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Para Porto Alegre RS

terça-feira, 18 de maio de 2010

Discurso de Paulo Furtado

Tunel do Tempo - Gloria x Aimoré

Polícia Civil de Vacaria Faz Palestra contra á Drogas


Polícia Civil ministrou palestras de combate às drogas


Nos dias 13 e 14 deste mês, a Polícia Civil de Vacaria através do delegado de Polícia Regional João Estevam Mazine da Silva, disponibilizou a realização de três palestras sobre prevenção às drogas.

Dirigidas às crianças e adolescentes e seus pais, as palestras abordaram também o trabalho da Polícia Civil no combate ao tráfico de drogas, além da importância da colaboração da sociedade com informações neste trabalho investigativo.

O inspetor de Polícia João Carlos Pinto de Abreu, responsável pelo Serviço de Inteligência Policial e Análise Policial, foi quem ministrou as palestras, sendo realizado o encontro na Escola Estadual de Ensino Fundamental Quintella da Silva Ly, em Vacaria, onde o público participante foram pais e professores, atendendo o convite da diretora do educandário, professora Vanessa Campos Boeira.

Já outros dois eventos aconteceram em São José dos Ausentes, município que pertence à área da 25ª Região Policial. Naquela cidade, as palestras também foram ministradas pelo inspetor Abreu para mais de 200 alunos e pais, atendendo a solicitação da presidente do Lions Clube daquela cidade, Luciana Andréa Cesa.

Na oportunidade o encontro foi realizado nas dependências da Escola Estadual de Ensino Médio Antonio Velho, que fica localizada na Avenida Ismênia Batista Ribeiro Velho.
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Na foto o inspetor Abreu, representando a Polícia Civil com a direção da Escola Estadual Antônio Inácio Velho e os componentes do Lions Clube de São José dos Ausentes.


Data: 18/05/2010 - 16:47
Fonte: Adelar Gonçalves/Rádio Esmeralda FM - 93,1 e Assessoria de Imprensa Polícia Civil

Ressocialização dos Presos em Vacaria RS

Presídio de Vacaria investe na ressocialização dos detentos

Recentemente 80 detentos iniciaram o trabalho de costura de bolas de futebol para uma empresa de Caseiros.

O Presídio de Vacaria está realizando três projetos visando a ressocialização dos detentos. Na área educacional em parceria com a
Coordenadoria Regional de Educação está sendo realizado o Programa de Educação para Jovens e Adultos – EJA e aulas de informática. Participam 60 detentos, sendo que existe uma lista de espera onde aguardam vagas para freqüentar o EJA. No último Enen doze detentos realizaram a prova sendo que obtiveram em Vacaria as melhores notas na redação. A professora Dilce De Rossa Marchioretto a dez anos atuando no Presídio de Vacaria fala da sua experiência e dos resultados que está constatando através da educação dos detentos. Também atua no Projeto EJA junto ao presidio o professor Renato da Costa. Recentemente 80 detentos iniciaram o trabalho de costura de bolas de futebol para uma empresa de Caseiros. O administrador do Presídio Vitor Hugo Monteiro destaca que estes projetos visam ocupar o tempo dos presos para contribuir com a sua ressocialização. O local tem hoje 253 detentos , sendo que quinze são mulheres .




Rádio Fátima AM (Produção), 18/05/2010, 09h33

Glória Na Copinha RS

Se o Glória decidir por disputar a Copa RS será uma decisão muito importante pois tem que começar cedo armar uma equipe para 2011 e fora chances de disputar a Série D e copa do Brasil, o Glória é uma marca reconhecida no Estado do RS e deve procurar projeção nacional disputar as competições nacionais pois dá uma visibilidade maior. O Glória tem que ser uma equipe de ano todo e disputar todas as competições possiveis.
Paulo Furtado
Editor
http://www.twitter.com/jornalnegritude

SUS em Porto Alegre

Sossella se reúne com prefeito Fortunati e busca solução para Central de Regulação do SUS


Dificuldade de comunicação e acesso à central de regulação do serviços de Porto Alegre prejudica municípios do interior



O presidente da Comissão de Saúde e Meio Ambiente, deputado Gilmar Sossella esteve reunido com o colega de partido e prefeito de Porto Alegre, José Fortunati. Na audiência realizada no Paço dos Açorianos na tarde desta segunda-feira (17), Sossella propôs esforço conjunto em busca de solução dos problemas enfrentados pelos municípios do interior com relação a Central de Regulação do SUS da Capital.



Líder municipalista, Sossella informou ao prefeito que os problemas com a Central de Regulação foram diagnosticados nas audiências públicas realizadas em Caxias do Sul , Passo Fundo, Santa Maria, Pelotas, Ijuí, Alegrete, Santa Cruz do Sul e Santa Rosa. Conforme relatos dos gestores municipais da saúde pública, os municípios enfrentam problemas de acesso e comunicação com a central de regulação do SUS sob a responsabilidade do município de Porto Alegre.



O prefeito José Fortunati imediatamente manteve contato com o secretario municipal de Saúde, Carlos Henrique Casartelli e solicitou que a secretaria organize um grupo de trabalho para analisar o assunto e depois discuta propostas em conjunto com Comissão de Saúde e Meio Ambiente.



O deputado Gilmar Sossella destaca que o objetivo do trabalho será o de repassar as dificuldades enfrentadas pelos municípios e coletar informações sobre o funcionamento da central:



“Vamos conhecer melhor o funcionamento da Central de Regulação do município de Porto Alegre e repassar as demandas coletadas nas audiências públicas pelo interior. Queremos solucionar um problema que afeta a saúde pública em nosso Estado e afeta a vida e saúde do cidadão”, destacou Sossella ao final da reunião ocorrida no gabinete do prefeito José Fortunati.



Foto: Antonio Grzybovski

34 Congresso de Jornalistas

Confecção de Carteira de Identidade

IGP destaca importância do agendamento eletrônico na confecção de Carteiras de Identidade
08/05/2010 11:56


O agendamento eletrônico foi instituído pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP) com o objetivo de facilitar a vida dos usuários do Departamento de Identificação, principalmente, no que diz respeito à comodidade e rapidez, uma vez que esse serviço oferece aos seus optantes, um atendimento diferenciado, rápido e seguro.

Por meio do agendamento, os Postos de Identificação conseguiram equacionar os problemas de distribuição de senhas, quando, por eventualidade, a demanda diária ou em determinados horários, pela procura da Carteiras de Identidade (CIs) se tornava superior à capacidade física de atendimento. Com a oferta desse serviço, esse problema deixa de existir, sem prejuízos ao usuário, nem à imagem da Instituição.

A procura por essa forma de atendimento já ultrapassou a marca de 80 mil agendamentos em todo o Estado, desde sua implantação em dezembro de 2008. (a última contagem foi de 81.707 agendamentos). Quanto aos problemas de travamento, que ainda ocorrem em algumas situações, o Departamento de Identificação já se encontra em tratativas com a Procergs, para a inserção da opção de pesquisar se o agendamento foi efetuado com sucesso e outra opção em que o próprio usuário possa cancelar um agendamento que não consiga cumprir.

O DI aconselha aos usuários que tenham problemas de agenda e horários, a procurarem esse serviço, pelas facilidades já elencadas. Quanto ao prazo de entrega da CI é igual ao praticado nos Postos de Identificação, quando do atendimento por ordem de chegada, ou seja, no PI Azenha: 48h após pagamento nas 2as vias; PIs on-line nas 54 Regionais de Identificação: 5 dias úteis após pagamento. O serviço de agendamento eletrônico não é disponibilizado nos Postos de Identificação Off-line.

Serviço busca atendimento diferenciado ao cidadão

O Agendamento Eletrônico via internet, implementado em 15 de dezembro de 2008, como projeto piloto em Porto Alegre, nos Postos de Identificação Azenha, Tudo Fácil Centro e Tudo Fácil Zona Norte, trouxe a possibilidade de oferecer aos usuários um atendimento diferenciado, efetuado através dos sites www.igp.rs.gov.br ou www.tudofacil.rs.gov.br , após o agendamento, o usuário deve comparecer ao Posto de Identificação assinalado no agendamento, para efetivar a confecção da carteira de identidade.

Desde 12 de agosto de 2009, o agendamento eletrônico foi estendido aos seguintes municípios: Bagé, Bento Gonçalves, Cachoeira do Sul, Camaquã, Canoas, Carazinho, Caxias do Sul, Cruz Alta, Erechim, Frederico Westphalen, Ijuí, Lajeado, Montenegro, Novo Hamburgo, Osório, Passo Fundo, Pelotas, Rio Grande, Santa Cruz do Sul, Santa Maria, Santa Rosa, Santana do Livramento, Santiago, Santo Ângelo, São Borja, São Sepé, Sapiranga, Taquara, Torres e Tramandaí.

O agendamento da carteira de identidade via internet é uma iniciativa inédita entre os serviços eletrônicos oferecidos pelo Estado do Rio Grande do Sul e, no País, figura entre os pioneiros. O agendamento via internet obedece à seguinte sistemática: o usuário deve acessar a página do site do IGP ( www.igp.rs.gov.br ), à esquerda da página encontrará a opção agendamento C.I. Clica em cima e será aberta a página do Tudo Fácil Eletrônico, Agendamento de Serviços, na qual, à direita, se encontra a opção agendamento da carteira de identidade-agende aqui. Será solicitado o preenchimento de dados do usuário e oferecidas as possibilidades de escolher o dia e horário do seu agendamento. Após o registro das informações, clica ao pé da página, em agendar.

No site do Tudo Fácil Eletrônico ( www.tudofacil.rs.gov.br ), clica-se no link cidadão, posteriormente, no link documentos e clica em carteira de identidade-informações, à direita da página, encontrará outro link indicativo, agende agora. Ao clicar no agende agora, novamente à direita da página, surge o link agendamento de carteira de identidade - clique em agende aqui surgirá outra página, que, tal como no site do IGP, solicitará os dados do usuário e oferecerá opções de agendamento. O restante do processo ocorre da mesma forma descrita acima.
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Postos de Identificação na Capital para agendamento via internet

Departamento de Identificação (DI), Av. Azenha, 255, de 2ª a 6ª-feira das 7h às 18h30min.
Tudo Fácil Centro - Av. Borges de Medeiros, 521 - POA - de 2ª a 6ª-feira das 7h30min às 19h30min. Fones: (51) 3224-1924 / 3228-1270
Tudo Fácil Zona Norte - Rua Domingos Rubbo, 51 - POA - de 2ª a 6ª-feira das 7h30min às 19h30min. Em frente ao Hospital Cristo Redentor. Fones: (51) 3337-0375/ 3342-9509.
Posto da Restinga (16ª DP) - Estrada João Antônio da Silveira, 2145 - Bairro Restinga - de 2ª a 6ª-feira das 9h às 14h30min. Fone: (51) 3250-1190.

