7 de fevereiro de 2009
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Eurípedes Alcântara
Diretor de Redação
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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Operação Esforço Concentrado
Operação Esforço Concentrado efetua sete prisões e fiscaliza 13.516 veículos no RS
07/02/2009 10:34
A Secretaria da Segurança Pública, por meio da Brigada Militar, realizou nessa sexta-feira (06/02) mais uma edição da Operação Esforço Concentrado, que abrangeu 413 municípios gaúchos. Durante as ações, desenvolvidas no período entre 12h e 18h, foram utilizados 1.075 servidores em 480 viaturas. Ao todo foram presas sete pessoas e fiscalizados 13.516 veículos.
Confira os demais resultados da operação:
- Apreensões de CNH: 30;
- BO/COP elaborados: 27;
- Inspeções em bares: 197;
- Inspeções em casas noturnas: 11;
- Inspeções em desmanches: 09;
- Termos Circunstanciados – TC: 02;
- Veículos autuados: 443;
- Veículos recolhidos: 21;
- Estabelecimentos bancários fiscalizados: 488.
A Operação Esforço Concentrado têm por objetivo atuar na redução dos 12 indicadores de criminalidade, ocorrendo em dias e horários que não coincidam com as demais operações, e em locais de real ou potencial incidência dos indicadores, apurados por estudo estatístico continuado do Comando-Geral da Brigada Militar.
Fonte: PM3/BM
07/02/2009 10:34
A Secretaria da Segurança Pública, por meio da Brigada Militar, realizou nessa sexta-feira (06/02) mais uma edição da Operação Esforço Concentrado, que abrangeu 413 municípios gaúchos. Durante as ações, desenvolvidas no período entre 12h e 18h, foram utilizados 1.075 servidores em 480 viaturas. Ao todo foram presas sete pessoas e fiscalizados 13.516 veículos.
Confira os demais resultados da operação:
- Apreensões de CNH: 30;
- BO/COP elaborados: 27;
- Inspeções em bares: 197;
- Inspeções em casas noturnas: 11;
- Inspeções em desmanches: 09;
- Termos Circunstanciados – TC: 02;
- Veículos autuados: 443;
- Veículos recolhidos: 21;
- Estabelecimentos bancários fiscalizados: 488.
A Operação Esforço Concentrado têm por objetivo atuar na redução dos 12 indicadores de criminalidade, ocorrendo em dias e horários que não coincidam com as demais operações, e em locais de real ou potencial incidência dos indicadores, apurados por estudo estatístico continuado do Comando-Geral da Brigada Militar.
Fonte: PM3/BM
MST em Luto
sexta-feira, 06 de fevereiro de 2009
MST está de luto
Nota de Solidariedade e Pesar
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) manifesta publicamente seu pesar pelo falecimento, na manhã de quinta-feira, do companheiro deputado federal Adão Pretto, soma-se e se solidariza com a família neste momento de perda para a sociedade brasileira.
Desde o início de sua militância social nas Comunidades Eclesiais de Base e no Sindicalismo Rural, Adão Pretto caracterizou-se pela defesa intransigente da reforma agrária, tendo papel destacado na articulação das famílias de trabalhadores sem terras e de apoiadores desde as primeiras ocupações de terra no Rio Grande do Sul, ainda durante o Regime Militar. Esteve presente na organização e fundação do MST, do Partido dos Trabalhadores e do Departamento Rural da Central Única dos Trabalhadores.
No Congresso Nacional, denunciou e combateu as ações da bancada ruralista, e tornou-se um dos pilares do Núcleo Agrário do Partidos dos Trabalhadores. Apresentou Projetos de Lei que buscavam acelerar o processo de reforma agrária, permitir o acesso à educação para os camponeses e melhorar a qualidade de vida no campo. No último ano, esteve empenhado em denunciar a alteração da faixa de fronteira para beneficiar a instalação de empresas transnacionais da celulose no Rio Grande do Sul.
Mais que um parlamentar, Adão sempre foi um camponês, com seu jeito simples, honesto e contundente, mas acima de tudo um lutador. Sempre presente nas lutas dos movimentos sociais, sempre levando as reivindicações e bandeiras populares para o parlamento, denunciando a criminalização e a repressão da luta do povo.
No ano em que completamos 25 anos, perdemos um de nossos fundadores e um de nossos mais valorosos companheiros. Em sua homenagem, seguiremos fazendo aquilo que Adão Pretto sempre fez em vida: lutar sempre.
Coordenação Nacional do MST
PERDEMOS UM GRANDE LUTADOR SOCIAL!!!
Conheci nosso querido Adão pretto há mais de 30 anos. Nos conhecemos numa atividade de pastoral da diocese de Frederico, onde ele era um líder de sua comunidade e ministro da eucaristia. Frei Sergio Gorgen o apresentou fazendo muito boas referências, de que se tratava de um pequeno agricultor, lutador, honesto, trabalhador, pai de nove filhos. E que tinha muito futuro. Criava sua familia com o trabalho na roça, nas costas do rio Miraguai.
Naqueles tempos de ditadura militar, era muito difícil encontrar pessoas corajosas, que se dispusessem a defender os interesses da comunidade. Desde o início o admirei por sua sensibilidade social, por sua coerência, e franqueza. Nos encontros, costumava colocar em versos singelos, as idéias que matutava e as avaliações que fazia da politica.
Por sua liderança e didicação, foi eleito presidente do sindicato dos trabalhadores rurais do municipio de Miraguai, naqueles finais da década de setenta, na onda das oposições sindicais, que renovaram nosso movimento sindical.
No sindicato, dedicou-se a organizar os pequenos agricultores na luta por preços melhores, e também, com tantos sem-terra na sua base, passou a organizar o Movimento dos Sem Terra.
