é que a
concentração elimina a concorrência, o que prejudica a população. Há que se
transformar o sistema financeiro, liberalizando- o com boas regras de gestão,
obviamente – deve-se aplicar tudo que se aprende com as crises que o mundo
sofre – para que surjam muitos bancos, de qualquer tamanho, que não tenham que
depender do fluxo centralizado de compulsórios, de aplicações na capital
financeira do País, que possam autuar limitados e dependentes das realidades
locais, livres até das dependências externas. É possível? Se o mercado, pelo
menos local e regional, voltar a operar dentro das regras milenares do
comércio, da produção e do trabalho, sem tantas sofisticações que o mercado
financeiro criou – o que ocasionou, como sempre, papelada que nada vale – a
transparência se elevará, e a confiança no sistema capitalista puro e genuíno
voltará. Não se pode produzir algo sobre papel sem lastro, exceto castelos de
cartas...

A compra de bancos e instituições financeiras por bancos estatais não é bem
vista por quem sabe o valor da liberdade e da autonomia política. Quando se
concentram muitos recursos nas mãos do governo, o cheiro disso não é bom. A
Petrobrás, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, o BNDES, já são
instrumentos de "política econômica" que na verdade, acabam se tornando mesmo
instrumentos políticos. Além, é claro, de alimentação adicional de recursos
para a voracidade da gigantesca máquina pública.

Os movimentos – social e financeiro – não são sinais bons. São preocupantes.
Cada vez mais. De República Federativa, já nos tornamos em República do
Brasil. Mas de que tamanho e qual conteúdo social, está cada vez mais difícil
de dizer. Privilegiamos uma das maiores aberrações que se criaram com a
quartelada que muitos chamam de "Proclamação da República", a qual criou
privilégios a uma parcela da população através do que chamamos de clentelismo
políco, com seu capitalismo de comparsas, mas sem mercado, e socialismo de
privilegiados, mas sem políticas públicas que venham a beneficiar toda a
sociedade, indepenedentemente de orientações políticas, classes sociaias, etc.
a qual pertence o cidadão.

"E a monarquia constitucional teria evoluído para o Império federalizado,
como desejava o Partido Liberal. Mas, partimos para a ruptura do
bipartidarismo não obrigatório (Conservadores e Liberais) e para a República,
elegendo logo dois militares que se transformaram em descumpridores da única
constituição liberal que tivemos (a Provisória e a clonada de 1891)". (Jorge
Geisel - jorgegeisel@ hotmail.com)

No Brasil privilegiamos a Cultura da Lombada, o sistema de cotas visa
promover a demagogia política, assegura que os políticos que não cumprem seu
papel fiquem impunes, sendo o compromisso com as futuras gerações de todos os
brasileiros o principal. Antes de tudo devemos solucionar os entraves ao nosso
desenvolvimento e neste sentido entendo que a função do Estado é servir ao
povo, servir à sociedade dos homens. Servir significa sustentar, valorizar e
tornar cada vez mais equilibrada a realidade do povo, não retirando do cidadão
sua autonomia, mas sim realizando somente aquilo que as Províncias, Cidades,
Comunidades, Famílias e principalmente o indivíduo não podem fazer. Em uma
sociedade sadia, primeiramente as pessoas se organizam em grupos e movimentos
dentro de um contexto de comunhão e afinidades, para responder às necessidades
profundas e às exigências originárias de cada pessoa, depois sim entra o
Estado na vida do cidadão, não como uma entidade formada por parasitas, mas
que realize aquilo que o cidadão não pode ou não tem interesse em realizar.

"O Estado não deve, de forma alguma, fazer aquilo que os cidadãos também não
possam fazer. Isso é autoritarismo puro. Ao contrário, só se pode atribuir ao
Estado tarefas que os próprios cidadãos possam cumprir, mas que não é
desejável que as cumpram sozinhos (seja porque isso sairia muito caro, seja
porque não teriam forças para executá-las). O Estado nada mais é do que o
resultado da transferência de poder dos indivíduos para uma entidade que os
represente em suas próprias ações. E ninguém pode transferir o que não tem."
(Marli Nogueira)

A sociedade brasileira anseia por um Estado forte em suas competências
fundamentais, a começar pela justiça, incluindo, nos Estados, seus primeiros
passos através da polícia judiciária (Polícia Civil e Polícia
Técnico-cientí fica), segurança pública - prevenção aos crimes, tributação
racional, sem privilégios e suportável, relações exteriores, defesa nacional,
saúde pública, etc., de forma que o brasileiro tenha bons serviços públicos e
saiba realmente o que isso significa:

Bens públicos têm como característica essencial a impossibilidade de limitar o
seu uso àqueles que pagam por ele.

Devemos entender que é prioritário o investimento em saúde pública e educação
fundamental, pois são serviços cuja provisão também deve ser garantida
subsidiariamente pelo Estado, apesar de que a melhor solução provavelmente se
encontra no financiamento a cada contribuinte para aquisição desses serviços,
seja diretamente ou através de entidades cooperadas, privadas ou confessionais
e não na prestação direta do serviço pelo Estado, sempre em fiel observância
ao Princípio da Subsidiariedade. Os gastos estatais nesses setores se
justificam porque geram externalidades positivas para a sociedade, que se
beneficia de uma população educada e sadia, benefícios estes que não poderiam
ser individualmente apropriados por investidores privados. Além disso, existe
um argumento normativo: os gastos nessas áreas reduzem as diferenças de
oportunidade dos indivíduos no momento da partida do jogo social, para que a
partir daí a competição ocorra baseada nos talentos e méritos de cada um.

Devemos privilegiar o direito à propriedade privada, pois ela cria
oportunidade e nutre comprometimento em preocupar-se com a idade e
adversidades da vida.

Cabe ao Estado ser forte em suas atribuições basicas e cumprir seu papel
coercitivo, que na esfera Federal são: Emissão e controle da Moeda, através de
um Banco Central independente, Relações Exteriores, Supremo Tribunal
Eleitoral, Supremo Tribunal Federal, Comércio Exterior, Forças Armadas,
Segurança Pública nas faixas de Fronteira, Polícia Federal, normatização da
Aviação Civil, Marinha Mercante, Vigilância Sanitária e Obras de Integração
Nacional, Administração de Parques Nacionais, Administração Indígena,
diretrizes de Meio Ambiente, Propriedade Intelectual, Energia Nuclear, e
Previdência Pública Federal. Se observarmos o Princípio da Subsidiariedade,
podemos concluir que caberia ao Estado apenas a solução de três grupos de
problemas econômicos: bens públicos, externalidades negativas e positivas,
monopólios naturais.

"O Estado é a grande ficção através da qual todo mundo se esforça para
viver à custa de todo mundo." (Frédéric Bastiat)

O que temos: bens públicos são mal geridos e não entedemos o seu significado,
externalidades negativas são desprezadas pela sociedade, com destaque ao
ensino fundamental que ainda não é compromisso dos brasileiros e os monopólios
naturais, os quais estão a serviço de interesses privados. Cabe ao Estado
assegurar a liberdade de se empreender. A melhor qualidade de vida, o
desenvolvimento e as melhores condições de geração de trabalho riqueza e renda
serão consequências natuarais, ainda mais para nós brasileiros, que contamos
com um potencial enorme de recursos natuarais como bem nos lembra o
Pesquisador Carlos Nobre no último Planeta Sustentável da Revista Você S/A:
"A invenção de uma nova economia".

Acesse: http://vocesa. abril.com. br/sumarios/ 0125.shtml

"Juro – por minha vida e por meu amor a ela – que jamais viverei por outro
homem, nem pedirei a outro homem que viva por mim". (John Galt - no livro
"Quem foi John Galt" de Ayn Rand - Um clássico liberal)

Nota: O Livro "Quem foi John Galt?" está esgotado. Com título original em
inglês "Atlas Shrugged" (1957; em Português: Quem é John Galt? [Editora
Expressão e Cultura, 1987]), romance em que Ayn Rand conta, entre outras
coisas, como uma fábrica de ponta e extremamente produtiva é destruída por
idéias igualitárias. Seguramente está esgotado, mas isso não é mérito de
nenhum deputado ou senador, pois não acredito que tenham tido tempo para lê-lo
e muito menos para entendê-lo. E muito menos de nosso presimente, pois o livro
é por demais volumoso.

Leia mais sobre o livro:
http://www.midiaind ependente. org/pt/blue/ 2006/11/366972. shtml

“Um Estado, o chamado 1º Setor, deve apenas atuar subsidiariamente frente ao
cidadão e não estar voltado para ocupar o papel que cabe ao 2º Setor - pois
assim se cria o estado empresário e com ele fomenta-se o clientelismo, a
corrupção e o nepotismo - ou 3º Setor - pois assim se promove o Estado
populista que cria ou alimenta os movimentos (antis)sociais, o paternalismo e
o assistencialismo, bem como que abre espaço para a demagogia político e perda
da liberdade e responsabilidade do cidadão. Caso contrário ele acaba criando o
4º Setor - quando o poder coercitivo (tributação, defesa nacional, justiça e
segurança pública) do Estado deixa de ser exercido por ele e é tomado por
parte de segmentos desorganizados ou não da sociedade - cria-se então o Estado
contemplativo, que prega a mentira, pratica a demagogia e o clientelismo
político, com seu capitalismo de comparsas e socialismo de privilegiados e
cria o caos social através da violência e desrespeito às leis”. (Gerhard Erich
Boehme)

Entenda melhor: http://www.youtube. com/watch? v=GwGpTy- qpAw

Não é à toa que somos um dos países mais violentos do mundo, onde mais de
10% de nosso PIB é gasto com a violência. Segundo o IPEA seriam 5%:
http://www.nevusp. org/portugues/ index.php? option=com_ content&task= view&id=199& Itemid=29

"Quando a propriedade legal de uma pessoa é tomada por um indivíduo,
chamamos de roubo. Quando é feito pelo governo, utilizamos eufemismos:
transferência ou redistribuição de renda." (Dr. Walter E. Williams é professor
de economia na Universidade George Mason em Fairfax, Va, EUA.)

O primeiro entrave, e o mais perverso deles, está no baixo investimento na
área do ensino fundamental, que não é universal e muito menos de qualidade.
Optamos por privilegiar os gastos na área da educação para o ensino superior
gratuito, criando um dos mais perversos mecanismos de concentração de renda,
dos impostos pagos pelos mais desfavorecidos, a maior parte é destinada às
universidades estatais e através destas, por meio de políticas populistas aos
que lá estudam, onde seguramente a totalidade dos mais pobres não tem acesso,
mesmo com as políticas revestidas de falta de meritocracia, demagógicas e
populistas de cotas.

