terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Telecentro

Na quarta-feira, dia 17, às 10h, aconteceu a inauguração do Telecentro.
Para o recebimento do KIT TELECENTRO, a prefeitura de Vacaria assinou um TERMO DE DOAÇÃO junto ao Ministério das Comunicações e estará no dia de amanhã , entregando para a comunidade vacariense.
QUE É UM TELECENTRO COMUNITÁRIO?

Telecentros Comunitários são espaços públicos providos de computadores conectados à internet em banda larga, onde são realizadas atividades, por meio do uso das TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação), com o objetivo de promover a inclusão digital e social das comunidades atendidas.

OBJETIVO DE UM TELECENTRO COMUNITÁRIO

O objetivo principal dos telecentros é promover o desenvolvimento social e econômico das comunidades atendidas, reduzindo a exclusão social e criando oportunidades aos cidadãos.

ATIVIDADES A SEREM DESENVOLVIDAS NOS TELECENTROS

Entre as diversas atividades que podem ser desenvolvidas no âmbito da inclusão digital pela comunidade local, no Telecentro, destacamos as seguintes:

- Uso livre dos equipamentos;

- Acesso à internet;

- Cursos de informática básica;

- Curso de navegação na internet;

- Uso preferencial de softwares de plataforma aberta e não proprietária, conforme as diretrizes do Governo Federal;

- Realização de oficinas de capacitação e oficinas diversas que possam utilizar as TICs disponíveis no telecentro;

- Produção e compartilhamento de conhecimento coletivo (conteúdos produzidos a partir das capacitações);

- Realização de atividades sócio-culturais para mobilização social e/ou divulgação do conhecimento;

- Oficinas de alfabetização digital.

Roda Viva


Protógenes Queiroz
Delegado da Polícia Federal
A Operação Satiagraha teve início há 3 anos, como desdobramento do caso do mensalão. O trabalho da CPI dos Correios levou a Polícia Federal a iniciar uma investigação, que acabou apresentando indícios dos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, sonegação fiscal, formação de quadrilha, gestão fraudulenta, alem de uso indevido de informação privilegiada. A Operação Satigraha foi realizada dia 8 de julho nas cidades de Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador e contou com a participação de 300 policiais federais, que executaram 24 mandados de prisão e 56 mandados de busca e apreensão.O juiz do caso, Fausto de Sanctis, autorizou a prisão do banqueiro Daniel Dantas, duas vezes e, em ambas, o dono do Banco Opportunity recebeu um habeas corpus do Supremo Tribunal Federal poucas horas depois. Atualmente, as investigações estão sob a responsabilidade do delegado Ricardo Saadi. Ele assumiu o posto depois que Protógen es Queiroz, responsável pela investigação e pela Operação, deixou o caso 8 dias após as prisões. Ele é alvo de um processo administrativo que apura desvio de conduta e quebra de sigilo funcional.Além da Satiagraha, Protógenes Queiroz foi responsável por outras grandes operações da PF, como as que resultaram nas prisões do ex-prefeito Paulo Maluf e do contrabandista chinês Law Kin Chong e investigou também crimes financeiros realizados com o uso de contas CC5 e a organização criminosa comandada pelo ex-deputado Hildebrando Pascoal.Participam como convidados entrevistadores: Ricardo Noblat, colunista do jornal O Globo e titular do Blog do Noblat; Renato Lombardi, comentarista do Jornal da Cultura; Fernando Rodrigues, colunista e repórter do jornal Folha de S. Paulo em Brasília e Fausto Macedo, repórter de política do jornal O Estado de S. Paulo.Apresentação: Lillian Witte Fibe

Cartão


Obama


Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades?