Logo, transformou-se numa referência política em toda região. Lembro dele, também, da romaria da terra que realizamos em 1981, na encruzilhada Natalino, com nosso primeiro grande acampamento. Adão Pretto declamou, com um filho pequeno, uma trova gauchesca denunciando as formas capitalistas de exploração dos pequenos agricultores e a necessidade da luta. Impactou a todos os mais de 25 mil participantes.
O tempo foi passando, e em 1986 organizamos a maior ocupação de terras no Rio Grande do Sul, que foi a então fazenda Annoni. Com mais de 2,5 mil familias. E lá estava o Adão Pretto.
Naquele mesmo ano, elegeu-se deputado estadual. Seria o primeiro deputado estadual camponês a tomar posse na Assembléia Legislativa. Uma grande vitória do movimento camponês do Rio Grande do Sul.
No início muitos colunistas da imprensa burguesa riam de seu pouco estudo, afinal tinha apenas a terceira série do primário. A resposta veio numa atuação exemplar em defesa dos pequenos agricultores e sem-terra que impactou a toda sociedade gaúcha, e lhe deu o Prêmio Springer de melhor deputado.
Depois elegeu-se deputado federal, defendendo com a mesma garra e coerência na Câmara dos Deputados e no dia-a-dia os interesses da classe trabalhadora.
Adão Pretto não era o parlamentar padrão que conhecemos. Não gostava da tribuna. Mas estava presente em todas as lutas sociais que se realizaram nesses últimos vinte anos. E as fazia repercutir no parlamento, na forma de leis ou de denúncia.
Sempre o mesmo. Simples. Com uma coerência impressionante. Nunca titubeou. O critério básico que usava em sua vida e na participação política, era se perguntar: o que interessa aos trabalhadores? E independente de tudo, os defendia.
Também deu exemplo na sua forma de fazer campanha política. Nunca aceitou receber nenhum centavo de ajuda financeira de nenhuma empresa. Por mais que seus colegas o debochavam de perder oportunidades de receber polpudas ajudas das aracruzes, Vales, e outros corruptores. Todas as campanhas foram realizadas pela militância, e em debates das idéias e de projetos.
Os trabalhadores, o povo gaúcho perde um de seus grandes lutadores sociais. O MST e a Via Campesina perde um de seus líderes mais coerentes e dedicados. Todos nós perdemos.
Mas fica seu exemplo. Que certamente o imortalizará.
Grande Adão pretto, nos deixará saudades a todos.
João Pedro Stedile - membro da coordenação nacional do MST
MENSAGEM DE COMPROMISSO LIDA NA DESPEDIDA NA TUMBA. COMPANHEIRO ADAO PRETTO
Como soldados em terras perseguidas, trilhamos as mesmas serras e campos. sem estradas.
Você, como o mais experiente, foi na frente abrindo as picadas e foi nos alertando dos cuidados.
Crescemos, com o mesmo espírito, revoltado, buscando com as massas todas as soluções.
Vencemos, tempestades e furacões, sem nunca perder de vista a utopia pendurada no horizonte.
Bebemos, a água límpida das fontes, de nossos formadores que plantaram nas montanhas o otimismo.
Defendemos com eles o socialismo, e todas as conquistas verdadeiramente humanitárias.
Cerzimos as costuras da reforma agrária, em todos os recantos das belas terras brasileiras.
Plantamos, esperanças em todas as trincheiras, sem nunca rejeitar sequer uma missão.
Cantamos a revolução, em versos, trovas e poesias, sem nunca tropeçar na métrica das rimas.
Cultivamos os valores e a auto-estima, procurando pôr em ordem o comportamento e a coerência.
E, juramos com a força da consciência, de jamais se render, vender ou se deixar cooptar.
Agora, nesta hora, no momento da partida, não queremos que seja uma despedida, mas uma continuidade.
Continuarás presente em todos os momentos, principalmente em nossos movimentos, que se orgulham de tê-lo conhecido, como um dos filhos mais queridos, que até hoje fez nascer, a humanidade.
( Nosso companheiro Adão pretto foi enterrado com a copia desse poema de Ademar Bogo, e depois cada militante depositoum um pubnhado de terra do assentamento SEPE TIARAJU, QUE ELE ajudou a conquistar)
Cemiterio parque da Paz, 6 de janeiro de 2009.
Indique o MST Informa para um amigo ou uma amiga
Indique pelo menos, mais um correio eletrônico e envie para letraviva@mst.org.br com assunto "cadastro letraviva", para continuarmos a difundir e colocar para a sociedade as análises e posições do MST.
MST Informa é uma publicação quinzenal do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, enviada por correio eletrônico.
Sugestões de temas, artigos, formato: letraviva@mst.org.br. Incluir ou remover correios eletrônicos no cadastro do MST Informa.
O MST não modera ou coordena nenhuma comunidade no Orkut e ninguém está autorizado a fazê-lo em seu nome.
Opine www.mst.org.br Recibe en Español English Svenska
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Letraviva - MST Informa
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Para sair da lista acesse:
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MST está de luto
Nota de Solidariedade e Pesar
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) manifesta publicamente seu pesar pelo falecimento, na manhã de quinta-feira, do companheiro deputado federal Adão Pretto, soma-se e se solidariza com a família neste momento de perda para a sociedade brasileira.
Desde o início de sua militância social nas Comunidades Eclesiais de Base e no Sindicalismo Rural, Adão Pretto caracterizou-se pela defesa intransigente da reforma agrária, tendo papel destacado na articulação das famílias de trabalhadores sem terras e de apoiadores desde as primeiras ocupações de terra no Rio Grande do Sul, ainda durante o Regime Militar. Esteve presente na organização e fundação do MST, do Partido dos Trabalhadores e do Departamento Rural da Central Única dos Trabalhadores.
