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Para Porto Alegre RS

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Paulo Sant' Ana Revolta do Movimento Negro do RS


Uma vergonha o que este Sr. chamado Paulo Sant’Ana (destaque abaixo), escreve em sua coluna do dia 24 de outubro passado, na página 35 da Zero Hora. Uma falta de respeito com a luta do povo negro no Brasil e na diáspora.

Repudiamos a forma com que este senhor trata nomes como o de Barack Obama, Presidente dos Estados Unidos e Orlando Silva, Ministro dos Esportes.

Sabemos a serviço de quem este senhor se encontra e qual o interesse de seus patrões na busca da queda do Ministro.

Não podemos aceitar calados atos e falas como estas. Eis a cara do racismo e de seus interlocutores aqui no RS.

Não podemos deixar que pessoas repugnantes que nem estas destruam anos de luta e de história de nosso povo.

Saiamos do silencio das mordaças e libertemo-nos das correntes, que procuram impedir nossa unidade.

Não sejamos parte da destruição de nossa história e de nós mesmos.

“O ministro dos Esportes, Orlando Silva, só não foi demitido até agora, debaixo de alvo insistente de denúncias, porque é negro.
É um fenômeno parecido com o do presidente norte-americano Barack Obama, ele só não despenca fragorosamente nas pesquisas de aferição da intenção de voto e não faz perigar sua estabilidade na presidência, depois de sucessivos erros administrativos e de conduta política confusa, porque é negro.
Negro tem mais resistência para cair, fruto da simpatia que a raça adquiriu sendo oprimida durante séculos.”


Só os fortes sobrevivem.

Temos de resistir para vencer.

Àse.
José Antonio dos Santos da Silva
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"Quem é de Axé diz que é!

"Ogun ko nife o si ewu lona wa"
"Com a proteção de Ogun não haverá nenhum perigo em nosso caminho".

PANTA REI = (TUDO MUDA)

Assistente Supervisor
Forever Living Producto Brasil
"Ubunto" é uma antiga palavra Africana, cujo significado é: "humanidade para todos".
Ubunto também quer dizer "Eu sou o que sou devido ao que todos nós somos".

Página pessoal - http://joseantoniodossantosdasilva.blogspot.com
http://twitter.com//JASSRS62
Página da UNEGRO Nacional - www.unegro.org.br
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Racismo contra Cantora Thalma de Freitas

Sobre a violência contra a cantora e atriz Thalma de Freitas



Cala boca, besta

por Wander Lourenço*



Jornal do Brasil – 25/10/2011 - 22h01



Até quando iremos tolerar a desconfiança contra cidadãos negros ou mestiços por parte de uma visão elitista e conservadora, provinda dos longínquos tempos da escravatura, ao compactuarmos com uma conduta execrável e abjeta, que interpreta pela cor da pele o tratamento a ser direcionado pelo algoz ao réu?



íntegra em

Sobre a violência contra a cantora e atriz Thalma de Freitas











www.leliagonzalez.org.br

Blogs - Ações Afirmativas / Informa / Continente África




















Racismo contra Cantora Thalma de Freitas

Mensagem

África na Bienal


[Anexos de Jose Antonio dos Santos da Silva incluídos abaixo]
Repassando,
Aparecida