Pior é que se cria na mentalidade do universitário brasileiro, a futura elite
intelectual, que é honesto e moral viver à custa do Estado, deixando de lado a
compreensão clara que qualquer gasto público é coberto pelos impostos, que
como sabemos impede também o nosso desenvolvimento. O ensino superior deve ser
sempre pago, pois existem meios para tal, entre os quais temos:

1. sistema de crédito educativo eficaz e justo;

2. bolsas por parte do governo atreladas ao desempenho no ensino básico ou
outro critério de competência e não de privilégio, como se verifica agora nos
sistemas de cotas, nos casos dos brancos, negros, mestiços, amarelos, ruivos,
laranjas ou polacos – sendo livre a escolha por parte do aluno a entidades de
ensino superior, podendo optar por uma federal, estadual, confessional e
particular, aquela que melhor mostrar sua competência;

3. bolsas por parte das empresas;

4. financiamento direto, tal qual hoje nas particulares ou confessionais;

5. pago pela própria instituição mediante prestação de serviços de
monitoramento e outros - o aluno presta serviços à entidade;

6. prestação de serviço civil ou militar obrigatório, no qual seriam
remunerados pelo piso mínimo da categoria, mas teriam que prestar serviço nas
localidades em que forem designados pelas forças armadas ou entidades civis a
serem organizadas pela sociedade e não pelo Estado;

7. fundos de investimentos;

8. através das ONGs ligadas aos direitos dos afro-descendentes;

9. ou outra forma criativa, afinal somos mestres nesta questão ...

A criação de fundos de investimentos seria seguramente a melhor alternativa,
pois se cria a mentalidade da poupança interna, é a modalidade que poderia
servir de modelo para um processo de transição, no qual o Estado capitalizaria
o potencial aluno durante, digamos uma década ou até mesmo uma geração, até
que o sistema adquirisse a sua gestão independente.

"O dia em que o cidadão comum compreender que é ele o verdadeiro e único
contribuinte, de todos os impostos, certamente vai arregaçar as mangas e
ajudar a corrigir muitos absurdos da nossa sociedade, a começar pelo ensino
superior gratuito.” (Gerhard Erich Böhme).

A cultura do "dinheiro do Governo" foi reforçada pelos "benefícios sociais"
(vale-coisa e cesta-de-coisa) , e ao governo é atribuída a responsabilidade por
manter o cidadão vivo (ainda que na miséria).

O assunto é polêmico, eu sei, mas temos que romper o modo brasileiro de pensar
em viver à custa da "coisa" pública, na realidade dos outros que trabalham ou
já trabalharam, usando talento, criatividade, dedicação e esforço próprio.
Deve começar com "as chamadas elites", que seja a intelectual, em especial a
que está sendo formada para criar um Brasil onde o clientelismo políticvo, com
seu capitalismo de comparsas e socialismo de privilegiados, não tenha mais
espaço.

O professor José Márcio Camargo, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de
Janeiro, fez as contas sobre a natureza das despesas sociais (educação, saúde,
previdência e assistência social), chegou à conclusão que do total de recursos
gastos com educação, por exemplo, mais de 60% se destinam às universidades
estatais (Federais e Estaduais), onde estudam os mais favorecidos. Seguramente
este é um dos processos mais nefastos de concentração de renda, pois cria a
mentalidade de se servir do Estado, na realidade dos que pagam impostos, pois
o Estado é uma entidade virtual que muitos teimam em torná-la parte do seu
dia-a-dia. Temos sim é o brasileiro, as comunidades e o povo brasileiro. O
Estado foi criado para servir ao povo, não o contrário.

Pior agora com a Reforma Universitária aprovada pelo Presidente Lula, que
ampliou a dotação orçamentária dos atuais injustos 60% para 75% dos gastos com
educação serem destinados ao ensino superior gratuito. Ele não é apenas
conivente com esse processo de concentração de renda, como é também
responsável por ele.

A título de reflexão, a minha proposta é, para que possa ser "socialmente"
justa, que todo o cidadão brasileiro, dos 17 as 24 anos, tenha durante 5 anos
uma bolsa, digamos "bolsa projeto de vida" e cabe a ele decidir se deve:

a. utilizá-la para pagar os seus estudos;

b. para uma poupança permitindo abrir seu negócio próprio;

c. para investir em ações, se optar por ser ou continuar a ser empregado.

Esta é uma proposta "socialmente" justa, termo tão em voga atualmente ...
...não entendo essa mania de se colocar o termo social em tudo, é como se não
vivêssemos em sociedade ... ..., pois alcançaria a todos os que vivem no
Brasil nesta faixa etária. Afinal, como consta na nossa Constituição: todos
são iguais perante a lei. Ou devemos ser coniventes com os privilégios ou
mecanismos concentradores de renda?

Justa, sim... .... mas quem paga?

Uma proposta justa, porém não seria suportável pela sociedade que trabalha e
paga impostos e que seguramente iria causar muito mal a nossa juventude,
tirando dela o principal desafio que é o de batalhar no início de sua carreira
profissional e obter a sua dignidade através do esforço próprio.

Quanto às ações, temos que pensar em democratizar o mercado de investimentos,
a proposta é de se criar um novo mercado de ações que financie idéias,
projetos, empreendimentos e empresas sem burocracia e restrições:
http://www.if. org.br/.

O resultado deste entrave é que ensinamos aos nossos jovens, os irão que
formar a elite intelectual brasileira, que é "justo" viver à custa do Estado,
na realidade dos outros que trabalham e pagam impostos, sem contar que lhes
retiramos uma das principais oportunidades para obter dignidade através do
esforço próprio, logo no início de suas carreiras.

Luz no fim do túnel

Felizmente temos em curso algumas das mais importantes mobilizações nacionais,
não em defesa de interesses de minorias ou grupos de pressão, mas sim de toda
a sociedade que se vê refém de nossos políticos corruPTos e clientelistas:
http://www.deolhono imposto.com. br/ e a mobilização a partir de um
representantes da iniciativa privada, educadores, economistas, comunicadores e
gestores públicos da educação passaram a se reunir para discutir caminhos e
alternativas para a efetivação do direito à educação pública de qualidade no
Brasil (http://www.todospel aeducacao. org.br/).

Abraços,

Gerhard Erich Boehme
gerhard@boehme. com.br
(41) 8877-6354
Skype: gerhardboehme
Caixa Postal 15019
80811-970 Curitiba PR

País, que não se pensava dividido, está sendo dividido

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O Globo, 31 Maio 2009

Fervorosa ativista contra o sistema de cotas raciais para o ingresso nas
universidades, a antropóloga Yvonne Maggie, da Universidade Federal do Rio de
Janeiro, comemorou a recente suspensão, pelo Tribunal de Justiça, da lei
estadual que estipulava a reserva de vagas em universidades estaduais, como um
primeiro passo para a revogação de leis raciais. A seu ver, elas servem apenas
para dividir os brasileiros que, no geral, diz, rejeitam o racismo. Segundo
ela, o sistema de cotas é fruto de pressão internacional alimentada por
milhões de dólares da Fundação Ford:

- Essa pressão talvez tivesse caído no vazio se não houvesse dinheiro
americano nessa história.

O sistema de cotas é apresentado como forma de criar oportunidades iguais para
todos. A senhora discorda. Por quê?

YVONNE MAGGIE: Porque ele faz parte de leis raciais que querem implantar no
Brasil. E elas são inconstitucionais. A Constituição Federal proíbe criar
distinções entre brasileiros ou preferências entre si. A do Estado do Rio
também. Estou defendendo o estatuto jurídico da nação brasileira, com base no
fato de que raça não pode ser critério de distribuição de justiça. Raça é uma
invenção dos racistas para dominar mais e melhor.

Que critério usaram para criar tal sistema?

YVONNE: Surgiu no governo de Fernando Henrique Cardoso, propondo cotas para
negros ou pardos, hoje chamados de afrodescendentes, sob o critério
estatístico do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Mas
isso não significa que as pessoas se identifiquem com aquilo. Nós,
brasileiros, construímos uma cultura que se envergonha do racismo.

Mas existe racismo no Brasil, não?

YVONNE: Eu nunca disse que não há racismo aqui. Mas não somos uma sociedade
racista, pois não temos instituições baseadas em lei com critério racial. É
interessante ver que o Brasil descrito nas estatísticas foi tomado como
verdade absoluta. Há uma espécie de alucinação coletiva. Uma coisa é dizer que
o Brasil é um país desigual, com uma distância muito grande entre ricos e
pobres. Outra coisa é atribuir isso à raça.

Quais os motivos para a criação de leis raciais no país?

YVONNE: Outra alucinação: a de que a forma de combater a desigualdade no
Brasil deve ser via leis raciais. Elas propõem dividir o povo brasileiro em
brancos e negros. Há quem diga que o povo já está dividido assim. Digo que
não. Afinal, 35% dos muito pobres no Brasil se definem como brancos.

Qual é o melhor critério?

YVONNE: Em vez de lutar contra o racismo com ações afirmativas, colocando mais
dinheiro nas periferias, o governo optou pelas cotas raciais reservando certo
número de vagas na escola e, com o estatuto racial, no mercado de trabalho.
Então, o país que não se pensava dividido está sendo dividido.

Seja como for, a ideia das cotas está ganhando adeptos.

YVONNE: Nem tanto. Pesquisa recente feita no Rio pelo Cidan (Centro Brasileiro
de Informação e Documentação do Artista Negro), mostrou que 63% das pessoas
são contra as cotas raciais. A maioria do povo brasileiro acha que todos somos
iguais. Aprendemos isso na escola.

O objetivo era beneficiar negros e pardos. Agora no Rio já existem cotas para
portadores de deficiência, para filhos de policiais, de bombeiros. A tendência
é esse leque aumentar?

YVONNE: A lógica étnica ou racial não tem fim. Tudo surgiu porque houve
pressão internacional com o sentido de combater o racismo. Mas quem domina os
organismos internacionais são os países imperialistas, sobretudo Inglaterra e
Estados Unidos, que têm uma visão imperialista de mundo dividido. Os EUA são
um país dividido. Não pensam como nós. Lá a questão racial é a primeira
identidade. Você pergunta "quem é você?", e dizem: "sou afroamericano" , etc.
Como não vivemos ódio racial no Brasil não sabemos o que é isso. O problema é
que ao dividir e criar uma identidade racial, fica impossível voltar atrás.

O Brasil sucumbiu à pressão internacional?

YVONNE: A pressão talvez tivesse caído no vazio se não houvesse dinheiro
americano nessa história. A Fundação Ford investiu milhões de dólares no
Brasil, formando advogados, financiando debates, criando organizações não
governamentais (ONGs). Não temos mais movimentos sociais. Quem luta em favor
das cotas se transformou em ONG que recebe dinheiro do governo e da Fundação
Ford. Juntou-se a fome com a vontade de comer. O governo inventa as ONGs,
financia, e depois diz que as cotas são uma demanda do povo.

Como combater a desigualdade no acesso à universidade?