No Congresso Nacional, denunciou e combateu as ações da bancada ruralista, e tornou-se um dos pilares do Núcleo Agrário do Partidos dos Trabalhadores. Apresentou Projetos de Lei que buscavam acelerar o processo de reforma agrária, permitir o acesso à educação para os camponeses e melhorar a qualidade de vida no campo. No último ano, esteve empenhado em denunciar a alteração da faixa de fronteira para beneficiar a instalação de empresas transnacionais da celulose no Rio Grande do Sul.
Mais que um parlamentar, Adão sempre foi um camponês, com seu jeito simples, honesto e contundente, mas acima de tudo um lutador. Sempre presente nas lutas dos movimentos sociais, sempre levando as reivindicações e bandeiras populares para o parlamento, denunciando a criminalização e a repressão da luta do povo.
No ano em que completamos 25 anos, perdemos um de nossos fundadores e um de nossos mais valorosos companheiros. Em sua homenagem, seguiremos fazendo aquilo que Adão Pretto sempre fez em vida: lutar sempre.
Coordenação Nacional do MST
PERDEMOS UM GRANDE LUTADOR SOCIAL!!!
Conheci nosso querido Adão pretto há mais de 30 anos. Nos conhecemos numa atividade de pastoral da diocese de Frederico, onde ele era um líder de sua comunidade e ministro da eucaristia. Frei Sergio Gorgen o apresentou fazendo muito boas referências, de que se tratava de um pequeno agricultor, lutador, honesto, trabalhador, pai de nove filhos. E que tinha muito futuro. Criava sua familia com o trabalho na roça, nas costas do rio Miraguai.
Naqueles tempos de ditadura militar, era muito difícil encontrar pessoas corajosas, que se dispusessem a defender os interesses da comunidade. Desde o início o admirei por sua sensibilidade social, por sua coerência, e franqueza. Nos encontros, costumava colocar em versos singelos, as idéias que matutava e as avaliações que fazia da politica.
Por sua liderança e didicação, foi eleito presidente do sindicato dos trabalhadores rurais do municipio de Miraguai, naqueles finais da década de setenta, na onda das oposições sindicais, que renovaram nosso movimento sindical.
No sindicato, dedicou-se a organizar os pequenos agricultores na luta por preços melhores, e também, com tantos sem-terra na sua base, passou a organizar o Movimento dos Sem Terra.
Logo, transformou-se numa referência política em toda região. Lembro dele, também, da romaria da terra que realizamos em 1981, na encruzilhada Natalino, com nosso primeiro grande acampamento. Adão Pretto declamou, com um filho pequeno, uma trova gauchesca denunciando as formas capitalistas de exploração dos pequenos agricultores e a necessidade da luta. Impactou a todos os mais de 25 mil participantes.
O tempo foi passando, e em 1986 organizamos a maior ocupação de terras no Rio Grande do Sul, que foi a então fazenda Annoni. Com mais de 2,5 mil familias. E lá estava o Adão Pretto.
Naquele mesmo ano, elegeu-se deputado estadual. Seria o primeiro deputado estadual camponês a tomar posse na Assembléia Legislativa. Uma grande vitória do movimento camponês do Rio Grande do Sul.
No início muitos colunistas da imprensa burguesa riam de seu pouco estudo, afinal tinha apenas a terceira série do primário. A resposta veio numa atuação exemplar em defesa dos pequenos agricultores e sem-terra que impactou a toda sociedade gaúcha, e lhe deu o Prêmio Springer de melhor deputado.
Depois elegeu-se deputado federal, defendendo com a mesma garra e coerência na Câmara dos Deputados e no dia-a-dia os interesses da classe trabalhadora.
Adão Pretto não era o parlamentar padrão que conhecemos. Não gostava da tribuna. Mas estava presente em todas as lutas sociais que se realizaram nesses últimos vinte anos. E as fazia repercutir no parlamento, na forma de leis ou de denúncia.
Sempre o mesmo. Simples. Com uma coerência impressionante. Nunca titubeou. O critério básico que usava em sua vida e na participação política, era se perguntar: o que interessa aos trabalhadores? E independente de tudo, os defendia.
Também deu exemplo na sua forma de fazer campanha política. Nunca aceitou receber nenhum centavo de ajuda financeira de nenhuma empresa. Por mais que seus colegas o debochavam de perder oportunidades de receber polpudas ajudas das aracruzes, Vales, e outros corruptores. Todas as campanhas foram realizadas pela militância, e em debates das idéias e de projetos.
Os trabalhadores, o povo gaúcho perde um de seus grandes lutadores sociais. O MST e a Via Campesina perde um de seus líderes mais coerentes e dedicados. Todos nós perdemos.
Mas fica seu exemplo. Que certamente o imortalizará.
Grande Adão pretto, nos deixará saudades a todos.
João Pedro Stedile - membro da coordenação nacional do MST
MENSAGEM DE COMPROMISSO LIDA NA DESPEDIDA NA TUMBA. COMPANHEIRO ADAO PRETTO
Como soldados em terras perseguidas, trilhamos as mesmas serras e campos. sem estradas.
Você, como o mais experiente, foi na frente abrindo as picadas e foi nos alertando dos cuidados.
Crescemos, com o mesmo espírito, revoltado, buscando com as massas todas as soluções.
Vencemos, tempestades e furacões, sem nunca perder de vista a utopia pendurada no horizonte.
Bebemos, a água límpida das fontes, de nossos formadores que plantaram nas montanhas o otimismo.
