terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Destaque Vermelho

DESTAQUES DA EDIÇÃO DE HOJE DO PORTAL VERMELHO


Palestinos protestamAtaques israelensesSara Roy: Se Gaza cair, Cisjordânia cairá depoisPara a professora de Harvard, o mundo vê a destruição de toda uma sociedade e mesmo assim nenhum clamor é ouvido além dos avisos da ONU, ignorados sumariamente pela comunidade internacional.


Política econômicaPressionado, Meirelles admite baixar os juros na próxima reunião do CopomSegundo reportagem publicada na Folha de S.Paulo deste domingo, o presidente do Banco Central prometeu ao presidente Lula que irá reduzir a Selic na reunião marcada para os dias 20 e 21 de janeiro. Para Lula, medida será sinal importante para que o país se desenvolva em 2009.



EUAComo Obama agirá diante das novas diretrizes do Pentágono?Naquele que, oxalá, será o último ato da política externa do governo Bush, o Pentágono emitiu uma nova doutrina militar que pode ter graves conseqüências. Por Álvaro Camacho Guizado.



EconomiaBelluzzo: Caso Madoff é soma de leniência e espertezaPara o professor-titular de economia da Unicamp, enquanto os governos buscam refúgio na retórica da transparência e da igualdade de oportunidades, o mercado se vale da criatividade destrutiva.


Terrorismo israelense em Gaza deve ser condenado e derrotado
Carlos PompeNós que nos amávamos tanto Eduardo BomfimO melhor presente Antônio Augusto de Queiroz Balanço da produção legislativa em 2008 Cloves Geraldo"Gomorra": A máfia sem glamour Moises DinizEsses abraços que não duram um dia
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Antena Tricolor

800


29.12.2008
Projeto Arena aprovado na Câmara de VeradoresAprovação encaminha construção da nova casa do Grêmio
Lorem ipsum dolor sit amet, purus nunc, lectus in Eget morbi aliquam luum, quis ut purus at, lA Câmara de Vereadores de Porto Alegre aprovou nesta segunda-feira o projeto que envolve o Projeto Arena, construção do novo estádio do Grêmio. O Projeto de Lei Complementar do Executivo define o regime urbanístico do projeto gremista. A proposta contempla a área do novo estádio gremista no Humaitá e o terreno na Azenha, onde hoje está localizado o Estádio Olímpico. Mais informações



Antena Tricolor chega à edição 800 Mais de 114 mil cadastrados recebem notícias diárias
O Antena Tricolor é um dos principais meios de interação entre o Grêmio e o torcedor. Nesta segunda-feira, o Antena chegou a edição histórica de número 800. A newsletter foi criada no dia 1º de agosto de 2005, com a finalidade de otimizar a chegada e a divulgação de informações à torcida. Mais informações
Horários de funcionamento do OlímpicoLoja Grêmio Mania, QS e Memorial
Em decorrência aos feriados de final de ano, o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense divulga os horários de funcionamento da Loja Grêmio Mania, do Memorial Hermínio Bittencourt e do Quadro Social. Mais informações

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Desocupação do Presídio Central

Susepe vai transferir 350 presos do Presídio Central 30/12/2008 10:08
A Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe) enviou ofício nesta segunda-feira (29/12) ao juiz da Vara de Fiscalização de Presídios, da Comarca de Porto Alegre, solicitando a transferência de 350 presos do Presídio Central para a Penitenciária Modulada de Montenegro (PMM).
No documento, o superintendente da Susepe, Paulo Zietlow, explica que a desinterdição da PMM abriria a possibilidade de ocupação de 350 vagas, que atualmente encontram-se ociosas. O objetivo, segundo ele, é reduzir a superpopulação que hoje se encontra no Presídio Central, “única casa prisional que até a presente data está recebendo presos oriundos de outras comarcas”, explica.
Zietlow ressalta que o levantamento da interdição da Penitenciária Modulada de Montenegro, possibilitará a transferência imediata de 350 presos que são originários da Vara de Execuções Criminais (VEC) de Novo Hamburgo, em que a PMM está vinculada. Enfatiza, ainda, que todas as providências solicitadas pela VEC estão em curso, e que a superlotação do Central é preocupante e necessita medidas urgentes, para operacionalização segura.
Fonte: Ascom Susepe