YVONNE: O Brasil tem que enfrentar a questão da educação básica de forma
madura e consciente, investindo. Precisamos de recursos financeiros e humanos.
Melhorar o salário dos professores e sua formação. E mudar a concepção de
educação. Sem investimento não construiremos uma sociedade mais igual. Estamos
criando uma sociedade mais desigual, escolhendo um punhadinho entre os pobres.
Na verdade, a competição pelos recursos não é entre o filho da elite e o filho
do pobre: ocorre entre os pobres.

Como a senhora vê a educação no Brasil?

YVONNE: A formação de professores e a concepção de educação são precárias. Não
se obriga as escolas a ensinar. Obama acaba de fazer uma grande melhoria nos
EUA: premia os bons professores. São os que ensinam melhor. E pune os maus.
Quem não consegue fazer com que o seu aluno tire nota boa nas provas de
avaliação externas, sai ou é reciclado.

Há luz no fim do túnel?

YVONNE: Sou otimista. Acho que as leis raciais não vingarão no Brasil. Creio
que os congressistas têm mais juízo. E que em vez de lutar pelas cotas, o
ministro da Educação deve fazer com que prefeitos e governadores cumpram as
metas. Elas são excelentes. A ideia dele é fazer com que os municípios mais
pobres recebam mais dinheiro. A opção é investir nas escolas e nos bairros
mais pobres.

É possível conter o lobby das ONGs favoráveis às cotas?

YVONNE: É muito difícil ir contra grupos que se apresentam como o povo
organizado. Temos que lutar pelo povo desorganizado, o povo que anda pela rua,
que casa entre si, que joga futebol junto, que bebe cerveja, e não está o
tempo todo pensando de que cor você é, de que cor eu sou. Povo é o que nos
ensina que é melhor dar a mão do que negar um abraço.

----- Original Message -----
From: "José Antonio dos Santos da Silva"
To: "José Antonio dos Santos da Silva"
Sent: Saturday, June 13, 2009 12:16 PM
Subject: [polemica] Decreto do Planapir_2009

Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos

http://legislacao. planalto. gov.br/legisla/ legislacao. nsf/Viw_Identifi cacao/DEC% 206.872-2009? OpenDocument
D

ECRETO Nº 6.872, DE 4 DE JUNHO DE 2009.

Aprova o Plano Nacional de Promoção da Igualdade Racial - PLANAPIR, e institui
o seu Comitê de Articulação e Monitoramento.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84,
inciso VI, alínea "a", da Constituição,

DECRETA:

Art. 1o Fica aprovado o Plano Nacional de Promoção da Igualdade Racial -
PLANAPIR, em consonância com os objetivos indicados no Anexo deste Decreto.

Art. 2o A Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da
Presidência da República aprovará e publicará a programação das ações, metas e
prioridades do PLANAPIR propostas pelo Comitê de Articulação e Monitoramento
de que trata o art. 3o, observados os objetivos contidos no Anexo.

Parágrafo único. Os prazos para execução das ações, metas e prioridades do
PLANAPIR poderão ser revisados pela Secretaria Especial de Políticas de
Promoção da Igualdade Racial, mediante proposta do Comitê de Articulação.

Art. 3o Fica instituído o Comitê de Articulação e Monitoramento do PLANAPIR,
no âmbito da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade
Racial, integrado por:

I - um representante de cada órgão a seguir indicado:

a) Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, que o
coordenará;

b) Secretaria-Geral da Presidência da República;

c) Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República;

d) Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, da Presidência da
República;

e) Ministério da Educação;

f) Ministério da Justiça;

g) Ministério da Saúde;

h) Ministério das Cidades;

i) Ministério do Desenvolvimento Agrário;

j) Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome;

k) Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão;

l) Ministério do Trabalho e Emprego;

m) Ministério das Relações Exteriores;

n) Ministério da Cultura; e

o) Ministério de Minas e Energia; e

II - três representantes do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial
- CNPIR.

Parágrafo único. Os membros do Comitê de Articulação e Monitoramento do
PLANAPIR e respectivos suplentes serão indicados pelos titulares dos órgãos
nele representados e designados pelo Ministro de Estado Chefe da Secretária
Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.

Art. 4o Compete ao Comitê de Articulação e Monitoramento do PLANAPIR:

I - propor ações, metas e prioridades;

II - estabelecer a metodologia de monitoramento;

III - acompanhar e avaliar as atividades de implementação;

IV - promover difusão do PLANAPIR junto a órgãos e entidades governamentais e
não-governamentais;

V - propor ajustes de metas, prioridades e ações;

VI - elaborar relatório anual de acompanhamento das ações do PLANAPIR; e

VII - propor revisão do PLANAPIR, semestralmente, considerando as diretrizes
emanadas das Conferências Nacionais de Promoção da Igualdade Racial.

Art. 5o O Comitê de Articulação e Monitoramento do PLANAPIR deliberará
mediante resoluções, por maioria simples, cabendo ao seu coordenador o voto de
qualidade.

Art. 6o O Comitê de Articulação e Monitoramento do PLANAPIR poderá instituir
comissões técnicas com a função de colaborar para o cumprimento das suas
atribuições, sistematizar as informações recebidas e subsidiar a elaboração
dos relatórios anuais.

Art. 7o O regimento interno do Comitê de Articulação e Monitoramento do
PLANAPIR será aprovado por maioria absoluta dos seus membros e disporá sobre
a organização, forma de apreciação e deliberação das matérias, bem como sobre
a composição e o funcionamento das comissões técnicas.

Art. 8o Caberá à Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade
Racial prover o apoio administrativo e os meios necessários à execução dos
trabalhos do Comitê de Articulação e Monitoramento do PLANAPIR e das comissões
técnicas.

Art. 9o As atividades dos membros do Comitê de Articulação e Monitoramento do
PLANAPIR e das comissões técnicas são consideradas serviço público relevante
não remunerado.

Art. 10. Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 4 de junho de 2009; 188o da Independência e 121o da República.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA

Dilma Rousseff

Este texto não substitui o publicado no DOU de 4.6.2009

ANEXO

OBJETIVOS DO PLANO NACIONAL DE POLÍTICAS DE PROMOÇÃO DA IGUALDADE RACIAL -
PLANAPIR

Eixo 1: Trabalho e Desenvolvimento Econômico

I - promover a inclusão e a igualdade de oportunidades e de remuneração das
populações negra, indígena, quilombola e cigana no mercado de trabalho, com
destaque para a juventude e as trabalhadoras domésticas;

II - promover a eqüidade de gênero, raça e etnia nas relações de trabalho e
combater as discriminações ao acesso e na relação de emprego, trabalho ou
ocupação;

III - combater o racismo nas instituições públicas e privadas, fortalecendo os
mecanismos de fiscalização quanto à prática de discriminação racial no mercado
de trabalho;

IV - promover a capacitação e a assistência técnica diferenciadas das
comunidades negras, indígenas e ciganas;

V - ampliar as parcerias dos núcleos de combate à discriminação e promoção da
igualdade de oportunidades, das superintendências regionais do trabalho, com
entidades e associações do movimento negro e com organizações governamentais;

VI - capacitar gestores públicos para a incorporação da dimensão etnicorracial
nas políticas públicas de trabalho e emprego;

VII - ampliar o apoio a projetos de economia popular e solidária nos grupos
produtivos organizados de negros, com recorte de gênero e idade; e

VIII - propor sistema de incentivo fiscal para empresas que promovam a
igualdade racial.

Eixo 2: Educação

I - estimular o acesso, a permanência e a melhoria do desempenho de crianças,
adolescentes, jovens e adultos das populações negras, quilombolas, indígenas,
ciganas e demais grupos discriminados, em todos os níveis, da educação
infantil ao ensino superior, considerando as modalidades de educação de jovens
e adultos e a tecnológica;

II - promover a formação de professores e profissionais da educação nas áreas
temáticas definidas nas diretrizes curriculares nacionais para a educação das
relações etnicorraciais e para o ensino de história e cultura afro-brasileira
,africana e indígena;

III - promover políticas públicas para reduzir a evasão escolar e a defasagem
idade-série dos alunos pertencentes aos grupos etnicorraciais
discriminados;

IV - promover formas de combate ao analfabetismo entre as populações negra,
indígena, cigana e demais grupos etnicorraciais discriminados;

V - elaborar projeto de lei com o objetivo de garantir às comunidades ciganas
a equivalente prerrogativa de direito contida no
http://www.planalto .gov.br/ccivil_ 03/LEIS/L6533. htm#art29 art. 29 da Lei no
6.533, de 24 de maio de 1978, que garante a matrícula nas escolas
públicas para profissionais que exercem atividade itinerante;

VI - promover a implementação da
http://www.planalto .gov.br/ccivil_ 03/LEIS/2003/ L10.639.htm Lei no 10.639, de
9 de janeiro de 2003, e do disposto no
art. 26-A da Lei
no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, do Parecer CNE/CP 3/2004 e da
Resolução CNE 01/2004, garantindo seu amplo conhecimento pela população
brasileira;

VII - promover e estimular a inclusão do quesito raça ou cor em todos os
formulários de coleta de dados de alunos em todos os níveis dos sistemas de
ensino, público e privado;

VIII - estimular maior articulação entre a instituição universitária e as
comunidades tradicionais, proporcionando troca de saberes, de práticas e de
experiências;

IX - estimular a adoção do sistema de reserva de vagas para negros e indígenas
no ingresso às universidades públicas;

X - apoiar a implantação de escolas públicas, de nível fundamental e médio,
nas comunidades quilombolas e indígenas, com garantia do transporte escolar
gratuito e demais benefícios previstos no plano de desenvolvimento da
educação;

XI - apoiar as instituições públicas de educação superior no desenvolvimento
de programas e projetos de ensino, pesquisa e extensão que contribuam para a
implementação e para o impacto de políticas de ação afirmativa para as
populações negra, indígena e demais grupos étnicos sub-representados no ensino
de terceiro grau; e

XII - fortalecer os conselhos sociais das instituições de ensino superior, com
representantes de todos os segmentos envolvidos, para monitorar o Programa
Universidade para Todos - ProUni, principalmente no que se relaciona à
inclusão de jovens negros e indígenas.

Eixo 3: Saúde

I - ampliar a implementação da política nacional de saúde integral da
população negra;

II - promover a integralidade, com equidade, na atenção à saúde das populações
negras, indígenas, ciganas e quilombolas;

III - fortalecer a dimensão etnicorracial no Sistema Único de Saúde,
incorporando- a à elaboração, implementação, controle social e avaliação dos
programas desenvolvidos pelo Ministério da Saúde;

IV - aferir e combater o impacto bio-psicossocial do racismo e da
discriminação na constituição do perfil de morbimortalidade da população
negra;

V - promover ações que assegurem o aumento da expectativa de vida e a redução
da mortalidade da população negra e indígena;

VI - ampliar o acesso das populações negra, indígena, cigana e quilombola, com
qualidade e humanização, a todos os níveis de atenção à saúde, priorizando a
questão de gênero e idade;

VII - preservar o uso de bens materiais e imateriais do patrimônio cultural
das comunidades quilombolas, indígenas, ciganas e de terreiro;

VIII - desenvolver medidas de promoção de saúde e implementar o programa saúde
da família, nas aldeias indígenas, acampamentos ciganos e comunidades
quilombolas;

IX - assegurar a implementação do programa nacional de atenção integral às
pessoas com doença falciforme e outras hemoglobinopatias;

X - desenvolver ações específicas de combate à disseminação de HIV/AIDS e
demais DST junto às populações negras, indígenas e ciganas;

XI - disseminar informações e conhecimento junto às populações negras,
indígenas e demais grupos etnicorraciais discriminados, sobre suas
potencialidades e suscetibilidades em termos de saúde, e os conseqüentes
riscos de morbimortalidade; e

XII - ampliar as ações de planejamento familiar, às comunidades de terreiros,
quilombolas e ciganas.

