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Para Porto Alegre RS

terça-feira, 21 de março de 2017

Sincretismo

SINCRETISMO. A DESCONSTRUÇÃO RELIGIOSA DE UMA RAÇA.

A pluralidade nas crenças com grande número de divindades, dos africanos trazido para serem escravos durante o processo de colonização do Brasil, foi a porta de entrada para a desconstrução da sua identidade religiosa. De olho nesse público alvo com o intuito de aumentar o seu rebanho de subjugados – mesmo enxergando-o como sub-raça e como ser inferior –  o clero católico impôs aos africanos os seus dogmas, liturgia e seus santos.

Vários foram os meios usados pelos padres e jesuítas para impor o paradigma cristão aos negros africanos, entre eles, a repressão às suas manifestações religiosas. Manifestações que ocorriam nas senzalas, preferencialmente, nas noites de lua cheia e davam-se por meios de louvações aos orixás, cantos, batuques, danças e rezas.  Mas a arma mais poderosa usada contra os negros foi a desconstrução da sua religiosidade por meio do sincretismo. Ao associar as divindades africanas com as divindades europeias brancas, do catolicismo, o clero subjugou toda uma raça aos seus conceitos e preceitos religiosos.
Aceitando esse jugo religioso, os negros escravos com o passar do tempo foi assimilando os santos católicos com as divindades dos cultos de matriz africana.  E não demorou muito para organizar suas manifestações em dias-santos ou durante outras festividades católicas. Para o clero e para as elites coloniais o sincretismo católico-africano foi de bom tamanho, porque ao corromper sua religiosidade de raiz os negros se se subdividiram, e antigas rivalidades tribais se acenderam. Do ponto de vista dos opressores, divididos os escravos não se agrupariam para fomentar motins, revoltas e fugas.
Cento e vinte e nove anos passados da abolição da escravatura no Brasil, o negro continua a alimentar o sincretismo cultuando divindades brancas, de origens europeias – nas manifestações de origem católica – renegando cada vez mais as divindades africanas.  O sincretismo fomentou não somente a desconstrução da identidade religiosa do negro brasileiro, mas também influenciou a desconstrução dos ritos, mitos, símbolos e, até mesmo, a folclorização da liturgia dos cultos de matriz africana. A carnavalização desses fundamentos –  a suplantação no bom senso pelo nonsense –  criou o embranquecimento dos orixás, a desmistificação dos terreiros e o uso indevido dos símbolos religiosos levando-os à banalização. Símbolos retratados nos graus hierárquicos dos terreiros que estão sendo aviltados e corrompidos.

Entre tantas aberrações da banalização das religiões de matriz africana,  é visível denominações das funções hierárquicas usadas como apelidos dos próprios filhos de fé, participantes dos cultos e até por pessoas descompromissadas com os cultos. Eboni (irmão Mais velho com mais de 7 anos de iniciado); abiã (simpatizante); Iaô (iniciada); iabassê (cozinheira); alabê (tocador de atabaques); ekede (cuidadora dos manifestados); alaxè (guardados dos implementos sagrados), entre outros, são banalmente usados conjugados aos nomes de cidadãos e de cidadãs, aleatoriamente, sem qualquer conexão com a hierarquia dos terreiros. Apenas servem para denominar pessoas que, muitas das vezes nem exercem funções religiosas nos cultos.

É o caso de um certo Juca Alaxé de Oxossi, em Fragoso, Magé, Baixada Fluminense, que nunca pisou num terreiro. –  Ganhei esse apelido de um cabra sem vergonha que hoje mora lá para as bandas de Belfort Roxo.  Em Agostinho Porto, também na Baixada, a vendedora de bilhetes de loterias é conhecida por Ekede Nice. – Sou evangélica. Ekede foi um apelido que ganhei por ajudar as pessoas. O engraxate que atende nas imediações da estação ferroviária de Madureira, subúrbio do Rio, conhecido por Tião Alabê diz que esse apelido foi invenção de um primo, que hoje é  pastor evangélico, mas eu nunca soube do que se tratava. – Em Vila Valqueire, zona oeste do Rio, o pedreiro Carlos Alberto é conhecido como Carlinhos Colofé –  Uma vez fui numa macumba tomar um passe. Alguém disse que eu tinha o dom para ser Colofé. O apelido pegou.