Diáspora africana organiza baile para Obama
01-01-09

Os africanos residentes nos Estados Unidos vão organizar um baile de investidura para o Presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, em Washington, a 20 de Janeiro, data em que toma posse.
Um comunicado da organização da diáspora africana nos Estados Unidos, "Africa Aspire", assinado pelo seu co-presidente Hubert Shaiyen, anuncia que o baile será organizado em colaboração com o Smithsonian National Museum of African Art de Washington.
Ao evento assistirá, além de Michelle Obama, esposa de Barack Obama, o ex-Presidente Bill Clinton e a sua esposa, Hillary, secretária de Estado designada da nova administração americana, os presidentes Umaru Yar’Adua (Nigéri) e Abdoulaye Wade (Senegal) bem como o o corpo diplomático africano e celebridades afro-americanas e responsáveis políticos e culturais dos Estados Unidos e de África.
Outras personalidades africanas far-se-ão presentes através de mensagens por vídeo. É o caso do antigo presidente sul-africano, Nelson Mandela, do presidente queniano, Mwai Kibiki, e do presidente argelino, Abdelaziz Bouteflika.
Os cabo-verdianos deverão também presenciar o evento. Agnelo Montrond, líder do movimento cabo-verdiano de apoio à candidatura de Obama em Massachusetts, declarou ao asemanaonline, que uma caravana deveria se deslocar a Washington por ocasião do empossamento de Obama.

http://asemana.sapo.cv/spip.php?article38084__._,_.___

Los Poetas

Berro..................................................................................repassem












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Urgente comunicado a los poetas del mundo y a toda persona de corazón sensible. Por Luis Arias Manzo
CHILE [Español - Français]. Los acontecimientos que están ocurriendo en Palestina, y especialmente en la Banda de Gaza, no pueden dejar indiferentes a los Poetas del Mundo, porque somos poetas comprometidos con la VIDA y con el Proyecto Humano. Lo que está sucediendo en ese lugar del planeta es una fragante masacre encubierta, y cuenta con la complicidad del Imperio y de las naciones aliadas al país más poderoso del planeta. El silencio es complicidad, por eso llamo a los Poetas del Mundo a manifestarse con la fuerza de la palabra, de manera poética y repudiar ese atentado contra la vida. Llamo a poner en práctica nuestro manifiesto universal de poetas del mundo, por eso les recuerdo algunos párrafos: “Ser poeta no significa sólo escribir bella poesía, sino que VIVIRLA, y vivirla no significa sólo sentirla, sino que practicarla, y practicarla es una cosa de todos los días, de siempre mientras tenemos cabeza para pensar y corazón para sentir.” [Artículo 3]“Ser Poeta del Mundo es ser un guerrero, o una guerrera, que cabalga por las llanuras de la existencia humana, como lo hizo desde la noche de los tiempos, en busca de la perfección y del crecimiento lícito de la vida, mientras se vive con los ropajes y las condiciones que tenemos para hacerlo. Es por eso que no seremos pasivos ante los crímenes que se cometen día a día en nombre de la libertad, levantaremos nuestra voz como un rayo de luz y haremos temblar al cobarde, porque la palabra la convertiremos en la mejor arma que el asesino haya conocido a lo largo y ancho de la historia.” [Artículo 5]El mensaje de fin de año que debía ser de augurios felices, [anunciar por ejemplo que ya estamos alcanzando los 5.000 poetas miembros], de pronto se transforma en grito de protesta, y de impotencia ante la barbarie y la crueldad. Que el bullicio de los fuegos artificiales que ya se están escuchando por el planeta, que no sirva para opacar el llanto de los hermanos que sufren.Luis Arias ManzoFundador y Secretario GeneralMovimiento Poetas del MundoSantiago de Chile, 31 de Diciembre 2008 [17:34]
fonte: Carta o Berro

Frei Betto

Companheir@s,
Repasso artigo interessante do Frei Betto sobre a punição dos torturadores que está na revista CAROS AMIGOS que chegou às bancas este mês.
Abraço,
M.Politi