Instituto Princesa Isabel




Acesse http://www.idisabel.org.br/curso/



Professor:
Bruno da Silva Antunes de Cerqueira (brunodecerqueira@uol.com.br)


Resumo:
Curso dividido em 3 módulos temáticos sobre as origens, a abrangência, a prática e a utilização dos conceitos de Etiqueta, Cerimonial e Protocolo pelos profissionais de Relações Públicas, Relações Internacionais, Ciências Sociais, Diplomacia, Turismo, Hotelaria, Secretaria Executiva etc. que trabalham com Organização de Eventos.

O Curso AUGUSTO ESTELLITA-LINS pretende desmistificar a aura de estranheza e de “esnobismo” que as idéias de etiqueta, cerimonial e protocolo costumam suscitar nas pessoas alheias ao cotidiano dos organizadores, gestores e agentes de eventos, assessores e funcionários de órgãos governamentais, eclesiais, não-governamentais etc.

O curso tem por objetivo precípuo conscientizar as pessoas da importância dos procedimentos cerimoniais e da linguagem protocolar nas relações inter-pessoais, inter-grupais e inter-governamentais que envolvam profissionalismo e seriedade, sem deixar de realçar características sociológicas e antropológicas dos brasileiros, que aparentemente são refratários à formalidade.

Esmiuçar a necessidade do processo de aprendizado da cultura alheia, naquilo que psicologicamente poderia se denominar “apreensão da alteridade”, conduz o aluno a reformular e reinventar suas posturas no dia-a-dia, ajudando-o a criar ambientes pessoais e profissionais mais salutares.

Como já dizia Esopo (c. VI a.C.), filósofo grego da Antiguidade, “Nenhum gesto de gentileza, por menor que seja, é perdido”, ou, em tempos mais atuais, por parte do grande filósofo popular carioca, “Gentileza gera gentileza”...


NOTA: 10% da renda obtida com o Curso será destinada à CEACA, de Vila Isabel (www.ceaca.org.br)



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Brasil de Fato

Carta O Berro...............................................................................................................repassem


Brasil de Fato - edição 299 - de 20 a 26 de novembro de 2008
Pág. 11 -internacional

Com a crise, lutas sociais tendem a se intensificar

ENTREVISTA Para o jornalista e escritor português Miguel Urbano Rodrigues, os trabalhadores vão pagar a fatura da crise. Em contrapartida, segundo ele, os movimentos de massa, principalmente nos países da União Européia e nos Estados
Unidos, tendem a ganhar força



Quem é

Nilton Viana
da Redação

A ÚNICA alternativa para o capitalismo senil, que ameaça conduzir a humanidade ao abismo, é o socialismo. Essa é a convicção do jornalista e escritor português Miguel Urbano Rodrigues. Em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, Urbano fala sobre a grave crise desencadeada a partir do Império estadunidense, que já provoca efeitos
perversos em todo o mundo. Ele vislumbra um futuro próximo de grandes sofrimentos para a humanidade, sofrimentos que, segundo Urbano, serão diferentes de continente para continente, de país para país, como diferentes serão as características da luta dos povos contra o sistema que continuará a impor-lhes a sua dominação. É categórico ao afirmar: os trabalhadores vão pagar a maior fatura dessa crise. Mas é otimista. Para ele, grandes movimentos de massa devem surgir, principalmente nos países da União Européia e nos Estados Unidos.

Brasil de Fato – O mundo inteiro vive um drama com a crise financeira desencadeada a partir do centro do império. Tem se dito que essa crise ainda está apenas começando e que ela tende a se agravar. Na sua avaliação,
qual é a dimensão dessa crise? É apenas mais uma das tantas que o capitalismo já produziu? O neoliberalismo foi derrotado?

Miguel Urbano Rodrigues – Esta crise é estrutural, e não cíclica como as anteriores. Do sistema fi nanceiro, alastrou para a economia real, e dos Estados Unidos, passou à Europa e à Ásia Oriental. Ela tende a agravar-se muito. E o seu desfecho é por ora imprevisível. Uma certeza: o neoliberalismo, glorificado como a ideologia definitiva que assinalaria “o fim da História”, fracassou. Hayek [Friedrich August von Hayek] é enterrado e Keynes [John Maynard Keynes] ressuscita.