O serviço prestado pelos postos on-line é totalmente informatizado, com captura das digitais, fotos e assinatura.

Postos de Identificação no Interior para agendamento via internet

Bagé, Bento Gonçalves, Cachoeira do Sul, Camaquã, Canoas, Carazinho, Caxias do Sul, Cruz Alta, Erechim, Frederico Westphalen, Ijuí, Lajeado, Montenegro, Novo Hamburgo, Osório, Passo Fundo, Pelotas, Rio Grande, Santa Cruz do Sul, Santa Maria, Santa Rosa, Santana do Livramento, Santiago, Santo Ângelo, São Borja, São Sepé, Sapiranga, Taquara, Torres e Tramandaí.

Fonte: Ascom IGP

1143 Novos Policiais

Governadora recompõe quadro da Polícia Civil com acréscimo de 1143 novos policiais civis
08/05/2010 12:55


O governo do Estado, por meio da Polícia Civil, iniciou na última semana o Curso de Formação para 606 candidatos inscritos nos Cursos de Formação Superior para Escrivão e Inspetor de Polícia, distribuídos em oito turmas de Escrivão e sete turmas de Inspetor, para os aprovados no último concurso, realizado em 2009.

Este número deve-se ao fato da governadora Yeda Crusius ter autorizado o ingresso de todos os candidatos aprovados no concurso. Os novos alunos, junto com os 537 policiais que já ingressaram na instituição no período de 2007 a 2009 – 258 alunos no Curso Superior de Formação de Escrivão de Polícia, 244 no Curso Superior de Formação de Inspetor de Polícia e, em 2008, 35 delegados do Curso de Formação para a Carreira de Delegado de Polícia - somam 1.143 novos servidores na Polícia Civil, somente no governo Yeda.

Esta renovação no quadro policial está faz parte das ações do Projeto de Recomposição dos Efetivos, do Programa Estruturante Cidadão Seguro ( www.estruturantes.rs.gov.br ). Ainda inserido no objetivo de Recomposição, a governadora Yeda autorizou, nessa quarta-feira (05/05), a realização de mais um concurso público para o provimento de 500 vagas e formação de cadastro reserva da Polícia Civil. São 250 vagas para Escrivão e 250 para Inspetor, ambos de primeira classe. O concurso tem a validade de dois anos, podendo ser prorrogado por igual período. Também está em fase final o concurso para o preenchimento de 157 vagas de Delegados de Polícia Civil.

Mais de 5 mil servidores capacitados e treinados na gestão Yeda
Segundo o diretor da Academia da Polícia Civil (Acadepol), delegado Mário Wagner, a Academia também capacitou e treinou 5.791 policiais civis no período 2007-2009, numa programação de 37 cursos de especialização e aperfeiçoamento, realizados em 154 edições na capital e cidades do interior. Estes cursos tem com o objetivo de atualizar os servidores em crimes sobre a violência doméstica e familiar contra a mulher, sobre a nova lei das drogas, estratégia para gerenciamento de crise e negociação, curso básico de inteligência policial e de Segurança Pública e curso de atualização em procedimentos de polícia judiciária.

O diretor da Acadepol, delegado Mário Wagner, comemora o ingresso dos novos alunos salientando que “a nova turma de Escrivães e Inspetores de Polícia irá trazer um novo ânimo para a Polícia como um todo, na medida em que provocará a recomposição de efetivo que há muito tempo não era feito”. Ele ressalta que “em outros anos os concursos eram realizados no final do Governo e as nomeações somente ocorriam no início do outro”. E salienta que “a recomposição do quadro de servidores policiais sempre ficava aquém das expectativas no preenchimento das vagas existentes e o ingresso acabava sendo menor do que o número de evasões, tanto por aposentadorias, falecimentos, exonerações e demissões”. O delegado Wagner já havia comentado, durante a aula inaugural, em 30 de abril, que “no atual Governo nós estamos com a segunda turma em formação, e esperamos a autorização da governadora para mais um concurso e assim teremos a oxigenação do quadro”.

Atendendo uma necessidade técnica na atualização e dinâmica dos procedimentos administrativos e policiais, a Acadepol viabilizou a execução de cursos técnicos em armamento e tiro, curso avançado para supervisor de informática, crimes praticados na Internet, investigação de crimes ambientais e cursos de uso legal e progressivo da força e da arma de fogo.

Entre outros cursos, a Academia realizou, em conjunto com o Departamento de Ensino e Treinamento da Secretaria da Segurança Pública, cursos de Redes de Proteção para o Atendimento de Grupos Vulneráveis. Realizados durante o ano de 2009, capacitaram profissionais que atuam nas áreas de segurança pública, saúde, educação e sociedade civil, como policiais civis, militares, guardas municipais, conselheiros tutelares, profissionais do sistema penitenciário, representantes comunitários e que prestam assistência social. Os participantes foram treinados para identificar e promover o acolhimento e encaminhamento adequado de mulheres, crianças, adolescentes e idosos vítimas de violência. Os encontros ocorreram nos municípios de Novo Hamburgo, São Leopoldo, Canoas, Esteio, Sapucaia do Sul, Gravataí, Cachoeirinha, Guaíba, Alvorada, Viamão e Porto Alegre.

Fonte: Ascom PC/Acadepol

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Polícia Civil Conclui Investigação sobre a Morte na FASE

Polícia Civil conclui investigações sobre morte de adolescente na FASE
14/05/2010 15:15


A Polícia Civil, por meio da Delegacia de Polícia da Criança e Adolescente Vítima (DPCAV), do Departamento Estadual da Criança e do Adolescente (DECA), remete nesta sexta-feira (14) ao Poder Judiciário, as conclusões do Inquérito Policial sobre a morte de um adolescente de 16 anos. Segundo o delegado Andrei Luiz Vivan, da DPCAV, o caso chegou ao conhecimento da Polícia Civil no mesmo dia da morte do adolescente, em 06 de março deste ano.

Inicialmente foi tratado como um acidente fatal no interior do dormitório, o qual dividia com outro interno, de 18 anos de idade. No curso das investigações foram ouvidas testemunhas e juntadas perícias que demonstram indícios de homicídio qualificado, praticado pelo interno maior de idade que dividia o alojamento com a vítima. Segundo Vivan, o jovem, por já ter 18 anos de idade, foi indiciado e houve a representação para a prisão preventiva em estabelecimento prisional adequado.

O delegado salienta ainda que há a necessidade de que o autor seja submetido a incidente de insanidade mental, considerando os relatos de especialistas que mantinham acompanhamento do caso.

Fonte: Ascom PC

Homem Preso por Abuso Sexual

Polícia Civil de Uruguaiana prende homem de 70 anos suspeito de abuso sexual
14/05/2010 15:21


A Polícia Civil de Uruguaiana prendeu, na tarde dessa quinta-feira (13), um homem de 70 anos de idade que abusou de uma menina de 11 anos. A prisão, que foi realizada pelos agentes da Delegacia de Polícia de Proteção à Criança e ao Adolescente, ocorreu no Bairro Prolar, naquele município.

Segundo a delegada Ana Luisa Aita Pippi, o abusador aproveitou-se da circunstância de ser vizinho da vítima. Contra o homem já havia um procedimento judicial por abuso sexual em 2008.

Fonte: Ascom PC

Programa Nacional de Direitos Humanos

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recuou e assinou decreto que altera nove pontos do Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH) e atende a reivindicações de militares, religiosos e ruralistas. Lula também fez mudanças defendidas pelos meios de comunicação. Para atender a Igreja Católica, Lula excluiu o trecho que defendia a descriminalizaçã o do aborto e revogou o artigo que proibia presença de símbolos religiosos em locais públicos....
http://oglobo. globo.com/ pais/mat/ 2010/05/13/ lula-esvazia- programa- nacional- de-direitos- humanos-para- atender-criticos -916581444. asp
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Que levará a culpa disso!??

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HEITOR (((((º_º))))) CARLOS
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Preso Suspeitos de Roubar Mulheres

Polícia Civil prende suspeito de roubar mulheres na zona sul da Capital
14/05/2010 17:43


Agentes da 16ª Delegacia de Polícia prenderam, nesta sexta-feira (14), na Estrada Chapéu do Sol, zona sul da Capital, um homem de 39 anos de idade, suspeito de roubar mulheres, levando bolsas, carteiras, celulares e outros pertences.

Segundo o delegado Luciano Coelho, o detido atacava somente mulheres e especialmente aquelas que estavam com crianças de colo. Todos os casos ocorreram na área da Restinga Nova, zona sul de Porto Alegre. Conforme a Polícia, ele abordava as mulheres quando estava drogado e armado. O suspeito foi reconhecido na Delegacia por seis mulheres que sofreram ataques do criminoso. Ele possui antecedentes por furto, foi autuado por roubo a pedestre e encaminhado ao Presídio Central

Fonte: Ascom PC

Infraestrutura


Nº 206 de Sexta-feira, 14 de Maio de 2010 - Porto Alegre - RS - BrasilBoletimEnviar para um amigoReceber por e-mailEdições AnterioresFale Conosco Infraestrutura
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Cine Gramsci


From: Marcelo Pedroso Goulart



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CineGramsci


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Sábado, 15 de Maio de 2010

17 horas


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Dando continuidade às atividades culturais do Seminário Gramsci , que esse ano privilegia a discussão sobre as ditaduras latino-americanas, o CineGramsci promoverá a exibição do filme Machuca, do diretor Andrés Wood (Chile/Espanha, 2004, 120 min.).



