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sexta-feira, 19 de março de 2010

Sobras da População






Laboratórios experimentais



Incluídos e excluídos: Os fornos crematórios das "sobras da população".



(IAR Noticias) 05-Marzo-2010






Vítimas dos bombardeiros de civis no Siri Lanka, em maio de 2009.



Os novos fornos crematórios das "sobras da população" operam e estão ativados 24 horas por dia. São completamente invisíveis porque o sistema (os governos, a imprensa e a população mundial) são indiferentes a sua execução e não os registram em suas estatísticas. Não se trata de Hitler, senão de novos laboratórios militares experimentais de "solução final".



Por Manuel Freytas (*)

manuefreytas@iarnoticias.com



O humano, um animal supostamente racional, hoje formado mental e psicologicamente pelos programas e os pensamentos de ação do sistema capitalista que governa o planeta, é o único espécime que desenvolveu uma estratégia e plano de ação para dominar, controlar e explorar seus semelhantes, executando políticas de extermínio social e de rapina meio ambiental muito além de suas necessidades individuais.



Na perspectiva científica, o humano (do sistema capitalista) é um depredador em grande escala que, diferente das outras espécies, já não mata pela sobrevivência, senão para a construção do domínio econômico, político e social.







Dentro dos parâmetros funcionais do sistema capitalista (estabelecido como "civilização única") as "sobras da população" são as massas expulsas do circuito do consumo como emergente histórico da dinâmica de concentração de riquezas em poucas mãos.



Essas massas, que se multiplicam pelas periferias da Ásia, África e América Latina, não reúnem os Standards do consumo básico (sobrevivência mínima) que requer a estrutura funcional do sistema para gerar rentabilidade e novos ciclos de concentração de ativos empresariais e fortunas pessoais.



Ademais, essas massas expulsas do círculo de consumo, requerem (para dar-lhe uma tela "compassiva" ao sistema) de uma estrutura "assistencialista" composta pela ONU e as organizações internacionais nos balanços dos governos e empresas transnacionais em escala global.



Dentro do mercado e da sociedade de consumo capitalista, a lógica de produção não se mede pela satisfação das necessidades básicas da sociedade (comida, casa, saúde, educação, etc.) senão por outros parâmetros de otimização da rentabilidade privada.



A produção de bens e serviços (essenciais para a sobrevivência) controlada pelo capitalismo está socializada, porém, sua utilização está privatizada. Não responde aos fins sociais de distribuição equitativa da riqueza produzida pelo trabalho social, senão objetivos de busca de rentabilidade capitalista privada.



O objetivo estratégico central do sistema (sua lógica e essência funcional) está motorizado, em primeiro termo pela busca de rentabilidade para suas empresas e bancos transnacionais, sua coluna vertebral executora do sistema econômico dominante em escala planetária.



Esta dinâmica – historicamente provada – gera uma resultante contraditória: Diminuição do consumo, concentração de riquezas em poucas mãos, e expulsão do circuito de consumo e da sobrevivência de milhões de pessoas.

A população do mundo já supera os 6.500 bilhões de pessoas, das quais somente ao redor de 500 mil, as "classes altas" (ricos e super ricos) estão colocadas no l status de "nível ótimo" de consumo que requerem as necessidades operativas de rentabilidade dos bancos e empresas que hegemonizam a indústria, o comércio e as finanças do sistema capitalista imposto em escala global.



Fora deste triângulo de "consumo ótimo", composto em seu vértice pelo segmento dos ricos e "super ricos", alimentado pelo setor concentrador de riqueza em escala global, se encontram outras 2.500 milhões de pessoas, as que (sem chegar ao "consumo ótimo" dos "super ricos") desenvolvem um "consumo regular" dos bens e serviços produzidos e oferecidos (para quem pague por eles) pela estrutura produtiva capitalista



Este setor está formado pelos setores chamados "classes médias" (em estratos de "alta" a "baixa") que se alojam no meio da pirâmide da sociedade de consumo capitalista, tanto nos países centrais como nas áreas periféricas, emergentes ou subdesenvolvidas, da Ásia, África e América Latina.

