segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Estilo Ofensivo na Brigada Militar

28 de agosto de 2009 | N° 16077

COMANDO NAS RUAS
Ofensiva marca um novo estilo da BM
Operação desencadeada ontem inaugura fase mais operacional da BrigadaOs últimos acontecimentos que resultaram na substituição do coronel Lauro Binsfeld pelo coronel Jones Calixtrato Barreto do Santos, no subcomando da Brigada Militar, levaram a corporação a renovar a cúpula e, consequentemente, a adotar um perfil mais operacional. Prova disso foi a ofensiva iniciada ontem com prazo de duração de 24 horas, projetada pelo novo subcomandante.

Desde dezembro, quando o Comando-geral da BM passou às mãos do coronel João Carlos Trindade, Jones já era cotado para trabalhar no Quartel-general. Amigo de Trindade e colega na turma de oficiais formada em 1981, Jones era candidato forte ao subcomando pela afinidade de ideias e método de trabalho com o comandante. Assim como Trindade, Jones privilegia o planejamento de estratégias de ação nos mínimos detalhes e tem perfil conciliador. É um dos poucos oficiais com trânsito livre em delegacias, coisa rara na desgastada relação entre policiais civis e militares.

Jones é descrito como um oficial vocacionado para o trabalho nas ruas, a exemplo do coronel Paulo Roberto Mendes – que deixou o Comando-geral para ser juiz militar. Jones está sempre disposto a gastar a sola do coturno no asfalto ou no areião, comandando pessoalmente operações.

Tripé de poder na BM agora tem novo retrato

Jones evita falar sobre a troca, preferindo destacar as ações por vir:

– A BM é uma só. Temos os mesmos objetivos, independentemente de quem esteja no comando, que é dar segurança às pessoas.

Com a saída de cena de Mendes, Trindade se propôs a uma dobradinha com um oficial com o mesmo fôlego do ex-comandante. A ideia de Trindade era se dedicar aos assuntos administrativos e institucionais, e o subcomandante ficar com a missão de comandar as operações de ruas.

Em razão de arranjos políticos, Binsfeld, que estava na Fronteira Oeste, foi o preferido para o subcomando naquela época, inclusive com o aval de Mendes. Trindade sofria resistências na corporação por ser mais jovem do que a maioria dos coronéis que comandava. Três anos mais velho na BM do que Trindade, Binsfeld, da turma de oficiais de 1978, representava o equilíbrio de forças no alto escalão.

– A ideia era contrabalançar, com um mais moderno e outro mais antigo – lembra um graduado oficial.

Enquanto isso, outros postos-chaves da BM começaram a ser preenchidos por homens ligados a Trindade. Jones, o único oficial promovido a coronel em 2008, deixou o comando da BM na Serra para chefiar o policiamento da Capital. Em abril, o tenente-coronel Hildebrando Sanfelice chegou ao posto de coronel e assumiu a chefia do Estado-maior. Com a chegada de Jones ao QG, o tripé do poder na BM – Comando-geral, subcomando e Estado-maior – ganha uma novo rosto.

joseluis.costa@zerohora.com.br

JOSÉ LUÍS COSTA
Fonte: Zero Hora

BM preservas nome de Soldado que atirou em colono


28 de agosto de 2009 | N° 16077AlertaVoltar para a edição de hojeMORTE NO CAMPO
BM preserva nome de PM que atirou
Policial confessou o disparo contra sem-terra em São Gabriel em depoimento no Ministério PúblicoApesar de o policial militar que matou o sem-terra Elton Brum da Silva, 44 anos, ter confessado o disparo fatal, a Brigada Militar manteve ontem o silêncio sobre o nome do PM.

Segundo a promotora Ivana Battaglin, a confissão ocorreu na quarta-feira, após o PM assistir ao vídeo com imagens do confronto, feito pela Brigada Militar. O crime aconteceu há uma semana, em São Gabriel, durante a desocupação da Fazenda Southall.

