sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
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Somos assim, fazer o quê?
Edson Cardoso
É certo ainda que Matilde Ribeiro nunca exerceu propriamente uma liderança em nosso meio , e o bombardeio midiático tampouco favorecia, pela natureza das denúncias , o desenvolvimento de relações minimamente solidárias. Por isso mesmo a reação de seus presumidos companheiros veio a frio , quando o sentido concreto da solidariedade partidária ou étnica tinha já se esvaído. Restaram aquelas manifestações constrangedoras de reconhecimento tardio , post-mortem, que as palmas entusiásticas na solenidade de posse do sucessor não conseguiam transformar em companheirismo .
Em Macapá, dias depois da exoneração dos três dirigentes da Seppir, diante de uma platéia que lhe cobrava ações mais efetivas, o Secretário de Promoção da Igualdade Racial do Amapá defendia-se argumentando que ninguém ali ignorava o fato de que sua secretaria não tinha orçamento .
O processo de institucionalizaçã o das demandas do Movimento Negro tornou rotineiras, nos últimos anos, em todo o país , cenas dramáticas como a de Macapá. Ao que parece, não aprendemos as regras do jogo político-partidá rio, embora já se tenham esgotado todas as experiências com as siglas disponíveis no mercado , desde o governo Montoro em São Paulo, no início da década de 80. O jogo acabou sem que tenhamos aprendido a jogar ? Ou o jogo que devemos jogar é outro , distante dos controles partidários ?
No longo relato que fez de sua experiência como presidente da República , Fernando Henrique Cardoso reservou apenas dois parágrafos ao que chamou de “a questão dos negros ”. O livro tem ao todo setecentas páginas e não há, nas trinta linhas que dedicou ao tema , nenhuma alusão ao Movimento Negro . Nem ao menos fez referência aos negros do PSDB. Que também não reclamaram.
Se, por um lado , seu objetivo no governo era , “ sem radicalismos , mudar gradualmente a política racial ” do Brasil, por outro lado ponderava que “ Com o sincretismo e a miscigenação vigentes é impossível , além de ser inconveniente , traçar linhas rígidas de cor e, pior ainda , de raça ” (p.550). Uma não exatamente no cravo e a outra na ferradura , como é do estilo do autor (A arte da política , 2ª ed. Rio de Janeiro : Civilização Brasileira , 2006).
Já o presidente Lula , no dia 20 de novembro de 2007, no Palácio do Planalto , pouco mais de dois meses antes das mudanças na Seppir, exortava, de modo paternal , Matilde Ribeiro a que fosse menos ‘ humilde ’ e buscasse os recursos necessários ao desenvolvimento da Agenda Social Quilombola junto aos ministros da Fazenda e do Planejamento : “... se tudo isso não der certo , Matilde, aí você me procure e carinhosamente nós vamos resolver esse problema ”. Na ocasião , o presidente também responsabilizou a imaturidade política do Movimento Negro pela não aprovação do Estatuto da Igualdade Racial , que tramita no Congresso , e disparou, à la Manolo Florentino , a infâmia da paz nas senzalas : “... vocês esperaram mais de três séculos para começar a cobrar as coisas que vocês tinham direito ...”
O Movimento Negro não merece uma citação no livro de FHC porque o ex-presidente entende que há muitas inconveniências e impossibilidades em nossas reivindicações de políticas públicas. Não são oportunas, estão deslocadas, não são próprias ou adequadas à realidade brasileira . O presidente Lula acrescenta que somos acomodados e demasiadamente humildes no jogo político-institucion al. E somos imaturos . Lula foi enfático nesse ponto : “ Ora , então pelo amor de Deus , amadureçam politicamente e construam não aquilo que é o ideal para cada agrupamento , mas construam uma proposta que seja consensual, que possa permitir que haja avanço ”.
No passado , aprendemos na História Oficial , os africanos escravizados foram os principais responsáveis pelo longo período de escravização. Somos a raça que cantava no suplício , como disse um poeta . A versão historiográfica infamante é a adotada também na Esplanada , como vimos acima . No presente , nossa humildade , nossas desavenças impedem que possamos compreender as regras mínimas do jogo político . Por essa leitura , há algo de profundamente errado conosco . É fácil depreendermos aqui o que significa “a questão dos negros ”: somos a essência do problema . Ou melhor , os negros são o problema , com suas limitações intrínsecas, sua humildade , suas brigas tribais , ou , quando há muita condescendência , com o baixo ‘ poder de fogo ’ de suas entidades e organizações .