A exibição ocorrerá nas dependências do Memorial da Classe Operária-UGT, rua José Bonifácio, nº 59, às 17h00, seguida de debate com Fernando Gelfuso, professor de História, e Ana Paula Soares da Silva, docente da FFCLRP-USP.



A entrada é franca. Divulgue o evento e venha participar conosco.



Leia abaixo a ficha técnica e a sinopse do filme.


Veja o trailer, clicando o endereço eletrônico http://www.youtube.com/watch?v=l_p3QAPtdEY




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Ficha Técnica
Machuca
Título Original: Machuca
País/Ano de produção: Chile/Espanha, 2004
Duração/Gênero: 120 min., Drama
Direção de Andrés Wood
Roteiro de Andrés Wood e Mamoum Hassan
Elenco: Matias Quer, Ariel Mateluna, Manuela Martelli,
Aline Küppenheim, Ernesto Malbran, Tamara Acosta,
Francisco Reyes, Alejandro Trejo, Tiago Correa.

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Sinopse




Chile, 1973. Machuca é o sobrenome do menino Pedro (Ariel Mateluna), recém chegado a uma escola elitizada. O problema é que Pedro é pobre e vive numa favela de Santiago do Chile, o que lhe traz inúmeros problemas de relacionamento nessa escola particular. A rejeição e as gozações quanto a ele e seus colegas são freqüentes e isso provoca reações diversas que vão desde a indiferença até a agressão.
Nem tudo é, porém, adverso nesse novo mundo ao qual foi introduzido o garoto pobre das favelas chilenas. A entrada nessa escola faz com que ele conheça Gonzalo Infante (Matias Quer), membro de família abastada (abalada por relacionamentos em decomposição), alienado das questões políticas que fazem seu país ferver, mas fundamentalmente uma boa alma.
O encontro dos dois meninos representa muito mais do que simplesmente uma nova amizade que está se consolidando. Trata-se de um retrato do próprio Chile daquela época, cindido entre socialistas e capitalistas que querem fazer com que a nação se renda a seus ideais nem que seja nos brados emanados pelas turbas que fazem constantes marchas e passeatas pelas principais avenidas da capital do país.
Ao se conhecerem, Pedro e Gonzalo passam a perambular por universos que até aquele momento eram desconhecidos para eles. Machuca é levado a casa de seu novo amigo e percebe a comodidade e os prazeres de uma vida burguesa, apesar das restrições que o regime impõe aos membros da elite chilena. Gonzalo, por sua vez, vai com sua bicicleta aos bairros paupérrimos da periferia de Santiago e descobre a esperança ao lado de casas sem água encanada, eletricidade ou rede de esgotos.
Se não bastasse esse choque de realidades, os dois ainda acabam indo às ruas da capital para ajudar a jovem Silvana ( Mariana Martelli ), que os leva as passeatas políticas para vender bandeirinhas do país ou das facções ali representadas. Esses momentos de suas histórias de vida são essenciais para que todos esses adolescentes se percebam como membros de uma nação e de seus dilemas e que percebam quais são as possibilidades e alternativas que a sociedade lhes reserva.
Para tornar o filme ainda mais interessante surgem as paixões prematuras e toda a candura dos primeiros beijos. Interessante do princípio ao fim, “Machuca” é mais um dos grandes filmes latino-americanos que nos ensina a rever princípios, reavaliar a vida, pensar nas origens e analisar com seriedade a história de nossos povos. Assistam!


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-----Anexo incorporado-----


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Caso Battisti


Sacco e Vanzetti: Trailer do Caso Battisti

Carlos Alberto Lungarzo

Anistia Internacional (USA) – 2152711

Vários observadores sociais e comunicadores compararam o processo sofrido por Cesare Battisti, especialmente durante 2009, quando foi oficialmente julgado, com o caso dos anarquistas italianos Sacco e Vanzetti, que, durante a década de 1920 foram acusados pelo assassinato, sem provas concretas e com testemunhas duvidosas. Hoje, todos aceitam que ambos foram vítimas de uma vingança da justiça e das elites norte-americanas, que queriam destruir o anarquismo e o comunismo, e propagar o terror entre os trabalhadores.

O processo, condenação e morte dos dois amigos durou de 1920 até 1927. Nesse período, em quase todo o mundo se realizaram atos de protesto, se organizaram passeatas de milhares de pessoas, e se proferiram denúncias públicas de meios de comunicação e dos mais famosos e míticos intelectuais da época, como G. Wells, Bernard Shaw e B. Russell.

Meu intuito neste artigo é mostrar que, apesar da certeza unânime de que os militantes italianos eram inocentes, e de que seu julgamento foi uma grande farsa, o grau de distorção e mentira não foi o máximo. No caso de Cesare Battisti, houve um nível de falsidade, fraude e manobras tortuosas, bastante (ou talvez muito) maiores que naquele caso. Este assunto pode ser visto, então, como um trailer do que seria, 90 anos após, o filme de Battisti: uma amostra grande, truculenta, assustadora, mas ainda assim menos nojenta que a grande tramóia de 2009.

Os Crimes e as Acusações
Nos Estados Unidos da década de 20, as elites capitalistas se sentiam acuadas pela ação do movimento operário, que, apesar dos ataques brutais recebidos desde décadas anteriores (cujo ápice foi o massacre de Chicago, no 1º de maio de 1886), tinha incrementado sua capacidade de luta. Os anos entre 1917 e 1920 formam o período de mais intensa repressão política na história dos Estados Unidos, conhecido como Red Scare (Ameaça Vermelha), inaugurado no mesmo momento em que se preparava a Revolução russa de Outubro de 1917.

Apesar da distância, o país reagiu ao surgimento do poder soviético com igual velocidade que os mais reacionários estados da Europa. Durante esses quatro anos, a propaganda contra os comunistas e os anarquistas, a agitação da mídia, e a brutalidade policial e jurídica, que continuariam por muitas décadas, atingiram seu pico mais exasperado. Foi nessa época que trabalhadores de esquerda foram submetidos a julgamentos fraudados e coroados por punições desproporcionais.

O caso dos anarquistas Nicola Sacco (1891) e Bartolomeu Vanzetti (1888) foi um imenso circo para converter pessoas inocentes em grandes bodes expiatórios, numa luta não apenas contra a praxe, mas até contras as idéias da esquerda. Se o militante sueco Joe Hill foi tornado símbolo de uma vendetta burguesa “provinciana” (pois seu julgamento e sua execução foram rápidas e sua repercussão foi pequena fora do estado norte-americano de Utah), estes dois imigrantes italianos foram usados para transformar essa vendetta num grande espetáculo de terror. Era uma advertência contra toda a esquerda que defendesse os direitos dos trabalhadores.

Em abril de 1920, dois pagadores de uma fábrica de sapatos, situada numa pequena cidade perto de Boston (no estado de Massachusetts) foram assassinados por desconhecidos, que roubaram todo seu dinheiro. A polícia sabia que Sacco, artesão sapateiro, e Vanzetti, vendedor ambulante de peixe, eram militantes anarquistas e os deteve como suspeitos um mês depois, apesar de não ter nenhuma prova nem testemunha contra eles, e de que nenhum deles tinha sido preso antes.

Ambos foram acusados do assassinato dos pagadores, mas puderam apresentar fortes álibis, fornecidos por testemunhas de boa reputação para o critério dos conservadores que dominavam o estado. Uma das testemunhas era um funcionário do consulado de Itália, que lembrava ter estado com Sacco no momento do crime, e descreveu todos os detalhes do trâmite de obtenção do passaporte do imigrante, que tinha ido até a delegação de seu país para obter esse documento. Apesar da clareza dos depoimentos, o juiz e o promotor os desprezaram, e aduziram que as testemunhas eram arranjadas.

Contudo, de maneira diferente ao que aconteceria com Battisti na década de 1980 1981 (mais de 60 anos após), Sacco e Vanzetti tiveram direito à defesa, e contaram com os melhores advogados socialistas e libertários que havia no país.

Outra diferença é que, enquanto Battisti foi acusado de ser o dono da arma dos crimes sem prova nenhuma, e sem que arma nenhuma fosse jamais mostrada, os anarquistas italianos tiveram direito a um teste balístico de disparos. Isso, porém, não adiantou, porque o promotor Frederick Katzmann (muito menos tortuoso que o magistrado Armando Spadaro do caso Battisti, mas, mesmo assim, um fanático inimigo da esquerda), aceitou uma perícia forjada que indicava que uma das balas do crime era do revólver de Sacco.

A perícia de revólver de Vanzetti foi mais escandalosa que a de Sacco, pois o projétil e a arma não coincidiam nem mesmo no calibre (a bala era de calibre 32 e o revólver de Vanzetti era um Colt 38).

Além disso, Battisti foi acusado de quatro homicídios, sem que os juízes se importaram com a impossibilidade física de ter atuado nos quatro crimes. No período do julgamento de Sacco e Vanzetti, em que a repressão foi a mais violenta de história urbana dos Estados Unidos, houve outros delitos políticos, mas os juízes não tentaram colocá-los também na conta dos italianos.

Montagens e Tramóias
O chefe da defesa era o esforçado e corajoso advogado socialista californiano Fred H. Moore, incansável lutador em prol das causas políticas e sindicais dos trabalhadores. Durante o julgamento, foi insultado várias vezes pelo juiz Webster Thyler, um membro da corte suprema estadual, conhecido por sua mediocridade, por ter obtido um diploma em troca de favores, e por mudar de partido político segundo a conveniência. (Alguma coincidência?) Thyler se gabou de que acabaria condenado ambos de qualquer jeito, e injuriou a Moore, desprezando sua origem californiana.

As testemunhas de acusação eram “menos” forjadas que as de Battisti, pois, pelo menos, tinham nome e profissão e seus dados eram conhecidos. Entre elas estava a bibliotecária Mary Splaine, a enfermeira Lola Andrews, o capitão de polícia William Proctor e um desempregado chamado Lewis Pelser. Tempo depois de seus depoimentos, estes quatro denunciaram que suas declarações tinham sido distorcidas ou obtidas por coação, mas foram ameaçados e impedidos de pedir a retificação ao tribunal.