A promotora evitou dar detalhes sobre a morte. O chefe do Estado Maior da Brigada Militar, coronel Hildebrando Sanfelice, confirmou que o policial admitiu ter atirado contra o sem-terra, mas preservou o nome do PM. Outros integrantes da cúpula da BM silenciaram. Ontem, o comandante-geral, coronel João Carlos Trindade, e o corregedor-geral, coronel Paulo Rogério Machado Porto, não atenderam a ligações para o celular. Porto é encarregado da investigação da conduta da BM no episódio.

De acordo com o tenente-coronel Valmor Araújo de Melo, chefe da assessoria de comunicação da BM, é possível que hoje Trindade se pronuncie sobre o caso. Para Valmor, o silêncio não pode ser interpretado como uma estratégia para ocultar fatos:

– O trabalho investigativo é sigiloso, técnico e depende de provas concretas e de laudos periciais. O prazo para conclusão do IPM estabelecido em lei é de 40 dias, podendo ser prorrogado por mais 20.

Enquanto prosseguiam as apurações, os sem-terra se mobilizaram ontem em todo o Estado em protesto contra o assassinato (veja quadro na página ao lado). Em uma das principais manifestações, centenas de pessoas realizaram uma caminhada pela Capital e deixaram um caixão em frente ao Palácio Piratini, simbolizando a morte de Brum.

bruna.porciuncula@diariosm.com.br
joseluis.costa@zerohora.com.br

BRUNA PORCIÚNCULA E JOSÉ LUÍS COSTA
Fonte: Zero Hora

Vôo do Rato

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O VÔO DO RATO


Um jovem piloto

experimentava um monomotor muito frágil,

uma daquelas sucatas

usadas no tempo da Segunda Guerra,

mas que ainda tinha condições de voar...

Ao levantar vôo,

ouviu um ruído vindo debaixo de seu assento.
Era um rato

que roía uma das mangueiras

que dava sustentação para o avião

permanecer nas alturas.

Preocupado

pensou em retornar ao aeroporto

para se livrar de seu incômodo e perigoso passageiro, mas lembrou-se de que devido à altura

o rato logo morreria sufocado.

Então voou cada vez mais e mais alto

e notou que acabaram os ruídos

que estavam colocando em risco a viagem dele, conseguindo assim

fazer uma arrojada aventura

ao redor do mundo

que era o grande sonho dele...

MORAL DA HISTÓRIA
Se alguém lhe ameaçar,

VOE CADA VEZ MAIS ALTO...

Se alguém lhe criticar,

VOE CADA VEZ MAIS ALTO...

Se alguém tentar lhe destruir

por inveja e fofocas, e por fim,

se alguém lhe cometer alguma injustiça,

VOE CADA VEZ MAIS ALTO
Sabe por quê?

Os ameaçadores, críticos, invejosos e injustos

são iguais aos ratos,

não resistem às grandes alturas.
Pense nisso...
Desejo a você

UM ÓTIMO VÔO

ao longo da vida...

Vereador afirma que derrubou Comando em Canoas RS

31 de agosto de 2009 | N° 16080AlertaVoltar para a edição de hojeREVELAÇÃO NO RÁDIO
Vereador diz que derrubou comando da BM em Canoas
Conversa que teria sido gravada expõe suposta interferência na transferência de tenente-coronelEm uma discussão com um policial militar na noite de sábado, em Canoas, um vereador do município, que também é comissário da Polícia Civil, admitiu ter sido o responsável pela queda do comandante da Brigada Militar na cidade.

Na conversa, transmitida pelo rádio do PM para a rede da BM e fornecida pelo setor de inteligência do quartel, o parlamentar Juares Hoy (PDT) chama o interlocutor de “sargentinho” e ameaça transferi-lo do 15º Batalhão de Polícia Militar, como teria feito com o comandante, o tenente-coronel Carlos Bondan da Silva.