O mais grave nisso tudo é que os agrupamentos negros partidários acabam, em sua inércia , por validar e legitimar essa leitura e seus fundamentos ideológicos, profundamente racistas . A derrocada da Seppir não parece ter afetado em nada a disposição que anima há décadas essa inserção subalternizada. Nas diferentes siglas - PMDB, PSDB, PPS, PDT, PC do B, PT – somos assim : servos humildes e cordiais . Fazer o quê ?
FONTE
Edson Cardoso - vida e profissão entregue à militância pela igualdade racial
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O romance de Manuel Ricardo Miranda «Ginga Rainha de Angola», publicado pela Oficina do Livro, Suponho que pode ser adquirido entrando em contato com a editora. Já tentaram? E hoje eu li a entrevista da Associação Portuguesa de Cultura Afro-Brasileira com o autor No seguimento do romance «Ginga Rainha de Angola», publicado pela Oficina do Livro, a APCAB convidou Manuel Ricardo Miranda para uma conversa que reproduzimos em seguida: APCAB: Porquê um romance com temática africana? MRM: Como refiro no prólogo do romance, tudo começou há quatro décadas, quando convivi de perto com um amigo e companheiro de armas, no mato angolano. Ambos milicianos, cumpríamos o serviço militar obrigatório. Ele, dizia-se descendente de uma rainha africana do século XVII e tudo o que teve oportunidade de contar, deixou-me simplesmente fascinado. Os anos passaram-se com outros interesses e afazeres. Mais recentemente tive disponibilidade para investigar o que os livros contavam sobre essa rainha, que em tempos deixara-me tão curioso. À medida que ia lendo a história da rainha crescia o meu interesse e o desejo de criar um romance tendo como figura central a lendária rainha. APCAB: O que o fascinou na Rainha Ginga que fecundou a escrita de um livro? MRM: A rainha Ginga é um exemplo de longevidade. Viveu 82 anos de uma vida guerreira, numa época na qual se atingia a velhice aos cinquenta anos. Um outro facto notável e talvez único na história de África, Ginga foi, durante quarenta anos, rainha de um imenso território no coração de Angola. A sua vida, poder-se-á considerar um exemplo de luta permanente contra o tráfico de escravos. Tendo como base o que tive oportunidade de investigar, considero-a uma verdadeira nacionalista. APCAB: Estarão os portugueses aptos e motivados para a leitura de um romance cuja temática é africana, como acontece no Brasil? MRM: As raízes brasileiras são indiscutivelmente africanas, nomeadamente angolanas. Milhões de escravos durante mais de dois séculos afluíram ao Brasil e ajudaram com o sacrifício das suas vidas penosas a construir a grande Nação da actualidade. O livro é também um preito de homenagem a esses homens e mulheres. APCAB: A lusofonia é um conceito bastante em voga mas peca pela verdadeira multiculturalidade. Poderão os livros combater isso? E quando não há espaço para temática? MRM: Lusofonia é uma palavra verdadeiramente abrangente e de uma riqueza impar. A multiculturalidade é resultante de uma verdadeira amálgama de povos com um passado comum. Oxalá o futuro tenha o mesmo rumo. APCAB: Sabia que a rainha Ginga é muitas vezes sincretizada, na tradição oral, com a divindade yorubá Oyá-Yasan ou com a divindade bantu Bamburussena? MRM: Sou pouco conhecedor da associação que se pretende estabelecer entre a rainha Ginga e as divindades que referem. O povo da rainha Ginga pertencia ao grupo étnico banto, ao qual se ramificam várias centenas de subgrupos étnicos distintos, existentes em toda a África subsariana. As suas práticas religiosas eram profundamente animistas, sendo ao longo dos séculos influenciadas por outras religiões e distintas divindades. APCAB: A identidade cultural portuguesa está em mudança. O que lhe sugere a ideia de uma cultura luso-afro-brasileir a? MRM: Eu diria que já vivemos em Portugal uma cultura luso-afro-brasileir a. Para nos apercebermos de tal fenómeno basta simplesmente entrar no café do nosso bairro. Vemos nesse mesmo espaço, vidas partilhadas, com idênticos sonhos e ilusões, africanos, brasileiros e portugueses, falando a mesma língua e trocando opiniões sobre assuntos que de igual modo interessam a todos. |