O senhor disse que se trata de uma crise estrutural. As medidas anunciadas até agora alteram a atual estrutura desse processo?

Por ser uma crise estrutural, e não apenas cíclica como as anteriores – confirmando previsões de autores marxistas como Istvan Meszaros e Georges Labica –, as medidas tomadas pelos governos do G-8, transformados em bombeiros do capital, são apenas paliativos. A recuperação das bolsas e do dólar geram a ilusão de que tudo vai
voltar rapidamente à normalidade, entendida esta como um refl orescimento do capitalismo sob um novo figurino. Tal convicção é enganadora. A economia real nos EUA, no Japão e na União Européia vai continuar a afundar-se em proporções no momento imprevisíveis. Os despedimentos maciços em dezenas de gigantescas transnacionais,
os apelos angustiados dos grandes da indústria automóvel e aeronáutica à ajuda estatal e o encerramento de milhares de empresas ligadas à construção e ao comércio funcionam como espelho da gravidade e complexidade de uma crise de muito longa duração.

O senhor acredita que os Estados Unidos, como potência imperialista, saem derrotados dessa crise ou se fortalecem ainda mais?

Os Estados Unidos, pólo hegemônico do sistema do capital, saem enfraquecidos. Mas enquanto o atual sistema monetário subsistir, com o dólar como moeda de referência mundial, os custos da crise serão distribuídos. Os Estados Unidos são o país mais endividado do mundo (a dívida já iguala o PIB do país). Mas o privilégio de emitir a moeda em que é faturado o petróleo – o produto-chave no comércio internacional – tem adiado um desfecho
de bancarrota.
Um sistema midiático perverso e desinformador, dominado no fundamental por grandes transnacionais estadunidenses, ocultou, por exemplo, que grande parte do chamado “resgate” de 700 bilhões de dólares será pago por países da Ásia, nomeadamente a China e o Japão, principais compradores dos Títulos emitidos pelo Tesouro dos Estados Unidos. Somente a China possui cerca de 1.300 bilhão de dólares em reservas e bônus do Tesouro. Se os trocassem por outras moedas, os EUA iriam à falência. Mas a China também, porque a sua economia depende muito das exportações para os Estados Unidos.

Que avaliação o senhor faz das conseqüências desse cenário para a América Latina?

No momento, a maioria das previsões sobre as conseqüências da crise para a América Latina são no fundamental do domínio da especulação. Mas essas conseqüências serão certamente graves. Os Estados Unidos são o principal mercado para as exportações da América Latina, em alguns casos com mais de 50%. No plano político, a estratégia de Washington terá de ser revista. É previsível uma redução da agressividade contra a Venezuela bolivariana e contra o governo de Evo Morales (Bolívia). As manobras conspirativas persistirão, mas a nova administração utilizará outra linguagem.

Em todo o mundo, temos a impressão de que a classe trabalhadora está apenas assistindo a crise. O senhor compartilha da idéia de que vivemos um perído de descenso do movimento de massa e essa crise veio num momento muito ruim para os trabalhadores?

É minha convicção de que, pelo contrário, as lutas sociais tendem a intensifi car-se, sobretudo nos países da União Europeia e nos Estados Unidos, porque os trabalhadores vão pagar a fatura maior da crise. O movimento de massas ganha amplitude na Europa. Por exemplo, no dia 8 de novembro, 120 mil professor es (80% da categoria
profi ssional) desfi laram em Lisboa, Portugal , protestando contra a política educacional do governo reacionário de Sócrates.

Como em toda crise, há sempre saídas. As elites já estão tratando de encontrar suas saídas. Quais os rumos que a esquerda deve buscar?