Segundo a BM, a discussão ocorreu às 21h40min, na Rua Caramuru. Minutos antes, o sargento José Carlos Fonseca de Oliveira havia sido chamado por pedestres, que reclamaram de veículos estacionados na calçada. Ao constatar a irregularidade, o sargento teria pedido o apoio de agentes de trânsito, e os carros foram multados.

Quando deixava o local, o vereador e presidente da Comissão de Segurança da Câmara de Vereadores abordou o PM. Na conversa, segundo decupagem da BM, Hoy pergunta se os veículos haviam sido multados e ameaça o PM:

– Eu, vereador e comissário de polícia Juares Hoy, transferi o coronel Bondan e vou te transferir, sargentinho...

A suposta contenda termina com o vereador ameaçando os agentes. O sargento então revela que a conversa está sendo ouvida por todos os colegas de serviço e diz que irá registrar uma ocorrência contra o comissário.

Procurado por ZH na noite de ontem, Hoy confirmou, por telefone, que a conversa de fato existiu. Segundo ele, o sargento Oliveira teria sido grosseiro, negando-se a cumprimentá-lo. O vereador disse que jamais usou o termo “sargentinho” e que a decupagem da gravação foi deturpada. Mas ele admitiu que se considera responsável pela queda de Bondan:

– Há 10 dias, a Câmara pediu providência à Brigada, e eu estava à frente. Havia 14 ocorrências dos camelôs contra o tenente-coronel, por ações truculentas. Eles nos procuraram para pedir ajuda, e eu atendi.

Vídeo teria influenciado a saída de Bondan do 15° BPM

Bondan teve a transferência do 15ºBPM para o Departamento de Logística e Patrimônio, na Capital, anunciada na sexta-feira, depois que um vídeo de um grupo de PMs retirando um motorista à força de dentro de um ônibus caiu na internet.

O vídeo teria sido o estopim para a transferência. Preso por desacato, o condutor do veículo da empresa Sogal Ernesto Luís Nascimento Corrêa, 45 anos, disse ter pedido ajuda a PMs para uma passageira que passava mal, mas relatou ter sido insultado. Ele também afirmou que apanhou dos PMs

A versão é contestada. Segundo Bondan, o motorista teria sido influenciado pelo vereador a distorcer os fatos:

– É voz corrente na cidade que ele (Hoy) usou a ocorrência politicamente, porque tinha interesse em me ver longe daqui.

Hoy e Corrêa negam a hipótese levantada pelo ex-comandante.

– Eu não menti. Estou todo roxo, e hoje meu filho de nove anos pediu para a minha mulher para brincar na rua e ela não deixou. Tudo por medo da Brigada – disse Corrêa.

juliana.bublitz@zerohora.com.br

JULIANA BUBLITZ
A conversa segundo a BM
Confira a decupagem, fornecida pelo setor de inteligência do 15º Batalhão de Polícia Militar, em Canoas, da discussão entre o vereador Juares Hoy e o sargento José Carlos Fonseca de Oliveira:
Juares Hoy – Foram multados veículos neste local?
Sargento – Sim.
Hoy – Tu tá pensando o quê, sargentinho, nós fizemos um evento para arrecadar alimentos para entidades carentes, e tu não pode multar os carros dos participantes.
Sargento – Transeuntes reclamaram que os carros estão em cima da calçada atrapalhando a passagem, sendo que pedestres têm que passar pela rua, arriscando serem atropelados.
Hoy – Eu, vereador e comissário de polícia, Juarez Hoy, transferi o coronel Bondan e vou te transferir, sargentinho.
Hoy – Vocês estão pensando o quê, seus brigadianos?
Sargento – Por gentileza, o senhor não precisa gritar comigo, pois eu não estou gritando com o senhor e nem sendo mal-educado. O senhor, como vereador, tem que cuidar dos anseios da sociedade como a iluminação publica, as carências dos hospitais e deixar que da segurança pública nós, da Brigada, cuidamos.
Hoy – Tu tá pensando o quê, sargentinho. Eu, vereador Juarez Hoy, transferi o coronel Bondan e vou te transferir também.
Voz não identificada – Não! Nós, vereadores, transferimos o coronel Bondan.
Hoy – Não! Eu, vereador e comissário de policia, que transferi o coronel Bondan.
Sargento – Seu vereador, quem multou os veículos foram os agentes de trânsito.
Hoy – O quê? Foram eles? Então vou ferrar eles.
Sargento – O senhor está ameaçando os agentes de trânsito, e eu estou com a tecla do rádio acionada e todos os brigadianos de serviço estão ouvindo a nossa conversa. Eu vou registrar ocorrência contra o senhor pelas ameaças.
Hoy – Eu é que vou registrar ocorrência contra ti.