Dia 28 de outubro é dia de África na Bienal. Você já se inscreveu?
Arísia Barros

O Ìgbà - I Seminário Afro-Internacional Ikà We! Ìmó-“Leitura e Saber” acontece dia 28 de outubro, a partir das 10 horas, como parte integrante da V Bienal Internacional do Livro.
 O Ikà We! Ìmó objetiva celebrar a cultura das muitas possibilidades de pensar as Áfricas e as africanidades brasileiras e alagoanas.
É um espaço para debates, reflexões, troca de experiências e aprendizagens.
Uma realização do Projeto Raízes de Áfricas, o Ìgbà conta com a parceria da Universidade Federal de Alagoas/EDUFAL, Federação das Indústrias do Estado de Alagoas, Secretaria de Estado da Educação e do Esporte, éditora ética, Secretaria de Estado da Mulher, da Cidadania e dos Direitos Humanos,SENAC e Instituto Magna Mater.
Faltando alguns dias para o seminário fizemos uma análise do perfil dos inscrit@s e o percentual mais expressivos é de jovens acadêmic@s das faculdades particulares de Alagoas.
A cada seminário agregamos mais gente e a diversidade de temas e autor@s.
Nesse o SENAI Nacional participa discutindo inclusão a partir dos cursos técnicos. Quem vem é a Loni Elisete Manica , gestora Nacional do Programa SENAI de Ações Inclusivas. São outros olhares buscando um objetivo comum: agregar as diferenças na política da igualdade social e de direitos.
A programação inclui ainda uma reflexão sobre Aqualtune e o comando de um exército de 10 mil homens. Você conhece essa história da africana Aqualtune e que ela comandou o Quilombo dos Palmares?
Não?!
Então aparece no Ìgbà - I Seminário Afro-Internacional Ikà We! Ìmó para que possamos aprender junt@s.
A gente espera você!
Para se inscrever basta enviar a ficha em anexo para raizesdeafricas@gmail.com
Informações: (82)8827-3656/3231-4201


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Anexo(s) de Jose Antonio dos Santos da Silva
1 de 1 arquivo(s)
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Outras Palavras

bibliotecadiplô e OUTRASPALAVRAS

Boletim de atualização de Outras Palavras e Biblioteca Diplô - Nº 108 - 26/10/2011

Especial: o futuro das Ocupações e Acampadas
111026-AcampadasB.jpg
Occupy Wall Street: quatro etapas e um desafio
Immanuel Wallerstein: movimento deixará legado positivo e duradouro. Mas pode tornar-se ainda mais potente, e alcançar objetivos imediatos, se evitar certos riscos

Espanha: que fazer com a popularidade?
Pesquisas revelam: 73% dos espanhóis crêem que os indignados têm razão. Mas movimento parece esperar algo, para recobrar força anterior. Por Pep Valenzuela, de Barcelona

Rio de Janeiro: as dores do assembleísmo
Acampada na Cinelândia deflagra novas formas de viver a liberdade. Mas adotou busca obsessiva de consensos e adora reuniões intermináveis. Por Bruno Cava
Sob o som das marchas, abre-se a Bienal de La PazAo tematizar os Diálogos na Complexidade, mostra atravessa a babel política e cultural boliviana e faz ressoar paradoxos nada triviais . Por Stella Senra


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PONTO DE CULTURA
Os primeiros textos da Escola Livre de Comunicação Compartilhada

Exatamente como no caso do álcool e tabaco, política adequada para drogas hoje ilícitas é definir espaços e limites para seu uso -- e não proibi-las. Por Julio Delmanto

Por uma infância sem racismo
Escola da Zona Norte de São Paulo é pichada com a frase "vamos cuidar do futuro das nossas crianças brancas", acompanhada da suástica. Por que isso ainda acontece? Por Jean Mello

Ocupações: saudável início de um debate
O movimento que está questionando políticos e banqueiros irá tornar-se mais forte, examinando a si mesmo. Por Antonio Martins

A União Europeia desperdiçará mais uma chance?
Mercados já pressionam Itália, Espanha e até França. Fracassos seguidos dos dirigentes sugerem necessidade de outra política (A.M.)