Splaine reconheceu que esteve, durante poucos segundos, a uma distância de quase 100 metros de distância do lugar do crime, e que realmente não tinha reconhecido os atiradores. Andrews denunciou ter sido coagida sob ameaça, e Pelser declarou ter sido obrigado a assinar enquanto estava bêbado. O capitão Proctor foi mais enfático: afirmou que tinha advertido o promotor que as balas do crime nada tinham a ver com as armas dos réus; também revelou que seu depoimento foi alterado pelo ministério público, mesmo depois de redigido.

O júri, montado da maneira habitual nos Estados Unidos, com base em critérios subjetivos e parciais, gastou em sua deliberação menos de três horas, uma proporção ínfima do que consume uma deliberação média em casos bem mais simples que aquele. Depois, entregou um veredicto unânime de culpabilidade, o que condenou os acusados à pena de morte. Entretanto, como acontece até hoje em muitos julgamentos, a ameaça da morte ficou pendendo sobre os réus até muito tempo depois. Só seriam eletrocutados em agosto de 1927, passados sete anos de calvário e terror.

Em 1924, a polêmica ainda continuava, focada agora na adulteração de provas pelos magistrados (por exemplo, a mudança do cano do revólver de Sacco), a falsidade de algumas perícias, as declarações prévias ao julgamentos de alguns membros do júri, e a permanente atitude de ódio e ofensa do juiz contra os defensores. De maneira exatamente oposta ao que aconteceu no Brasil, uma parte da imprensa convencional denunciou a parcialidade do juiz e o acusou de baixo nível moral e de procura de notoriedade.

Em 1925, Sacco conheceu na prisão o imigrante português Celestino Madeiros, membro de uma gangue muito temida, que fora preso por outro crime e foi executado na mesma época que os dois italianos. Naquele momento, Celestino confessou ser o responsável da morte dos pagadores, e negou que tivesse qualquer colaboração de Sacco ou de Vanzetti, aos quais nem mesmo conhecia antes do crime. O juiz se recusou a reabrir o caso e ter em conta a confissão do verdadeiro assassino.

Isto tem duas analogias com o caso Battisti: (1) O verdadeiro autor da morte da primeira vítima, chamado Pietro Mutti, confessou seu crime. A diferença é que ele não manteve sua confissão, como Medeiros, mas mudou depois de versão, acusando a Battisti, em troca de benefícios concedidos pela justiça. (2) Os juízes se recusaram a aceitar a confissão de Medeiros como prova. Da mesma maneira, o Supremo Tribunal Federal que condenou Battisti à extradição, se recusou a aceitar provas em favor do réu, que seus amigos tinham obtido depois de cuidadosas e irretocáveis investigações. O relator chegou ao extremo de incomodar-se porque pessoas amantes da verdadeira justiça ousavam questionar a tramóia.

Antes da execução, Sacco e Vanzetti foram brevemente interrogados no mesmo presídio pelo reacionário semifascista governador Alvin T. Fuller, que entrou nas celas separadas dos dois amigos, protegido por uma poderosa guarda. No momento de seu interrogatório, Vanzetti deu uma mostra de desafio muito parecida às que deu Battisti no confronto com seus juízes de Milão, durante o processo de 1981.

Apesar de estar enfraquecido por uma greve de fome de vários dias, Vanzetti improvisou um forte discurso, reivindicando seus ideais libertários, e acusando o governador e os juízes de ter fraudado esse processo. Num último esforço, tentou avançar sobre a comitiva, mas, segundo boatos espalhados pela imprensa, teria sido controlado com requintes de violências.

Durante os sete anos de martírio e especialmente quando se aproximava sua execução, os amigos italianos receberam milhares de manifestações de solidariedade, incluídas às dos mais famosos intelectuais da época, entre eles algumas figuras lendárias: John Dos Passos, Alice Hamilton, Paul Kellog, Jane Addams, Heywood Broun, William Patterson, Upton Sinclair, Dorothy Parker, Ben Shahn, Edna St. Vincent Millay, Felix Frankfurter, John Howard Lawson, Freda Kirchway, Floyd Dell, Bertrand Russell, George Bernard Shaw e H. G. Wells.

A Reação da Sociedade
Temos um sentimento muito claro de que o mundo tem progredido. O fascismo, que então começava, foi derrotado na guerra, embora ainda não foi eliminado e sua força é muito grande em vários países. O racismo também é menor, inclusive nos Estados Unidos. Ninguém sonhava em 1920 nem em 1970 com um presidente mulato. A pena de morte foi eliminada da Europa, e a tortura, apesar de assomar sua horrível cabeça em muitos países, é hoje menos tolerada que há 90, 80 ou 40 anos.

Entretanto, o caso de Sacco e Vanzetti chacoalhou quase todo o Ocidente, e até alguns lugares do Oriente. Houve manifestações nas principais cidades de Europa, nas Américas e até na Índia. Algumas das passeatas atingiram a quantidade de 250 mil pessoas, um número que impressiona se pensamos no tamanho das cidades há 80 ou 90 anos.

Quando eu era criança, os mais velhos me contavam a história de Sacco e Vanzetti, acontecida 40 anos antes. Minha família não tinha nada de esquerda, e nossa cidade estava a milhares de quilômetros dos Estados Unidos. Mas, quando pensamos no caso Battisti, parece que esse progresso da humanidade não atingiu alguns países e algumas instituições.

Com efeito, o julgamento de Battisti foi mais falso, tortuoso e bufonesco que o de Sacco e Vanzetti. Não houve prova nenhuma, nem testemunhas reais, e até os documentos mais simples, como procurações, foram falsificados pela justiça italiana. Já no Brasil, o Supremo Tribunal não se deu ao trabalho de ler as provas. Não houve o mínimo pudor de fingir interesse, mesmo que a sentença posterior fosse aquela que convinha aos condottieri. O relator do caso simplesmente desprezou qualquer oportunidade de esclarecimento, e até ofendeu os amigos de Battisti que reclamavam a verdade.

Uma explicação para a diferença entre ambos os casos é que, apesar de seu caráter arbitrário e sua aplicação exorbitada da pena de morte, a justiça norte-americana (nas comarcas fora do Sul do país) sempre foi menos imoral e mais garantista que a Italiana e que a dos países da América Latina. A comparação entre o caso Battisti e o de Sacco e Vanzetti mostra que a máfia stalino-fascista do judiciário de Milão era mais corrupta e sádica que a dos estados ianques, mesmo em tempos de grande perseguição.

Embora na França e parcialmente no Brasil, se tenha sentido a reação de um setor esclarecido e corajoso da sociedade, os atos concretos de protesta foram muito menos intensos que os da época dos anarquistas italianos. Será que nosso progresso moral e social é apenas uma ilusão? Talvez não.

Os quase 16 mil dólares roubados no assassinato dos pagadores da fábrica de sapatos nunca foram encontrados. Nenhuma parte desse dinheiro apareceu na casa de Sacco nem na de Vanzetti nem das de seus amigos. Por sua vez, o português Celestino morreu na cadeira elétrica bradando que os italianos eram inocentes.

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Roda Viva


Paulo Roberto Falcão
Ex-técnico do Brasil e comentarista esportivo


Falta menos de um mês para início da Copa do Mundo de 2010. A África do Sul se preparou para receber as 32 seleções que irão disputar o título durante um mês, de 11 de junho a 11 de julho.

O Brasil já tem os seus escolhidos. A convocação dos jogadores selecionados por Dunga abriu a última etapa da preparação da seleção e serviu para esquentar o clima entre a torcida, que pedia outros jogadores. As críticas não são exclusividade de Dunga. Outros técnicos, como o argentino Maradona, também deixaram "estrelas" de fora e viraram manchetes em seus países.

A organização do mundial da África do Sul também foi alvo de críticas por conta dos atrasos nas obras dos estádios e de infra-estrutura e pela falta de segurança no país.

Mas quando a bola começar a rolar nos gamados dos 10 estádios da copa, os jogadores serão as estrelas do primeiro mundial realizado no continente africano.

O Roda Viva desta segunda-feira avaliada a Copa do Mundo, as chances do Brasil e das principais seleções numa conversa com o ex-técnico do Brasil, Paulo Roberto Falcão, ídolo do Internacional, Roma e São Paulo.

Falcão disputou dois mundiais: em 82, na Espanha, e em 86, no México. Ele assumiu a seleção brasileira em 1991, sendo que ficou no comando do Brasil por 17 partidas e saiu após uma campanha ruim. Falcão abandonou os gramados, mas não conseguiu se afastar do futebol. Atualmente é comentarista esportivo.

Participam como convidados entrevistadores:
Hélio Alcântara, apresentador do programa Grandes Momentos do Esporte, da TV Cultura; Oscar Ulisses, jornalista esportivo e narrador da Rádio Globo e Vital Battaglia, diretor da Editora e Agência de publicidade Detalhe.
Colaboradores:
Gabriela Mendes, estudante de publicidade e propaganda (http://www.flickr.com/photos/gabimendes); Bruna Bites, designer (http://twitter.com/brunabites); Carlos Alberto Lopes Durães, estudante de jornalismo (http://twitter.com/CarlosDuraes) e Maria Carolina Cintra, analista de sistemas (http://twitter.com/mariacarol).

Apresentação: Heródoto Barbeiro


O Roda Viva é apresentado às segundas a partir das 22h00.
Você pode assistir on-line acessando o site no horário do programa.
http://www2.tvcultura.com.br/rodaviva

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Para cancelar o recebimento dos emails do Roda Viva, por favor, acesse:
http://www2.tvcultura.com.br/rodaviva/comenteeparticipe-cancelar.asp.

Palhaço Pipoca



O palhaço Pipoca completa 21 anos de existência.



Mesmo com uma cabeça de isopor, os braços de metal e pano, e a boca grande, ele faz a alegria e a reflexão das crianças e adultos na Usina do Gasômetro.





Única apresentação do espetáculo de teatro de bonecos para crianças, "HISTÓRIAS DO PALHAÇO PIPOCA" com a Companhia A Hora do Anjo, dia 23 de Maio (domingo) às 16 horas no Centro Cultural Usina do Gasômetro em Porto Alegre, em comemoração aos 21 anos do espetáculo.


Aproveitem.

Divulguem. Participem.


Teatro de bonecos interativo para crianças



Este é um espetáculo que fala diretamente a criança, com respeito e amor. Os seus personagens, a menina das flores, o varredor e o gato mantém seus
corações inocentes, descobrindo o mundo de hoje, puras em seus pensamentos e deduções.

