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segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Outras Palavras


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Boletim de Atualização - Nº 350 - 15/1/2014

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Manual para resistir ao machismo em 2014
Big Brother, Carnaval, Copa, eleições. Como encarar, sin perder la ternura jamás, um ano muito traiçoeiro? Por Marília Moschkovich, na colunaMulher Alternativa (Outras Palavras)

Rolezinhos: qual deles combina com você?
Além dos adolescentes da periferia, também jovens politizados de forma mais tradicional programam ações. Mas há diferenças nítidas entre elas.Por Gabriela Leite (Blog)

Uma alternativa para a “cracolândia”
Em reviravolta humanitária, São Paulo lança projeto que oferece apoio e ocupação a usuários de drogas, em vez de reprimi-los. A direita vai pirar?Por Bruno Torturra em seu facebook
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O financiamento bilionário dos céticos do clima
Nos EUA, fundações e think-tanks conservadores recompensam, com centenas quase 1 bilhão de dólares ao ano, teóricos que negam mudanças climáticas. Na Esquerda.net (Outras Mídias)

Operação Banqueiro: 
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Para eleger a FIFA pior empresa do mundo
Campanha denuncia entidade que reduz futebol a mercadoria, elitiza estádios e impõe obrigações exorbitantes a sociedades e países. Um clic basta, para votar. Por Katia Marko (Blog)
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Rolê da Ralé

O rolê da ralé

Para autor de 'A Ralé Brasileira', rolezinhos são vistos como tão ameaçadores porque rompem a demarcação do apartheid social

Ivan Marsiglia
Grito dos quase incluídos? Flash mob da periferia? Repique das jornadas de junho? Marcha do desprezo pela cultura democrática? Ou apenas e tão somente "um rolê"?
 