O STF E A VERDADE HISTÓRICA
Frei Betto
Os ministros do STF se encontram perante duas alternativas: reiterar a Lei de Anistia e isentar de punição os responsáveis por crimes da ditadura militar ou declarar que suas atrocidades são imprescritíveis e, portanto, passíveis de penalidades.
Escolhida a primeira alternativa, descansarão em paz com os setores militares que mancharam 21 anos de história do Brasil. E terão seus nomes incluídos, pelos historiadores do futuro, entre os que foram coniventes com os graves crimes praticados.
Se prevalecer a segunda alternativa, haverão de reafirmar a independência da corte suprema e terão seus nomes registrados na história por terem ouvido o clamor de justiça das vítimas.
O direito de justiça às vítimas é acentuado pela tradição bíblica. Javé não permite que o sangue de Abel se cristalize em lacre de silêncio, e os apóstolos identificam na ressurreição de Jesus a “ volta por cima” daquele que, preso, torturado e assassinado por dois poderes políticos, tem a sua memória perpetuada pelos evangelistas. É o que faz da Igreja primitiva memorial dos mártires, elevados aos altares para que jamais se esqueça o valor de seu sacrifício.
A tese de que “é melhor não reabrir as feridas” é típica de quem se beneficiou de golpes e ditaduras, afirma o espanhol Prudêncio García, representante da ONU na apuração dos crimes da ditadura guatemalteca.
O argumento do ministro Gilmar Mendes, de que reabrir o debate traria instabilidade ao país, carece de precedente histórico. Chile, Argentina, Uruguai, Guatemala e El Salvador investigaram os crimes de suas respectivas ditaduras e, ao punir culpados, reforçaram ainda mais o Estado de Direito, pilar do regime democrático.
Na Argentina, a Comissão Nacional sobre o Desaparecimento de Pessoas (1984), presidida pelo escritor Ernesto Sábato, extirpou das Forças Armadas os resquícios da ditadura, fez justiça às vítimas, puniu os responsáveis e ainda tornou um dos denunciantes, Adolfo Perez Esquivel, merecedor o Prêmio Nobel da Paz. A Marinha argentina admitiu que utilizaram suas instalações (ESMA) para seqüestrar, torturar e assassinar cidadãos. Nem por isso a democracia se viu ameaçada.
No Chile , a Comissão de Verdade e Reconciliação (1990) passou a limpo a ditadura Pinochet. O Exército reconheceu que, na Villa Grimaldi, presos políticos sofreram torturas até a morte. A Marinha admitiu que o mesmo ocorreu a bordo do navio-escola Esmeralda. Nem por isso a democracia se viu ameaçada.
Em El Salvador , a Comissão da Verdade (1992) teve o patrocínio da ONU. O Exército assumiu sua responsabilidade nos massacres de El Mozote (1981) e dos seis jesuítas da Universidade Centro-Americana (1989), bem como no assassinato do arcebispo Oscar Romero (1980). Nem por isso a democracia se viu ameaçada.Na Guatemala, a Comissão de Esclarecimento Histórico (1997) fez a filha de uma das vítimas, assassinada pela ditadura, também merecer o Nobel da Paz: Rigoberta Menchu. Os militares daquele país reconheceram que uma ala do Exército cometeu brutal genocídio contra as comunidades indígenas de El Quiché e Petén.
Segundo Prudêncio García, todas essas investigações tiveram em comum o fato de terem sido posteriores a períodos de terríveis conflitos internos; todas trouxeram luz à verdade histórica; todas reiteraram a supremacia da força do Direito sobre o “direito” da força. Em todos os casos, a única parcela da sociedade contrária às apurações foi exatamente a que se beneficiou das graves violações dos direitos humanos.
Walter Benjamin, ao assinar sua filosofia com o próprio sangue, nos adverte que a memória das vítimas jamais se apaga. Não se passa borracha na história. Toda tentativa de fazê-lo resulta em atrocidade intelectual: maculá-la de falsidade e mentira.
Na Alemanha pós-nazista, terminado o julgamento de Nuremberg, iniciou-se um movimento de ocultação da verdade histórica. Hannah Arendt, após 13 anos de exílio na França e nos EUA, reagiu indignada ao regressar: “Os alemães vivem da mentira e da estupidez!”
Israel jamais permitiu que a memória das vítimas do nazismo fosse apagada, esquecida ou suprimida da história. O anjo de Paul Klee continua a voar para frente e olhar para trás...
“Portar máscara durante longo tempo estraga a pele”, exclama a escritora tcheca Monika Zgustova. “Algo parecido ocorre à sociedade que oculta sua própria culpa com a intenção de livrar-se dela, esquecendo-a. Sociedades e cidadãos devem assumir coletiva e individualmente a responsabilidade do que fazem ou fizeram nossos governos. Este é um dos mais importantes atos da dignidade humana”.
O caráter da história do Brasil repousa em mãos dos ministros do STF.
Frei Betto é escritor, autor de “Calendário do Poder” (Rocco), entre outros livros.
Fonte: Carta o Berro