Debajo de estos segmentos, hay una franja de población de aproximadamente 3.500 millones de personas que oscilan entre l



Debaixo destes segmentos, há uma faixa da população de aproximadamente 3.500 milhões de pessoas que oscilam entre a "pobreza estrutural" (não cobrem suas necessidades básicas) e a "indigência" (carentes de meios de sobrevivência), que formam uma "massa crítica" de expulsos do circuito do mercado de consumo de massas.



"Pobres estruturais" e "indigentes" marcam as fronteiras da exclusão social, e são o produto histórico mais representativo, o emergente social de um sistema econômico que não produz com fins sociais senão com fins de rentabilidade individual conseguida com a exploração do trabalho social



Como o sistema dominante só produz para quem possa pagar pelos bens e serviços, esta massa expulsa do circuito de consumo (pela dinâmica concentradora de riqueza em poucas mãos) é "sobra" do sistema capitalista, e só uma quantidade reduzida (a massa integrada que vai ficando atrás das expulsões periódicas) produz as ganâncias para as grandes empresas e bancos transnacionais que controlam todos os anéis da cadeia do mercado e da produção mundial.



E esta expulsão sistemática dos parâmetros de sobrevivência humana arroja um resultado:



Segundo a ONU, no mundo há mais de 3.500 milhões de pessoas que padecem de fome, pobreza ou desnutrição, a cifra mais alta da história, cerca da metade da população mundial, que hoje se estima ao redor de 7 milhões de pessoas.



Segundo a ONU, com "menos de 1%" dos fundos econômicos que tem utilizado os governos capitalistas centrais para salvar o sistema financeiro global (bancos e empresas que desataram a crise econômica), se poderia resolver a calamidade e o sofrimento de milhões de vítimas da fome em escala mundial. E porquê não se faz? Por uma razão de fundo. Os pobres, os desamparados, as "sobras da população", não são um "produto rentável" para o sistema capitalista.



Não consomem, ou o pouco que podem consumir para sobreviver em escalas marginas, não alcança para manter os Standards de rentabilidade que requer o aparato produtivo e a sociedade de consumo capitalista.

Por tanto, a fábrica das "sobras de população" do sistema capitalista, gera como emergente mais imediato, bolsões de rebelião e estalidos sociais que se potencializam a níveis impensáveis dentro do colapso econômico financeiro desatado em escala mundial



A "solução malthusiana"







Que fazer com as "sobras da população", com os pobres, com os desintegrados expulsos do mercado de consumo capitalista?



Podem voltar a ser incluídos dentro do mercado como consumidores regulares?



Para os expertos, na atual configuração do sistema produtivo mundial (só orientado ao segmento dos que podem pagar) é logicamente improvável (senão impossível) reincorporar a massa das "sobras da população" que somente poderia realizar-se por meio da "socialização" da produção da riqueza mundial.



Algo impossível de realizar dentro dos parâmetros de rentabilidade privada que rege a estrutura capitalista privada nivelada para todo o planeta



E o que acontecerá quando os pobres e os famintos comecem a surgir como uma massa de rebelião violenta pelas áreas emergentes e subdesenvolvidas do sistema em escala global?



O sistema, muito além de um assistencialismo superficial, não está desenhado nem preparado para cobrir contingências alimentarias em grande escala como já se verificou com a crise alimentaria produzida pela alto dos alimentos em 2008.



Na Cúpula Mundial sobre Segurança Alimentaria que se celebrou em Roma, em novembro passado, o diretor geral da Organização para a Agricultura e a Alimentação (FAO) das Nações Unidas, Jacques Diouf, diante da ausência dos líderes políticos dos países ricos, assinalou que "o problema da fome não é uma prioridade para os países mais ricos"



O fracasso reiterado das cúpulas pela solução da pobreza e da fome revela por si só que os pobres e famintos do mundo (por uma estrita valoração da equação "custo-benefício" capitalista) já foram abandonados a sua sorte e condenados a morte sem juízo prévio.



O capitalismo (está provado) carece de uma saída inclusiva e também de uma saída assistencialista para a massa das sobras da população que se incrementa aceleradamente com a crise econômica.