A situação é dilemática porque todas as saídas são, na aparência, más. A única alternativa para o capitalismo senil, que ameaça conduzir a humanidade ao abismo, é o socialismo. Mas o capitalismo não vai acabar em data próxima, e o socialismo é, por ora, aspiração distante. As tentativas orientadas para a humanização do capitalismo (como é o caso de governos como o Lula, no Brasil; os Kirchner, na Argentina; Tabaré, no Uruguai) são perversas, por enganarem o povo com a cumplicidade de forças e partidos progressistas. Vão fracassar. Grandes sofrimentos – essa é outra certeza – esperam a humanidade no futuro próximo. Sofrimentos que serão diferentes de continente para continente, de país para país, como diferentes serão as características da luta dos povos contra o sistema que
continuará a impor-lhes a sua dominação.

Nesses períodos de crise, quem paga a conta são sempre os trabalhadores. Teremos novamente de pagar a conta? O senhor acredita ser possível unir os proletários do mundo e encontrar saídas ou as soluções tendem a ser isoladas?

A crise coloca os povos por ela atingidos, nomeadamente na Europa Ocidental, perante uma situação dilemática. A relação de forças, da Suécia à Itália, de Portugal à Grécia, não abre a possibilidade de que a crise atual desemboque em rupturas revolucionárias. Mas , simultaneamente, a transformação profunda das sociedades da União Européia, moldadas e oprimidas pelo capitalismo, não é possível pela via institucional, dita pacífi ca. A burguesia nunca entrega o poder sem uma confrontação final com as forças do progresso. Sejamos realistas.
No caso português, fora do contexto de uma crise de proporções continentais, os partidos que representam o capital continuarão a vencer todas as eleições. A alternância no governo do PS e do PSD ilustra bem o controle que a classe dominante exerce sobre os mecanismos eleitorais da impropriamente chamada democracia representativa, que na prática funciona
como ditadura da burguesia com máscara democrática. A crise do sistema financeiro mundial adquiriu as proporções de uma crise de civilização que atinge toda a humanidade. O seu desfecho é por ora imprevisível. A única certeza é a de que milhares de milhões de pessoas vão pagar a fatura da falência do capitalismo neoliberal
e da ideologia a ele subjacente, enquanto os responsáveis pela crise pouco ou em nada serão afetados, no imediato,
pelo naufrágio da monstruosa engrenagem por eles montada.

Em momentos como estes, o que fazer?

Lutar, lutar com energia redobrada. Não são apenas a falência do sistema fi nanceiro mundial, a recessão que alastra nos países do G-7, o encerramento de milhares de empresas em dezenas de países, que iluminam a gravidade e a fragilidade da crise estrutural do capitalismo. O sistema do capital dispõe de uma força enorme. Mas não pode mais funcionar de acordo com a sua lógica. Os EUA, pólo e motor do sistema, estão envolvidos em duas guerras perdidas no Oriente Médio e na Ásia Central. Na América Latina, desenvolvem-se processos de ruptura
com a dominação imperial. Na Europa, anunciam-se num horizonte próximo grandes lutas inseparáveis das conseqüências da crise, que vai lançar milhões de trabalhadores no desemprego. No movimento da História,
a maré da contestação ao sistema tende a subir. Da luta dos povos, da fusão do particular e do geral, do nacional e do universal, depende que essas lutas adquiram um carácter torrencial, assumindo com o tempo dimensão planetária numa atmosfera de internacionalismo dinamizado pelas organizações e partidos revolucionários.

Como jornalista, como o senhor tem acompanhado a cobertura da mídia sobre a crise?

O sistema midiático apresenta uma frente única na difusão da mentira, nas explicações falsas da crise e nos remédios propostos para resolvê-la, todos orientados para a preservação do capitalismo. No discurso de sociólogos, economistas, historiadores, ministros e parlamentares chamados à tel evisão para esclarecer a “massa
ignorante” da população, o povo não aparece como personagem. Está ausente. Os porta-vozes e epígonos caseiros do grande capital, cúmplices do caos financeiro e social que alastra pelo mundo, desprezam os trabalhadores. O panorama social da crise não é iluminado pela mídia, porque isso seria perigoso para os senhores da finança.

Nos Estados Unidos, Obama acaba de ganhar as eleições presidenciais. Como o senhor analisa essa vitória e o que pode mudar com o novo presidente?