Eixo 4: Diversidade Cultural

I - promover o respeito à diversidade cultural dos grupos formadores da
sociedade brasileira e demais grupos etnicorraciais discriminados na luta
contra o racismo, a xenofobia e as intolerâncias correlatas;

II - estimular a eliminação da veiculação de estereótipos de gênero, raça, cor
e etnia nos meios de comunicação;

III - fomentar as manifestações culturais dos diversos grupos etnicorraciais
brasileiros e ampliar sua visibilidade na mídia;

IV - consolidar instrumentos de preservação do patrimônio cultural material e
imaterial dos diversos grupos étnicos brasileiros;

V - garantir as manifestações públicas de valorização da pluralidade religiosa
no Brasil, conforme dispõe a Constituição;

VI - estimular a inclusão dos marcos históricos significativos das diversas
etnias e grupos discriminados, no calendário festivo oficial brasileiro;

VII - apoiar a instituição do feriado nacional no dia 20 de novembro, Dia da
Consciência Negra;

VIII - estimular a inclusão de critérios de concessões de rádio e televisão
que garantam políticas afirmativas para negros, indígenas, ciganos e demais
representantes de minorias etnicorraciais brasileiras; e

IX - estimular a inclusão de cotas de representantes das populações negras,
indígenas, ciganas e demais minorias étnicas, nas mídias, especialmente a
televisiva e em peças publicitárias.

Eixo 5: Direitos Humanos e Segurança Pública

I - apoiar a instituição do Estatuto de Igualdade Racial;

II - estimular ações de segurança pública voltadas para a proteção de jovens
negros, indígenas, quilombolas e ciganos, contra a violência;

III - estimular os órgãos de segurança pública estadual a atuarem com eficácia
na proteção das comunidades de terreiros, indígenas, ciganas e quilombolas;

IV - combater todas as formas de abuso aos direitos humanos das mulheres
negras, indígenas, quilombolas e ciganas;

V - estimular a implementação da política nacional de enfrentamento ao tráfico
de pessoas;

VI - combater a exploração do trabalho infantil, especialmente o doméstico,
entre as crianças negras e indígenas;

VII - ampliar e fortalecer políticas públicas para reinserção social e
econômica de adolescentes e jovens egressos, respectivamente, da internação em
instituições sócio-educativas ou do sistema prisional;

VIII - combater os estigmas contra negros, índios e ciganos; e

IX - estimular ações de segurança que atendam à especificidade de negros,
ciganos, indígenas, comunidades de terreiros e quilombolas.

Eixo 6: Comunidades Remanescentes de Quilombos

I - promover o desenvolvimento econômico sustentável das comunidades
remanescentes de quilombos, inserido-as no potencial produtivo nacional;

II - promover o efetivo controle social das políticas públicas voltadas às
comunidades remanescentes de quilombos;

III - promover a titulação das terras das comunidades remanescentes de
quilombos, em todo o País;

IV - promover a proteção das terras das comunidades remanescentes de
quilombos;

V - promover a preservação do patrimônio ambiental e do patrimônio cultural,
material e imaterial, das comunidades remanescentes de quilombos;

VI - promover a identificação e levantamento socioeconômico de todas as
comunidades remanescentes de quilombos do Brasil;

VII - ampliar os sistemas de assistência técnica para fomentar e potencializar
as atividades produtivas das comunidades remanescentes de quilombos, visando o
apoio à produção diversificada, seu beneficiamento e comercializaçã o;

VIII - estimular estudos e pesquisas voltados às manifestações culturais de
comunidades remanescentes de quilombos;

IX - estimular a troca de experiências culturais entre comunidades
remanescentes de quilombos do Brasil e os países africanos; e

X - incentivar ações de gestão sustentável das terras remanescentes de
quilombos e a consolidação de banco de dados das comunidades tradicionais.

Eixo 7: Povos Indígenas

I - garantir a preservação do patrimônio ambiental e do patrimônio cultural
material e imaterial dos povos indígenas;

II - implementar ações para o etnodesenvolvimento dos povos indígenas, com
especial atenção à mulher indígena;

III - promover a regularização das terras tradicionalmente ocupadas pelos
índios;

IV - apoiar a reformulação do Estatuto do Índio;

V - apoiar a criminalização dos atos racistas e discriminatórios em relação a
indígenas e descendentes;

VI - desenvolver programas e projetos de apoio à produção e comercializaçã o
agrícola, pecuária, extrativista e artesanal de comunidades indígenas;

VII - diminuir a taxa de mortalidade materna indígena; e

VIII - promover a inclusão das comunidades indígenas nas ações de apoio à
produção e comercializaçã o da agricultura familiar.

Eixo 8: Comunidades Tradicionais de Terreiro

I - assegurar o caráter laico do Estado brasileiro;

II - garantir o cumprimento do preceito constitucional de liberdade de credo;

III - combater a intolerância religiosa;

IV - promover o respeito aos religiosos e aos adeptos de religiões de matriz
africana no País, e garantir aos seus sacerdotes, cultos e templos os mesmos
direitos garantidos às outras religiões professadas no País;

V - promover mapeamento da situação fundiária das comunidades tradicionais de
terreiro;

VI - promover melhorias de infraestrutura nas comunidades tradicionais de
terreiro; e

VII - estimular a preservação de templos certificados como patrimônio
cultural.

Eixo 9: Política Internacional

I - aprimorar a articulação entre a política externa brasileira e as políticas
nacionais de promoção da igualdade racial;

II - prosseguir com o fortalecimento da relação com organismos internacionais
de proteção aos direitos humanos;

III - fomentar o intercâmbio e a cooperação internacional de experiências em
matéria de proteção e promoção dos direitos humanos;

IV - prosseguir na intensificação dos laços políticos, econômicos, comerciais
e culturais com o Continente Africano e a América Latina;

V - participar de foros permanentes sobre questões indígenas e apoiar as
posições de consenso entre os povos indígenas brasileiros; e

VI - trabalhar para a adesão do Brasil aos seguintes instrumentos
internacionais de proteção e promoção dos direitos humanos:

a) Convenção 138 e Recomendação 146 da OIT, que tratam da idade mínima para
admissão no emprego;

b) Convenção Internacional para Proteção dos Direitos dos Migrantes e de suas
Famílias, aprovada pela ONU em 1990; e

c) Convenção Interamericana sobre Desaparecimentos Forçados de Pessoas,
assinada em Belém-PA em 9 de junho de 1994;

VII - participar, organizar, acompanhar e sediar conferências e eventos de
ações afirmativas de combate ao racismo e intolerâncias correlatas.

Eixo 10: Desenvolvimento Social e Segurança Alimentar

I - fortalecer as ações de combate à pobreza e à fome no Brasil, incorporando
a perspectiva etnicorracial e de gênero em todas as ações de assistência
social, de segurança alimentar e nutricional, e nos programas de transferência
condicionada de renda do Governo Federal, com prioridade às mulheres chefes de
família;

II - promover a igualdade de direitos no acesso ao atendimento
sócio-assistencial, à segurança alimentar e nutricional e aos programas de
transferência condicionada de renda, sem discriminação etnicorracial,
cultural, de gênero, ou de qualquer outra natureza;

III - incorporar as necessidades das comunidades indígenas, ciganas e negras
nas diretrizes do planejamento das políticas de assistência social e de
segurança alimentar e nutricional;

IV - promover a articulação das políticas de assistência social, de renda de
cidadania, de segurança alimentar e nutricional e de inclusão produtiva,
voltadas a todos os segmentos etnicorraciais, nas diversas esferas de governo,
com o setor privado e junto às entidades da sociedade civil;

V - desenvolver mecanismos de controle social de políticas, programas e ações
de desenvolvimento social e combate à fome, garantindo a representação de
todos os grupos étnico-raciais nas instâncias de controle social;

VI - garantir políticas de renda, cidadania, assistência social e segurança
alimentar e nutricional para a população negra, quilombola, indígena, cigana,
e de comunidades de terreiros;

VII - registrar identidade etnicorracial dos beneficiários nos diversos
instrumentos de cadastro dos programas de assistência social, de segurança
alimentar e de renda de cidadania;

VIII -fortalecer as interrelações do Conselho Nacional de Segurança Alimentar
e Nutricional - CONSEA, organizado pelo Decreto no 6.272, de 23 de novembro de
2007, e com as entidades representativas de remanescentes de quilombos, povos
indígenas, ciganos e comunidades de terreiros; e

IX - criar, fortalecer e ampliar programas e projetos de desenvolvimento
social e segurança alimentar e nutricional, com ênfase nos saberes e práticas
indígenas, ciganas, quilombolas, de contextos sócio-religiosos de matriz
africana.

Eixo 11: Infraestrutura

I - assegurar o acesso da população negra, indígena, quilombola e cigana,
urbanas ou rurais, aos programas de política habitacional;

II - estabelecer política de promoção da igualdade racial nos programas de
financiamento de habitação, de interesse social, sob gestão do Governo
Federal;

III - fornecer orientação técnica aos Municípios para que incluam no seu
planejamento territorial áreas urbanas e rurais, os territórios quilombolas e
as áreas de terreiro destinadas ao culto da religião de matriz africana;

IV - promover eletrificação nas áreas habitadas pelas comunidades negras,
quilombolas e indígenas do meio rural; e

V - promover o saneamento básico nas áreas habitadas pelas comunidades negras
e quilombolas.

Eixo 12: Juventude

I - ampliar as ações de qualificação profissional e desenvolvimento humano
voltadas aos jovens negros, especialmente nas áreas de grande aglomeração
urbana;

II - promover ações de combate à violência contra a população negra, indígena
e cigana jovens;

III - promover políticas públicas nas áreas de ciência, tecnologia e inovação
que tenham como público alvo a juventude negra, indígena e cigano;

IV - assegurar a participação da juventude negra, indígena e cigana nos
espaços institucionais e de participação social;

V - reduzir os índices de mortalidade de jovens negros, indígenas e ciganos;

VI - promover ações de reforço à cidadania e identidade do jovem, com ênfase
na população negra; e

VII - apoiar ações afirmativas que objetivem ampliar o acesso e permanência do
jovem negro, indígena e cigano na escola, notadamente na universidade.