O público dá vida aos bonecos, acredita neles, gosta deles e sente
necessidade de também se comunicar com eles. Nesta troca entre o espectador e o boneco o manipulador está atento às questões que o público propõe e que quase sempre são pertinentes à história que esta sendo contada.

Para as crianças e adultos com poesia no coração.



O espetáculo é formado por um roteiro, com três criativas narrativas, (O GATO, A FLOR EM PERIGO, O VARREDOR E O BALÃO) apresentada em um·tradicional teatro de bonecos de fantoches. Propõe-se nesta montagem a participação do
espectador em tempo integral, de uma forma inteligente, onde ele analisa uma situação e procura solucioná-la, e também de uma forma lúdica, onde ele é transportado ao plano existencial do boneco, e encontra o absurdo, a
irreverência, a ternura e o inesperado.





Ficha Técnica:

Criação, direção e manipulação: Celso Veluza
Manipulação: Paulo Rodriguez
Bonecos: Silvia Ramos

Produção: Cia A Hora do Anjo



O que: Histórias do Palhaço Pipoca - Teatro de bonecos para crianças
Quando: 23 de Maio (Domingo)
Onde: Centro Cultural Usina do Gasômetro em Porto Alegre - 5º andar – Sala 502
(Avenida Presidente João Goulart, 551)
Ingresso: R$ 10,00

A atividade faz parte da programação do projeto Usina das Artes,
desenvolvido pela Secretaria Municipal da Cultura.



Att.
Celso Veluza
(51) 9161.5014

credito das fotos: Pablo Veluza





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Veja

de maio de 2010
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Caro leitor, aqui estão os destaques de VEJA desta semana.

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Edição da semana (nº 2165 - 19 de maio de 2010)

[Negócios]
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O milionário mora ao lado
• 11 mulheres e homens que enriqueceram dão a receita de como aproveitar a maré alta da economia
• Por que os dólares acharam o caminho do Brasil
http://veja.abril.com.br/190510/receita-milionarios-p-116.shtml

Índice da edição
http://veja.abril.com.br/190510/sumario.shtml

[Entrevista]
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Simon Murray conta como foi alistar-se na Legião Estrangeira
http://veja.abril.com.br/190510/preciso-viver-aventuras-p-021.shtml

[EUA]
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Os testes de DNA estarão disponíveis em farmácias
http://veja.abril.com.br/190510/teste-dna-prateleiras-p-078.shtml

[Economia]
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As receitas para ser muito rico
A cada dez minutos, há um novo milionário no Brasil.
http://veja.abril.com.br/190510/receita-milionarios-p-116.shtml

[Especial]
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A vida da mulher no Afeganistão
Elas casam cedo e ainda escondem-se em burcas.
http://veja.abril.com.br/190510/afeganistao-inferno-para-mulheres-p-140.shtml

[Cultura]
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Como a arte ajudou a reeguer Nova Orleans após o Katrina
http://veja.abril.com.br/190510/arte-tocar-frente-p-164.shtml

[Futebol]
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Dunga fez a coisa certa: contra o clamor popular
http://veja.abril.com.br/190510/dunga-fez-coisa-certa-p-099.shtml

[Educação]
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A história de meninos prodígios
O resultado dos estímulos a um grupo de talentosos.
http://veja.abril.com.br/190510/meninos-prodigio-p-090.shtml

[Guia]
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Colchão cinco-estrelas dentro de casa
Para dormir todo dias nas camas de hotel 5 estrelas.
http://veja.abril.com.br/190510/colchao-cinco-estrelas-p-160.shtml

[Claudio de Moura e Castro]
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O parto do livro digital
http://veja.abril.com.br/190510/parto-livro-digital-p-028.shtml

[Maílson da Nóbrega]
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Crise européia: esquerda orfã
http://veja.abril.com.br/190510/crise-europeia-esquerda-velha-orfa-novo-p-038.shtml

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[Destaques on-line]
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[Reportagens]
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Marco Civil, as regras para uso da internet
http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia-tecnologia/marco-civil-web-como-disciplinar-censurar-559914.shtml

Mulheres que discutem futebol nas redes sociais da internet
http://veja.abril.com.br/noticia/esporte/mulheres-querem-comentar-futebol-vao-ao-twitter-ou-facebook-medo-559925.shtml

[Entrevistas]
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Em vídeo com o sucesso sertanejo Luan Santana
http://veja.abril.com.br/noticia/variedades/depois-estourar-brasil-fenomeno-sertanejo-luan-santana-mira-mundo-559110.shtml

Silvio de Abreu fala da novela
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[Veja Música]
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A cantora e compositora
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Colunistas

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Reinaldo Azevedo
Não, Dilma não teve um bom desempenho na TV
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A primeira crise de Peluzo no Supremo
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Augusto Nunes
O caso Romeu Tuma Jr. e o preço da honestidade
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A Terceira Crise

A terceira crise



13/04/2010. Leia texto do historiador Éric Hobsbawm, em que ele fala sobre a crise financeira internacional que eclodiu desde o fim de 2008, sobre os impactos que ela teve sobre a globalização, o desenvolvimento diferenciado dos países pelo globo, e o papel da esquerda neste novo momento. Segundo ele, "a forma que terá o mundo depois desta crise segue sendo algo bastante incerto".
Éric Hobsbawm *

Outra vez, estamos diante de uma crise fundamental do capitalismo. Evidentemente, o laissez-faire sempre foi o princípio fundamental do capitalismo, chamado também de livre mercado, de não intervenção política no mercado, ou livre movimento dos diferentes fatores econômicos. Esse princípio já estava globalmente generalizado na metade do século XIX.

A novidade desde os anos 70, no meu modo de ver, é que a economia mundial se globalizou, não só porque as divisas ou outros meios financeiros foram negociados internacionalmente como antes, assim como importações e exportações, mas sim porque também a produção sofreu um giro internacional e/ou multinacional. Apesar de tudo, a novidade não foi a volta do laissez-faire, o livre mercado, mas sim, a forma como ele reaparecia, convertido em um novo dogma.

A maioria dos economistas não acreditava que o capitalismo se desenvolvia a partir de uma crise constante. Acreditavam que o livre mercado sempre resolve racionalmente os problemas que cria. Consequentemente, supunha-se que se generalizaria não apenas um crescimento econômico máximo, como também um bem-estar máximo do conjunto da população. Os seres humanos são indivíduos e agentes racionais num mercado que tem sua própria racionalidade. Por isso, não deveria haver dificuldades, não fosse a intervenção dos Estados, dos políticos ou de outros atores de fora do mercado.

Parece inacreditável, hoje, mas é fato que a maioria dos economistas acreditou nisso, fervorosamente, durante mais de 30 anos. Ademais, venderam como receita política.

Creio que é justamente por isso que a crise atual pareceu surpreender a todos. Não por ter chegado, mas pelo momento em que se deu. Era bastante evidente que o modelo de desenvolvimento que havia não poderia durar eternamente, mas quanto tempo duraria não era previsível. O desaparecimento da União Soviética, provavelmente, prolongou essa tendência e facilitou o trajeto pelo qual a maioria dos países caía no programa neoliberal.

A saída da crise

Toda essa gente, hoje, não tem uma solução nas mãos. Sabem que chegaram ao seu limite, sabem que o mercado puro e livre não pode funcionar mais tempo assim – e tudo isso sem falar na questão ecológica!

Agora é fato que os governos têm que intervir, mas não sabem como, se a única coisa que eles têm nas mãos é o recurso que ensaiaram nos anos 30, e que, mesmo então, não teve êxito imediato. A crise econômica mundial que se instalou em 1929 durou uns tantos anos. Depois de tudo, foi a guerra que terminou com ela, e não a possibilidade de evitar a guerra.

Se hoje em dia vivemos uma crise semelhante, ela não se acabará no próximo ano ou no seguinte, ainda que a situação melhore algum dia, assim como depois de 1932 melhorou em âmbito mundial.

Mas para uma mudança de direção permanente, no sentido de uma nova economia mundial, será preciso muito tempo, e isso se complica ainda mais pela situação internacional. Macabramente, isso era diferente nos anos 30, já que havia internacionalmente um programa para a solução da crise: a preparação da guerra.

Hoje em dia, não é esse o caso. A forma que terá o mundo depois desta crise segue sendo algo bastante incerto.

As grandes crises que houve não são similares. A primeira, do fim do século XIX, desde a perspectiva moderna, não era uma crise, exceto para a agricultura e para os setores cujos preços caíram em decorrência dela. Os preços caíram um terço, e a agricultura era, nesse momento, claro, uma parte muito importante de todas as economias. Por outro lado, o mercado mundial e os investimentos estavam seguindo adiante, a produção aumentou enormemente. E mais: esse foi o momento em que a indústria da Inglaterra se expandiu pra outros centros. O que então fazia com que economistas como Marshall fossem pessimistas era a queda de preços, dos rendimentos e juros. Nessa situação, não se sabia como poderiam voltar os “bons tempos”. Claro que também nessa crise quem pagava era quem sofria e passava aperto.

A terceira das grandes crises, que enfrentamos hoje, está se desenvolvendo numa situação global muito diferente. Em primeiro lugar, a economia mundial se deslocou fortemente. Os centros ocidentais ainda são muito importantes. Têm um capital imenso, quase garantido, não só industrial, mas também de formação e mentalidade, e ademais, seguem sendo os com mais riqueza per capita. Mas o grande problema da nova crise é a retirada relativa dos grandes centros pelo deslocamento da produção e também dos serviços de alta qualidade para outros países. Creio que, para muitas pessoas, nos países ocidentais, as perspectivas para o século XXI são muito menos otimistas que do que para as populações dos grandes países em desenvolvimento no Oriente. É possível que não haja colapso, mas o fato da retirada, e isso também vale para a Europa, não se pode negar. Inclusive, é certo para os Estados Unidos.

Desdobramentos

Qual será o impacto político? Esse é o grande problema. A esquerda, cuja base social era a classe trabalhadora, praticamente já não existe nos países desenvolvidos.