É positivo que o povo estadunidense tenha optado por Obama, um presidente negro, com um discurso muito diferente do de seu adversário republicano. Mas não participo da euforia gerada em nível mundial pela vitória de Barack Obama. É um grande orador e um político hábil e in tel igente. Mas aparece-me também como o produto de uma gigantesca e milionária campanha de marketing eleitoral. Não esqueçamos que Obama foi o candidato da Finança, dos grandes grupos transnacionais.
As suas primeiras iniciativas não justificam o entusiasmo que por aí vai. Para chefe de gabinete na Casa Branca, designou já um falcão, sionista, ex-voluntário na guerra do Golfo, um belicista inflamado. Obama afirma pretender “ganhar” a guerra do Afeganistão, defende uma política agressiva contra o Irã, afirma que manterá o bloqueio a Cuba. O vice Joe Binden antecipou uma evidência ao afirmar que as primeiras medidas do futuro presidente serão “muito impopulares”. Alguns dos assessores são republicanos de direita e clintonianos conservadores. A designação de Madeleine Albright como sua representante na Conferência dos 20 (G-20) é inquietante. Temo que Obama seja uma grande decepção para a humanidade progressista.



QUEM É

Miguel Urbano Tavares Rodrigues é jornalista e escritor português. Redator e chefe de redação de jornais em Portugal antes de se exilar no Brasil, onde foi editorialista principal do jornal O Estado de S. Paulo e editor internacional da revista
brasileira Visão. Regressado a Portugal, após a Revolução dos Cravos, foi chefe de redação do jornal do Partido Comunista Português (PCP) Avante!, e diretor de O Diário.Foi ainda assistente de História Contemporânea na Faculdade de Letras da
Universidade de Lisboa, presidente da Assembléia Municipal de Moura, deputado da Assembléia da República pelo PCP entre 1990 e 1995 e deputado da Assembléias Parlamentares do Conselho da Europa e da União da Europa Ocidental,
tendo sido membro da comissão política desta última. Tem colaborações publicadas em jornais e revistas de duas dezenas de países da América Latina e da Europa e é autor de mais de uma dezena de livros publicados em Portugal e no Brasil.

STF

NO TEMPO EM QUE EXISTIA SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL


Laerte Braga


As declarações do ministro presidente do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes em sua posse criticando a política indigenista do governo Lula tornam-no suspeito para emitir o voto desempate caso haja uma situação dessas sobre a demarcação da reserva Raposa do Sol. O ministro se declarou líder da oposição no STF. Ou nem bem assim, pois essa demarcação foi determinada ainda ao tempo do seu chefe, FHC. Só se mostrou servil.

Anos atrás Nélson Jobim era ministro da Justiça do governo FHC e foi nomeado para o STF com um objetivo: articular a quebra da resistência ao processo de privatização, particularmente da juíza federal Salette Macalóes, diante das fraudes, da grossa corrupção que marcou aquela fase.

Ao tomar posse Jobim se declarou “líder do governo” na Corte.

Houve um tempo em que o terrorismo da ditadura militar prendia, torturava, assassinava e ministros do STF não aceitavam as imposições do regime, colocando em liberdade muitos dos presos sem justa causa, por simples perseguição política. Salvaram muitas vidas, inclusive a do que hoje é prefeito do Rio, César Maia (mudou de lado, ou é tão complicado que só tem um lado, o dele), dias antes do AI-5.

Em 1968, no dia 13 de dezembro, ao ser editado e publicado, o ATO INSTITUCIONAL 5, o mais boçal dentre os instrumentos ditos “legais” do golpe militar, cassou ministros do porte de Evandro Lins e Silva, Hermes Lima e Victor Nunes Leal. Manteve os dóceis.

Quando foi indicado para o STF por FHC, Gilmar Mendes por pouco não teve sua indicação retirada tamanho o volume de acusações que enfrentou todas por corrupção.

Como no Brasil inventaram aquele negócio que pode não ser moral, mas é legal, acabou ministro do STF e hoje é o presidente de uma Corte que, além dele, tem Marco Aurélio Melo, especialista em liminares para banqueiros fraudadores do sistema financeiro e absolvições para latifundiários que compram meninas de doze anos para sexo.

Corte de Justiça.