Pague ou faça dieta: Parece ser a receita final do sistema capitalista para a massa mundial de sobras da população, empobrecida e faminta, que permanece fora do mercado de consumo.



Que fazer com os pobres e famintos que possam marchar em uma rebelião sangrenta e desesperada à conquista de comida pela força, nas grandes cidades? Se o sistema não os pode incluir, qual é a solução?



Aqui chegamos ao ponto de "solução malthusiana" mais descarada. Se o sistema capitalista não os pode incluir e quer sobreviver, evitando uma rebelião massiva dos pobres atacando suas metrópoles, por lógica, tem que buscar e concretizar uma nova forma cirúrgica de exterminá-los sem deixar rastro.



Novos fornos crematórios de "solução final" em grande escala

Laboratórios experimentais








Como princípio experimental, os novos fornos crematórios das "sobras da população" agora mudaram de denominação. Já não se chamam fornos crematórios, senão "guerra contra-terrorista".



Sob essa denominação, desde 2001, funcionam operações militares de extermínio massivo que abarcam áreas estratégicas das "sobras da população" da Ásia, África e Meio Oriente.



Os novos fornos crematórios são os bombardeios massivos a supostos búnkeres de "terroristas" situados em áreas densamente povoadas por populações civis, habitadas por pobres e marginais, conformados como novos laboratórios experimentais de "solução final" (incorporada) para conter as futuras rebeliões de famintos.



No Iraque, distintas organizações internacionais estimam em mais de um milhão de mortos desde a ocupação, no Afeganistão, as vítimas se contam por centenas de milhares nas frentes imperiais da Ásia e África, as vítimas se somam pro dezenas de milhares.



Os extermínios militares continuados de Israel em Gaza e no Líbano, são apenas a ponta de um iceberg de um genocídio em alta escala das "sobras da população" que desde 2001, e em nome da "guerra contra-terrorista" tem massacrado milhões de seres humanos nas áreas subdesenvolvidas e pobres da Ásia, África e Meio Oriente.



As matanças são diárias, sistemáticas e contínuas e ninguém as contabiliza em uma estatística gera que seguramente surpreenderia e chocaria pela intensidade numérica dos massacres que se somam à indiferença mundial de governos e das sociedades idiotizadas e alienadas pela estrutura midiática.

Enquanto a população "incluída" goza de espetáculos, consome produtos e depressão individualista, e vive seus problemas como o fim da história, há uma maquinaria militar legitimada que executa as "sobras da população" durante 24 horas por dia.



Esta nova "solução final" maltushiana aplicada militarmente, que do simples ao complexo, tem uma clara linha de execução e continuidade nos processos de ocupação militar (Iraque e Afeganistão) e em distintos cenários de "guerra contra o terrorismo" na Ásia, África e Meio Oriente.



Líbano, Iraque, Gaza, Afeganistão, Paquistão, Sudão, Somália, entre outros (a margem dos objetivos geopolíticos e militares que representam dentro do tabuleiro da guerra inter-capitalista para apoderar-se do petróleo e dos recursos estratégicos), são teatros experimentais de extermínio militar em massa das "sobras da população" que funcionam sob a caricatura operativa da "guerra contra o terrorismo"



Sob a total indiferença da população mundial "incluída" quase diariamente, e em nome da "guerra contra-terrorista", se registram matanças militares de "sobras da população" que são tomadas como "fato natural" pela imprensa do sistema.



Gaza, Líbano, Afeganistão, Paquistão, Iraque, Sudão, Somália, Nigéria e Yemen, são exemplos mais sobressalentes desses ensaios experimentais de supressão militar diária das "sobras da população" que se sucedem diante da total indiferença da sociedade mundial dos incluídos no mercado de consumo.



Nesse cenário, após o Líbano e Gaza, a última experiência mais sobressalente de extermínio militar relâmpago das "sobras da população" em massa foi o Siri Lanka, em maio do ano passado.



No Siri Lanka (ex Ceilão), o que os EEUU e as potências ocidentais qualificaram como "fase final contra o terrorismo tamil" foram assassinadas, em somente quatro semanas, mais de 20.000 civis, segundo uma investigação do diário britânico The Times.