Uma polêmica com Zygmunt Bauman
Leitora de Outras Palavras pondera a importância das emoções tanto para desagregação quanto para a construção social. Por Marieze Torres
(aqui, a entrevista de Bauman que despertou o comentário)

Budrus estreia em São Paulo
Documentário registra avanço da resistência pacífica na Palestina. Duas exibições hoje: 14h (Instituto Cervantes) e 18h (PUC)
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OUTRAS MÍDIAS
Uma seleção de textos publicados na websfera brasileira 




A busca pelo olhar do outroMaria Rita Kehl lança novo livro e propõe: “É imprescindível que intelectuais de esquerda tentem, ao escrever sobre as mazelas brasileiras, abandonar preconceito em relação aos pobres”
Eles sabem o que fazem
O que os novos movimentos entenderam é: para encontrar saídas, devemos primeiro destruir as pseudocertezas que limitam a produtividade do pensamento.
Por Vladimir Safatle, em Conteúdo Livre
Foxcomm em Maringá: novas questões e o papel da universidadeAlvoroço pela produção de iPhones e iPads no Brasil não pode esconder preocupação com a qualidade dos empregos que serão criados. Por Rafael A. F. Zannata, em seu blog
Oriente Médio: infância entre grades
Cerca de 700 crianças da Cisjordânia são processadas nas cortes militares israelenses depois de presas, interrogadas e detidas. Por Arturo Hartmann, no Opera Mundi
As novas rotas de tráfico na América Central
Com 370 mil habitantes, a pequena Belize tem sido usada por cartéis mexicanos como ponto de trânsito para o tráfico de cocaína. Por Nick Miroff, traduzido pelo Publica
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Disputa entre Gerações

 

Mais um capítulo na disputa entre gerações...


DESABAFO
Na fila do supermercado, o caixa diz uma senhora idosa:
- A senhora deveria trazer suas próprias sacolas para as compras, uma vez que sacos de plástico não são amigáveis ao meio ambiente.
A senhora pediu desculpas e disse:
- Não havia essa onda verde no meu tempo.
O empregado respondeu:
- Esse é exatamente o nosso problema hoje, minha senhora. Sua geração não se preocupou o suficiente com  nosso meio ambiente.
- Você está certo - responde a velha senhora - nossa geração não se preocupou adequadamente com o meio ambiente. Naquela época, as garrafas de leite, garrafas de refrigerante e cerveja eram devolvidos à loja. A loja mandava de volta para a fábrica, onde eram lavadas e esterilizadas antes de cada reuso, e eles, os fabricantes de bebidas, usavam as garrafas, umas tantas outras vezes.
Realmente não nos preocupamos com o meio ambiente no nosso tempo. Subíamos as escadas, porque não havia escadas rolantes nas lojas e nos escritórios. Caminhamos até o comércio, ao invés de usar o nosso carro de 300 cavalos de potência a cada vez que precisamos ir a dois quarteirões. Mas você está certo. Nós não nos preocupávamos com o meio ambiente. Até então, as fraldas de bebês eram lavadas, porque não havia fraldas descartáveis. Roupas secas: a secagem era feita por nós mesmos, não nestas máquinas bamboleantes de 220 volts. A energia solar e eólica é que realmente secavam nossas roupas. Os meninos pequenos usavam as roupas que tinham sido de seus irmãos mais velhos, e não roupas sempre novas. Mas é verdade: não havia preocupação com o meio ambiente, naqueles dias. Naquela época só tínhamos somente uma TV ou rádio em casa, e não uma TV em cada quarto. E a TV tinha uma tela do tamanho de um lenço, não um telão do tamanho de um estádio; que depois será descartado como? Na cozinha, tínhamos que bater tudo com as mãos porque não havia máquinas elétricas, que fazem tudo por nós. Quando embalávamos algo um pouco frágil para o correio, usamos jornal amassado para protegê-lo, não plastico bolha ou pellets de plástico que duram cinco séculos para começar a degradar. Naqueles tempos não se usava um motor a gasolina apenas para cortar a grama, era utilizado um cortador de grama que exigia músculos. O exercício era extraordinário, e não precisava ir a uma academia e usar esteiras que também funcionam a eletricidade. Mas você tem razão: não havia naquela época preocupação com o meio ambiente. Bebíamos diretamente da fonte, quando estávamos com sede, em vez de usar copos plásticos e garrafas pet que agora lotam os oceanos. Canetas: recarregávamos com tinta umas tantas vezes ao invés de comprar uma outra. Abandonamos as navalhas, ao invés de jogar fora todos os aparelhos 'descartáveis' e poluentes só porque a lámina ficou sem corte. Na verdade, tivemos uma onda verde naquela época. Naqueles dias, as pessoas tomavam o bonde ou ônibus e os meninos iam em suas bicicletas ou a pé para a escola, ao invés de usar a mãe como um serviço de táxi 24 horas. Tínhamos só  uma tomada em cada quarto, e não um quadro de tomadas em cada parede para alimentar uma dúzia de aparelhos. E nós não precisávamos de um GPS para receber sinais de satélites a milhas de distância no espaço, só para encontrar a pizzaria mais próxima. 
Então, não é risível que a atual geração fale tanto em meio ambiente, mas não quer abrir mão de nada e não pensa em viver um pouco como na minha época?