Outro dia assisti pela enésima vez o filme TESTEMUNHA DE ACUSAÇÃO, um dos grandes do diretor Billy Wilder. Charles Laugthon, Marlene Dietrich e Tyrone Power numa trama extraordinária, acima de tudo numa reverência à Justiça até quando uma farsa se impõe.

A Polícia Federal tem agido, por exemplo, no sentido de prender corruptos, fraudadores, lavadores de dinheiro, contrabandistas, traficantes, políticos, juízes, procuradores, numa impressionante ação geral contra tubarões do crime legalizado (é organizado também, mas diferente, pois legalizado, caso dos bancos por exemplo, ou dos latifundiários).

Dia desses a mulher de um lavrador assassinado no Pará disse que “que adianta, a Polícia prende, mas a Justiça solta”. Que o diga o prefeito de Juiz de Fora.

O discurso do ministro Gilmar Mendes foi intempestivo, não condizente com a condição de um magistrado da dita Suprema Corte. Foi apenas um gesto político inserido num esquema golpista e tucano/DEMocrata, fazendo coro a um ato de insubordinação de um general supostamente brasileiro, mas a serviço de potência estrangeira, no caso o general Heleno.




A mídia não relata, por exemplo, sobre o general Heleno, que à época da apuração dos crimes do juiz Nicolau dos Santos, o juiz Lalau, na quebra do sigilo telefônico do juiz mais de duzentas ligações constavam entre o juiz e o general Augusto Heleno. Pode ser até bom dia, boa tarde, boa noite, mas...

Ligações de lá e ligações de cá.

Ou que no comando das forças policiais brasileiras no Haiti, de apoio às forças armadas norte-americanas, foi substituído antes de completar o tempo previsto para funções dessa natureza. Nem se explicou o motivo.

Gilmar Mendes não fez discurso de presidente do STF, como teria feito Ribeiro da Costa um dos que enfrentaram de peito aberto a ditadura militar.

Fez discurso de serviçal de FHC. E o que FHC representa.

Ia me esquecendo. Nelson Jobim hoje é ministro da Defesa do governo Lula. Disse outro dia que se “as FARCS ou o ELN pisarem em território nacional serão recebidas a bala”. Nunca pisaram e são um exército rebelde lutando há quase cinqüenta anos na Colômbia, numa guerra civil. Nem o ELN que ocupa uma área distante da fronteira com o Brasil

Eu queria ver essa valentia com o general Heleno que transgrediu o regulamento militar entrou em seu gabinete comandante e saiu comandante e ainda levou de quebra um aumento de 137% para os militares (não estou entrando no mérito se justo ou não, isso é outra conversa).

É só questão de estatura. Você pode ser Ribeiro da Costa, pode ser Evandro Lins, pode ser Víctor Nunes Leal pode ser Hermes Lima, ou pode ser Nelson Jobim ou Gilmar Mendes, ou pior, Marco Aurélio Melo.