O Brasil é um exemplo muito bom de um movimento que, para mim, como historiador, lembra-me muito o fim do século XIX na Europa: existe um vínculo entre o movimento operário das grandes indústrias com o de outros trabalhadores, com ideologia de esquerda, inclusive com os intelectuais, que dá lugar a um partido de massas. Esse, ao final, consegue levar seu principal líder ao poder, o qual é um dos poucos que foram, originalmente, de fato, proletário. Pode-se criticar muito o Lula, mas ele se corresponde com as esperanças que surgiram então na Europa. Isso não é revolucionário, mas também não o foi grande parte do movimento proletário na Europa. Queriam algo melhor que o capitalismo, mas a revolução no velho sentido não estava na ordem do dia no ocidente, nem na Europa central ou oriental, pelo menos, desde meados do século XIX. De todo modo, existe ainda um movimento de trabalhadores, mas a novidade é que a ideologia de esquerda, a ideologia originária do Iluminismo, de melhorar o ser humano e o mundo, essa ideologia teoricamente universal se viu seriamente afetada, assim como a base de massas desse movimento, e já não existe. Nem em sua forma comunista, nem na social-democrata – devem-se tratar ambas igualmente. Falou-se da crise do comunismo, que obviamente chegou ao seu final com a queda da União Soviética, mas a crise da social-democracia foi igualmente profunda e de fato ainda perdura.

E qual o resultado de tudo isso? Essas forças já não podem ser hegemônicas – mesmo que alguns partidos que haviam sido criações socialistas ainda existam, eles mudaram totalmente. O novo trabalhismo já não é o trabalhismo. Em alguns países, como a Alemanha, a tradição da social-democracia não se desenvolveu tanto quanto na Inglaterra, mas lá também mudou radicalmente. Contra tudo isso, vêm esses novos fenômenos: tenho medo porque, nos anos 30, não foi a esquerda a beneficiária da grande crise em boa parte da Europa, e sim, o contrário. Com exceção dos Estados Unidos, que giraram, naquele tempo, relativamente à esquerda, houve uma retração de toda a esquerda na Europa frente à ascensão do fascismo, de um movimento fascista que não podemos negar que tinha uma base social de massa. Assim era não só na Itália e na Alemanha, mas em países menores também. Disso, tenho medo.

Trata-se de movimentos que, em tese, não estão vinculados ao livre mercado. Nos últimos 50 anos, o conservadorismo e o livre mercado se aproximaram tanto que, nos Estados Unidos e na Europa, chegaram a ser praticamente a mesma coisa. Os conservadores são gente que insiste no livre mercado. Mas esse não é o caso da extrema direita, que não tem medo de romper tabus. A isso se acrescenta a insegurança total da ordem mundial.

Portanto, a curto prazo, não sou muito otimista. No transcurso dos próximos 20 ou 30 anos, será gerado um novo sistema mundial, assim, o capitalismo poderia continuar funcionando outros 30 ou 40 anos até que suas contradições internas se desenvolvam outra vez – a não ser que, enquanto isso, aconteçam catástrofes, o que nunca é impossível. Mas o que acontecerá com os interesses sociais das populações e dos povos, isso, absolutamente, não está claro.

De todo modo, pelo que sei, não há sociedade em que não exista o conceito de injustiça. Por isso, não deveria haver nenhuma em que pessoas não se indignem contra ela.

* Esse texto é parte de uma entrevista publicada na revista espanhola “El Viejo Topo” (www.elviejotopo.com) em dezembro de 2009. Originalmente publicada em alemão, no livro Zwischenwelten und Übergangszeiten. Interventionen und Wortmeldunge (traduzindo para o português, “Mundos Intermediários e Períodos de Transição. Intervenções e Mensagens.”), que contém artigos e entrevistas de Éric J. Hobsbawm e foi editado por Friedrich-Martin Balzer e Georg Fülberth, editora PapyRossa Verlag, Colônia, Alemanha.Tradução de Alessandra Terribili.

Revista Veja







14 de maio de 2010

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Edição da semana (n° 2165 - 19 de maio de 2010)


Negócios
O milionário mora ao lado
• 11 mulheres e homens que enriqueceram dão a receita de como aproveitar a maré alta da economia
• Por que os dólares acharam o caminho do Brasil

• Índice da edição




Entrevista
Simon Murray conta como foi alistar-se na Legião Estrangeira
EUA
Os testes de DNA estarão disponíveis em farmácias





Economia
As receitas para ser muito rico
A cada dez minutos, há um novo milionário no Brasil. Especial
A vida da mulher no Afeganistão
Elas casam cedo e ainda escondem-se em burcas.




Cultura
Como a arte ajudou a reeguer Nova Orleans após o Katrina
Futebol
Dunga fez a coisa certa: contra o clamor popular





Educação
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Negros Ainda são Vítimas de Escravidão

Folha, 13.05.2010



Negros ainda são vítimas de escravidão

De cada 4 trabalhadores libertados no país, 3 são pretos ou pardos, diz estudo de economista da UFRJ



ANTÔNIO GOIS

DA SUCURSAL DO RIO



Passados 122 anos desde a Lei Áurea, 3 em cada 4 trabalhadores libertados de situações análogas à escravidão hoje são pretos ou pardos.



É o que mostra um estudo do economista Marcelo Paixão, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, feito a partir do cadastro de beneficiados pelo Bolsa Família incluídos no programa após ações de fiscalização que flagraram trabalhadores em situações que, para a ONU, são consideradas formas contemporâneas de escravidão.



São pessoas trabalhando em situações degradantes, com jornada exaustiva, dívidas com o empregador -que o impedem de largar o posto- e correndo riscos de serem mortas.



Paixão, que publica anualmente um Relatório de Desigualdades Raciais (ed. Garamond), diz que foi a primeira vez em que conseguiu investigar a cor ou raça desses trabalhadores, graças à inclusão do grupo no Bolsa Família.



Os autodeclarados pretos e pardos -que Paixão soma em seu estudo, classificando como negros- representavam 73% desse grupo, apesar de serem 51% da população total do Brasil. Tal como nas pesquisas do IBGE, é o próprio entrevistado que, a partir de cinco opções (branco, preto, pardo, amarelo ou indígena) define sua cor.



Para o economista, "a cor do escravo de ontem se reproduz nos dias de hoje. Os negros e índios, escravos do passado, continuam sendo alvo de situações em que são obrigados a trabalhar sem direito ao próprio salário. É como se a escravidão se mantivesse como memória".



Pretos e pardos são maioria entre a população mais pobre. Segundo o IBGE, entre os brasileiros que se encontravam entre os 10% mais pobres, 74% se diziam pretos ou pardos.



Para Paixão, ainda que hoje a cor não seja o único fator a determinar que um trabalhador esteja numa condição análoga à escravidão, o dado sugere que ser preto ou pardo eleva consideravalmente a probabilidade.

Negro ou Preto

Caro Heitor,

este tipo de discussão não faz sentido, o que temos é que uma pessoa com a tez mais escura possui maior proteção contra os efeitos negativos do Sol. Foi um processo natural, o qual oocorreu e ocorre inclusive com os descendentes de alemães no Vale do Itajaí e os pomeranos no Espírito Santo, regiões muito quentes e ensolaradas, não apenas no verão. Lá estão a cada geração mais resistentes, mantendo a pigmentação como proteção por períodos maiores. O mesmo ocorre com os descendentes de alemães em Namíbia e na Tanzânia (Tanganika) e o processo inverso dos que de lá imigraram para a Alemanha, ou dos que migraram da Bahia para o Sul.

Quanto ao termo preto, não sei a razão dele ser considerado como pejorativo, se é que é? Se souber, favor me repassar. Quanto ao termo afrodescendente, também não é o mais adequado, pois contempla desde líbios e marroquinos até sul-africanos. Na sua maioria nada representativo da maioria dos brasileiros.

Quanto a reparação que você menciona, esta foi muito bem planejada por brasileiros que nos enchem de orgulho, como o Engenheiro André Pinto Rebouças, que nem mesmo é lembrado pelos hoje "afrodescendentes". Ele mais do que ninguém acreditava no potencial dos brasileiros, sem distinção de raça, credo, etc.. Nos dias atuais não faz mais sentido, pois não há mais nenhuma pessoa daqueles tempos viva. Se devemos enveredar por um debate sobre o tema escravidão, recomendo que antes leia o artigo do Rodrigo Constantino "Escravidão e Racismo" abaixo.

"Fala-se tanto da necessidade de deixar um Brasil melhor para os nossos filhos, defende-se o indefensável, como o socialismo, os Movimentos (anti)Sociais e o clientelismo político, e esquece-se da urgência de deixarmos filhos melhores para o nosso Brasil do futuro. Não podemos aceitar a divisão da sociedade pela cor da pele e a prática do capitalismo de comparsas e do socialismo de privilegiados em detrimento do compromisso com o ensino fundamental de qualidade, que venha a privilegiar o desenvolvimento do potencial de todos os brasileirinhos e o reconhecimento dos brasileiros através do mérito". (Gerhard Erich Boehme)

Quanto a defesa do socialismo, vejo que se inserirmos nela a componente racial ou étnica, o que ocorre é tão somente a manipulação, a criação de novos currais eleitorais, distantes neste caso da possibilidade de se assegurar a dignidade humana e a a preservação da liberdade. E neste ponto me pergunto, é aceitável viver sobre mentiras e não sobre verdadeiros valores?