Fonte: Zero Hora

PM Temporário

Estado registra mais de 1.200 inscritos para o PM Temporário da Brigada Militar
30/08/2009 00:43


O governo do Estado, por meio da Secretaria da Segurança e Brigada Militar, está registrando um total de 1.298 inscritos para o Programa de Policiais Militares Temporários, da Brigada Militar.

Nessa sexta-feira (28) foram encerradas as inscrições para o processo seletivo, que objetiva a contratação emergencial de 659 servidores na função de Soldado PM Temporário, de acordo com o Edital nº 1 C/PMT/2009. Após a analise dos documentos dos candidatos, iniciam-se as três fases de seleção: prova escrita, exames médicos e o teste físico.

A contratação será pelo prazo de dois anos, podendo ser prorrogada no máximo uma vez pelo período de um ano, vinculado ao Regime Geral da Previdência Social. A iniciativa está alinhada ao Projeto de Recomposição de Efetivos do Programa Estruturante Cidadão Seguro (www.estruturantes.rs.gov.br), que objetiva qualificar a infraestrutura dos organismos ligados a segurança.

Fonte: Ascom BM

Grêmio empata com o Bota



31 de agosto de 2009 | N° 16080AlertaVoltar para a edição de hojeGRÊMIO
Parece sobrenatural
Atônito com a vitória que escapou aos 43 minutos, Grêmio busca explicaçõesEra questão de minutos para o Grêmio conquistar os primeiros três pontos fora de casa neste Brasileirão, ontem, no Engenhão. Eis, então, que surgiu Leandro Guerreiro, o volante que acertou um chute de tornozelo, de fora da área, que terminou no ângulo de Victor e selou o 3 a 3 com o Botafogo. Manteve também a sequência de 11 jogos sem vitória fora do Olímpico, o que compromete as pretensões de título e de Libertadores.

O empate com cara de derrota deixou o Grêmio em nono lugar, a cinco pontos do São Paulo, o último time do G-4. A julgar pelo desempenho dos paulistas, será preciso chegar a 64 pontos para estar na Libertadores. O técnico Paulo Autuori e companhia, portanto, terão de somar 32 pontos em 16 partidas, o equivalente a 66,6%. O rendimento atual é de 48%.

O gol de Leandro Guerreiro também comprometeu o pacto firmado antes do confronto com o Atlético-MG, no domingo passado, que previa nove pontos diante dos mineiros, do Botafogo e do Vitória, adversário do próximo sábado, no Olímpico. Mais do que prejuízo matemático, o lance parece trazer a impressão de que a sina de não ganhar fora de casa vai além da bola e do adversário. As explicações dos jogadores sustentam a tese. Primeiro, o desamparo de Jonas, que teve dificuldades até em encontrar o que falar na saída do gramado – mesmo tendo marcado duas vezes.

– É complicado levar um gol no finalzinho – suspirou, antes de revelar que houve silêncio no vestiário, apesar da tentativa de Paulo Autuori de levantar o ânimo.

Souza foi mais incisivo:

– Os caras chutam e a bola vai na gaveta. Culpa nossa, mais uma vez. Jogo na mão.

Autor do terceiro gol, aquele que daria a vitória, o meia disse que o time levou o empate justamente pelo medo disso acontecer. Não encontrou eco nos colegas. Victor preferiu dar méritos ao Botafogo, como Túlio, que lamentou a “falta de inteligência” para explorar o contra-ataque.