Defendemos com eles o socialismo, e todas as conquistas verdadeiramente humanitárias.
Cerzimos as costuras da reforma agrária, em todos os recantos das belas terras brasileiras.
Plantamos, esperanças em todas as trincheiras, sem nunca rejeitar sequer uma missão.
Cantamos a revolução, em versos, trovas e poesias, sem nunca tropeçar na métrica das rimas.
Cultivamos os valores e a auto-estima, procurando pôr em ordem o comportamento e a coerência.
E, juramos com a força da consciência, de jamais se render, vender ou se deixar cooptar.
Agora, nesta hora, no momento da partida, não queremos que seja uma despedida, mas uma continuidade.
Continuarás presente em todos os momentos, principalmente em nossos movimentos, que se orgulham de tê-lo conhecido, como um dos filhos mais queridos, que até hoje fez nascer, a humanidade.
( Nosso companheiro Adão pretto foi enterrado com a copia desse poema de Ademar Bogo, e depois cada militante depositoum um pubnhado de terra do assentamento SEPE TIARAJU, QUE ELE ajudou a conquistar)
Cemiterio parque da Paz, 6 de janeiro de 2009.
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Quilombolas
Revisão de áreas quilombolas de Alcântara gera mal estar no governo
Causou mal estar no interior do governo a decisão do ministro da Defesa, Nelson Jobim, de recorrer à Advocacia Geral da União (AGU), pedindo que seja revista a demarcação de terras de quilombolas em Alcântara, no Maranhão.
A reportagem é de Roldão Arruda e publicada no jornal O Estado de S.Paulo, 05-02-2009.
"Estou surpreso com essa atitude ", disse ontem o ministro da Secretaria da Promoção da Igualdade Racial, Edson Santos. "Nas negociações que tivemos, não houve objeções à demarcação final da área. Isso gera inquietação junto às comunidades quilombolas e cria um desgaste desnecessário."
A decisão também surpreendeu o Ministério do Desenvolvimento Agrário, ao qual está subordinado o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) - órgão responsável pela identificação e delimitação da área de 78,1 mil hectares de Alcântara destinada aos quilombolas. Na verdade, no pedido à AGU, Jobim aponta que o conflito é entre seu ministério e o Incra.
Apesar da surpresa, o ministro Guilherme Cassel, do Desenvolvimento Agrário, não quis comentar o caso. No documento que enviou à AGU, no início de dezembro, o ministro Jobim pediu a instalação de uma Câmara de Conciliação para dirimir "conflitos de interesses públicos". Afirmou que a demarcação trará sérios prejuízos ao Programa Nacional de Atividades Espaciais - um dos itens prioritários da Estratégia de Defesa Nacional, divulgada em dezembro.
De acordo com o Relatório Técnico de Identificação e Delimitação, produzido pelo Incra e publicado no Diário Oficial no dia 3 de dezembro, a área reservada ao programa espacial é de 8,7 mil hectares. É uma área insuficiente, segundo o ministro.
Para ter sua continuidade assegurada, disse Jobim, o programa precisa que o centro de lançamento avance para a área norte de suas instalações atuais. Sem essa área, destinada aos quilombos, a empresa binacional Brasil-Ucrânia Cyclone Space não poderá desenvolver plenamente suas atividades.
Pelo que foi acordado, segundo representantes dos quilombolas, a Aeronáutica cederia à binacional uma parte da área que ocupa em Alcântara. A Aeronáutica, porém, afirma que só concordou com essa decisão de forma provisória. Não aceita que seja definitiva.
Em Alcântara, a divulgação da atitude do Ministério da Defesa também causou surpresa. "É preocupante: o governo firma um acordo com os quilombolas e depois diz que não vai cumpri-lo", disse ontem um dos líderes do Movimento dos Atingidos pela Base Espacial, Sérvulo Borges. "Nós vamos à Justiça defender nossos direitos. Estamos ocupando todas essas terras há mais de 200 anos. Nós é que estamos cedendo uma parte para a base - e não o contrário."
As câmaras de conciliação da AGU foram criadas para resolver conflitos entre órgãos do governo. Ainda não se sabe, porém, se o pedido de Jobim será aceito pelo advogado-geral, José Antonio Dias Toffoli. Existe a possibilidade de devolver o pedido, para que seja feita nova tentativa de entendimento diretamente com o Incra.
Fonte: MST
Causou mal estar no interior do governo a decisão do ministro da Defesa, Nelson Jobim, de recorrer à Advocacia Geral da União (AGU), pedindo que seja revista a demarcação de terras de quilombolas em Alcântara, no Maranhão.
A reportagem é de Roldão Arruda e publicada no jornal O Estado de S.Paulo, 05-02-2009.
"Estou surpreso com essa atitude ", disse ontem o ministro da Secretaria da Promoção da Igualdade Racial, Edson Santos. "Nas negociações que tivemos, não houve objeções à demarcação final da área. Isso gera inquietação junto às comunidades quilombolas e cria um desgaste desnecessário."
A decisão também surpreendeu o Ministério do Desenvolvimento Agrário, ao qual está subordinado o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) - órgão responsável pela identificação e delimitação da área de 78,1 mil hectares de Alcântara destinada aos quilombolas. Na verdade, no pedido à AGU, Jobim aponta que o conflito é entre seu ministério e o Incra.
Apesar da surpresa, o ministro Guilherme Cassel, do Desenvolvimento Agrário, não quis comentar o caso. No documento que enviou à AGU, no início de dezembro, o ministro Jobim pediu a instalação de uma Câmara de Conciliação para dirimir "conflitos de interesses públicos". Afirmou que a demarcação trará sérios prejuízos ao Programa Nacional de Atividades Espaciais - um dos itens prioritários da Estratégia de Defesa Nacional, divulgada em dezembro.