O País discute o que vai pela cabeça daqueles rapazes de bombeta e bermudas, que se endividam para comprar um tênis Mizuno, a congestionar os corredores dos shopping centers - estes também chamados aqui e ali de "templos do consumo", "espaço privado aberto ao público" ou "única opção de lazer na quebrada", de acordo com o gosto do freguês. Os rolezinhos entraram com tudo no vocabulário político nacional e andaram nas bocas do prefeito Fernando Haddad, do governador Geraldo Alckmin e até da presidente Dilma Rousseff.
Para o sociólogo potiguar Jessé Souza, doutor pela Universidade de Heidelberg, na Alemanha, e professor da Universidade Federal de Juiz de Fora, com todas as interpretações que se possam atribuir ao fenômeno (e, em especial, às reações da sociedade brasileira a ele), uma coisa é certa: estamos diante de "um reflexo do apartheid brasileiro que separa, como se fossem dois planetas distintos, os brasileiros ‘europeizados’, da classe média verdadeira, e os percebidos como ‘bárbaros’, das classes populares".
Autor do já clássico A Ralé Brasileira - Quem É e Como Vive, publicado em 2009, e de Os Batalhadores Brasileiros - Nova Classe Média ou Nova Classe Trabalhadora? , em 2012, ambos pela Editora UFMG, Jessé refuta o conceito de "nova classe média", exaltado no Brasil na última década. A precarização dessa camada "que trabalha muito e ganha pouco", diz, não permite definição tão positiva. Na entrevista a seguir, o sociólogo afirma ver conotação política (mas não planejada) nos rolês, alerta para o desejo de reconhecimento desses jovens e critica a visão estreita dos que, à direita ou à esquerda, concebem os sujeitos sociais "unicamente determinados e explicados por estímulos econômicos".
Para a antropóloga Alba Zaluar, o rolezinho 'é uma brincadeira, não um movimento social'. Para o escritor Paulo Lins, 'uma manifestação extremamente política e organizada'. Para a cientista social Rosana Pinheiro-Machado, 'o assunto mais caro à minha sensibilidade acadêmica e política'. E para o sr.?
Apenas estudos empíricos poderiam dar conta da questão da origem de classe desses jovens. Contudo, a fronteira entre nossos desclassificados sociais - que eu chamo provocativamente de "ralé" - e a nova classe trabalhadora precária, mal rotulada entre nós de "nova classe média", é muito fluida. O que nos permite falar de classes populares em sentido geral. Esses fatos são mais um reflexo do apartheid brasileiro que separa, como se fossem dois planetas distintos, o espaço de sociabilidade dos brasileiros "europeizados", da classe média verdadeira, e os brasileiros percebidos como "bárbaros", das classes populares. Desde que a barbárie fique restrita ao mundo das classes populares, ela não é um problema real. E a classe média finge que se choca de tempos em tempos com o que acontece nas prisões - como se todo mundo já não soubesse o que lá acontece, como os alemães com os campos de concentração na Alemanha nazista - ou com a violência nas favelas.
Muitos frequentadores se dizem chocados com a falta de segurança 'até no shopping'...
O problema só se torna sério e ameaçador quando se rompe com as linhas de demarcação implícitas do nosso apartheid real, ainda que não legal. E as classes populares passam a fazer de conta que não sabem qual é seu lugar. É isso que confere caráter político a essas aparentes brincadeiras de jovens da periferia. Eles ameaçam a fronteira de classes, vivida por todos nós de modo implícito.
Mas essa 'nova classe média', ou 'classe trabalhadora precária', como o sr. prefere, não se tornou um mercado interessante para o comércio e as instituições bancárias que oferecem crédito popular?
É verdade e esse é um ponto muito interessante. O mercado se interessa de modo crescente por essa classe ascendente porque quer saber como vender para ela. Mas fazer comércio com alguém não significa "aceitá-lo" ou "compreendê-lo", ainda que seja sem dúvida um primeiro passo.
Em uma entrevista anos antes das manifestações de junho, um dos integrantes do Movimento Passe Livre disse que mal podia esperar a chegada das classes D e E ao Facebook. A capacidade de mobilização via redes sociais dos jovens de periferia hoje, e seu intercâmbio com filhos de classe média, muda esse panorama?
Sem dúvida existem novas oportunidades para a comunicação e a ação política através da mídia digital. Como os meios digitais são mais difíceis de controlar, eles tendem a ser mais alternativos e plurais. Praticamente todos os movimentos políticos importantes nos últimos tempos tiveram participação decisiva da internet. Mas é importante ressaltar que os meios digitais são apenas "meios", não criam ou produzem uma cultura política alternativa, ainda que possam fazer circular informações.
A reação dos lojistas, impetrando liminares para impedir essas reuniões, e triagens nas portas dos shoppings, é legítima?
Os shopping centers no Brasil sempre conviveram com uma classe que vinha para comprar e outra que vinha para passear e olhar as vitrines. Especialmente nos fins de semana, o público muda, com pessoas das classes populares com poucas alternativas de lazer e jovens com consumo reduzido e concentrado nas praças de alimentação. A novidade agora é que, em vez da deferência e vergonha das classes que se sabem inferiores, entra em cena certo "protagonismo de classe popular" - um fenômeno interessante que parece ter a cidade de São Paulo como epicentro, do tipo "é nóis na fita, mano". As tentativas de restrição e o medo advêm antes de tudo dessa mudança de atitude.
Se há mesmo conotação política nos rolês, por que eles ocorrem basicamente em estabelecimentos periféricos e não nos nobres?