Paulo Autuori, porém, minimizou o fator emocional. Pediu para que as lamentações sejam evitadas, mas reconheceu que a ausência de vitórias longe de Porto Alegre virou pauta recorrente. Também avaliou que a troca de Jonas por Makelele, um jogador defensivo, não influenciou no resultado – a substituição aconteceu após o terceiro gol do Grêmio.

– Erramos porque não encurtamos o espaço e deixamos o jogador (Leandro Guerreiro) bater – resumiu.

Seja qual for a natureza da falha, o fato é que a próxima oportunidade de ganhar fora e melhorar a campanha será dia 13, pela 24ª rodada, contra o Náutico.

zerohora.com
Veja e ouça os principais momentos da partida

Fonte: Zero Hora

Inter vence o Goiás de Fernandão




31 de agosto de 2009 | N° 16080AlertaVoltar para a edição de hojeINTER
Fernandão? Não, Marquinhos
Mais de 30 mil colorados viram o ex-capitão por 12 minutos em campo e encheram os olhos com a atuação de um guri de 19 anos escalado à última hora e decisivo no 4 a 0 sobre o GoiásFernandão jamais deixará de ser amado pelos colorados. Muitos dos mais de 30 mil torcedores ontem ao Beira-Rio que assistiram ao 4 a 0 no Goiás queriam rever o eterno capitão. Mas havia um outro sentimento no estádio: o da solidariedade. Era preciso ajudar o time, cheio de improvisos pelas ausências.

Na chegada do ônibus do Goiás, às 17h33min, Fernandão pôde ver cerca de 60 colorados gritando o seu nome. Emocionados, cantavam “ôôô, Fernandão voltou” e o hit vermelho “uhuh, terror, Fernandão é matador”. Viram apenas o rosto do capitão, que se ergueu na poltrona da penúltima fileira e, de dentro do ônibus, espiou a agitação no pátio do estádio.

Luana Mitto, 34 anos, carregava uma faixa nas mãos e trazia um semblante melancólico no rosto. Na faixa, um coração partido ao meio, em verde e vermelho, com os dizeres: “Fernandão, teu lugar é aqui”. Com apenas 12 anos, Milka Lisboa veio de Rio Grande para ver o responsável por transformar mais da metade de seus colegas da Escola Estadual Juvenal Müller em colorados. Os pais foram para a Expointer, ela pediu à tia, Vanusa, para ir ao Beira-Rio.

– Estou feliz por revê-lo, mas também triste. Queria vê-lo com a nossa camisa de novo – lamentou Milka.

Foi Fernandão quem puxou a fila de jogadores do Goiás na entrada em campo. Sob vaias. Correu para a frente dos 23 torcedores goianos na arquibancada inferior. Na volta, com o semblante fechado, gritou palavras de ordem para os companheiros. Em seguida, ergueu os braços ao céu. Antes de o jogo começar, ainda orientou Léo Lima e Ramalho. Não atravessou o campo para cumprimentar os antigos companheiros. Bolívar, Índio, Guiñazu e Magrão é que correram para abraçá-lo.

Fernandão e Iarley foram ovacionados quando o sistema de som os anunciou e no primeiro toque na bola. Estava feita a homenagem. Em seguida, Magrão derrubou Fernandão, e o estádio aplaudiu.

Fernandão e Iarley seriam vaiados em mais dois lances. Aos 12 minutos, o ex-capitão reagiu a uma segunda entrada de Magrão por trás. Abriu os braços e jogou o corpo com força para cima do volante, quase numa tentativa de revide. O árbitro Ricardo Marques Ribeiro deu cartão vermelho direto. Fernandão ficou alguns segundos estático, sem entender.