Édison Lautert
VEG Representações Ltda
(51) 3061-6228



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VEG Representações Ltda
(51) 3061-6228
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Orlando Silva

Policial diz à PF que não tem provas contra Ministro do Esporte
O policial militar João Dias Ferreira, em depoimento à Polícia Federal (PF) disse que não tem provas contra o Ministro do Esporte Orlando Silva. A assessoria de imprensa da PF confirmou a apreensão de um aparelho celular onde estão gravadas as conversas e disse que, até o momento, não há comprovação da participação do ministro Orlando Silva e nem de seu antecessor, Agnelo Queiroz, no suposto esquema.
O Ministro atribui a denúncia, ao fato de ter pedido a devolução de R$ 3 milhões recebidos pelas ONGs do PM, por irregularidades na aplicação de recursos de convênios com o Ministério do Esporte.
Por outro lado, a Revista Veja deu crédito ao denunciante, mesmo sabendo que o PM não apresentou provas contra o ministro. A reportagem, ao que parece, persegue o objetivo de  Roberto Civita - dono da
Editora Abril/Revista Veja - que avisou ao PT que vai derrubar a Dilma.
 
A tentativa de linchamento do ministro, pela grande imprensa, parece que vai gorar!
 
a) Carceroni
 

Policial diz que não tem provas específicas contra Orlando Silva

João Dias diz ter entregue 13 áudios envolvendo assessores do Esporte.
Em reportagem, policial havia dito que ministro recebeu propina
.

Do G1, em Brasília
O policial militar João Dias Ferreira disse que não possui provas do envolvimento direto do atual ministro do Esporte, Orlando Silva, e de seu antecessor, Agnelo Queiroz, no suposto esquema de desvios de recursos públicos da pasta. O policial militar negou que tenha gravado diálogos de Orlando Silva. "Em nenhuma delas [das gravações] tem a voz do ministro".
Ao prestar novo depoimento nesta segunda-feira (24) à Polícia Federal, João Dias levou 13 arquivos de áudio e 4 ofícios emitidos pelo Ministério que, segundo ele, trazem "informações contraditórias" sobre a fiscalização dos repasses de verbas da pasta a entidades conveniadas. Segundo o policial, o material envolveria assessores da cúpula do ministério.
"É natural que a minha defesa se baseie no pessoal com quem eu sempre tive contato, que são o pessoal da fiscalização, técnicos e o pessoal jurídico, coordenadores gerais e o partido", disse Dias, em relação às provas que teria contra integrantes do ministério.
Por meio de sua assessoria de imprensa, a PF confirmou a apreensão de um aparelho celular onde estão gravadas as conversas e disse que, até o momento, não há comprovação da participação do ministro Orlando Silva no suposto esquema.