De acordo com o Relatório Técnico de Identificação e Delimitação, produzido pelo Incra e publicado no Diário Oficial no dia 3 de dezembro, a área reservada ao programa espacial é de 8,7 mil hectares. É uma área insuficiente, segundo o ministro.
Para ter sua continuidade assegurada, disse Jobim, o programa precisa que o centro de lançamento avance para a área norte de suas instalações atuais. Sem essa área, destinada aos quilombos, a empresa binacional Brasil-Ucrânia Cyclone Space não poderá desenvolver plenamente suas atividades.
Pelo que foi acordado, segundo representantes dos quilombolas, a Aeronáutica cederia à binacional uma parte da área que ocupa em Alcântara. A Aeronáutica, porém, afirma que só concordou com essa decisão de forma provisória. Não aceita que seja definitiva.
Em Alcântara, a divulgação da atitude do Ministério da Defesa também causou surpresa. "É preocupante: o governo firma um acordo com os quilombolas e depois diz que não vai cumpri-lo", disse ontem um dos líderes do Movimento dos Atingidos pela Base Espacial, Sérvulo Borges. "Nós vamos à Justiça defender nossos direitos. Estamos ocupando todas essas terras há mais de 200 anos. Nós é que estamos cedendo uma parte para a base - e não o contrário."
As câmaras de conciliação da AGU foram criadas para resolver conflitos entre órgãos do governo. Ainda não se sabe, porém, se o pedido de Jobim será aceito pelo advogado-geral, José Antonio Dias Toffoli. Existe a possibilidade de devolver o pedido, para que seja feita nova tentativa de entendimento diretamente com o Incra.
Fonte: MST
Reforma Agrária
Terça-feira, 27 de Janeiro de 2009
MST e a reforma agrária de Veríssimo
Na semana em que o MST comemora 25 anos de “teimosia” na luta pela reforma agrária, uma crônica do escritor Luis Fernando Veríssimo ajuda a entender o drama de milhões de expulsos da terra e a rechaçar o discurso preconceituoso de parte da sociedade, sempre ampliado pela mídia. O texto acaba de ressurgir no livro “Mais comédias para ler na escola”, recordista de vendas no final do ano. A obra irreverente e deliciosa de ler reúne assuntos sérios, mas sempre com humor inteligente, e outros nem tanto, mas risíveis. Reproduzo a crônica, intitulada “provocações”:
“A primeira provocação ele agüentou calado. Na verdade, gritou e esperneou. Mas todos os bebês fazem assim, mesmo os que nascem em maternidade, ajudados por especialistas. E não como ele, numa toca, aparado só pelo chão. A segunda provocação foi a alimentação que lhe deram, depois do leite da mãe. Uma porcaria. Não reclamou porque não era disso. Outra provocação foi perder a metade dos seus dez irmãos, por doença e falta de medicamento. Não gostou nada daquilo. Mas ficou firme. Era de boa paz. Foram provocando por toda a vida.
Não pôde ir à escola porque tinha que ajudar na roça. Tudo bem, ele gostava de roça. Mas aí lhe tiraram a roça. Na cidade, para onde teve que ir com a família, era provocação de tudo que era lado. Resistiu a todas. Morar em barraco. Depois perder o barraco, que estava onde não podia estar. Ir para um barraco pior. Ficou firme, firme. Queria um emprego, só conseguiu um subemprego. Queria casar, conseguiu uma submulher. Tiveram subfilhos. Subnutridos. Os que morriam eram substituídos. Para conseguir ajuda, só entrando em fila. E a ajuda não ajudava.
Estavam provocando. Gostava da roça. O negócio dele era a roça. Queria voltar pra roça. Ouvira falar de uma tal de reforma agrária. Não sabia bem o que era. Parece que a idéia era lhe dar uma terrinha. Se não era outra provocação, era uma boa. Terra era o que não faltava. Passou anos ouvindo falar em reforma agrária. Em voltar à terra. Em ter a terra que nunca tivera. Amanhã. No próximo ano. No próximo governo. Concluiu que era provocação. Mais uma.
Finalmente ouviu dizer que desta vez a reforma agrária vinha mesmo. Pra valer. Garantida. Se animou. Se mobilizou. Pegou a enxada e foi brigar pelo que pudesse conseguir. Estava disposto a aceitar qualquer coisa. Só não estava mais disposto a aceitar provocação. Aí ouviu que a reforma agrária não era bem assim. Talvez amanhã. Talvez no próximo ano... Então protestou. Na décima milésima provocação, reagiu. E ouviu, espantado, as pessoas dizerem, horrorizadas com ele: Violência não!”.
“Sou um gigolô das palavras”
De forma leve e cativante, o novo livro de Veríssimo fala de algumas coisas sérias, incomodas, no meio de várias histórias amalucadas do cotidiano. Numa penada, já que não dá para parar de ler, o leitor é provocado na sua consciência. O livro faz rir e pensar. Como afirma a professora Marisa Lajolo, no prefácio, ele reúne crônicas que “falam tanto de filosofia quanto de galinhas, de romances e de lingüiças... Se livro fosse remédio – que tem bula e rótulo –, aqui se leria que estas Mais Comédias para Ler na Escola não têm contra-indicação... [É] garantia de boas risadas e de boa leitura. Que não fica menos divertida ao se acompanhar de alguma reflexão”.
Luis Fernando Veríssimo brinca com as palavras. Como ele mesmo confessa numa das crônicas, “sou um gigolô das palavras. Vivo as suas custas. E tenho com elas exemplar conduta de cáften profissional”. Para ele, “o importante é comunicar. E, quando possível, surpreender, iluminar, divertir, mover”. Sem dúvida, Veríssimo consegue. Mesmo quando se discorda de algumas das suas maluquices, não há dúvida sobre o talento deste que é um dos maiores escritores brasileiros.