Poemas 2

Canto Livre em Louvor da Palestina
(Luis José Bassoli é Presidente da Comissão dos Direitos Humanos da OAB de Taquaritinga/SP)

I
A cada criança
Soterrada
A cada casa em ruína
Ouço teu clamor
Teu torpor
Palestina

II
A cada família
Dilacerada
A cada explosão de mina
Sinto teu pavor
Tua dor
Palestina

III
A cada mãe
Desesperada
A cada morte como sina
Vejo teu horror
Teu rancor
Palestina

IV
A cada início de
Intifada
A cada mártir suicida
Entendo teu amor
Teu fervor
Palestina!
Mahmoud Darwish: a ira, a saudade, a esperança

Uri Avnery, 85 anos, ex-deputado do Knesset (parlamento israelense), soldado que ajudou a fundar Israel em 1948 e que há décadas milita pela paz.

Uma das frases mais sábias que jamais ouvi em minha vida ouvi-a de um general egípcio, poucos dias depois da visita histórica de Anuar Sadat – a visita da vitória –, a Jerusalém.
Fomos os primeiros israelenses a chegar ao Cairo, e, dentre outras curiosidades, queríamos muito saber: como os egípcios haviam conseguido nos surpreender, no início da guerra de outubro de 1973?
O general respondeu: “Em vez de ler relatórios dos serviços de inteligência, vocês deveriam ler nossos poetas.”
Pensei nestas palavras na quarta-feira passada, no funeral de Máhmoud Darwísh.
Durante a cerimônia em Ramállah, vários se referiram a ele como “o Poeta Nacional da Palestina”.
Aquele morto foi muito mais do que isto. Foi a encarnação do destino dos palestinos. Seu destino pessoal coincidiu com o destino de seu povo da Palestina.
Darwísh nasceu em al-Birwa, vila na estrada Acra-Safad. Há 900 anos, um viajante persa contou que visitou esta vila e ajoelhou-se nos túmulos de “Esaú e Simeão, que descansem em paz.” Em 1931, dez anos antes de Mahmoud nascer, viviam na mesma vila 996 habitantes, dos quais 92 cristãos; os demais, muçulmanos sunitas.
Dia 11 de junho de 1948, a cidade foi ocupada pelo exército de Israel. Suas 224 casas foram derrubadas logo depois da guerra, exatamente como em outras 650 vilas da Palestina. Só alguns cactos e poucas ruínas ainda testemunham que aquelas vilas um dia existiram. A família Darwísh fugira pouco antes da chegada das tropas; e o pequeno Mahmoud, de sete anos, partiu com os parentes.
Não se sabe como, a família conseguiu voltar – para onde então já era território israelense. Receberam documentos de "ausentados presentes [1]" – espantosíssima invenção israelense. Significava que eles seriam residentes legais em Israel, mas que suas terras lhes haviam sido roubadas, nos termos de uma lei que dizia que qualquer árabe perderia a propriedade de suas terras se não estivesse fisicamente presente na vila quando fosse ocupada. Nas terras da família Darwísh foi construído o kibbutz Yasur (do movimento de esquerda israelense) e implantou-se a vila-cooperativa Ahihud.
O pai de Mahmoud instalou-se na vila árabe mais próxima, Jadeidi, de onde podia ver de longe as suas terras. Aí Mahmoud cresceu e sua família ainda vive, até hoje.
Durante os 15 primeiros anos do Estado de Israel, os cidadãos árabes viveram sob um “regime militar” – sistema de repressão severa que controlava todos os aspectos da vida, inclusive todos os movimentos. Nenhum árabe podia viajar para fora de sua vila sem permissão especial. O jovem Mahmoud várias vezes violou esta proibição; e sempre que foi apanhado foi encarcerado. Quando começou a escrever poesia, foi acusado de incitar a sublevação e posto sob “detenção administrativa”, sem julgamento.
Na prisão, então, escreveu um de seus poemas mais conhecidos, “Carteira de Identidade”, poema em que se manifesta a ira de um jovem que cresceu em condições de humilhação. O primeiro verso troveja para o mundo: “Lembrem: sou árabe!”