Neste fim de semana, reportagem da revista "Veja" transcreveu diálogo, que teria ocorrido em abril de 2008, em que João Dias combina com dois servidores do alto escalão do Ministério do Esporte o envio de um documento à Polícia Militar desmentindo supostas irregularidades na execução de convênios firmados entre a pasta e ONGs controladas pelo policial.
Mais cedo, ao chegar para depor, o policial afirmou que não tinha gravações do próprio ministro, mas sim de assessores ligados a ele.
"Se a reunião é feita no sétimo andar, na secretaria executiva, se a reunião é feita sobre assunto do Segundo Tempo, se a reunião é feita com a cúpula, não tem para onde correr, é diretamente interesse do ministério" disse o policial militar.
O policial militar também apontou o nome de sete ONGs que teriam contratos irregulares com o ministério e, de acordo com Dias, utilizavam os serviços de dez empresas fornecedoras indicadas pela pasta.
Em nota divulgada neste sábado (22), o Ministério do Esporte questionou a apresentação da conversa transcrita pela revista "Veja" e diz que pedirá à Polícia Federal para incorporar a gravação à investigação em andamento sobre o suposto esquema de desvio. No texto, a pasta classificou o material como "uma suposta gravação e cita supostos trechos, partes de frases, palavras isoladas, com o intuito claro de induzir os leitores".
ONGs
Após depoimento, o PM João Dias informou que 20 ONGs o procuraram com interesse de delatar o suposto esquema de propina que beneficiaria o PC do B. Além disso, ele disse que 10 entidades aceitaram pagar pedágio ao partido.
João Dias disse ainda que cerca de 300 ONGs teriam sido obrigadas, pelo Ministério do Esporte, a contratar por volta de seis consultorias e produtos de empresas ligadas ao PC do B. Essas empresas ajudavam, segundo o PM, a formar um caixa dois e arrecadavam dinheiro para os cofres do partido.
Denúncia
João Dias Ferreira é o pivô das denúncias contra Orlando Silva, acusado pelo policial de comandar um suposto esquema de desvios do programa Segundo Tempo, destinado a promover o esporte em comunidades carentes. Em reportagem publicada pela revista "Veja" na semana passada, o PM disse que o ministro teria recebido um pacote com notas de R$ 50 e R$ 100 na garagem do ministério.
Orlando se defende dizendo que a denúncia é uma "reação" à cobrança do ministério, que pede a devolução, por supostas irregularidades, de R$ 3 milhões recebidos pelas ONGs do policial de convênios com o Ministério do Esporte.