MST e a reforma agrária de Veríssimo
Na semana em que o MST comemora 25 anos de “teimosia” na luta pela reforma agrária, uma crônica do escritor Luis Fernando Veríssimo ajuda a entender o drama de milhões de expulsos da terra e a rechaçar o discurso preconceituoso de parte da sociedade, sempre ampliado pela mídia. O texto acaba de ressurgir no livro “Mais comédias para ler na escola”, recordista de vendas no final do ano. A obra irreverente e deliciosa de ler reúne assuntos sérios, mas sempre com humor inteligente, e outros nem tanto, mas risíveis. Reproduzo a crônica, intitulada “provocações”:
“A primeira provocação ele agüentou calado. Na verdade, gritou e esperneou. Mas todos os bebês fazem assim, mesmo os que nascem em maternidade, ajudados por especialistas. E não como ele, numa toca, aparado só pelo chão. A segunda provocação foi a alimentação que lhe deram, depois do leite da mãe. Uma porcaria. Não reclamou porque não era disso. Outra provocação foi perder a metade dos seus dez irmãos, por doença e falta de medicamento. Não gostou nada daquilo. Mas ficou firme. Era de boa paz. Foram provocando por toda a vida.
Não pôde ir à escola porque tinha que ajudar na roça. Tudo bem, ele gostava de roça. Mas aí lhe tiraram a roça. Na cidade, para onde teve que ir com a família, era provocação de tudo que era lado. Resistiu a todas. Morar em barraco. Depois perder o barraco, que estava onde não podia estar. Ir para um barraco pior. Ficou firme, firme. Queria um emprego, só conseguiu um subemprego. Queria casar, conseguiu uma submulher. Tiveram subfilhos. Subnutridos. Os que morriam eram substituídos. Para conseguir ajuda, só entrando em fila. E a ajuda não ajudava.
Estavam provocando. Gostava da roça. O negócio dele era a roça. Queria voltar pra roça. Ouvira falar de uma tal de reforma agrária. Não sabia bem o que era. Parece que a idéia era lhe dar uma terrinha. Se não era outra provocação, era uma boa. Terra era o que não faltava. Passou anos ouvindo falar em reforma agrária. Em voltar à terra. Em ter a terra que nunca tivera. Amanhã. No próximo ano. No próximo governo. Concluiu que era provocação. Mais uma.
Finalmente ouviu dizer que desta vez a reforma agrária vinha mesmo. Pra valer. Garantida. Se animou. Se mobilizou. Pegou a enxada e foi brigar pelo que pudesse conseguir. Estava disposto a aceitar qualquer coisa. Só não estava mais disposto a aceitar provocação. Aí ouviu que a reforma agrária não era bem assim. Talvez amanhã. Talvez no próximo ano... Então protestou. Na décima milésima provocação, reagiu. E ouviu, espantado, as pessoas dizerem, horrorizadas com ele: Violência não!”.
“Sou um gigolô das palavras”
De forma leve e cativante, o novo livro de Veríssimo fala de algumas coisas sérias, incomodas, no meio de várias histórias amalucadas do cotidiano. Numa penada, já que não dá para parar de ler, o leitor é provocado na sua consciência. O livro faz rir e pensar. Como afirma a professora Marisa Lajolo, no prefácio, ele reúne crônicas que “falam tanto de filosofia quanto de galinhas, de romances e de lingüiças... Se livro fosse remédio – que tem bula e rótulo –, aqui se leria que estas Mais Comédias para Ler na Escola não têm contra-indicação... [É] garantia de boas risadas e de boa leitura. Que não fica menos divertida ao se acompanhar de alguma reflexão”.
Luis Fernando Veríssimo brinca com as palavras. Como ele mesmo confessa numa das crônicas, “sou um gigolô das palavras. Vivo as suas custas. E tenho com elas exemplar conduta de cáften profissional”. Para ele, “o importante é comunicar. E, quando possível, surpreender, iluminar, divertir, mover”. Sem dúvida, Veríssimo consegue. Mesmo quando se discorda de algumas das suas maluquices, não há dúvida sobre o talento deste que é um dos maiores escritores brasileiros.
Crise Alimenta Xenofobia
5 DE FEVEREIRO DE 2009 - 13h06
Crise alimenta xenofobia no mercado de trabalho dos EUA
Do Congresso aos movimentos populares, ativistas anti-imigração encontram na recessão dos EUA um prato cada vez mais cheio para aumentar seus protestos. E, embora os slogans não sejam inéditos, o novo contexto econômico oferece a cultura ideal para a proliferação de ecos perigosos, dizem analistas.
Veio do Congresso o exemplo mais recente da pressão. Quando a Microsoft anunciou no último dia 22 que demitiria mais de 5.000 por causa da crise, o senador republicano Chuck Grassley, de Iowa, escreveu uma carta à empresa pedindo que seu executivo-chefe dispensasse primeiro trabalhadores estrangeiros com visto H-1B (de trabalho qualificado temporário).
"A Microsoft tem uma obrigação moral de proteger os trabalhadores americanos ao priorizar seus empregos durante esses tempos difíceis", disse.
Organizações civis seguem na mesma linha. A Coalizão para o Futuro do Trabalhador Americano (CFAW), que reúne grupos anti-imigração, iniciou em 2009 uma campanha de TV associando o desemprego aos trabalhadores estrangeiros, como os com o visto H-1B.
