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segunda-feira, 23 de maio de 2016

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A morte misteriosa de Samora Machel
 
 
Samora Machel
Machel morreu num acidente de aviação em território sul-africano
O governo sul-africano está a tentar resolver um dos maiores mistérios da era do apartheid - a queda, em 1986, do avião em que morreu o Presidente Samora Moisés Machel.
Ele faleceu quando a aeronave, um Tupolev 134, de fabrico soviético, chocou contra uma montanha numa localidade da África do Sul junto à fronteira com Moçambique.
Há muito que se especula que o acidente foi causado por sabotagem, com o apoio do então regime de apartheid na África do Sul.
As autoridades sul-africanas estão presentemente a efectuar uma nova investigação aos acontecimentos da noite de 19 de Outubro de 1986, quando Machel e a sua delegação regressavam a Maputo depois de terem participado numa cimeira na Zâmbia.
Gigante revolucionário
A Autoridade Judicial da África do Sul, NPA, confirmou estar em curso esta nova investigação.
A NPA recusa dizer quando é que a nova investigação estará concluida, mas diz-se que o relatório poderá estar pronto antes do fim de 2006.
Na sua habitual mensagem no semanário do ANC, o Presidente Thabo Mbeki prestou tributo a Samora Machel, descrevendo o pai da independência moçambicana como "um gigante da Revolução Africana".
Contudo, o Presidente Mbeki diz que uma questão continua sem respostas - terá sido o regime de apartheid responsável pelas trágicas mortes de Machel e de 34 outros passageiros quando a sua aeronave se despenhou em Mbuzini?
O ministro sul-africano dos Negócios Estrangeiros na altura era Pik Botha. Ele foi um dos primeiros membros do governo a chegar ao local do acidente.
Hoje, recordando o que se passou na altura, Botha diz que se tratou de um dos piores dias da sua vida.
"O local era absolutamente chocante. Havia corpos e de pedaços de fuselagem espalhados por toda a parte. Pedi que me mostrassem o corpo que a polícia pensava ser do Presidente moçambicano".
"Eles abriram um saco mortuário. O fecho fez um ruído terrível. Eu conhecia muito bem Samora Machel. Imediatamente reconheci-lhe o rosto, apesar mesmo do seu crânio estar muito danificado".
Mísseis
Os meses que antecederam o acidente foram de crescentes tensões na África Austral. A guerra civil em Moçambique estava a piorar.
A África do Sul renegara o Acordo de Nkomati, um pacto de não-agressão assinado em 1984 com Maputo.
Moçambique manteve o seu lado do acordo, forçando os exilados do ANC a deixar o país. Mas Pretória, cedo, reactou o seu apoio aos rebeldes da Renamo - que combatiam o governo da Frelimo.
Entretanto, o Malawi começou a colaborar com o regime de apartheid, ajudando a Renamo.
A situação agravou-se ainda mais quando o Presidente Machel ameaçou colocar mísseis na sua fronteira com o Malawi.
Dan Moyane, um jornalista sul-africano que trabalhou em Moçambique nos anos 80, havia inicialmente recebido um convite para viajar para a cimeira da Zâmbia no avião de Samora Machel.
Contudo, ele foi excluido à última da hora, porque a delegação governamental moçambicana tinha mais integrantes do que se esperava.
Moyane lembra-se do choque que sentiu quando ouviu as primeiras notícias sobre a queda do avião e a morte de Samora Machel.
"Havia um silêncio absoluto em Maputo. As pessoas não queriam acreditar. Depois começámos a fazer perguntas - quem mais estava no avião? Quem não viajara?"
Golpe baixo?
A Comissão de inquérito nomeada pelo governo da África do Sul, e chefiada pelo juiz Margo, concluiu que a culpa pelo acidente era da tripulação soviética.
Mas, em Moçambique, esta conclusão não acabou com as suspeitas de que se tratara de um golpe baixo dos sul-africanos.
Graça, a viúva de Samora Machel, casou-se depois com Mandela

Em 1998, a Comissão para a Verdade e Reconciliação da África do Sul abriu uma investigação especial à morte de Samora Machel.
Contudo, não foi capaz de chegar a uma conclusão definitiva e disse que várias questões haviam sido levantadas - incluindo a possibilidade de uso de um farol falso para atrair o avião para o local onde se despenhou.
Abdul Minty, o Director-Geral Adjunto do Ministério sul-africano dos Negócios Estrangeiros - que durante 3 décadas militou no Movimento Anti-Apartheid da Grã-Bretanha - prestou declarações à Comissão para a Verdade e Reconciliação, e continua convencido de que o despenhamento foi causado por um farol falso.
"Pelas investigações que fiz, entendo que foi usado um instrumento electrónico para dar aos pilotos informação falsa sobre os mapas e a região", diz Minty.
"Esse instrumento electrónico podia ser transportado numa mochila ou colocado em qualquer parte no terreno. A minha interpretação é que isso teria confundido os pilotos, desviando-os para as montanhas".
O avião fazia a sua aproximação de Maputo, mas desviou-se da rota que devia seguir e caiu em território sul-africano, a algumas centenas de metros da fronteira com Moçambique.
Pik Botha diz que a questão do farol falso foi especificamente investigada e que se descobrira que, tecnicamente, era impossível que tivesse ocorrido.
Ele diz não haver quaisquer provas que sugiram outra coisa que não erro de pilotagem como a causa do acidente.
Mas, apesar de chegar a conclusões distintas das de Abdul Minty, os dois homens concordam com a necessidade da nova investigação ordenada pelas autoridades sul-africanas para resolver a questão de uma vez por todas.
"O povo de Moçambique, incluindo Graça Machel e a sua família, precisam de saber o que foi que se passou", diz Abdul Minty.
"Nós, os da luta anti-apartheid, precisamos de saber. Faz parte da nossa história e, por isso, é extremamente importante que se estabeleça a verdade".
Fonte: BBC Joanesburgo

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