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Quilombolas

A farsa parlamentar do diálogo pela busca de soluções para os problemas indígenas e quilombolas
Um espetáculo teatral: diálogo para solucionar os problemas fundiários envolvendo agricultores, indígenas e quilombolas no Estado do Rio Grande do Sul - O palco: Assembléia Legislativa do Estado – Os atores principais: senadora Ana Amélia Lemos, deputados federais do RS e fazendeiros vinculados à Confederação Nacional da Agricultura – Os Coadjuvantes: pequenos agricultores – As vítimas: povos indígenas e quilombolas.
Assim pode ser descrita a “audiência pública” convocada pela Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado Federal, realizada no dia 21 de outubro, em Porto Alegre, com o intuito de estabelecer um diálogo para a “busca de soluções à questão da demarcação das terras indígenas e quilombolas no Rio Grande do Sul”. No palco, dirigiu a cena a senadora Ana Amélia Lemos (PP), auxiliada pelos deputados estaduais Edson Brum (PMDB) e Gilberto Capoani (PMDB), e pelos de deputados federais Alceu Moreira (PMDB) e Luiz Carlos Heinze (PP), todos parlamentares do Rio Grande do Sul. E, como toda cena teatral reque r apoiadores, lá estavam representadas algumas instituições: Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul (Fetag/RS), Federação da Associação dos Municípios do Estado do Rio Grande do Sul (Famurs), Fundação Cultural Palmares, Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Ministério Público Estadual (MPE), a subchefe da Casa Civil do Estado Mari Peruzzo e ainda representantes da Fundação Nacional do Índio (Funai) e do Instituto Nacional de Reforma Agrária (INCRA). E, para aplaudir a performance dos protagonistas deste espetáculo, centenas de pequenos agricultores lotaram a platéia da Assembléia Legislativa.  
Da “audiência”, cuja temática versava particularmente sobre os direitos constitucionais dos povos indígenas e quilombolas, representantes destas populações não participaram como convidados. Não bastasse isso, sua entrada, como espectadores, só se deu de maneira forçada sendo que quase não conseguiram adentrar no auditório Dante Barone. Nem mesmo a Funai, que havia sido convidada para a audiência, se interessou em informar e articul ar as comunidades indígenas da região. Por sua vez ela se fez presente no palco no espetáculo, mas representava, no enredo, o Governo Federal e seus interesses. Estava lá para prestar esclarecimentos sobre procedimentos de demarcação, para justificar a inoperância do governo, apesar de ter por obrigação constitucional criar e executar uma política indigenista e demarcar todas as terras indígenas no país.
O que desejavam os promotores desta audiência, com ares de espetáculo e direito a aplausos fervorosos e vaias ensandecidas, não era o diálogo e, muito menos, uma solução justa para o conflito fundiário que se estende por décadas, transformando a vida dos povos indígenas e comunidades quilombolas em um drama sem fim. A questão tomou proporções vultosas no estado do Rio Grande do Sul porque há segmentos importantes do agronegócio implicados. Por isso, a justa luta dos povos indígenas e dos quilombolas pela terra é vista como um “problema” que afeta o bem estar, a produtividade, o desenvolvimento do estado. No teatro que se encenou com a alcunha de audiênci a pública, o interesse era fazer uma demonstração de força, comprometendo os parlamentares com a “causa” deste segmento econômico e social, cuja intenção primeira é limitar os direitos constitucionais dos povos indígenas e dos quilombolas que lutam pela garantia da demarcação e o usufruto de suas terras.
E isso ficou evidente quando os personagens principais da peça teatral procederam à leitura de suas propostas para solucionar o problema no estado: a suspensão das demarcações de terras dos quilombolas e indígenas em áreas onde não há consenso (ou seja, todas as áreas indígenas, com exceção, por enquanto, dos barrancos de beira de estrada); revisã o dos decretos 1.775/1996 e 4.887/2003(que regulamentam as demarcações de terras indígenas e quilombolas); suspensão de todos os procedimentos administrativos de demarcação de terras em curso no Rio Grande do Sul; garantia de observância do devido processo legal e da ampla defesa (como se essas não existissem previstas decretos e na Constituição Federal); revisão da legislação indigenista e da Constituição Federal no que se refere à demarcação das terras indígenas e quilombolas; votação e aprovação da PEC 215/2000 (proposta de Emenda à Constituição Federal que visa transferir a autorização para demarcação de terras ao Congresso Nacional e não ao Poder Executivo) ; garantir assistência jurídica e antropológica aos produtores rurais; políticas públicas para as comunidades quilombolas e indígenas(essa proposta é porque alegam que o problema dos povos indígenas não é fundiário, mas social).