Afirmar que existe conotação política nesses eventos não é o mesmo que dizer que sejam politicamente planejados. Se eles vão ou não desenvolver formas mais organizadas de intervenção no espaço público antes restrito à classe média verdadeira é uma questão em aberto.
E a polícia, que repetiu o minueto das manifestações de junho: repressão indiscriminada primeiro e, após a grita nos meios de comunicação, promessa de coibir crimes e abusos?
O problema real não é, em primeiro lugar pelo menos, nem da polícia nem das autoridades. É o apartheid social entre classe média europeizada e classes populares "bárbaras" de que falei. Ele cria regras não escritas e, por causa disso mesmo, muito eficientes - uma espécie de "constituição pré-jurídica" para a manutenção do racismo de classe que é nossa verdadeira lei maior. É esse apartheid que criou o tipo de polícia e a cultura da violência que temos. Ainda que a classe média - e suas frações mais conservadoras - não decida mais eleições majoritárias no Brasil, é ela que detém a hegemonia política e cultural e influencia não só amplos setores das próprias classes populares, mas também decide o que é julgado nos tribunais, o que é publicado nos jornais, dito na TV e o que é discutido nas universidades. Ela domina a esfera pública que decide o que é certo e errado na prática cotidiana real e é por isso que temos uma agenda de "políticas públicas informais" que inclui, por exemplo, matança indiscriminada e violência contra os pobres sem que ninguém - salvo em exceções dramatizadas pela mídia como o caso de Amarildo no Rio - seja responsabilizado. A ação do Estado e de seus órgãos é muito mais decidida por essas leis não escritas da sociedade do que pelos seus estatutos escritos para inglês ver.
O chamado 'funk ostentação', trilha sonora mais comum nos encontros, mostra a adesão incondicional desses jovens à cultura do consumo ou o sr. vê alguma ironia nessa exaltação tão superlativa de símbolos de status?
Não são apenas as classes populares que praticam uma adesão incondicional ao consumo. As classes do privilégio - tanto os endinheirados que concentram em poucas mãos a riqueza nacional em proporções grotescas, se compararmos com as democracias europeias, quanto a classe média verdadeira se definem e se hierarquizam entre si pelo consumo material, antes de tudo. É necessária grande incorporação de capital cultural - ou seja, a apropriação pelo indivíduo de formas de conhecimento útil ou valorizado socialmente - para fazer frente à força do prestígio social imediato que o consumo material provoca. Acho que as classes populares só desenvolvem uma distância crítica em relação ao consumo em circunstâncias excepcionais. Certas subculturas como a do funk ou do rap podem manter uma postura ambígua, ainda que em um meio também culturalmente carente.
Defensores dos avanços sociais dos últimos anos argumentam que algum tipo de inclusão suscita novas reivindicações e avanços. Já os críticos sugerem correção de rumo urgente, que troque o paradigma do consumo pelo de cidadania. O que o sr. acha?
Apesar de considerar os avanços sociais dos últimos anos muito tímidos, eles são relevantes dentro de um contexto de uma sociedade tão conservadora e socialmente irresponsável como a nossa. Então eu me alinho com os primeiros, já que é historicamente inegável que o aprendizado político e social, que pressupõe mudança paulatina de consciência se vem para ficar, segue a lógica do desenvolvimento passo a passo. De resto, essa separação entre inclusão social por consumo e inclusão social por direitos é completamente artificial e retórica. Todas as lutas das classes populares no Ocidente nos últimos 200 anos têm sido lutas pela redistribuição da riqueza social, material ou não, as quais, quando vitoriosas e institucionalizadas, se consolidam em novos direitos.
Que medidas seriam menos tímidas?
Para responder a essa pergunta é preciso falar da extrema pobreza de nosso debate público. É tanto uma pobreza de ideias quanto uma pobreza moral e política, que se reforçam mutuamente. Há uma percepção generalizada do comportamento humano como sendo unicamente determinado e explicado por estímulos econômicos. Desconhece-se, por exemplo, que sem autoconfiança, autoestima e reconhecimento social, não existe "comportamento econômico racional". Boa parte da limitação da política do atual governo reside aí. Mas não é só o governo. A sociedade também adere a essa cegueira economicista do mundo - e culpa as vítimas por seu próprio abandono social. É o que causa o desprezo visceral de boa parte de nossa classe média pelos pobres, uma cegueira que impede sentimentos efetivos de solidariedade e de responsabilidade política pelo destino coletivo. Todas as sociedades que lograram, com grau variável de sucesso, o resgate social e econômico das grandes massas empreenderam "revoluções de consciência coletiva", das quais estamos a anos-luz de distância.
Depoimentos de jovens que participam desses encontros poderiam ser resumidos na frase: ‘É só um rolê’. Não estaríamos assistindo apenas à velha e comum inconsequência juvenil de desafiar os pais e as normas preestabelecidas para se divertir?
Sem dúvida esse aspecto me parece fundamental. Existe um corte geracional que sugere aspectos da subcultura jovem enquanto rebelião contra regras sociais e figuras de autoridade. A novidade ameaçadora é que são jovens das classes populares que se rebelam contra as regras não escritas, mas "sentidas" e percebidas por todos nós, da divisão classista dos espaços de sociabilidade. A classe média verdadeira, "europeizada" - que se percebe como estrangeira na própria terra - se sente ameaçada pelos "bárbaros" das classes populares, em um fenômeno que tende a ter diversos novos capítulos no Brasil daqui para a frente. 