É comum encontrar pessoas – sem qualquer conexão com os cultos de matriz africana –  com seus nomes atrelados aos de determinado orixá. Dona Adélia D’Oxum, moradora de Saracuruna, Duque de Caxias, Baixada Fluminense, é uma delas. – Quando jovem, nos anos 70, eu ia muito pra cachoeira de Guapimirim, daí veio o apelido. Essas incoerências sem sombras de dúvidas é a prova cabal da banalização causada pelo sincretismo, principalmente, à umbanda e ao candomblé.
Mas também pode-se observar, que não é somente o sincretismo que tem banalizado as religiões de matriz africana. O uso indevido de símbolos, ritos e personalidades dos cultos de matriz africana, usados como peça de marketing e de propaganda politiqueira, é um dos motivos que levou o candomblé e a umbanda a sofrerem intolerâncias, perseguições, agressões e discriminações.  

Uma velha e conhecida turminha, que corroborou para a banalização das religiões de matriz africana, foi a dos movimentos negros. Qualquer marcha de coisa alguma para lugar nenhum; qualquer manifesto contra o racismo; qualquer evento pela igualdade; qualquer manifestação sem conteúdo e objetivo, promovidas pelos movimentos negros, lá estão sacerdotisas e praticantes dos cultos de matriz africana em apresentações indevidas, criando equivocadamente uma imagem folclórica e banalizada dessa herança religiosa da Raça.  Folclorizaram e banalizaram o que deveria ser cultuado, respeitados e preservados dentro dos seus fundamentos.

Nunca questionou-se o uso de divindades e de fundamentos das religiões de matriz africana nos desfiles de carnaval, misturados às performances erotizadas dos foliões. A exposição dos símbolos religiosos dos cultos nas fantasias, alegorias e letras do samba enredo, conota a falsa mensagem de sagração à umbanda e ao candomblé. Mas dentro de uma ótica de respeitabilidade percebe-se a vulgarização  e banalização religiosa que esse tipo de sagração promove às religiões de matriz africana.

Não se tem conhecimento na história da negritude brasileira de uma personalidade tão combativa e criativa como a Tia Ciata. A Sacerdotisa, quituteira, parteira, rezadeira, jongueira, carnavalesca e mestra em culinária nunca usou os cultos ou símbolos religiosos nas suas manifestações culturais. Em sua casa, recebia de Chiquinha Gonzaga a Pixinguinha, de presidente da república às jovens polacas, em festas e outros eventos culturais, sociais e políticos que duravam semanas.  Mas no seu terreiro a história era outra. Praticavam-se somente os cultos de matriz africana.
Em momento algum, Tia Ciata ou outras sacerdotisas da Pequena África, as Tias do Samba, misturavam os cultos afros-religiosos com os eventos festivos que promoviam. Nem a Tia Ciata e nenhuma das outras Tias se paramentavam de Sacerdotisas ou Filhas de Fé para ilustrarem quaisquer manifestações carnavalescas, sociais, políticas ou culturais. O que, lamentavelmente, ocorre hoje em dia.

Essa profanação ocorre patrocinada pelos vendilhões da raça e capitães do mato pós-moderno, dos movimentos negros, que requisitam os cultos de matriz africanas para seus ôba ôbas carnavalizados, intolerantes e hipócritas.   Se Tia Ciata e as Tias do Samba eram veneradas e os cultos de matriz africanas respeitados, o mesmo não ocorre hoje em dia.
A folclorização e a banalização somadas as perseguições e intolerâncias contra a Umbanda e o Candomblé, principalmente, –  em todas as regiões do país – denotam o triste, trágico e vergonhoso legado que as súcias dos movimentos negros têm oferecido para a religiosidade da negritude.

Praticantes de outras religiões e, em alguns casos, até mesmo a imprensa estão sempre em busca de argumentos duvidosos para demonizar as reliões de matriz africana. Quando a cônica policial noticia sacrifícios, principalmente, de crianças em rituais de feitiçaria ou de bruxaria, é publicado erroneamente pela imprensa a barbárie aconteceu num ritual de macumba. Já teve caso em que o candomblé foi citado, mesmo com as evidencias reais provocando o contrário. Não se tem notícias de manifestações dos movimentos negros contra essas injurias aos cultos de matriz africana.