Neste período encontrei Darwísh pela primeira vez. Procurou-me e trouxe outro jovem árabe, nascido em outra vila árabe, e com forte compromisso político nacional, o poeta Rachid Hussein. Lembro do que Hussein disse-me, naquele dia: “Os alemães mataram seis milhões de judeus, e apenas seis anos depois os judeus fizeram a paz com a Alemanha. Conosco, os judeus não querem a paz.”
Darwísh alistou-se no Partido Comunista, o único partido, político, então, em que um nacionalista árabe poderia atuar politicamente. Editou jornais. O partido mandou-o estudar em Moscou, mas o expulsou quando ele decidiu não voltar a Israel. Em vez de voltar, alistou-se na OLP e foi para os quartéis de Yásser Arafat em Beirute.
Lá o reencontrei outra vez, num dos eventos mais emocionantes de minha vida, quando cruzei a fronteira em julho de 1982, no auge do sítio de Beirute, e tive uma reunião com Árafat. O líder palestino insistiu em que Máhmud Darwísh assistisse àquele encontro simbólico: era a primeira vez que Árafat encontrava-se com um israelense. Mandou chamar Darwish.
A descrição do sítio de Beirute é um dos trabalhos mais impressionantes de Darwísh. Naqueles dias, converteu-se em poeta nacional da Palestina. Acompanhou a luta dos palestinos; nas sessões do Conselho Nacional Palestino – instituição que uniu todo o povo da Palestina, eletrizava multidões com seus versos, que ele mesmo declamava.
Naqueles anos, Darwísh viveu muito próximo de Arafat. Arafat foi o líder político do movimento nacional na Palestina; Darwích foi seu líder espiritual. Darwísh escreveu a Declaração de Independência da Palestina, adotada na sessão de 1988 do Conselho Nacional por iniciativa de Arafat. É muito semelhante à Declaração de Independência de Israel, que Darwísh aprendera na escola primária.
Ele claramente entendeu a significação de seu discurso: ao adotar este documento, o parlamento palestino no exílio aceitava, na prática, a idéia de estabelecer-se um Estado palestino lado a lado com o Estado israelense, apenas numa parte da Palestina, como Arafat propusera.
A aliança entre os dois rompeu-se quando foram assinados os acordos de Oslo. Para Árafat, tratava-se de “o melhor acordo possível, na pior situação possível”. Darwísh entendeu que Arafat concedera demais. O coração nacional impôs-se à mentalidade nacional. (Este debate histórico ainda não está concluído hoje, embora os dois já estejam mortos.)
Desde aquela época, Daruích viveu em Paris, Aman e Ramállah – o palestino errante, que substituiu o judeu errante.
Nunca quis ser o poeta nacional. Não queria fazer poesia política; queria ser lírico, poeta do amor. Mas para qualquer lado para o qual se virasse, o longo braço do destino dos palestinos o alcançava e o arrastava de volta.
Não tenho capacidade para avaliar seus poemas ou a grandeza artística de Deruíche. Reconhecidos especialistas em língua árabe ainda discutem furiosamente entre eles o significado de seus versos, nuances, camadas, imagens e metáforas. Foi mestre em árabe clássico, e também vivia à vontade entre poetas ocidentais e israelenses. Para muitos, Deruíche foi o maior poeta da língua árabe e dos maiores de nosso tempo.
Pela poesia, conseguiu o que não conseguira fazer por outros meios: unificar todas as fraturas e fragmentos que dividem ainda o povo palestino – na Cisjordânia, na Faixa de Gaza, em Israel, nos campos de refugiados e em toda a Diáspora. Pertenceu a todos os palestinos. Os refugiados identificavam-se com Daruích porque era um deles; os cidadãos palestinos-israelenses também, porque também era um deles; e os que vivem nos territórios palestinos ocupados, porque foi um guerreiro incansável contra a ocupação.
Esta semana, alguns cabeças da Autoridade Palestina tentaram explorá-lo, na luta contra o Hamas. Duvido muito que Daruích concordasse com isto. Embora fosse palestino absolutamente secular e muito distante do mundo religioso do Hamás, ele manifestava os sentimentos de todos os palestinos. Também falava à alma dos membros do Hamás em Gaza.