'Temos de evitar alguma romantização nesse movimento’

Para antropóloga, ação da polícia e liminares dos shoppings potencializaram os 'rolezinhos'

18 de janeiro de 2014 | 17h 55
Laura Maia de Castro - O Estado de S. Paulo
Rosana Pinheiro-Machado, professora de Antropologia do Desenvolvimento na Universidade de Oxford, estuda a relação entre os jovens da periferia e os shoppings desde 2009 e acredita que a reação da Polícia Militar aos chamados "rolezinhos" e a concessão de liminares aos centros comerciais potencializaram um movimento que já existe há mais de uma década, mas que tem se transformado em um fenômeno.
Segundo a professora, o rolezinho é um movimento de periferia que vem 'de cima para baixo'. - Arquivo Pessoal
Arquivo Pessoal
Segundo a professora, o rolezinho é um movimento de periferia que vem 'de cima para baixo'.
Como você define o rolezinho?
Na origem, é um movimento juvenil de adolescentes de 15 a 18 anos, que há mais de uma década se reúnem em grupo para dar um rolê no shopping. É um movimento da periferia, no qual os jovens se vestem bem, se apropriam de marcas globais e de símbolos da sociedade capitalista.
Por que tanta adesão desde dezembro?
É difícil definir qual foi o "turning point", o porquê. Eu acredito que houve influência dos movimentos de junho do ano passado e desse momento da sociedade brasileira, mas não sei em que grau. O fato é que a gente está vivendo em uma sociedade que tem protestado muito mais. Dá uma nova dimensão, com as redes sociais.
Mas já tinha cunho político?
Não importa o tamanho da intencionalidade, mas o ato é sempre político, porque tem a questão do direito à cidade, o direito de ir e vir e estar bonito. Bonito, no sentido de estar nos padrões da sociedade. Mas a politização muda após a repercussão na mídia. Os jovens do Brasil estão vendo essa repercussão do preconceito e, embora eles sempre tenham sentido na pele, isso torna o movimento mais político.
A reação da PM potencializou?
Potencializou muito porque faz com que as pessoas tenham noção do que está acontecendo, do tamanho e da dimensão do preconceito.
E as liminares?
Sim, porque se você proíbe e mostra um sistema de apartheid as pessoas vão reagir. Rolezinho original não era um movimento social contra o racismo, era um movimento de meninos jovens que queriam se divertir. Mas a questão do racismo está em todas as entrevistas que realizamos (em conjunto com a pesquisadora Lucia Scalco), porque esses jovens diziam "A gente vai se arrumar senão somos vistos como pretos bandidos".
O que você acha da apropriação dos rolezinhos pelos movimentos sociais?
Incrível. O rolezinho é um movimento de periferia que vem "de baixo para cima". Mas temos de evitar alguma romantização: esses jovens estavam querendo se divertir, mas tiveram esse direito barrado. Isso gerou uma revolta dos movimentos sociais e dos intelectuais. Dependendo de como a polícia reagir, vai se ampliar.
E como reage a sociedade?
Os principais comentários contra são "Por que essa bandidagem não vai trabalhar?". Se você pensa em um adolescente da elite, você vai pensar ele em um shopping, em uma festa, e não mandando capinar. É muito cruel essa ideia. Mas há muito apoio também. O rolezinho é um dos movimentos mais importante dos últimos tempos no Brasil, porque dividiu a sociedade brasileira. Ou se apoia a meninada ou odeia o rolezinho e chama de bandidagem.