Ainda surpreso, o capitão desceu a escadaria e tomou o caminho do vestiário dos visitantes. Caminhou sozinho pelo longo corredor. Passou batido pelos seguranças, os mesmos que havia cumprimento minutos antes. Cabisbaixo, sequer espiou o painel com a tabela entre Falcão e Escurinho até a gol contra o Atlético-MG, em 1976. Só ergueu a cabeça para se espiar no espelho que ocupa a parede sob o painel. Abaixou-a de novo, pisoteou com raiva a grama sintética do piso. Durou 12 minutos a volta dele ao Beira-Rio.

Sem Taison e Alecsandro, Tite contava com quatro alternativas: Edu, Bolãnos, Léo e, a menos provável de todas, Marquinhos. Pois foi o guri de Selbach, no Planalto Médio, o escolhido. E foi ele também quem roubou a cena em uma tarde que era de Fernandão. Com um gol e participação em outros dois, Marquinhos, 19 anos, afagou o coração dos colorados, machucado pela imagem do seu ex-capitão todo de verde.

E não demorou muito para Marquinhos virar protagonista. Com cinco minutos, ele recebeu lançamento de Giuliano, avançou em velocidade e, na entrada da área, freou e tirou o zagueiro da jogada. O complemento foi com toque sutil sobre o goleiro.

– Costumo assistir a todos os jogos do Brasileirão e presto muita atenção nos goleiros. Procurei ter calma na hora de bater – explicou ao final.

Foi mesmo uma tarde cheia de surpresas. A começar pelo próprio Marquinhos. Tite colocou três zagueiros, o trio da final da Libertadores, para vigiar Fernandão e Iarley. Andrezinho foi preservado e ficou na reserva, devido às dores no joelho direito. Na frente, Edu estreou com a camisa 18.

O Inter ficou mais sólido, mais compacto e veloz, insinuante. Giuliano se posicionou no meio-campo e dali desmontou a marcação do Goiás com passes tão precisos como verticais. Marquinhos se posicionou de forma inteligente entre o zagueiro e o lateral-esquerdo e dali partiu para o estrelato. Aos 15, já sem Fernandão, ele recebeu de Guiñazu, girou e devolveu para o argentino marcar o 2 a 0. Uma ironia. Guiñazu sucedeu Fernandão como capitão e na idolatria dos colorados. E logo numa tarde que era do antecessor fez seu quarto gol pelo clube.

Edu, aberto na esquerda, Kleber solto pelo meio até Fabiano Eller aparecendo como lateral enchiam os olhos.

O brilho maior, porém, era do guri de Selbach. Atrevido, rápido, Marquinhos jogou como se já estivesse entre os grandes há algum tempo. O que é uma meia verdade. Desde que voltou da Copa São Paulo, onde ele e Leo fizeram quatro gols cada, está integrado aos profissionais. O Inter preparou um trabalho científico para deixá-lo robusto. Foram sete meses até ganhar chance. Que ele encarou com naturalidade.

– Vamos dar valor agora para o grupo do Inter – cobrou.

Marquinhos também participou do terceiro gol aos seis minutos. Ele aparou lançamento para Edu, que serviu Giuliano. Kleber ainda faria o quarto aos 36. Nesse meio tempo, Marquinhos deu lançamento para Bolaños, entrou a dribles na área e perdeu outras duas chances. Trazido do Passo Fundo no segundo semestre de 2008, depois de boas atuações no Gauchão Sub-20, ele impressionou. Sua multa é de 40 milhões de euros.

zerohora.com
Confira em fotos, vídeo e áudio os melhores lances da partida

LEANDRO BEHS
> O juiz acertou?
Francisco Garcia, analista de arbitragem da Rádio Gaúcha
“Houve uso de força excessiva do Fernandão. A expulsão pode ser aplicada para qualquer falta, carrinho, ou encontrão que tenha uso de força excessiva. Ele foi muito ostensivo, se jogou, abriu os braços, atingindo o Magrão. Não fortemente, com o cotovelo, mas ele atingiu com força excessiva o Magrão e, por isso, foi justamente expulso.”


Fonte: Zero Hora