"No ano passado, 2,5 milhões de americanos perderam seus empregos", diz o comercial. "Ainda assim, o governo continua a trazer para os EUA 1,5 milhão de estrangeiros por ano para pegar os postos de trabalho americanos. Será o seu emprego o próximo?"
O analista do Council on Foreign Relations Edward Alden, autor de "O Fechamento da Fronteira Americana" ("The Closing of the American Border", HarperCollins), diz que nem a Microsoft pode legalmente demitir só estrangeiros nem os cálculos da CFAW estão corretos. "Mas sem dúvida ambos encontram na recessão um ambiente social muito propício a aceitar esses argumentos."
Alden afirma que a cifra de 1,5 milhão sugerida pela CFAW é baseada em estimativas antigas e inclui imigrantes legais e ilegais. Segundo ele, entram com o H-1B no máximo 65 mil estrangeiros anualmente. Outros 20 mil que fazem pós-graduação também recebem o visto. "Não vejo possibilidade de o número cair por causa da recessão. Nos últimos anos, a demanda foi praticamente o dobro da oferta de trabalhadores com H-1B", disse.
Ele também se diz pouco alarmado com a campanha do CFAW, que "usa qualquer argumento para falar contra a imigração". "Mas um senador pedir a demissão de estrangeiros é bastante preocupante", afirmou. "Quando o governo investe cada vez mais em empresas privadas, como prevê o pacote de estímulo, vamos ter mais e mais pressão na linha de que "o dinheiro deve ser gasto só com cidadãos dos EUA"."
Isso já está acontecendo. Republicanos alegam que provisões do pacote de US$ 900 bilhões proposto pelo governo Obama direcionarão fundos para os estimados 12 milhões de imigrantes ilegais nos EUA, o que democratas contestam.
Para Alden, a justificativa se baseia em noções incorretas. "Não há estudos que mostrem que estrangeiros "tomem" empregos americanos", diz. Mas nota que, em serviços sem qualificação, imigrantes forçam queda nos salários pela maior oferta de trabalhadores. De toda forma, o impulso contra estrangeiros tem pouca fundamentação nos números.
Imigração em queda
Como é comum em recessões, o fluxo de imigrantes ilegais que entram no país pela fronteira com o México caiu de 800 mil por ano entre 2002 e 2006 para 500 mil em 2008 (dados do Centro de Pesquisas Pew). A detenção de ilegais na fronteira caiu em 2008 para 723 mil. O pico, em 2000, foi de 1,8 milhão. E, no governo Bush (2001-2009), o número de deportações triplicou e chegou a 300 mil no último ano.
Apesar do clima inóspito, há em Washington quem continue disposto a abordar a reforma migratória – ou ao menos a amolecer a repressão da era Bush. Um deles é Janet Napolitano, nova secretária de Segurança Doméstica. Ela defende criar um caminho para a cidadania aos trabalhadores ilegais já em 2009.
O republicano John McCain, co-autor de uma proposta bipartidária de reforma migratória enterrada no Senado em 2007, também indicou que pode tentar de novo.
Mas a maioria no governo é contra tocar no assunto na recessão. "Minha expectativa é que Obama adie mesmo a discussão", disse Alden. "Mas, quando a economia começar a se recuperar, poderá ter uma ótima oportunidade."
Fonte: Folha de S.Paulo
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Crise alimenta xenofobia no mercado de trabalho dos EUA
Do Congresso aos movimentos populares, ativistas anti-imigração encontram na recessão dos EUA um prato cada vez mais cheio para aumentar seus protestos. E, embora os slogans não sejam inéditos, o novo contexto econômico oferece a cultura ideal para a proliferação de ecos perigosos, dizem analistas.
Veio do Congresso o exemplo mais recente da pressão. Quando a Microsoft anunciou no último dia 22 que demitiria mais de 5.000 por causa da crise, o senador republicano Chuck Grassley, de Iowa, escreveu uma carta à empresa pedindo que seu executivo-chefe dispensasse primeiro trabalhadores estrangeiros com visto H-1B (de trabalho qualificado temporário).
"A Microsoft tem uma obrigação moral de proteger os trabalhadores americanos ao priorizar seus empregos durante esses tempos difíceis", disse.
Organizações civis seguem na mesma linha. A Coalizão para o Futuro do Trabalhador Americano (CFAW), que reúne grupos anti-imigração, iniciou em 2009 uma campanha de TV associando o desemprego aos trabalhadores estrangeiros, como os com o visto H-1B.
"No ano passado, 2,5 milhões de americanos perderam seus empregos", diz o comercial. "Ainda assim, o governo continua a trazer para os EUA 1,5 milhão de estrangeiros por ano para pegar os postos de trabalho americanos. Será o seu emprego o próximo?"
O analista do Council on Foreign Relations Edward Alden, autor de "O Fechamento da Fronteira Americana" ("The Closing of the American Border", HarperCollins), diz que nem a Microsoft pode legalmente demitir só estrangeiros nem os cálculos da CFAW estão corretos. "Mas sem dúvida ambos encontram na recessão um ambiente social muito propício a aceitar esses argumentos."
Alden afirma que a cifra de 1,5 milhão sugerida pela CFAW é baseada em estimativas antigas e inclui imigrantes legais e ilegais. Segundo ele, entram com o H-1B no máximo 65 mil estrangeiros anualmente. Outros 20 mil que fazem pós-graduação também recebem o visto. "Não vejo possibilidade de o número cair por causa da recessão. Nos últimos anos, a demanda foi praticamente o dobro da oferta de trabalhadores com H-1B", disse.