"As massas não buscam a reflexão crítica: simplesmente, seguem suas próprias emoções. Acreditam na teoria da exploração porque ela lhes agrada, não importando que seja falsa. Acreditariam nela mesmo que sua fundamentação fosse ainda pior do que é". (Eugen von Böhm-Bawerk 1851-1914)

"Além disso, o homem, criado para a liberdade, leva em si a ferida do pecado original, que continuamente o atrai para o mal e o torna necessitado de redenção. Esta doutrina é não só parte integrante da Revelação cristã, mas tem também um grande valor hermenêutico, enquanto ajuda a compreender a realidade humana. O homem tende para o bem, mas é igualmente capaz do mal; pode transcender o seu interesse imediato, e contudo permanecer ligado a ele. A ordem social será tanto mais sólida, quanto mais tiver em conta este facto e não contrapuser o interesse pessoal ao da sociedade no seu todo, mas procurar modos para a sua coordenação frutuosa. Com efeito, onde o interesse individual é violentemente suprimido, acaba substituído por um pesado sistema de controle burocrático, que esteriliza as fontes da iniciativa e criatividade. Quando os homens julgam possuir o segredo de uma organização social perfeita que torne o mal impossível, consideram também poder usar todos os meios, inclusive a violência e a mentira, para a realizar. A política torna-se então uma «religião secular», que se ilude de poder construir o Paraíso neste mundo. Mas qualquer sociedade política, que possui a sua própria autonomia e as suas próprias leis , nunca poderá ser confundida com o Reino de Deus. A parábola evangélica da boa semente e do joio (cf. Mt 13, 24-30. 36-43) ensina que apenas a Deus compete separar os filhos do Reino e os filhos do Maligno, e que o julgamento terá lugar no fim dos tempos. Pretendendo antecipar o juízo para agora, o homem substitui-se a Deus e opõe-se à sua paciência". (Johannes Paulus II - Carol Wojtyla)

Para os que defendem qualquer ideologia de esquerda ou a perversa Teoria da Libertação, disseminada por falsos pregadores católicos, destaco a seguinte frase do texto, onde o Papa João Paulo II apresenta a essência do Princípio da Subsidiariedade:

... Com efeito, onde o interesse individual é violentemente suprimido, acaba substituído por um pesado sistema de controle burocrático, que esteriliza as fontes da iniciativa e criatividade. ...

Nesta frase entendemos o fracasso do socialismo.

Quanto ao nosso presidente e suas declarações, realmente ele é mercedor do título: PresiMente.

"A primeira vez que você vier a mentir e eu acreditar, a culpa será sua. A segunda, será minha" (Theodor Boehme)

"Quando alguém mente, está roubando de alguém o direito de saber a verdade. Quando alguém trapaceia, está roubando o direito à justiça". (Khaled Hosseini em The Kite Runner - O caçador de pipas. Tradução de Maria Helena Rouanet - Editora Nova Fronteira) Abraços,


Gerhard Erich Boehme
gerhard@boehme.com.br
(41) 8877-6354
Skype: gerhardboehme
Caixa Postal 15019
80811-970 Curitiba PR

“Um Estado, o chamado 1º Setor, deve apenas atuar subsidiariamente¹ frente ao cidadão e não estar voltado para ocupar o papel que cabe ao 2º Setor - pois assim se cria o estado empresário e com ele fomenta-se o clientelismo, a corrupção e o nepotismo - ou 3º Setor - pois assim se promove o Estado populista que cria ou alimenta os movimentos (anti-)sociais, o paternalismo e o assistencialismo, bem como que abre espaço para a demagogia político e perda da liberdade e responsabilidade do cidadão. Caso contrário ele acaba criando o 4º Setor - quando o poder coercitivo (tributação, defesa nacional, justiça e segurança pública) do Estado deixa de ser exercido por ele e é tomado por parte de segmentos desorganizados ou não da sociedade - cria-se então o Estado contemplativo, que prega a mentira, pratica a demagogia e o clientelismo² e cria o caos social através da violência e desrespeito às leis”. (Gerhard Erich Boehme)

Entenda melhor: http://www.youtube.com/watch?v=GwGpTy-qpAw




Escravidão e Racismo



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Rodrigo Constantino

constantino.rodrigo@gmail.com





"A sociedade civil tem por base primeira a justiça, e por fim principal a felicidade dos homens; mas que justiça tem um homem para roubar a liberdade de outro homem, e o que é pior, dos filhos deste homem, e dos filhos destes filhos?" (José Bonifácio)



Quando se fala em escravidão, logo vem à mente a imagem de um homem branco do ocidente mantendo um escravo negro africano. No entanto, uma análise histórica da escravidão como instituição logo rejeita esta visão racista, pois a escravidão existiu por milhares de anos, muitas vezes entre a mesma "raça". Como explica Thomas Sowell, "os negros não viraram escravos porque eram negros, mas porque eles estavam disponíveis no momento". Brancos escravizaram outros brancos por séculos na Europa antes dos negros serem trazidos para o continente. Além disso, asiáticos escravizaram outros asiáticos, africanos escravizaram outros africanos, e os nativos do hemisfério ocidental escravizaram outros nativos. A escravidão não era um fenômeno de raça.



O que torna a situação americana peculiar não é apenas o fato de a escravidão ter sido entre "raças" diferentes, mas sim dela entrar em confronto com os pilares filosóficos de liberdade predominantes no país. A Declaração de Independência, escrita pelos "pais fundadores" da nação, pregava a igualdade de todos os homens perante as leis, com base no direito natural. Tamanha a sua influência na mentalidade do povo, era visivelmente contraditório manter escravos. Seria um atestado de que homens negros eram menos do que homens, um absurdo que infelizmente durou tempo demais para ser eliminado. No entanto, não podemos perder de vista o fato de que ali estavam as sementes para a abolição. Na maior parte do mundo, na mesma época, ninguém parecia ver nada de errado com a escravidão. Há um século, apenas o ocidente condenava a escravidão, e há dois séculos, somente uma pequena parcela dele o fazia. O restante conviva com bastante naturalidade com a escravidão. Foi o maior poder bélico e econômico ocidental que possibilitou a imposição da abolição em outras partes do globo.



Algumas pessoas, com um viés marxista que enxerga o dinheiro como causa de tudo, argumentam que somente o interesse econômico fez com que o ocidente resolvesse acabar com a escravidão. Em primeiro lugar, eles devem explicar porque a escravidão durou tantos séculos então. É fato que a escravidão é ineficiente do ponto de vista econômico, pois o capitalismo mostrou como trabalhadores livres e motivados podem ser bem mais produtivos. Mas seria curioso entender porque somente no século XIX essa lógica prevaleceu, especificamente no ocidente. Na verdade, foram as idéias liberais que enterraram de vez a escravidão. Idéias de pensadores como John Locke, abraçadas pelos "pais fundadores" dos Estados Unidos, que defenderam a liberdade individual como um direito natural, acima de qualquer lei escrita. Os principais abolicionistas baseavam sua causa em princípios morais, retomando a idéia da lei natural advogada por Thomas Jefferson na Declaração, que era usada diretamente para defender seus argumentos.



O famoso caso Amistad de 1839 foi o primeiro no qual se apelou para a Declaração, e o ex-presidente americano John Quincy Adams fez uma defesa eloqüente dos africanos presos. Seu longo discurso diante da Suprema Corte contou com o seguinte argumento: "No momento em que se chega à Declaração de Independência e ao fato de que todo homem tem direito à vida e à liberdade, um direito inalienável, este caso está decidido". Abraham Lincoln foi outro que apelou constantemente à Declaração para defender a causa abolicionista. O texto foi uma vez mais invocado por outro grande defensor da igualdade perante a lei, Martin Luther King Jr. Seu mais famoso discurso, sobre seu sonho de viver numa nação livre, faz alusão direta ao trecho da Declaração onde todos os homens são criados iguais, uma verdade evidente por si mesma. Outro abolicionista conhecido, David Walker, escreveu em 1823 um texto usando os trechos da Declaração, e questionando se os americanos compreendiam o que estava sendo dito ali. Enfim, os maiores defensores da abolição beberam diretamente da fonte liberal presente na Declaração de Independência.



No Brasil, o combate à escravidão contou com um forte aliado na figura de José Bonifácio, o Patriarca da Independência. Seus argumentos, em discurso pronunciado na Assembléia-Geral em 1824, eram claramente influenciados pela visão liberal. Bonifácio chegou a apelar para o argumento econômico também, explicando que os agricultores não deveriam temer o fim da escravidão, que seria inclusive benéfico para seus negócios. Ele questiona: "Mas como poderá haver uma Constituição liberal e duradoura em um país continuamente habitado por uma multidão imensa de escravos brutais e inimigos?" Mas o pilar de seu discurso era moral. Contra os defensores da escravidão com base no direito de propriedade, eis o que Bonifácio argumentou: "Não é, pois, o direito de propriedade, que querem defender, é o direito da força, pois que o homem, não podendo ser coisa, não pode ser objeto de propriedade". E acrescentou ainda: "Não basta responder que os compramos com o nosso dinheiro; como se o dinheiro pudesse comprar homens! – como se a escravidão perpétua não fosse um crime contra o direito natural". Em resumo, a escravidão é injusta, pois ignora que todos os homens merecem tratamento igual perante as leis, e que nascem livres.



Muitos dos que alimentam a visão estritamente racista da escravidão são os mesmos que costumam condenar o liberalismo. No fundo, gostam sempre de atacar a cultura ocidental, pintando um quadro extremamente negativo do homem branco, particularmente o anglo-saxão. São curiosamente adeptos de uma esquerda que tantas vezes enalteceu o socialismo, mesmo que seu resultado tenha sido justamente o retorno da escravidão. Talvez por um estranho sentimento de culpa, essa elite branca seja a voz mais estridente na demanda por reparação, exigindo medidas racistas, como as cotas. Não obstante o fato de que nem mesmo um pai transfere dívida líquida para seu filho, querem jogar nos ombros de inúmeros brancos inocentes um pesado fardo para carregar. Falar sobre a escravidão na própria África não agrada esta agenda "politicamente correta", e por isso nunca se lê sobre ela na grande mídia. Negros com escravos negros? E quem vai reparar quem?



Esses defensores de cotas deveriam pensar bem antes de falar em compensação com base na história. Um estudo mais cauteloso mostraria que esta visão coletivista faria com que praticamente todos devessem alguma compensação a todo mundo. E para quem preferir atacar a cor do autor desses argumentos, em vez dos próprios argumentos em si, lembro que Thomas Sowell expôs exatamente esta linha de raciocínio. Ele é negro.