É duro.
Fonte: Carta o Berro

Araguaia

Após 2ª sessão, Comissão prepara julgamento do Araguaia
A Comissão de Anistia já está trabalhando naquele que deverá ser um dos seus mais importantes julgamentos: o dos camponeses perseguidos pela ditadura militar na região do Araguaia durante o cerco aos guerrilheiros do PCdoB que ali atuavam entre o final dos anos 60 até 1974. Neste final de semana, a Comissão fez a sua segunda audiência em São Domingos do Araguaia (PA), com o objetivo de buscar mais elementos que possibilitem um julgamento justo – previsto para acontecer entre final de junho e começo de julho – dos processos remetidos ao órgão do Ministério da Justiça.
Por Priscila Lobregatte*
Ao todo, existem 240 requerimentos na Comissão ligados às perseguições, mortes e torturas. Destes, 46 estão prontos para serem julgados. Foram ouvidas em dois dias 120 pessoas que já tinham processos em andamento. Na próxima semana, o órgão deverá elaborar um relatório de avaliação da oitiva ocorrida dias 25 e 26, num das cidades-símbolo da guerrilha no sul do Pará, a 540 quilômetros de Belém. As indenizações a serem pagar serão de no máximo R$ 100 mil.
O presidente da Comissão, Paulo Abrão Pires Júnior, no entanto, adianta que a avaliação é positiva. “Os depoimentos colhidos desta vez, somados aos 131 colhidos no ano passado, são muito ricos e reveladores de todas as repercussões e traumas na vida pessoal de cada um ao longo do tempo e na própria vida da comunidade”, explicou. “São fatos inimagináveis e que não estão descritos nos livros de história com a riqueza de detalhes que ouvimos”.
Um desses fatos é o medo que ainda paira sobre os moradores. Eles receiam falar por conta da influência do ex-capitão do Exército, Sebastião Rodrigues de Moura, o Curió, na região. Infiltrado entre os camponeses estava um de seus supostos capangas, José Maria Alves da Silva, conhecido como Catingueiro. Ao repórter da Folha de S. Paulo enviado ao local, Sérgio Torres, ele disse apenas que também buscava sua indenização. Curiosamente, Catingueiro usava uma camiseta da administração Curió à frente da cidade que leva seu nome, Curionópolis.
De acordo com Abrão, “trata-se de requerimentos de anistia que são muito peculiares por duas razões. Primeiro porque não estão disponíveis os documentos oficiais guardados que registram cada ação das Forças Armadas nas diferentes operações de combate à guerrilha. Isso causa enormes dificuldades para fins de instrução dos processos”.
Além disso, o presidente da Comissão disse que os requerentes “são pessoas que vivem em situação econômica muito baixa, sem muita noção de seus direitos, sem advogado e que não possuem condições econômicas de irem à Brasília para acompanhar seus processos”. Por isso, salientou, “resolvemos que era preciso que o Ministério da Justiça fosse ao encontro destes cidadãos; era preciso sair dos nossos gabinetes em Brasília e colhermos os fatos na fonte original e primária”.
Para dar conta de todos os depoentes presentes no pequeno sítio em São Domingos, onde aconteceu a sessão, a Comissão se dividiu em quatro grupos. Um deles reuniu os casos de mateiros e guias de estradas usados pelo exército para localizar os guerrilheiros. A reunião destes casos justifica-se pelos diversos tipos de mateiros que os conselheiros identificaram, o que influencia a concessão ou não da indenização. Muitos deles foram obrigados a servir os militares e sofreram torturas e prisões arbitrárias pelo fato de conhecerem os guerrilheiros.
Outros foram beneficiados, recebendo terras do Incra ou dinheiro; e há aqueles que continuaram servindo aos militares mesmo depois da guerrilha, vigiando a vida dos moradores. O problema é que a maioria deles, por medo ou por conveniência, acaba escondendo informações preciosas até mesmo para a elucidação do paradeiro dos corpos até hoje desaparecidos.
Jesus viu a morte de Grabois
Testemunha-chave daqueles tempos é Abel Honorato de Jesus, 64 anos, um dos poucos que não teme falar. O lavrador residia na região da Palestina e ganhava 10 cruzeiros por missão. Ele disse que às vezes ganhava comida e recebeu também um lote de terra de 114 hectares. Naquela época, trabalhava no garimpo.
Porém, apesar de ter sido beneficiado, disse que também apanhou muito e foi obrigado a fazer o trabalho. Jesus era peça importante na ação dos militares. Disse que conhecia os guerrilheiros que identificava como sendo Osvaldão, Fogoió, Maurício (Grabois), Aparício, Pedro, Ari e Aragão. “Foi um vizinho que me entregou dizendo que eu os ajudava”, lembra.
