Rádio WNews

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Escravatura em Angola

Na: [Lista do C. Est. Multiculturais] , "Francisco Ngunzetala"
Prezado Dr. Simão, bom dia.

Quero parabenizar- lhe pela lucidez e clareza que tem, quando trata do
assunto em pauta. Fica no entendimento, após um texto simples e curto como este, que o tráfico de escravizados africanos não carregou somente músculos e força de trabalho, carregou também sonhos, falares,fé, expressões africanas que se revelam em todas as áreas das culturas do novo mundo.

Agradeço particularmente sua fala, pois apesar de uma pela "banca", sou sacerdote do Candomblé de Angola, que tem como base ritualística e teológica as tradições trazidas pelos povos bantu, especialmente de Angola, Congo e Moçambique. Aqui, apesar de quase quinhentos anos já se terem passado, ainda cantamos e rezamos na língua de nossos ancestrais e ainda cultuamos divindades e manifestações divinas esquecidas, talvez até mesmo nas suas origens, mas que pela sua força e presença se mantém vivas no Brasil e na América em Geral.

Mba kukunda ngana Nzambi Mpungu!!!!

Tata Ngunz'tala
55-61.8124.0946
Associação Vida Inteira
www.multiculturas. com/avi.htm

-Margarida Castro enviou: Date: Sunday, November 23, 2008, 11:23 PM

Na lista dos Estudos Multiculturais li, este texto ótimo, que muito tem a ver com o que pensamos.A crioulidade está em todas as latitudes por onde passaram os africanos. Vejam também, no final do texto, as palavras do prof Francisco Soares,

Concordam?

A escravatura levou para o mundo as crenças e culturas angolanas

O historiador angolano Simão Souindoula defendeu a necessidade de se preservar e divulgar às novas gerações a influência do tráfico negreiro, principalmente pelo facto deste fenômeno ter levado às Américas e Caraí­bas grande parte das crenças, religiões e culturas dos povos de Angola.

Para o investigador, que apresentou esta ideia durante o Encontro Ibero-americano de Afro-descendentes, realizado em Cartagena das Índias, na Colômbia, os vestígios da escravatura nos países americanos e das Caraí­bas possuem riquezas históricas capazes de emprestar mais conhecimentos sobre as tradições africanas, em geral, e as angolanas, em particular.

Ao falar no encontro sobre o tema "Migração e diversidade Étnica e cultural", o historiador defendeu que a instalação de centenas de milhares de escravos africanos nas Américas e Caraíbas levou à transposição de algumas práticas que ao longo dos anos se foram cristalizando entre estes povos, ao ponto de se tornarem parte da sua cultura.

"Esta evolução histórica produzida com base nos ritos africanos, como dos Bantu, deu diversos elementos às religiões e tradições ameríndias, assim como delineou o quadro das actuais tendências universalizantes das expressões religiosas afro-americanas e afro-caribenhas" , destacou.
Baseado em factos históricos, Simão Souindoula, que também é antropólogo, adiantou que o Brasil foi um dos países determinantes na extensão das religiões de raiz africana pelas Américas.

Abordando o caso dos EUA, o historiador angolano afirmou que os cultos afro-americanos e afro-caribenhos têm hoje como principal centro de expansão os avanços tecnológicos, sobretudo a Internet.

Segundo Simão Souindoula, este fenômeno de conversão em religiões resultou de uma dinâmica histórica do incomparável crescimento de movimentos migratórios e da mobilidade humana constatado entre a América Latina, as Caraí­bas, o Norte do continente americano e a Europa Ocidental.

"Devido à tendência para a sí­ntese das diferentes culturas do mundo, este processo evolutivo perseguirá e constituí­rá um dos factores de tolerância e concordância entre as sociedades humanas nesta primeira década de um novo século, que foi marcado pelo um visí­vel choque de civilizações, rematou.

Simão SOUINDOULA ,director do Museu Nacional da Escravatura Imagede Angola
C.P. 2313
Luanda, ANGOLA
Tel.: 929 793 277




Museu da Escravatura - Luanda

Museu da Escravatura
Museu da Escravatura
fotoangola.weblog. com.pt/


A notícia, A escravatura levou para o mundo as crenças e culturas angolanas, foi publicada, originalmente, no http://www.angonoti cias.com/ full_headlines. php?id=21752

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O prof Francisco Manuel Antunes Soares, Angola, a propósito, enviou-me seu comentário :
Por acaso tinha já lido o texto. Talvez no J.Angola, no suplemento «Vida & Cultura». Acho que para Simão Souindoula tem sido uma aventura fascinante ir descobrindo a crioulidade ou o hibridismo do nosso mundo por essa via. E com toda a razão.

Francisco Soares

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