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Conferência: Personagens silenciadas e a escrita da história de Angola Centro de Promoção da Lusofonia Global PERSONAGENS SILENCIADAS E A ESCRITA DA HISTÓRIA DE ANGOLA 23 Outubro | 17h30 Arquivo Histórico Ultramarino Conferencista: Ana Lúcia Sá (Univ. Beira Interior) Comentador: Inácio Rebelo de Andrade (Univ. Lusófona de Humanidades e Tecnologia) Resumo: De que forma uma personagem sem voz e sem direito a ela num quadro de hegemonias diversas se implica na escrita da história de um país? Uma possível resposta, além de outras mais canónicas no que respeita à disciplina da História, advém da especificidade do discurso literário. Este permite ultrapassar as barreiras da historiografia que relata as elites vitoriosas. Desta forma, os escritores inscrevem a sua palavra à margem do discurso oficial e abrangem a história de “anónimos”, daqueles a quem E. Wolf denominou como “a gente sem história”, também activos no processo histórico. Em Angola, a escrita literária da história deslocalizada de um centro preponderante transforma escravos em testemunhas transmissoras de factos vividos e observados, releva cartas de ambaquistas como meio de reclamação do direito à terra dos “filhos do país” ou faz ecoar as vozes dos contratados. E já não no sentido da composição de um contradiscurso, mas da afirmação de um discurso que abandona o silêncio a que era votado. Ana Lúcia Sá: Mestre em Estudos Africanos pela Universidade do Porto e Doutoranda na Universidade da Beira Interior, sob a orientação dos Professores Doutores Salvato Trigo e José Carlos Venâncio e na qualidade de bolseira da Fundação para a Ciência e a Tecnologia. AHU - Arquivo Histórico UltramarinoInvestigadora do UBI_CES (Centro de Estudos Sociais da Universidade da Beira Interior) e do CEIBA (Centro de Estudos Internacionais de Biologia e Antropologia, com sede em Vic, Espanha). Publicou A Confluência do Tradicional e do Moderno na Obra de Uanhenga Xitu (Luanda, União dos Escritores Angolanos, 2005), prefácios a obras de escritores angolanos e artigos sobre África em obras colectivas, no âmbito da antropologia e da sociologia da literatura.Membro da Comissão Organizadora do V Congresso de Estudos Africanos no Mundo Ibérico, realizado na Universidade da Beira Interior, de 4 a 6 de Maio de 2006, de cujas Actas é co-organizadora (com José Carlos Venâncio). Membro do Conselho de Redacção da revista Oráfrica: Revista de Oralidade Africana, publicada em Espanha. Em Angola, foi jurada em prémios atribuídos em concursos literários promovidos pela União dos Escritores Angolanos e é Membro Honorária dessa instituição. Cç. da Boa-Hora, 30 1300-095 Lisboa Telefone: 21 361 63 30 Fax: 21 361 63 39 e-mail: http://br.mc1123.mail.yahoo.com/mc/compose?to=ahu@iict.pt Fonte: http://www2. iict.pt/index. php?idc=6&idi=13873 |
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José Antonio-UNEGRO
Presidente do CODENE
----- Original Message -----Sent: Thursday, November 06, 2008 3:47 PMSubject: Convite para Lançamento da 2ª ed._Separata Os Lanceiros Negros na Revolução Farroupilha
De: getúlio vargas jr [mailto:getuliovarg asjunior@ yahoo.com]
Enviada em: terça-feira, 4 de novembro de 2008 12:17
Para: jose altair dos santos padilha
Assunto: lanceiros
Getúlio Vargas JúniorVice-Presidente da UAMPADiretor do Depto de Habitação da FEGAMDiretor Nacional da CONAMgetuliovargasjunior .blogspot. com51-8490.4103 - 51-3387.0642
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