Os efeitos que se esperam do espetáculo não são, portanto, uma farsa. Longe disso! São reais e estão sendo dinamizadas em diferentes âmbitos, seja por representantes deste novo e articulado pelo movimento ruralista, seja por integrantes do próprio Governo Federal, especialmente da Casa Civil e do Ministério da Justiça. As propostas expostas ao final do último ato daquele bizarro espetáculo falam por si mesmas: são unilaterais, refletem o anseio de impor a vontade de certos segmentos econômicos aos direitos estabelecidos na Constituição Federal e, assim, são propostas que instauram uma insegurança jurídica, uma vez que colocam em questão o teor das leis e t ambém as instituições responsáveis pela sua execução.
O suposto diálogo, que deveria ocorrer nesta audiência realizada no espaço da Assembléia Legislativa do Estado é, então, um grande monólogo que expõe a vergonhosa intenção de restringir os direitos dos povos indígenas e das comunidades quilombolas. Aliás, a teatralidade do evento parece refletir uma tendência que se expressa em âmbito nacional: a de considerar “problemática” a presença indígena e quilombola lutando pela posse e garantia de suas terras, desviando o foco do verdadeiro problema que é a omissão do Estado e a morosidade em fazer valer os direitos territoriais destes povos e comunidades. 
Nesse sentido, a encenação do dia 21 de outubro em Porto Alegre não foi inédita e nem exclusiva.  Ela será reprisada em todos os estados da federação. Haverá, de acordo com a realidade de cada região do país, algumas mudanças e/ou substituições de personagens, mas o conteúdo será o mesmo: alterar os dispositivos constitucionais que asseguram o direito a demarcação das terras indígenas e quilombolas. Iniciativas como esta, propagadas como um momento de “busca de solu� �ões” ou como um espaço democrático de participação e de expressão pública, nem de longe possibilitam que o público seja ouvido e, menos ainda, que os maiores interessados possam se manifestar.
O que ocorreu no Rio Grande do Sul, na verdade, foi uma grande demonstração de intolerância e de desrespeito: os indígenas e quilombolas tentaram manifestar suas posições e foram recebidos com vaias pela platéia. Mesmo estando em franca minoria, e mesmo sendo desrespeitados dentro da Assembléia Legislativa, espaço em que, teoricamente, se resguardam preceitos legais e se legisla, os indígenas e quilombolas exigiram um espaço para se manifestar.  
O líder indígena Kaingang, Sr. Francisco dos Santos, sob muita vaia da platéia, disse: “Nós indígenas sofremos muito e fomos mortos e ainda estamos sendo mortos. Esse país, Brasil, pertence aos povos indígenas. O que eu quero é a demarcação das terras que sobraram. Eu respeito a terra dos brancos, a que eles compraram, mas eu não posso deixar a minha terra, mesmo que os brancos digam que a tenham comprado. Eu respeito a lei, mas não sou culpado se vocês embarcaram em um barco furado quando compraram terras que eram nossas, que nós vivíamos em cima delas. Todos nós sofremos e estamos aqui para dialogar. Mas nós indígenas e quilombolas precisamos defender nossas terras. Quero o que pertence para mim, pro meu povo. Vocês (os brancos) não respeitaram a natureza, não respeitaram os bichos, os peixes. Vocês terminaram com a minha natureza. Quero o meu direito que a Constituição determina. Eu vou até a morte. Os culpados são os políticos, os governos que assentaram vocês nas terras indígenas”.
Este pronunciamento emocionado, feito por uma liderança Kaingang, dá conta do sofrimento que tem sido imputado aos povos indígenas, sistematicamente perseguidos e desrespeitados pelos políticos que defendem exclusivamente interesses econômicos, que não encontram no poder público o amparo e a proteção que lhes é devida. O pronunciamento feito por um representante quilombola foi igualmente comovido, e expressou a profunda tristeza de ver que, em pleno século XXI, são ainda vistos como improdutivos, como ineficientes, como incômodos que não se moldam aos preceitos da vida para consumo.
E essa idéia se evidenciou claramente na audiência, quando esse representante fez referência, em seu discurso, ao fato de serem os indígenas e os quilombolas também agricultores, o que gerou uma estridente e prolongada vaia. Tal manifestação coletiva mostra o quanto aquele espetáculo e seus espectadores vindos em caravana estavam armados contra os povos indígenas e as comunidades quilombolas. As faixas espalhadas do lado de fora da assembléia também demonstravam a falta de abertura ao diálogo.
Os povos indígenas e as comunidades quilombolas são, na concepção da grande maioria dos políticos, governos e dos “produtores rurais”, um estorvo. Seus direitos tratados como penduricalhos e suas culturas consideradas atrasadas. Impera, nesta lógica de pensamento dominante, a idéia de que alguns são seres superiores e os demais povos e culturas precisam submeter-se aos seus interesses e ideologias. Lamentavelmente as vaias destinadas aos povos indígenas e quilombolas refletem o quanto a sociedade “branca” é intolerante e racista. 
Porto Alegre, 24 de outubro de 2011.
Roberto Antonio Liebgott
Cimi Sul - Equipe POA

















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