Cerâmica empata com o Porto Alegre


Cerâmica empata com o POACerâmica e Porto Alegre fizeram um jogaço na tarde desta quinta-feira(6) no estádio Lami. O time ceramista saiu vencendo, porém no segundo tempo o adversário conseguiu empatar a partida que acabou em 4x4. A equipe fez uma belíssima apresentação, digna de Série A e com o resultado permanece na liderança isolada com quatro pontos.





Jogo sofrido



A partida válida pela segunda rodada do quadrangular final da Segundona tinha tudo para ser equilibrada. O Cerâmica começou surpreendendo o adversário e logo com um minuto de jogo, o time ceramista saiu na frente com Fernando Genro. Aos 29 minutos, Pedro fez uma pintura após passe de Deives Thiago, o lateral limpou a jogada e mandou para o fundo das redes. Aos 44 minutos, a zaga do Porto Alegre parou para ver o terceiro gol do Cerâmica, Fernando Genro livre ampliou o marcador.







O time comandado pelo técnico Leocir Dall”Astra terminou o primeiro tempo vencendo por três gols de diferença. O Porto Alegre reagiu no primeiro minuto da etapa complementar com Hyantony. O time ceramista ficou desfalcado após a expulsão do experiente Sidney pelo segundo cartão amarelo. O artilheiro do grupo, Cidinho, se encarregou de marcar o quarto gol do Cerâmica, mas os donos da casa continuavam pressionando atrás do gol. O paredão Donizetti teve trabalho, salvou com a cabeça e os pés, mas mesmo assim o POA descontou com Cristiano aos 33 minutos, e Hyantony mais duas vezes, aos 41 e aos 44 minutos na cobrança de pênalti.



Escalação



Cerâmica: Donizetti, Airton, Fernando, Leandro, Sidney, Pedro, Robson, Lico(Cidinho), Fernando Genro(Bolacha), Deives(Rafael Carvalho) e Maninho



Porto Alegre: Marasca, Jackson, Cícero, André, Caio, Cristiano, Gabriel Davis(Douglas), Dê, Hyantony, Athos(Thiago) e Carlos Eduardo(Tuta)



Tabela



Cerâmica 4

Pelotas 3

Riograndense 3

Porto Alegre 1



Outro jogo da rodada



Em Santa Maria o Riograndense venceu por 2x1 o Pelotas. O time de Bebeto Rosa largou na frente com Luís Fernando de pênalti e Bonaldi ampliou para o periquito na cobrança de falta. O gol do Lobão saiu com Tiago Duarte no final do segundo tempo.



*Confira a galeria de fotos da partida
Fonte: Cerâmica

Operação Laçador

BM E MP iniciaram Operação Laçador às 7h desta quarta-feira
05/08/2009 09:08



Nesta quarta-feira (05/8), às 7h, foi desencadeada a "Operação Laçador", ação integrada da Brigada Militar e Ministério Público Estadual, ocasião em que serão cumpridos pelo Batalhão de Operações Especiais mandados de busca e apreensão e de prisão contra pessoas que se encontravam envolvidas em ilícitos capitulados no Estatuto do Desarmamento. Após diligências legais, foram colhidas as provas pertinentes, sendo expedidos pelo Poder Judiciário os respectivos mandados judiciais para a realização das prisões e apreensões.

O trabalho de inteligência durou três meses, sendo as prisões decretadas preventivamente. Ao término da operação será realizada entrevista coletiva pelo Comando da Brigada Militar e Ministério Público, na Academia de Polícia Militar, situada na Av. Aparício Borges nº 2001, em Porto Alegre, para divulgação dos resultados, com horário a definir.

Fonte: Ascom/ BM

Coletiva

Coletiva de Imprensa sobre Operação Laçador
05/08/2009 10:09


Será realizada entrevista coletiva pelo Comando da Brigada Militar e Ministério Público, na Academia de Polícia Militar, situada na Av. Aparício Borges nº 2001, em Porto Alegre, para divulgação dos resultados da Operação Laçador, às 10h30min desta quarta-feira (05/8).

Nesta quarta-feira (05/8), às 7h, foi desencadeada a "Operação Laçador", ação integrada da Brigada Militar e Ministério Público Estadual, ocasião em que foram cumpridos pelo Batalhão de Operações Especiais mandados de busca e apreensão e de prisão contra pessoas que se encontravam envolvidas em ilícitos capitulados no Estatuto do Desarmamento.

Após diligências legais, foram colhidas as provas pertinentes, sendo expedidos pelo Poder Judiciário os respectivos mandados judiciais para a realização das prisões e apreensões. O trabalho de inteligência durou três meses, sendo as prisões decretadas preventivamente.

Fonte: Ascom/ BM

IPI

O deputado Renato Molling e João Carlos Adames comemoram a aprovação pela Câmara e pelo Senado da MP460 do pagamento dos créditos de IPI nas exportações de madeira, móveis e outras. O presidente Luis Inácio Lula sancionará a lei até o dia 19 de agosto. O deputado Francisco Appio também comemorou a aprovação e parabenizou os parlamentares pela iniciativa.



Deputado Estadual Francisco Appio - www.appio.com.br

Porto Alegre Empata com o Cerâmica

06/08/2009
Porto Alegre empata jogo heróico e segue vivo na segundona
Depois de estar perdendo por 4 a 1 para o Cerâmica, em partida válida pela segunda rodada do quadrangular final da segundona gaúcha, o Porto Alegre, numa reação espetacular conseguiu empatar o jogo para delírio de sua torcida que lotou as dependências do Parque Lami. O empate manteve o Porto Alegre na luta ao acesso à elite do futebol gaúcho.

O time da Zona Sul da Capital entrou em campo com a finalidade de exercer uma pressão no adversário e marcar logo o primeiro gol, mas foi surpreendido com o gol do Cerâmica logo a 1 minuto de jogo, após cobrança de falta e rebote do goleiro Marasca, com a finalização do centroavante Fernando Genro para as redes. O gol cedo desequilibrou o time e fez com que pressionasse desordenadamente o adversário na procura do empate. A busca para igualdade no marcador, no entanto, colocou o time para frente, mas desguarneceu o setor defensivo. Com isso, o Cerâmica no contra-ataque fez 2 a 0 aos 29 minutos, com o lateral esquerdo Pedro, e ampliou para três, aos 44 minutos, novamente com Fernando Genro.


Na segunda etapa o técnico Lisca ajustou o time para atacar e não deixar a defesa desprotegida. Logo a 1 minuto e meio de jogo o Porto Alegre descontou com um gol de cabeça do centroavante Hyantony, que substituiu o goleador da segundona Adão, suspenso pelo terceiro cartão amarelo. O gol empolgou a torcida e os jogadores. Mas o Cerâmica mais uma vez num contra-ataque aos 25 minutos ampliou o placar para 4 a 1 com um gol de Cidinho, que acabara de entrar.

Mesmo com um placar adverso elástico, o Porto Alegre seguiu atacando, desperdiçando gols e parando nas defesas do excelente goleiro Donizetti. Com a expulsão do volante Marcos do Cerâmica, o Porto Alegre conseguiu descontar novamente com um gol de Cristiano aos 33 minutos. O que parecia impossível aconteceu. Com um jogador a mais, o time da zona Sul impôs uma forte pressão e Hyantony fez mais um: 4 a 3. O jogo seguiu emocionante. Aos 44 minutos o meia Douglas foi derrubado na área. Pênalti. O herói do jogo Hyantony cobrou e marcou seu terceiro gol na partida, decretando o empate heróico de 4 a 4 e mantendo o Porto Alegre vivo na competição.


Resultado serviu de lição


Ao falar para imprensa, o técnico Lisca elogiou a capacidade de reação da equipe, mas disse que o jogo serviu como lição para corrigir alguns erros. “Nosso time se perdeu quando sofreu o primeiro gol do Cerâmica logo no primeiro minuto de jogo. Não poderíamos ter perdido o equilíbrio, mas serviu de lição. Valeu pelo espírito de luta e recuperação. Estamos vivos no campeonato”, ressaltou.
O Porto Alegre enfrenta no próximo domingo, às 15horas, em Santa Maria, o Riograndense pela terceira rodada do quadrangular da segundona gaúcha.


Sidney de Jesus (SID)
Assessor de Imprensa
Grupo Assis Moreira

Fora Sarney



5/8/2009

Fora Sarney em fotos




Um grupo de manifestantes usando máscaras ocupou as galerias do plenário nesta terça-feira (4) para pedir a renúncia do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP). A sessão chegou a ser suspensa por cinco minutos, até que a situação foi controlada

(Foto: Celso Junior/Agência Estado)





Os seguranças agiram com rapidez, confiscaram uma faixa que dizia 'Fora, Sarney!' e retiraram os manifestantes do plenário. Sarney chegou 15 minutos depois da saída dos manifestantes

(Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

O Mundo

La "globalizació n neoliberal", según Eric Hobsbawm, supone una mudanza económica, política y cultural del mundo en el siglo XXI. Un periodo de transición, un periodo en el que se acreciente la desigualdad, donde el desarrollo económico afecta a los paises de manera asimétrica. Análisis con el sello del autor que plantea que el poder económico tendrá una orientación asiática y la crisis medioambiental no estará cerca de solucionarse.

Después del siglo XX: un mundo en transición

Eric Hobsbawm*

Publicado el 31/7/2009

Un muy destacado científico ha expresado la opinión de que la raza humana sólo tiene un cincuenta por ciento de posibilidades de sobrevivir al siglo XXI. Ésta es en cierto sentido una afirmación extrema; pero muy pocos disentiríamos de la idea de que nuestra especie y nuestro globo enfrentan ahora peligros sin precedentes para la presente centuria, aunque sólo sea por el extraordinario impacto que la tecnología y la economía humanas ejercen sobre el medio ambiente. A este ensayo mío no le conciernen tales escenarios apocalípticos: supondré que si la humanidad sobrevivió al siglo XX, igualmente lo hará en el siglo XXI.

El mundo de principios del siglo XXI se caracteriza por tres sucesos principales:

- Las enormes fuerzas que aceleran la velocidad de nuestra capacidad de producción y que, al hacerlo, cambian la faz del mundo. Esto es así y así continuará.

- Un proceso de globalización acelerado por la revolución en el transporte y las comunicaciones, nos indica que: a) sus efectos mayores corresponden directa o indirectamente a la globalización económica; aunque b) se presenta en todos los campos excepto en los del poder político y la cultura, en la medida en que dependen del idioma.

- El reciente pero rápido cambio en la distribución de la riqueza, el poder y la cultura, de un patrón establecido que duró de 1750 a 1970 a uno todavía indeterminado.