Nas letras de certas músicas, o homem abandonado ou preterido por uma mulher –  ou vice e versa – solta o verbo: “Eu vou botar o seu nome na macumba vou procurar uma feiticeira fazer uma quizumba para te derrubar”! – Nêga você vai baixar seu facho porque meu pai de santo já preparou o despacho, e de novo serei o seu macho”.  – "Eu Vou Fazer uma Macumba para te Amarrar, maldito!" –  Acendi uma vela pra mulher da esquina, aquela menina vai passar dessa pra outra Tem letras em que o nome do orixá é vulgarizado e assimilado a um ilícito – Zé Pretinho de Ogum é um Tremendo 171” – Sem falar quando a referencia é desairosa – Fui num terreiro de macumba, malandro.
Naquele maldito lugar”.
Essas duas últimas músicas gravadas pelo sambista  Bezerra da Silva, que depois tornou-se evangélico.

Nunca houve nenhum manifesto ou protesto dos movimentos negros quanto a essas deformações e referências às religiões de matriz africana. E os caras cantam as tais vitórias e conquistas históricas que somente a velha e conhecida turminha tem conhecimento.

A religiosidade de um povo ou de uma raça, quando usada indevidamente, torna-se banal e até mesmo marginal.  No exterior acontece com o Islã, no Brasil com as religiões de matiz Africana. Cultos e símbolos banalizados; exposições banais e sem sentidos de entidades, sacerdotisas e ritos; fundamentos expostos e usados em atividades políticas e carnavalescas... É preciso que uma corrente de negros e negras, sem grilhões partidários e sem vínculos com os movimentos negros, unam-se contra essas deformações dos cultos de matriz africana. 

Martin Luther King era pastor protestante e nunca infiltrou a religiosidade na sua luta pela igualdade do negro americano; Gandhi nunca expos a religiosidade nas suas lutas pela independência do povo indiano...  Suas lutas tiveram vitorias, suas vidas foram ceifadas, mas seus nomes imortalizados como símbolos de lutas e de resistência contra a opressão.

No Brasil tivemos Lélia Gonzales, Beatriz Nascimento, Candeia, Solano Trindade e Zózimo Bulbul que lutavam para que os negros tivessem aceitação da sua religiosidade vinculada somente à matriz africana, rompendo incondicionalmente com o sincretismo que descontruída a sua identidade religiosa. Hoje, entre poucos, temos a professora escritora, doutora em filosofia, mestre em educação e pesquisadora de cultura afro-brasileira, Helena Theodoro, que se mantém firme na pesquisa e preservação das religiões de matriz africanas.

A banalização dos cultos de matriz africana com apresentações nos manifestos dos movimentos negros; nas festas populares sem tradições afro religiosas; nos comícios políticos; nos shows para turistas; nos espetáculos culturais, entre outras indevidas manifestações, levou a intolerância contra as sacerdotisas e contra as filhas e filhos de fé. Isso é fato! É uma triste e trágica derrota! Que os movimentos negros creditam como vitória das suas ações de negociatas e vendas da Raça Negra.

Segundo a BBC Brasil, dados compilados pela Comissão de Combate à Intolerância Religiosa do Rio de Janeiro (CCIR) mostram que mais de 70% de 1.014 casos de ofensas, abusos e atos violentos registrados no Estado do Rio de Janeiro, entre 2012 e 2015, foram contra praticantes de religiões de matriz africana. Esse dado é assustador, mas passa despercebido pelos MNU, UNEGRO, Movimento Negro do PMDB, Tucanafro, Movimento Negro do DEM, Comissão da Igualdade Racial da OAB/RJ e por outras latrinas politiqueiras de iguais teores. 

Como diz aquela respeitada e venerada Mestra Jongueira, Parteira, Rezadeira e Yalorixá da melhor qualidade, em Cavalcante, norte da Chapada dos Veadeiros, Goiás, – De que adianta os movimentos negros dizerem que lutam contra o racismo se eles mesmos admitem orixás brancos. Pelo que sei, são negros e negras as divindades africanas.

Abraços a todos.

Flávio Leandro
Cineasta, Professor de Produção Audiovisual e de Professor de Produção Teatral
 
 
 






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