‘A intenção foi mesmo fazer um meio de lazer’

Organizador do primeiro grande 'rolezinho' explica que a ideia do evento era conhecer novas pessoas

18 de janeiro de 2014 | 17h 33
Lourival Sant’Anna - O Estado de S. Paulo
Jefferson Luís, ou MC Jota L, seu nome artístico, é o primeiro organizador conhecido de um "rolezinho" no shopping, nos moldes dos que foram feitos a partir de dezembro. Numa amostra da criminalização do tema, o rapaz de 20 anos, que trabalha como entregador e mora em uma favela na Avenida Guarulhos, agora tem advogada e prefere não dar seu sobrenome nem comentar eventuais problemas com a polícia. Em entrevista ao Estado, ele explica que a intenção inicial era criar opção de lazer.
Criador do primeiro grande 'rolezinho, Jefferson Luís, mora em uma favela na Avenida Guarulhos. - Lourival Sant’Anna /Estadão
Lourival Sant’Anna /Estadão
Criador do primeiro grande 'rolezinho, Jefferson Luís, mora em uma favela na Avenida Guarulhos.
Como surgiu a ideia de convidar para o rolezinho?
A ideia inicial foi reunir os jovens para se encontrar no shopping e fazer as coisas normais que os outros fazem: tomar sorvete, conhecer pessoas novas. A intenção foi mesmo fazer um meio de lazer, que a gente não tem em Guarulhos nem em São Paulo. No fim de semana, jogo bola, empino pipa com a criançada e internet. A única coisa que a gente tem é isso. O único lugar de lazer é o Bosque Maia, que não tem atrativo para jovem.
E como foi lá?
Eu convidei meus colegas, que foram convidando outros colegas, foi juntando gente. Daí, a gente marcou um local exato, não o horário do encontro para não tumultuar de muita gente. A gente falou: cada um vai no horário que quiser, como se estivesse indo no shopping normalmente. Quando for a hora de ir embora, 8 horas, a gente se encontra na saída, conversa, tira foto e vai embora.
Teve tumulto?
Houve um corre-corre, um mal-entendido, não teve roubo nem arrastão. Acho que eles estão colocando muita coisa onde não tem. Teve um tumulto, sim, mas não foi tudo isso que as pessoas estão pensando que foi. No momento do corre-corre, eu não estava dentro do shopping. Meus colegas me disseram que estava um grupo de pessoas na praça de alimentação, não estava ocorrendo nada, mas uma mulher se sentiu ameaçada, ligou para a polícia e a polícia entrou no shopping. E quando você vê um monte de policial com cassetete na mão, você pensa o quê? Todo mundo correu, com medo. Foi aí que começou o tumulto.
Você pretende convocar outro?
Eu não sou mais a favor, por causa das pessoas que vão para badernar, que podem prejudicar outras pessoas. Mas também sei que é nosso direito ir ao shopping. Acho que serviu para alertar as autoridades de que a gente está sem lazer e o jovem não está mais parado. A gente está correndo atrás dos nossos direitos, que são meios de lazer.
O que você acha da proposta de alguns adultos de vocês se juntarem no sambódromo ou em parques?
Se eu chegar lá na prefeitura falando: ‘A gente pode usar seu sambódromo?’, eles vão falar: ‘Quem é você? O que você quer aqui?’ Então, a gente faz o que a gente consegue. A gente não tem poder de chegar na prefeitura e pedir o sambódromo. Nas praças, a gente não tem segurança. Eles não vão mandar a polícia para fazer segurança. No shopping, a gente tem a segurança, e é uma coisa que a gente gosta de fazer. Pode comer lanche, ir ao cinema, tomar sorvete, coisas que todos os jovens gostam de fazer. É esse o objetivo maior.