I

El incremento en nuestra capacidad para producir –y para consumir– difícilmente requiere de comprobación alguna. Sin embargo, deseo hacer tres observaciones. La primera concierne a la explotación de recursos cuyo abastecimiento es naturalmente limitado. Esto incluye no sólo las fuentes de energía fósil de las cuales la industria ha dependido desde el siglo XIX –carbón, petróleo, gas– sino de los más antiguos fundadores de nuestra civilización, a saber: agricultura, pesca y bosques. Estas limitaciones naturales o son absolutas dada la magnitud de las reservas geológicas y de tierras cultivables, o relativas cuando la demanda excede la capacidad de estos recursos para su propia renovación, como la excesiva explotación pesquera y de bosques. Cerca del final del siglo XX el mundo no se había aproximado aún al límite absoluto de las fuentes de energía, ni a un incremento sustancial en la productividad agrícola y las extensiones cultivables, aunque el ritmo de incorporación de nuevas tierras aflojó durante la segunda mitad del siglo. Los rendimientos por hectárea de trigo, arroz y maíz subieron a más del doble entre 1960 y 1990. Sin embargo, los bosques fueron seriamente amenazados. La deforestación en pequeña escala ha sido un antiguo problema y ha dejado marca permanente en algunas regiones, notablemente el Mediterráneo. La sobreexplotació n pesquera empezó a alcanzar su punto crítico en el Atlántico norte alrededor de los últimos treinta años del siglo XX y se extendió a todo el globo debido a la preferencia por algunas especies. Esto, hasta cierto punto, se ha compensado con la acuicultura, que en la actualidad produce alrededor del 36 por ciento del pescado y marisco que consumimos –cerca de la mitad de las importaciones de pescado de los Estados Unidos. Aunque la acuicultura todavía se encuentra en etapa inicial, el esfuerzo podría terminar en la mayor innovación en la producción de alimentos desde que se inventó la agricultura. Esta vastedad de alimentos alcanzada, que permite alimentar a más de seis mil millones de personas mucho mejor que a los dos mil millones de principios del siglo XX, se logró a través de los métodos tradicionales, además de las tecnologías mecánica y química; de modo que no tiene sentido argumentar que la humanidad no puede ser alimentada sin manipulación genética.

El agotamiento de los recursos no renovables o limitados ciertamente planteará serios problemas al siglo XXI, particularmente si la crisis medioambiental no se encara seriamente.

Mi segunda observación se ocupa del impacto que la revolución tecnológica ha tenido sobre la producción y la mano de obra. En la segunda mitad del siglo XX, por primera vez en la historia la producción dejó de ser de mano de obra intensiva para volverse de capital intensivo y, progresivamente, de información intensiva. Las consecuencias han sido dramáticas. La agricultura sigue siendo el principal deponente de mano de obra. En Japón la población agrícola se redujo del 52,4 por ciento después de la Segunda Guerra Mundial al 5 por ciento en el presente. Lo mismo en Corea del Sur y Taiwán. Aun en China la población agrícola ha disminuido del 85 por ciento en 1950, al 50 por ciento hoy en día. No hay necesidad de comprobar la sangría de campesinos en América Latina desde 1960, pues es evidente. Para decirlo pronto, salvo la India y algunas zonas del África subsahariana, no quedan países campesinos en el mundo. La dramática caída de la población rural se ha compensado con un alto crecimiento de las zonas urbanas que, en el mundo en desarrollo, han dado origen a ciudades gigantes.

En el pasado, este caudal de mano de obra redundante y no calificada era absorbido por la industria –en la minería, la construcción, el transporte, las manufacturas, etc. Esta situación aún prevalece en China, pero en el resto del mundo, incluyendo a los países en desarrollo, la industria ha venido deshaciéndose aceleradamente de la mano de obra. Este descenso en la industria no es sólo debido a la transferencia de la producción de regiones de altos costos a otras de bajos, sino que también va implícita la substitución de tecnologías cuyos costos declinan por mano de obra calificada cuyos costos son inelásticos y al alza con el propio desarrollo económico. Desde 1980, los sindicatos de la industria automotriz en los Estados Unidos han perdido la mitad de sus miembros. Igualmente Brasil empleaba un tercio menos de trabajadores aun cuando produce casi el doble de vehículos automotores en 1995 que en 1980. El incremento en el sector de los servicios junto al crecimiento económico no ofrecen una alternativa viable para dar salida a la mano de obra redundante tanto industrial como agrícola, generalmente de baja escolaridad y con poca capacidad de adaptación. Sin embargo, hasta ahora, el empleo a las mujeres ha resultado relativamente beneficiado, al menos en los países desarrollados.

La mayor parte de la mano de obra redundante la absorbe la economía informal que, según estimaciones de la Organización Internacional del Trabajo (OIT), comprende el 47 por ciento del empleo no agrícola en el Medio Oriente y Norte de África; 51 por ciento en América Latina; 71 por ciento en Asia y 72 por ciento en el África Subsahariana. El problema se observa muy agudo en los países más pobres y en aquellos otros devastados por la transición económica, como la ex URSS y los Balcanes. Mientras se ha argumentado a favor de la flexibilidad y efectividad de la economía informal sobre todo en el caso latinoamericano, la verdad es que ésta es siempre bastante menos significativa en los países desarrollados (alrededor de diez por ciento en Estados Unidos). En cambio, el contraste entre un rápido crecimiento económico y la incapacidad para generar suficientes empleos es particularmente impactante en la India, cuyo crecimiento se cimienta en capital e información intensivos pero con un 83 por ciento de la fuerza laboral en el sector informal. El gobierno de Manmohan Singh se ha visto en la necesidad de garantizar un mínimo de días de trabajo a la población rural más pobre.

Mi tercera observación es obvia, y es que el enorme incremento en la capacidad humana para producir depende mayormente de los conocimientos y la información. Esto es, en un gran número de gente con altos estudios y no necesariamente sólo en el campo profesional de la investigación y el desarrollo. Aquí, la riqueza acumulada y el capital intelectual de la era de la industrializació n occidental continúa dándoles a los países del norte enormes ventajas sobre los países en desarrollo. Aunque el número de asiáticos laureados con Premios Nobel de Ciencia va en aumento desde 1980, sigue siendo pequeño. Los recursos intelectuales en el resto del mundo en desarrollo siguen a la espera de un mejor aprovechamiento. Además, los jóvenes investigadores del mundo en desarrollo pueden trabajar en los centros de investigación del Norte, reforzando así su predominancia.

Sin embargo, el siglo XXI está siendo testigo de la rápida transferencia de actividades innovadoras, base del progreso moderno, antes monopolizadas por las regiones del Atlántico norte. Esto es muy reciente. El primer laboratorio extranjero para investigación y desarrollo se estableció en China en 1993 (por Motorola); pero en pocos años setecientas empresas transnacionales han hecho lo mismo, mayormente en el sur y el este de Asia, una región especializada en diseño de semiconductores. Y aquí, una vez más, las disparidades regionales parecen aumentar, ya que el progreso depende también de que los gobiernos sean efectivos, se cuente con infraestructura adecuada y, sobre todo, con población educada por encima de los niveles básicos. No hay duda de que en países como la India y, en menor grado, Brasil, la baja escolaridad de la mayoría de la población es un obstáculo; sin embargo, esto se ha compensado por el relativo buen aprovechamiento del escaso número de los altamente educados. Los avances en este aspecto, en el mundo en desarrollo, todavía enfrentan un largo camino. El crecimiento de algunas regiones y el rezago de otras es muy evidente, así como el aumento en las disparidades. Según la revista R&D, en la lista de países más atractivos para invertir, están –en ese orden– China, Estados Unidos, India, Japón, el Reino Unido y Rusia. De América Latina, Brasil ocupó el lugar diecinueve (debajo de Austria), y México el ventitrés.

II

Y paso a la globalización, esto es, el desarrollo mundial como una sola unidad, cuyas transacciones y comunicación están libres de trabas locales y de otra índole.

Esto, en principio, no es nada nuevo. Teóricos como Wallerstein registran un "Sistema Mundial" desde la circunnavegació n del globo durante el siglo XVI. Desde entonces se han ido registrando otros varios e importantes avances, principalmente en los campos económico y de las comunicaciones. Dejaré fuera de las comparaciones la fase del proceso previa a 1914. Esa economía nunca abordó seriamente asuntos de producción y distribución de bienes materiales aun cuando sí creó un libre flujo global en las transacciones financieras –aunque en menor escala que las actuales. Fueron tiempos de migraciones de mano de obra casi totalmente irrestrictas por los gobiernos, y en este sentido, una globalización más avanzada que la presente. Y mientras que las comunicaciones sufrieron cambios benéficos y sustanciales en los sistemas postales, telegráficos y organismos de coordinación internacional a mediados del siglo XIX, el número de personas involucradas en transacciones internacionales fue escaso. De hecho, la globalización de la producción ha sido posible gracias al revolucionario avance en las comunicaciones, que virtualmente han abolido las limitaciones en cuanto a lugar, distancia y tiempo se refiere y al no menos dramático adelanto en la transportació n de mercancías desde los años sesenta –carga aérea y contenedores– , aun cuando la innovación tecnológica fue menor que en las comunicaciones humanas.

Aquí, tres puntos son relevantes.

El primero es la peculiar naturaleza de este proceso a partir de los años setenta, concretamente el triunfo sin precedente de un capitalismo que descansa en la libre movilidad global de todos los factores de la producción y la de los gobiernos atentos a no interferir en la distribución de los recursos dispuesta por el mercado. Ésta no es la única versión del concepto de globalización. En las décadas anteriores a 1914, su progreso corrió paralelo rivalizando con las políticas proteccionistas, moderadas en la mayoría de los países industrializados y extremas en los Estados Unidos. Durante las décadas doradas posteriores a 1945 esta práctica de sustitución de importaciones corrió paralela a las políticas, no tan infructuosas, del mundo no comunista. No queda claro que los programas neoliberales extremos aseguren un máximo de crecimiento económico, asumiendo que fuese deseable. El más rápido crecimiento del Producto Interno Bruto per cápita observado en el "mundo capitalista avanzado" no se dio en el "orden liberal" de 1870 a 1913, ni tampoco en el "orden neoliberal" de 1973 a 1998, sino solamente en los "años dorados" de 1950-1973. El crecimiento económico de los inicios del siglo XXI ha descansado primordialmente en un dinamismo que Maddison llama "las quince economías asiáticas resurgentes" , cuyo crecimiento ha sido asombroso. Pero no fue el neoliberalismo el que presidió la extraordinaria revolución industrial de Corea del Sur, Taiwán, China y, aun, la India a principios de los años noventa. A la inversa, la situación de 168 economías, fuera de estos dínamos, mostró un rápido deterioro en el último cuarto del siglo XX y fue una catástrofe para la ex URSS, los Balcanes y algunas regiones africanas.