DARWISH foi o poeta da ira, da saudade, da esperança e da paz. Estas foram as cordas de seu violino.
Ira, pela injustiça cometida contra o povo palestino e contra cada filho da Palestina, individualmente. Saudade, do “café de minha mãe”, das oliveiras de sua aldeia, da terra dos antepassados. Esperança de que a guerra chegue ao fim. Apoio à paz entre israelenses e palestinos, baseada em justiça e respeito mútuo. No documentário da francesa-israelense Simone Bitton, Darwísh apontou o burrico como símbolo do povo palestino; o burrico é inteligente, paciente e sempre encontra meios para sobreviver.
Entendia a natureza do conflito mais claramente que a maioria dos israelenses e dos palestinos. Dizia que aquele conflito era “uma luta entre duas memórias”. A memória histórica da Palestina colide contra a memória histórica dos judeus. Só haverá paz quando um lado entender a memória do outro lado – seus mitos, suas saudades secretas, as esperanças, os medos.
Este o significado do que disse o general egípcios: a poesia manifesta os sentimentos mais profundos dos povos. E só onde se compreendam estes sentimentos pode haver verdadeira paz. A paz costurada pelos políticos não vale grande coisa, se não houver alguma paz entre os poetas e a emoção dos muitos que a poesia manifesta. Por isto Oslo foi um fracasso. Por isto também o “acordo de prateleira” que está sendo negociado será também completamente inútil: nada tem a ver com as emoções e os sentimentos de palestinos e israelenses, os povos.
Há oito anos, o então ministro da Educação de Israel, Yossi Sarid tentou incluir dois poemas de Deruíche no currículo das escolas em Israel. Houve escândalo, e o primeiro-ministro, Ehud Barak, decidiu que “o público israelense não está preparado para isto”. É o mesmo que Barak ter decidido que o público israelense não está preparado para a paz.
Talvez ainda seja verdade. A verdadeira paz entre dois povos, paz entre as crianças que nasceram na semana corrente, no dia do funeral de Deruíche, em Telaviv e em Ramállah, só será viável quando os alunos árabes puderem ler os versos imortais de Chaim Nachman Bialik “O vale da morte”, sobre o pogrom de Kishinev, e quando os alunos israelenses puderem ler os versos de Daruích sobre a Naqba [a Catástrofe]. E, sim, também os poemas da ira, inclusive o verso “Vão! E levem daqui a morte de vocês!"
Sem entender e encarar com coragem a ira flamejante contra a Catástrofe e suas conseqüências, jamais entenderemos as raízes da guerra e não saberemos construir a paz. Como escreveu outro grande intelectual da Palestina, Edward Said: sem entender o impacto do Holocausto na alma dos judeus, os palestinos nunca entenderão os israelenses.
Poetas são os generais na luta entre duas memórias, entre os mitos, entre os traumas. Precisamos muito de poetas na estrada que levará à paz entre israelenses e palestinos, entre dois Estados, para construirmos um futuro comum.
Não estive presente às cerimônias funerais organizadas pela Autoridade Palestina na Mukata, tão organizadas, tão encenadas. Cheguei duas horas depois, quando o corpo de Daruích foi enterrado numa bela colina, pairando sobre o cenário.
Impressionou-me o povo, reunido sob sol escaldante à volta do túmulo, ouvindo uma gravação da voz de Deruíche declamando seus versos. Gente simples, gente menos simples, unidos com o homem morto, numa comunhão privada. Apesar de serem milhares, abriram alas para nos deixar passar; nós, israelenses, que ali estávamos para reverenciar Máhmoud Daruísh.
Nos despedimos silenciosamente de um grande filho da Palestina, um grande poeta, um grande ser humano.