Ele também se diz pouco alarmado com a campanha do CFAW, que "usa qualquer argumento para falar contra a imigração". "Mas um senador pedir a demissão de estrangeiros é bastante preocupante", afirmou. "Quando o governo investe cada vez mais em empresas privadas, como prevê o pacote de estímulo, vamos ter mais e mais pressão na linha de que "o dinheiro deve ser gasto só com cidadãos dos EUA"."
Isso já está acontecendo. Republicanos alegam que provisões do pacote de US$ 900 bilhões proposto pelo governo Obama direcionarão fundos para os estimados 12 milhões de imigrantes ilegais nos EUA, o que democratas contestam.
Para Alden, a justificativa se baseia em noções incorretas. "Não há estudos que mostrem que estrangeiros "tomem" empregos americanos", diz. Mas nota que, em serviços sem qualificação, imigrantes forçam queda nos salários pela maior oferta de trabalhadores. De toda forma, o impulso contra estrangeiros tem pouca fundamentação nos números.
Imigração em queda
Como é comum em recessões, o fluxo de imigrantes ilegais que entram no país pela fronteira com o México caiu de 800 mil por ano entre 2002 e 2006 para 500 mil em 2008 (dados do Centro de Pesquisas Pew). A detenção de ilegais na fronteira caiu em 2008 para 723 mil. O pico, em 2000, foi de 1,8 milhão. E, no governo Bush (2001-2009), o número de deportações triplicou e chegou a 300 mil no último ano.
Apesar do clima inóspito, há em Washington quem continue disposto a abordar a reforma migratória – ou ao menos a amolecer a repressão da era Bush. Um deles é Janet Napolitano, nova secretária de Segurança Doméstica. Ela defende criar um caminho para a cidadania aos trabalhadores ilegais já em 2009.
O republicano John McCain, co-autor de uma proposta bipartidária de reforma migratória enterrada no Senado em 2007, também indicou que pode tentar de novo.
Mas a maioria no governo é contra tocar no assunto na recessão. "Minha expectativa é que Obama adie mesmo a discussão", disse Alden. "Mas, quando a economia começar a se recuperar, poderá ter uma ótima oportunidade."
Fonte: Folha de S.Paulo
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Mãe do Pac

4 DE FEVEREIRO DE 2009 - 16h55
2010: coletiva de imprensa mostra que ''mãe do PAC'' entrou na disputa
A coletiva de imprensa organizada nesta quarta-feira (4) pela Casa Civil para fazer um balanço dos dois anos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) mostrou a força da provável candidatura da ministra Dilma Roussef à Presidência da República em 2010. Boa parte dos jornalistas que foram à coletiva pareciam pouco interessados em dados do PAC e mais afoitos por uma opinião da ministra em relação a sua provável candidatura presidencial. Mas Dilma preferiu a cautela: ''Essa resposta vocês não tiram de mim nem amarrada'', disse a ministra diante da insistência dos jornalistas.
Pouco antes, ela havia dito que o governo gostaria de ter um candidato à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2010 para garantir que as obras do PAC sejam concluídas no próximo mandato.
''Eu desejo bastante que o governo tenha um candidato, mas se serei eu ou não, não posso dizer'', afirmou ela.
Pesquisa CNT/Sensus
A curiosidade dos jornalistas foi aguçada pelos números da última pesquisa CNT/Sensus, divulgada nesta terça-feira (3). A pesquisa mostra que a ministra vem crescendo nas intenções de voto para a sucessão presidencial, enquanto o presidente Lula bate novo recorde de popularidade . De acordo com o levantamento, tanto o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), quanto o de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), mantêm a liderança, mas sofreram queda.
No primeiro cenário, Serra, que tinha 46,5% em dezembro, manteve a liderança, mas caiu para 42,8%, enquanto Dilma subiu de 10,4% para 13,5%. A ex-senadora Heloísa Helena (PSOL) oscilou de 12,5% para 11,2%. Na hipótese em que Aécio Neves é o candidato do PSDB, o tucano vai de 25,3% para 23,3%. Heloísa Helena, que está em segundo lugar nesse cenário, foi de 19,1% para 18,2%. Já Dilma, em terceiro, subiu de 12,9% para 16,4%. (leia mais)
Lula: ''pessoa mais qualificada''
Ontem, em entrevista à BBC Brasil, o presidente Lula voltou a defender a candidatura pelo PT da ministra Dilma Rousseff à Presidência, a quem apelidou, em evento no ano passado, de ''mãe'' do PAC.
''Ela é a pessoa mais qualificada hoje para governar o Brasil'', afirmou. ''Ela coordena os principais programas de desenvolvimento e conhece muito bem o Brasil. É uma gerente extraordinária.''
''Mas na verdade eu nem gostaria muito de falar em 2010, porque quem tem pressa para 2010 é a minha oposição''. disse o presidente.
Quando perguntado se o Brasil estaria preparado para ter uma mulher na Presidência, Lula respondeu: ''Todos nós, homens casados, sabemos o peso que a mulher tem em nossa casa. Sabemos a força que a mulher tem''.
PAC: aumentar os investimentos
Na coletiva sobre o PAC, Dilma informou que dos R$ 503,9 bilhões estimados para serem gastos com o Programa de Aceleração do Crescimento até 2010, cerca de dois quintos já foram gastos, o que representa cerca de R$ 201,5 milhões.
''Quanto mais aproxima de 2010, mais aumenta a capacidade de investimento do governo'', destacou.
Segundo ela, o momento é de aumentar os investimentos, pois os projetos já estão escolhidos e estruturados: ''Pedimos empenho dos ministros, porque os projetos já estão escolhidos''.
No lançamento do programa, há dois anos, o governo previa investir R$ 503,9 bilhões até 2010. Hoje, foi anunciado um acréscimo de R$ 142,1 bilhões no período. (leia mais)
Da redação,
com agências
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