A cifra triplicou a informação oficial pela ONU e o governo títere ceilandês. Por sua vez, a operação extermínio militar deixou mais de 300.000 civis com suas casas destruídas e submetidas a uma catástrofe humanitária sem precedentes.



O massacre, realizado mediante bombardeios aéreos e terrestres ininterruptos sobre populações civis, legitimou um precedente de "prática de genocídio impune", um procedimento de extermínio militar aceito e tolerado sobre a base da cumplicidade do "silêncio" dos governos mundiais e das organizações internacionais, aos que se somaram (na qualidade de grandes ocultadores e manipuladores) as grandes cadeias midiáticas e suas repetidoras locais a nível dos cinco continentes.



Porém o laboratório nunca se deteve. Mais além de seus cíclicos "massacres relâmpago", os massacres funcionam durante 24 horas por dia como uma maquinaria aceita de extermínio massivo que não se detém nunca.



No Afeganistão, Iraque, Paquistão, África e Meio Oriente, as operações de massacre das "sobras da população" são sistemáticas, e as cifras de mortos (que se somam diariamente) não são registradas pelas estatísticas oficiais nem pela imprensa do sistema.



São os novos fornos crematórios para exterminar aos excluídos "as sobras" do sistema, que passam despercebidos pela má cumplicidade existente entre os meios de comunicação, os governos e a sociedade dos "incluídos" em escala global..



Como diria Bush a Obama. Trata-se da "guerra contra-terrorista", estúpido.

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(*) Manuel Freytas es periodista, investigador, analista de estructuras del poder, especialista en inteligencia y comunicación estratégica. Es uno de los autores más difundidos y referenciados en la Web.

Ver sus trabajos en Google y en IAR Noticias



Trad. Vera Vassouras



Nota – Observe-se, por exemplo, no que se refere ao direito humano de uso da energia elétrica. As privatizadas e seus conglomerados têm, na inadimplência, um ótimo investimento. Se o cidadão não paga sua conta de luz, na qual estão incluídos todos os impostos da pessoa jurídica, a ele transferidos (legalmente), é sancionado com uma multa de 10% (índice de ganhos acima de qualquer investimento no mercado de capitais). Tem seu nome inserido como "mal pagador" nos registros do sistema de comércio e sua energia será cortada na forma da lei.



Se o cidadão não possuir conta bancária que o permita requerer a religação em 24 horas, a promessa de religação só será cumprida após seu bebê morrer de fome. Tudo, na forma da lei. Com um detalhe diabólico: se a mãe, após cansar de esperar a religação (após pedir empréstimo ao vizinho para pagar o débito) decidir fazê-la por sua conta, será processada e multada em quase um salário mínimo.



Nota 2 – Todos têm conhecimento dos laboratórios experimentais na América Latina. No Brasil, a desculpa é a "guerra contra o narcotráfico" nos morros do Rio de Janeiro e suas matanças diárias, sempre apoiadas pelas ideologias de segurança.. Tudo apoiado ostensivamente ou pelo silêncio cúmplice. Inundações, queima de favelas, perseguições judiciais. Século XXI: e os militares, em nome do poder capitalista continuam assassinando em Honduras. Imunes e impunes.



Nota 3 – Não seremos nós, as sobras da população, humanos que deveriam ser protegidos em nome do meio-ambiente? Matar golfinhos não pode. Matar seres humanos pode. Assim como é permitido contaminar a terra e o ar com os agrotóxicos e a monocultura. A segurança alimentar é a falácia que destrói toneladas de alimentos em nome de seu "equilíbrio de mercado". Somos assassinados paulatinamente. Eles consomem alimentos orgânicos. Enquanto as massas são aniquiladas pela ausência de alimentos, pelo fornecimento de alimentos envenenados e, pelas vacinas que farão o trabalho final no interesse dos assassinos das indústrias farmacêuticas.



Defendemos o meio-ambiente? Quem defende o ser humano? Ou os humanos constituídos pelos não incluídos no mercado de consumo não fazem parte da humanidade?













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