Em 1971 foi preso. “Não me disseram porque, mas me chamaram de terrorista e me levaram para um entroncamento na Palestina”, recorda. E completa: “atiravam perto dos meus pés só para me assustar. Depois, me bateram”. À noite, uma viatura com militares que ele chama de tenente Ivan e capitão Lima levou-o para Marabá, onde ficou detido por quatro meses. Depois disso, passou a ser usado como guia.
Jesus conta que em 25 de dezembro de 1972 viu Maurício Grabois ser morto. “Teve um tiroteio e Amaury, Velho (Maurício), Pedro e Paulo foram mortos”. Segundo ele, os corpos foram carregados de helicóptero. Há versões diferentes para a morte de Grabois. Segundo o jornalista Elio Gaspari, em relato reproduzido no livro “Direito à memória e à justiça” – da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos –, ele poderia ter sido morto sentado numa trilha ou estaria comendo.
O mesmo livro também cita que o jornal O Estado de S. Paulo, em outubro de 1982, relatou que Grabois morreu “com um tiro de FAL na cabeça, que lhe arrancou o cérebro, e outro, na perna, que provocou fratura exposta”. Ele disse também ter visto de longe Sônia e Joaquim serem mortos no lugar chamado Chega com Jeito. Para ele, seis guerrilheiros podem estar enterrados perto da base da Bacaba. Ele acha, inclusive, que a ossada de Osvaldão está lá.
O camponês relatou também que era bastante próximo de Curió e que trabalhou com ele até 1986, como informante, espionando sindicalistas, líderes políticos e moradores. “Fiz isso como trabalho, mas nunca entreguei ninguém. Apenas contava o que acontecia. Dizia o milagre, mas não o santo”, defende-se.
Lições de Cristina
Juarez da Luz é filho de seu José da Luz e foi em seu nome que entrou com processo na Comissão de Anistia. “A única coisa que aprendi a escrever na vida foi meu nome e quem me ensinou foi Cristina”, disse, lembrando com carinho de uma das guerrilheiras mortas no Araguaia. Ele recorda que os soldados muitas vezes ficavam entocados nas moitas ao redor das casas. Um dia, um deles levou seu pai, a quem acusavam de ajudar os “paulistas”. “Ele não foi guia não e foi muito torturado”, esclarece.
Luz recordou ainda que os presos – entre eles seu pai – eram obrigados a se levantar cada vez que Curió entrava na cela. “Meu pai não quis, disse que não devia nada para ele e que não ia se levantar coisa nenhuma. Apanhou muito por isso”, lamenta.
Já dona Antônia Santos Pereira tem 14 filhos e 71 anos. É viúva de João Pereira Martins, o João “Pipoca”. Por isso, é também conhecida como Antônia “Pipoca”. Segundo ela, numa noite soldados levaram seu marido, que ficou preso por um mês. Mais tarde, foram buscá-lo novamente, agora para ajudá-los a encontrar “o povo da mata”. Seu marido teria indicado aos militares a casa de Pedro, João e Raimundo, que não estavam mais no local. “Ele foi preso de novo por mais quatro meses. Voltou todo rebentado”, disse. Depois disso, o marido foi obrigado a ir à base da Bacaba a cada três meses. “Eles prometeram terra, mas nunca nos deram nada”, ressaltou.
Roubado da mãe
Pouco mais de 30 anos separaram Juracy Bezerra Costa, 43 anos, de sua mãe, Maria Bezerra de Oliveira, 78 anos. Ele tinha sete quando, em 1972, foi levado de sua casa por militares armados. Na primeira sessão de Anistia feita na região, Dona Maria contou sua história, sem a companhia do filho, que reencontrou em 2006.
Desta vez, Costa esteve na audiência para também fazer o seu relato e contou ao Vermelho que, quando criança, encantou-se com a boa vida prometida pelos militares. “Aí, acabei indo com eles”. Aos poucos, o menino pobre se tornou o xodó dos soldados. “Um dia, fiquei muito doente e fui levado para Fortaleza, para ser tratado”.
Acabou sendo criado pelos pais do então tenente Antônio Hercílio de Azevedo Costa, que o tirou de Dona Maria. “Sentia muita falta de minha mãe, mas não me deixavam sair de lá”, lembra. A vontade de saber de sua família foi crescendo. “Mas quando eu perguntava para eles sobre minha mãe, diziam que ela devia estar morta”.
Em 1984, o “pai adotivo” morreu e a vida piorou. “Passei a ser maltratado”, conta. Dois anos depois, resolveu sair de casa e procurar a mãe. Foi tentar a vida em Xambioá e, por coincidência, teve contato com uma família que a conhecia. Há dois anos, pôde finalmente rever Dona Maria. Hoje, os dois vivem em São Geraldo. “Fiz calos em meus joelhos rezando para achar meus filhos”, disse a mãe. Miracy, o irmão mais novo – que tinha um ano quando foi levado – ainda não foi achado.
* enviada a São Domingos do Araguaia

Clique aqui para saber como foi a primeira audiência.