Algunos aspectos de esta globalización neoliberal tienen relevancia directa sobre la situación mundial general a principios de este siglo XXI. Primero, es patente el incremento en la desigualdad económica y social tanto entre países como al interior de ellos. Esta desigualdad eventualmente podría disminuir, pues las economías asiáticas más dinámicas podrían alcanzar a los viejos países capitalistas desarrollados; pero en el caso de la India y China, con sus miles de millones de habitantes, hace que la brecha sea tan grande y que el paso al que pudieran alcanzar el mismo PIB per cápita de los Estados Unidos sea tan lento como un caracol. Lo que es más, la rapidez con que crece la brecha entre países ricos y pobres reduce el significado práctico de estos avances. Sería inapropiado usar a los 52 multimillonarios de Rusia como índice comparativo del estándar de vida en ese país. Éstos representan otra más de las consecuencias de la globalización neoliberal, cuya novedad es que pequeños grupos de ricos globales son tan adinerados que sus recursos podrían ser de la magnitud del ingreso nacional de países como Eslovaquia, Eslovenia, Kenya o, en el caso de los muy ricos, del orden del PIB de Nigeria, Ucrania y Vietnam. Este tipo de crecimiento ha generado en la India un mercado de clase media tipo occidental contado por decenas –algunos aseguran que cientos– de millones; sólo hay que subrayar que, hacia 2005, en este país el 43 por ciento de la población vivía con menos de un dólar al día. Fuertes y crecientes desigualdades en la riqueza, el poder y las oportunidades para tener una vida mejor no son la receta para la estabilidad política.

La segunda característica de la globalización, respaldada por las políticas socialmente ciegas del Fondo Monetario Internacional, ha sido el agudo crecimiento en la inestabilidad económica y en las fluctuaciones económicas. Los viejos países industriales han estado resguardados, comparativamente, de las depresiones cíclicas, excepto por los bruscos virajes a corto plazo del mercado bursátil; sin embargo, el impacto ha sido dramático en grandes partes del mundo y, notablemente, en América Latina, el sudeste asiático y la ex Unión Soviética. Sólo tenemos que recordar las crisis de principios de 1980 en Brasil y, a fines de los noventa, las de Indonesia, Malasia, Tailandia y Corea del Sur y, sin olvidar, la de Argentina a principios del año 2000. Sólo recordemos los cambios políticos que siguieron a estas crisis en varios países. Las economías volátiles no son receta para la estabilidad política.

La tercera característica de la globalización neoliberal es que, al sustituir un conjunto de economías nacionales por una economía global, se reduce severamente la capacidad de los gobiernos para influir en las actividades económicas de su territorio y se daña su capacidad recaudatoria. Esta situación se agudizó mayormente al aceptar todos la lógica del neoliberalismo. Desde la terminación de las economías de planeación centralizada, todos los países, incluyendo a los más grandes, están en mayor o menor grado a merced del "mercado". Esto no implica que hayan perdido todo peso específico en la economía. Todos los gobiernos centrales y locales, por la naturaleza de sus actividades, son los principales empleadores de la fuerza laboral. Es más, así han retenido su mayor valor histórico: el monopolio de la ley y el poder político. Y esto significa que ya no funcionan como actores económicos en el teatro mundial, ni siquiera como dramaturgos aunque sí como escenógrafos. Pues los actores de hoy, las grandes corporaciones transnacionales, se ven en la necesidad de acudir a ellos pues también son los propietarios de los teatros nacionales que requieren para sus operaciones. La globalización neoliberal ha debilitado seriamente a los Estados nacionales como los conductores del poder y artífices de la política.
Políticamente, el aspecto más serio de este debilitamiento es el de que priva a los gobiernos, sobre todo a los de las economías desarrolladas del Norte y Occidente, de sus ambiciosos y generosos planes sobre seguridad social, mismos que ya desde los tiempos de Bismarck habían sido reconocidos por los gobernantes como la mejor herramienta para la estabilidad social y política, esto es, el Estado benefactor. En vez de esto, el mercado global fundamentalista ofrece un proyecto de prosperidad para todos –o casi todos– a través de los beneficios de un crecimiento económico interminable. Aun en los países como el Reino Unido donde el programa neoliberal ha proveído a la gente de una genuina y bien distribuida riqueza, no han disminuido las demandas de los ciudadanos por más empleos, garantías para sus ingresos básicos, seguro social, salud y pensiones. Sólo la capacidad o voluntad de los gobiernos para proveer lo anterior ha posibilitado el cumplimiento de esas ambiciones.

Esto me trae a la segunda y más amplia de las propuestas sobre globalización y es que ésta, en mayor o menor grado, es universal pero se queda corta ante un problema humano mucho mayor: la política. Históricamente han existido y existen mecanismos económicos en el mundo, pero ninguno dirigido a la creación de un gobierno mundial. Las Naciones Unidas y otros organismos prevalecen por la conveniencia y el permiso que los propios países les otorgan. Los Estados nacionales son las únicas autoridades en el mundo y sobre el mundo para ejercer el poder de la ley y el monopolio de la violencia. De hecho, en el transcurso del siglo XX se dio fin a la era de los viejos y nuevos imperios y, durante la Guerra Fría, se estabilizaron las fronteras de los Estados nacionales, revertiéndose la vieja tendencia hacia la concentración del poder político debido a la expansión imperial y por el surgimiento de Estados nacionales ampliados. Por implicación, esto resultó antiglobalizador. Hoy en día, hay cuatro veces más naciones técnicamente soberanas que hace cien años. Desde luego, en cierto sentido esta multiplicació n de Estados nacionales ha favorecido la globalización económica pues muchas de las pequeñas y enanas unidades políticas dependen totalmente de la economía global porque poseen recursos indispensables –petróleo, destinos turísticos, territorios base para la evasión fiscal, empresas transnacionales. Así pues, algunos países se han beneficiado desproporcionadamen te con la globalización. De los quince Estados nacionales con el PIB más alto per cápita en el 2004, doce tienen una población que va de los cien mil a los diez millones de habitantes. La mayoría sin un poder o peso significativos. No obstante, aun los Estados pequeños y aquellas etnias aspirantes a formar el suyo propio, son rocas que rompen el oleaje de la globalización. Ha habido intentos ocasionales de contrarrestar la fragmentación política del mundo, principalmente a través de áreas regionales de libre comercio como el Mercosur, pero sólo la Unión Europea ha logrado ir más allá de lo meramente económico, pero aun sin que se vean indicios claros de avance hacia una federación, ni siquiera a Estados confederados, como estaba en la mente de sus fundadores. La UE, pues, permanece como un hecho irrepetible y producto de la Segunda Guerra Mundial y la Guerra Fría.

Y abundando: los Estados nacionales son lugares políticos y la política tiene una considerable fuerza internacional en una época en que todos los países, democráticos o no, y aún las teocracias, tienen que tomar en cuenta el sentir de sus ciudadanos. Esa ha sido una fuerza suficiente para ponerle un freno a la globalización neoliberal. El ideal de una sociedad global de libre mercado supone la irrestricta distribución de recursos y resultados en base a criterios de mercado. Por razones políticas, los gobiernos no pueden correr el riesgo de dejar en manos del mercado la distribución del producto nacional. Otra, la globalización requiere de un solo lenguaje –una versión globalizada del inglés pero, como lo demuestra la historia reciente en Europa y el sur de Asia, los países pagan las consecuencias si fallan al tomar en cuenta los idiomas dentro de sus territorios. Un mundo neoliberal requiere moverse libremente en la transacción de todos los factores de la producción. Sólo que no existe el libre movimiento internacional de la mano de obra, a pesar del hecho de encontrarse una enorme brecha entre los niveles de salarios de los países pobres y los ricos; millones de pobres en el mundo quieren migrar a las economías desarrolladas. ¿Y por qué no hay libertad migratoria? Porque no existe gobierno alguno en las economías desarrolladas que se atreva a pasar por alto la resistencia masiva de sus ciudadanos hacia la irrestricta inmigración, tanto en el plano económico como en el cultural. No defiendo esta situación, sólo señalo su enorme fuerza.

La política, a través de la acción del Estado, proporciona así el necesario contrapeso a la globalización económica. Sin embargo, difícilmente hoy encontramos gobiernos que rechacen las desventajas de la globalización o que pudieran suspenderla en sus territorios, si quisieran. Claramente no todos los países son iguales. Ciertamente, la proliferación de países pequeños y virtualmente débiles da gran prominencia y peso global a un puñado de países o uniones fuertes que dominan hoy en día el mundo: China e India, los Estados Unidos, la Unión Europea, Rusia, Japón y Brasil, quienes tienen alrededor de la mitad de la población mundial y casi las tres cuartas partes del PIB. La globalización económica opera a través de empresas transnacionales sin poder militar ni político, pero que funcionan en un marco determinado por sus propios países de origen, sus políticas, alianzas y rivalidades.

No obstante, los progresos y la voluntad de globalización continuarán aun si –lo que no es imposible– el ritmo para lograr el libre intercambio mundial aflojase en las próximas décadas. Esto me trae a mi tercera proposición: la creación de una economía mundial como una sola y total unidad interconectada y sin obstáculos aún está en la infancia. Así, si tomamos los bienes de exportación como si fuesen el PIB de los 56 países económicamente significativos del mundo, este alcanzó su primer punto máximo alrededor de 1913 con cerca del nueve por ciento de los PIBs conjuntos, pero entre este año y 1990, sólo hubo un crecimiento del 13,5 por ciento; ni siquiera se duplicó. El Instituto Federal Suizo de Tecnología, en Zurich, ha establecido un índice de globalización. En este índice los diez países más económicamente globalizados del mundo sólo incluyen una economía avanzada, la del Reino Unido (como el número 10). De las economías mayormente desarrolladas, Francia clasifica en el puesto 16; los Estados Unidos en el 39 un poco adelante de Alemania y Noruega; Japón ocupa el puesto 67; Turquía clasifica en 52; China en 55; Brasil, 60; Rusia, 76 y la India ocupa el lugar 105. La clasificación en globalización social se distribuye más uniformemente entre las economías occidentales. Con excepción de la mayor parte de América Latina, la globalización social (si se prefiere cultural) refleja un mayor avance que la económica.

Esto indica que el mundo continúa abierto a los choques y tensiones de la globalización. Consideremos que, mientras los pasados treinta años nos han traído las más grandes migraciones masivas, sólo el 3 por ciento de la población mundial vive fuera de su país de origen. ¿Qué tan lejos nos llevarán los todavía modestos avances de la globalización? Júzguenlo ustedes.

III

Si hemos de juzgar los cambios en la riqueza, el poder y la cultura en el equilibrio global, debemos, por tanto, definir lo que se entiende por equilibrio mundial, o mejor, por desequilibrio –como prevaleció el planeta en el período de 1750 a 1970. Con una sola excepción –la población– hubo un gran predominio de la región del Atlántico norte, al principio confinada a las partes más relevantes de Europa pero que en el transcurso del siglo XX se inclinó hacia las antiguas colonizaciones de emigrantes europeos a Norteamérica, específicamente los Estados Unidos. Europa y las regiones colonizadas por emigrantes europeos nunca fueron más que una minoría de la población global, digamos el veinte por ciento en 1750, y tal vez el treinta o 35 por ciento hacia 1913. Desde entonces, ha caído hasta llegar alrededor del quince por ciento.

En cualquier otro sentido, el predominio del Atlántico norte fue absoluto. Cualesquiera que hubiesen sido las circunstancias, la economía mundial se transformó gracias a las tecnologías y al sistema capitalista occidentales. Pero aquí debe hacerse una distinción entre el original predominio europeo y la más reciente fase norteamericana. En el siglo XIX la dinámica global venía del capitalismo europeo pues los Estados Unidos eran mayormente una economía independiente: hasta el siglo XX su impacto sobre América Latina, por ejemplo, era menor comparado con el de Gran Bretaña. Los territorios del mundo estaban ocupados y divididos entre los poderes europeos occidentales del Atlántico Norte y el Imperio ruso. En términos militares la situación no era del todo desequilibrada, pero ninguna potencia que no contase con los recursos técnicos y de organización occidentales podría haberse enfrentado a otra que sí los tuviese. En lo que se refiere al campo intelectual, excepto el religioso, las ideas que cambiaron la política y la cultura en el mundo llegaron de Europa. Modernización significaba occidentalizació n. La ciencia y la tecnología, aunque internacionales, se originaban en Europa y sus filiales y estaban virtualmente monopolizadas por los países de la región. Igualmente por lo que hacía a la literatura, comunicación impresa, libros y periódicos.
En términos de poder económico, la globalización reforzó la situación original del norte industrializado y su desarrollo capitalista, el cual también multiplicó la distancia entre la riqueza per cápita de estos países con los del resto del mundo, dando a sus habitantes un elevado nivel de vida, seguridad social y, en general, mejores oportunidades de vida. En términos de lo que podría llamarse "capital intelectual" , el monopolio sobre la ciencia y la tecnología se mantuvo, aunque el centro de gravedad de estos campos se movió de Europa a los Estados Unidos después de concluida la Segunda Guerra Mundial. En el campo de las ideas y hasta la Revolución Iraní de 1979, las ideologías de origen europeo/norteameric ano nacidas de las Revoluciones Estadounidense, Francesa y Rusa así como las de los Estados nacionales independientes y aun las del fascismo, fueron ideas casi universales e inspiraron tanto a los propios gobiernos como a los que quisieron deponerlos.

Esta fue la situación que empezó rápidamente a cambiar hacia finales del siglo XX, afectando desigualmente a diferentes partes del mundo. Las regiones importantes en el mundo del siglo XXI son hoy muy distintas en sus estructuras demográficas. En el año 2006 se estimaba que, en países con poblaciones enormes, los niños menores de quince años de edad constituían entre el treinta y el cincuenta por ciento de la población. Para ser más preciso, son cuatro las regiones de jóvenes actualmente: América Latina y el Caribe, al norte del Cono Sur; la subsahariana de África; la importante región musulmana de Oriente Medio y el Norte de África; y el sur y sudeste asiático. Es preciso distinguir claramente entre el subcontinente Indio y sudeste asiático. Dejo fuera los archipiélagos del Pacífico por no ser de gran importancia cuantitativa. Tres regiones desarrolladas o en rápido desarrollo representan a la población en proceso de envejecimiento en el mundo. Europa en el más amplio sentido, incluyendo Rusia y los otros países ex comunistas (no los musulmanes de Asia central) y Norteamérica y Australasia, todas éstas son regiones originalmente colonizadas o pobladas por blancos europeos. Existen, desde luego, diferencias significativas entre Norteamérica, la Unión Europea, los países que integraban la URSS y la Europa del este y el lejano oriente asiático: China, Corea del Sur, Japón, Hong Kong, Taiwán y Singapur. Para efectos de este trabajo, no me interesa ahora discutir los problemas globales de la transición demográfica que, esperamos, logre estabilizarse en una población mundial de más de seis mil millones.

Es evidente que la humanidad del siglo XXI contendrá una proporción mucho menor de blancos europeos o sus descendientes, una menor proporción de asiáticos del este y una mucho más alta proporción de latinoamericanos, de subsaharianos de África, de musulmanes mediorientales y asiáticos del sur y sureste. Esto tiene una relevancia inmediata sobre la distribución de la pobreza en el globo, que claramente se concentra en las regiones de rápido crecimiento demográfico, a excepción del sureste asiático, donde el desarrollo económico ha reducido la expansión poblacional; y desde luego también, los antiguos países soviéticos. De otra parte, mientras no existan implicaciones inmediatas en la distribución de la riqueza y el poder económico, esto es irrelevante. Así, de las unidades políticas más importantes y que son centros de poder económico, sólo dos –India y Brasil– están presentes en las regiones de crecimiento demográfico; cuatro, los Estados Unidos, la Unión Europea, Rusia y China están en los regiones de estancamiento o disminución poblacional. El África subsahariana, el Medio Oriente musulmán y el sureste asiático están fuera de consideración.

La globalización y el desarrollo económico han afectado a los países de manera asimétrica. De hecho, hoy tenemos un "mundo en desarrollo" dividido en tres partes: los países de desarrollo rápido; los países cuya función principal es la de abastecer materias primas y combustibles fósiles y los países con poco interés en la economía globalizada. En el presente, el este asiático es el más exitoso ejemplo de los primeros, los de rápido desarrollo; los países del antiguo bloque soviético y la mayoría de los musulmanes de Medio Oriente pertenecen a la segunda categoría y la mayoría de los subsaharianos de África, a la tercera.
El cambio más importante que se da a partir de 1970 es la transferencia del centro de gravedad de la economía mundial, de Norteamérica y la Unión Europea hacia el Oriente extendiéndose por el sur y sureste asiáticos. A menudo se olvida que el ascenso hacia la prominencia global de la economía japonesa también ocurrió a finales del siglo XX, así pues, al término de 1968 la producción industrial de Japón alcanzaba no más de cuatro por ciento de la mundial total, por debajo de la del Reino Unido. Desde luego, es verdad que el equilibrio del poder mundial de los negocios continúa, en gran medida, en manos de los viejos países industriales. Sin embargo, la tendencia es clara por el destacado y sorprendente papel de los asiáticos.
Qué tan lejos llegarán los cambios en el equilibrio del poder económico no está claro todavía. Norteamérica y la Unión Europea, los más importantes contribuyentes al PIB mundial, perderán terreno –Estados Unidos tal vez más que la ue. Por su parte, los países del Mar de China avanzarán, pero todavía les falta mucho. A la India, todavía no se le puede juzgar, pero hay que considerarla como claro y futuro jugador importante. A América Latina, con su cercanía al ocho por ciento del PIB mundial, no se le ven trazas de algo importante; los resultados de décadas pasadas han sido más bien decepcionantes y sus prospecciones dependerán del progreso que obtengan los países del Mercosur y México mientras no sean absorbidos aún más por la economía estadounidense. El mundo musulmán del Oriente Medio, con todo y los ingresos por el petróleo y gas, contribuye poco a los cambios y –a excepción de Turquía e Irán– sus prospecciones dependen mucho de la venta de energéticos. Por su parte, los sucesores de los países comunistas, que ahora contribuyen con alrededor del cinco por ciento del PIB posiblemente mejoren algo sus resultados cuando se recuperen de los infaustos sucesos de los noventa. Además de las materias primas y el petróleo, el poder económico de la Rusia desindustrializada tiene hoy un poco más en don- de apoyarse que en los tiempos de la era soviética con todo y la poderosa industria de armamentos y la gente con elevada educación. Por otro lado, a la cada día más empobrecida África subsahariana se le ven escasas esperanzas de poder lograr desempeñar un mejor papel.

De todas las regiones, sólo una, América del Norte, se encuentra bajo el predominio de una sola economía nacional: los Estados Unidos. Cuando las reliquias de la Guerra Fría incluyendo a Rusia asumieron que el camino se despejaba, el futuro lógico lo encontraron en combinarse con Europa. En el este y sudeste asiáticos, China puede aspirar a la hegemonía económica que por breve tiempo disfrutó Japón, pero Japón permanecerá como un jugador principal, sin tampoco olvidarnos de la India. Este nuevo y dinámico centro global, por consiguiente, será el campo en la interacción de estos tres gigantes. Ni la región musulmana del Medio Oriente, ni África, potencialmente poseen fuerza hegemónica en los campos económico y político; pero en América del Sur el solo tamaño y potencial de la economía brasileña le asigna a ésta un papel central, todavía más si la economía mexicana se permite seguir atada al sistema de los Estados Unidos.

Esto no significa que estas economías hegemónicas nacionales o regionales estén en conflicto con la ya en buena parte interdependiente economía global, que les otorga a todos beneficios reales o potenciales. Y sí significa que la globalización no puede –como el neoliberalismo lo supone– ser como el fluir suave de un líquido. Existen tres agregados principales, políticos y sociales, en el líquido. Primero, el siglo XXI tiene poco que ofrecer al rico mundo del norte, excepto la erosión, tal vez la pérdida, de su vieja hegemonía que fue también la base de su poder y del extraordinariamente elevado estándar de vida en su gente. Inevitablemente este mundo del norte se resistirá a los cambios, aunque sólo los Estados Unidos –con sus aspiraciones de supremacía de mano fuerte– pueden verse tentados a complementar su resistencia con medios militares. Segundo, la ausencia de autoridades globales efectivas y de un sistema de poder internacional, han creado una situación de gran inestabilidad política y social, turbulencias y gobiernos impotentes en muchas partes del mundo, efectos que durarán todavía algún tiempo. Tercero, las tensiones y desigualdades originadas por una globalización incontrolada, están generando una significativa resistencia popular que limita el campo de acción de los gobiernos neoliberales y de regímenes democráticos. Desde luego, se generarán movimientos de disidencia y rebelión populares.

Nos encontramos en el presente ante una fase de transición, de una economía mundial dominada por el Norte a una de nuevo esquema, probablemente de orientación asiática. Hasta que estas nuevas pautas queden establecidas, es probable que pasemos por algunas décadas de violencia, turbulencias económicas, sociales y políticas, como ha ocurrido en el pasado en similares periodos de transición. No es imposible que esto nos lleve a guerras entre países, sin embargo serán menos probables que en el siglo pasado. Quizá podamos esperar una relativa estabilidad global en algunas décadas, como las posteriores a 1945. Ciertamente la humanidad no se acercará a la solución de la crisis medioambiental del mundo, crisis que la propia actividad humana continuará fortaleciendo. ¿Cuál es la participación de Latinoamérica en esta prospección global? Ésta es una cuestión que ustedes como expertos pueden encarar mucho mejor que yo, que no lo soy.

*Eric Hobsbawm es el decano de la historiografí a marxista británica.

Fuente: LetrasLibres - julio 2009





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