A escravidão não depende do racismo. A escravidão, que foi a regra durante quase toda a história da humanidade, deve ser combatida com base nos princípios liberais de igualdade perante as leis, pois todos nascem livres e desfrutam dessa liberdade como um direito natural. É justamente essa igualdade que os defensores das cotas tentam derrubar. Em nome do combate ao racismo, uma parte da esquerda resolveu pregar o retorno da escravidão. Devemos usar, uma vez mais, os argumentos presentes na Declaração de Independência americana contra esses movimentos, para preservar a nossa liberdade.



http://rodrigoconstantino.blogspot.com

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HEITOR (((((º_º))))) CARLOS
http://portodoscasa is.blogspot. com/
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Comentário do Leitor

Boa Tarde,
Entro em contato para convidar você a visitar nosso site www.unidosdadoze.com.br .
Somos uma entidade sem fins econômicos que atua em projetos sociais na comunidade carente do Parque Dorotéia, Zona Sul de São Paulo/SP.
Veja nossos projetos!
Estamos à disposição.
Muito obrigado,
Associação Esportiva Unidos da Doze

Pedofilia na Internet

Polícia Civil ministra palestra sobre combate à pedofilia na internet
17/05/2010 15:41


O delegado de Polícia Emerson Wendt, diretor da divisão de análise da Secretaria de Segurança Pública e especialista em crimes virtuais, irá ministrar palestra alusiva ao dia nacional de combate à pedofilia na internet.

O evento será realizado no dia 18 de maio, às 13h30m, na Escola de Educação Profissional Alcides Maya, situada na Rua Dr. Flores, 396. O objetivo da palestra é agir preventivamente no combate à pedofilia na internet, e terá como público-alvo diretores de escolas públicas e/ou seus representantes e alunos.

Fonte: Ascom PC

Suspeito de Assalto de Lotérica é Preso

Polícia Civil de Alvorada identifica suspeito de assaltar lotérica
17/05/2010 18:01


Agentes da 1ª Delegacia de Polícia de Alvorada identificaram um dos autores do assalto ocorrido na última sexta-feira (14), em uma lotérica no centro de Alvorada. Quatro indivíduos armados levaram dinheiro da loja e de clientes, fugindo em um veículo com placas clonadas.

Um dos assaltantes, foragido da Justiça, já está preso. Com ele foi apreendido um revólver calibre 38, numeração raspada e o veículo utilizado no assalto, que foi roubado no bairro Cristo Redentor, zona norte de Porto Alegre.

Segundo o delegado Marcos Machado, a mesma quadrilha é suspeita de assaltar duas casas lotéricas na semana passada, no centro de Viamão.

Fonte: Ascom PC

Mensagem

Jornalismo no Oriente Médio

Caro Fábio,

me desculpe, mas você e, em especial o oclocrata, o Emir Sader, não estão sendo imparciais, muito ao contrário, estão revestidos de uma pregação ideológica injustificada e muita desinformação.

O que temos em curso é a continuada defesa dos ideais de um Foro São Paulo, do qual Emir Sader tem participado, o qual possui, além da defesa de uma ideologia superada pelo tempo e pelos resultados que produziu, as suas alianças com o que existe de pior hoje no Oriente Médio, com Mahmoud Ahmadinejad (também escrito Ahmadinezhad) (محمود احمدی‌نژاد). Ele que também alimenta o atual conflito, sendo um dos responsáveis pelas consequências do mesmo.

Comentários deste tipo, como os apresentados por Emir Sader, desconsideram que Israel é uma das poucas democracias na região, a qual compartilha com a Jordânia, cujo país, por ser uma monarquia constitucional tem conseguido suaestabilidade e desenvolvimento, muito embora tenha restrições quanto aos recursos naturais.

Antes de tudo recomendo que acessem e leiam com atenção as informações de ambas as partes. Neste sentido indico http://israelnamidia.blogspot.com/ e http://www.deolhonamidia.org.br.

"Educação serve pouco se as pessoas não forem livres. É só lembrar o que aconteceu nos países socialistas, onde a educação era considerada de qualidade." (Gerahrd Erich Boehme)

Muros separaram pessoas de cultura e educação iguais e as submeteram a instituições políticas e econômicas diferentes. Trinta anos depois, eram sociedades muito diferentes em prosperidade e liberdade. Caso das Alemanhas, das Chinas e Coréias. E até mesmo na Palestina da atualidade, entre os palestinos que vivem a favor ou contra uma das poucas democracias da região. Muita riqueza e liberdade de um lado do muro, muito pobreza e escravidão do outro lado. Um muro separa os EUA do México. Saltam o muro os menos educados e os mais pobres. Os 27 milhões de mexicanos que vivem nos EUA têm renda superior aos 107 milhões que vivem no México. Os muros indicam que, em qualquer lugar e cultura, as entidades fazem enorme diferença em prosperidade e liberdade. Em que pese a população de Israel ser predominantemente judaica, possui uma minoria árabe na sua maior parte muçulmana, embora também existam árabes cristãos, circassianos e drusos. Dos 7,0 milhões de habitantes de Israel, 81% são judeus ou de outra origem étnica, enquanto 19% são árabes. Em termos religiosos, 77% são judeus, 16% Muçulmanos, 4% cristãos, 2% Druzos. Em Israel vivem também aproximadamente 300 mil imigrantes não-judeus, de várias origens, que vieram como trabalhadores temporários, a grande maioria formada por palestinos. Em Jerusalem Oriental, 12.000 palestinos - a uma média de 300 por ano - obtiveram a cidadania israelense desde a anexação por Israel dessa parte da cidade em consequência da Guerra dos Seis Dias (1967), o que é um número relativamente pequeno, considerando 240 mil palestinos que não são cidadãos de pleno direito de Israel e que moram em Jerusalém, a maioria goza do status de residente permanente na disputada cidade, o que lhes permite aceder serviços sociais, médicos e municipais, e de ajuda às famílias.

Estima-se mais de 2 mil brasileiros, sem descendência judaica ou árabe e mais de 5 mil alemães, na maioria luteranos. Também lá em Israel, antes de se tornar alvo do Hamas, muitos palestinos, muito mais que hoje, viviam, ou em parte de seu dia-a-dia, viviam em Israel, seja para trabalhar ou estudar.

"A educação só produz resultados em sociedades em que as pessoas podem fazer escolhas pessoais e econômicas, dando-lhes a oportunidade de serem criadoras e descobridoras." (Odemiro Fonseca em "Benefícios da liberdade")

Abraços,

Gerhard Erich Boehme
gerhard@boehme.com.br
(41) 8877-6354
(13) 9707-4377
Skype: gerhardboehme
Caixa Postal 15019
80811-970 Curitiba PR


Novo conflito no Oriente Médio


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Fernando Malburg da Silveira




Referir a um novo conflito no Oriente Médio talvez não seja a forma mais adequada de retratar o que lá acontece. Na verdade, a região é convulsionada desde os tempos bíblicos; e o “novo” conflito, iniciado em julho de 2006 e não terminado no momento em que este artigo é escrito, é apenas o mais recente capítulo na história dessa conturbada região, desta vez representado pelos confrontos das forças israelenses com o Hamas na faixa de Gaza e o Hezbollah no sul do Líbano.



Habitado desde remotas eras da civilização humana, o Oriente Médio é uma das regiões mais problemáticas do planeta. Trata-se de área de enorme importância estratégica, quer sob o prisma econômico – pois abriga no subsolo do mundo árabe e persa o petróleo que move o mundo -, quer sob o enfoque geopolítico e militar – de vez que situa-se na rota de comunicação entre a Europa e a Ásia. Além disso, é região de um passado milenar de antagonismos religiosos, que já deram causa a muitos morticínios de cristãos, muçulmanos e judeus, desde os tempos bíblicos.



Um aspecto de grande relevância merece atenção nos tempos modernos: as circunstâncias econômicas do mundo atual já não permitem que se reduza os conflitos árabe-israelenses tão somente ao contencioso religioso entre muçulmanos e judeus, por mais graves que sejam as incompatibilidades e as intolerâncias de ambos. Trata-se hoje de conflito multidimensional, ou seja, econômico, geopolítico, étnico e religioso. Dentre esses ingredientes, todos explosivos, é fato que se destaca, por seu potencial de radicalização e geração de ódios, o componente de natureza religiosa que coloca em pólos opostos os judeus e o mundo islâmico. O sionismo e o islamismo são os grandes protagonistas atuais do contencioso e de seus alastramentos; e a Jihad, que literalmente significa luta em árabe, é enaltecida pelos muçulmanos, com base no Corão (o livro sagrado do Islã), para indicar o caminho da libertação do mundo islâmico das influências ocidentais, tendo recebido a conotação de Guerra Santa nos escritos da sharia’ah (a lei islâmica estabelecida no século que se seguiu à morte do profeta Mohammad, ou Maomé, disseminador do Islã).



Conflitos do passado distante



Há registros históricos de que tribos israelitas povoaram, desde 1.250 AC, as terras de Canaã, após o Êxodo que marcou a libertação dos antepassados dos atuais judeus de seu cativeiro no Egito, para onde haviam emigrado cerca de 1.700 anos antes de Cristo. Libertados do jugo dos faraós e liderados por Moisés, após 40 anos vivendo como nômades na península do Sinai, as tribos israelitas empreenderam a longa jornada rumo a Canaã, guerreando e exterminando (apesar de um dos dez mandamentos recebidos por Moisés no Monte Sinai rezar "Não matarás") todos os povos que habitavam o caminho e ocupavam a região desejada. Falecendo Moisés, foi Josué quem finalmente liderou o restante da jornada e continuou as guerras de extermínio das populações locais (o que provavelmente foi a primeira Guerra Santa da História, conduzida - segundo as Escrituras - a conselho divino pelos israelitas contra as populações que habitavam a Palestina). Foi pela guerra que as doze tribos de Israel se estabeleceram na “Terra Prometida” por Deus aos descendentes de Abraão, após longa e cruel campanha militar, marcada pela impiedosa destruição de todas as sociedades que pudessem obstaculizar a missão. Mais tarde, derrotados pelos assírios em 722 AC e pelos babilônicos em 586 AC, foram os israelitas exilados, mas sempre voltaram à terra ancestral. Sob a dominação romana os judeus foram novamente banidos da área, resultando a grande diáspora ordenada pelo imperador Tito no ano 70 da era cristã. Nas ausências dos israelitas e ao longo de séculos, povos que seriam os ancestrais dos palestinos de hoje procuravam estabilizar-se naquelas terras. Com o desmonte do império romano pelas invasões bárbaras, essas terras passaram à dominação do império bizantino (antigo império romano do Oriente). Com a queda de Bizâncio teve lugar a expansão do império árabe, que ocupou a região trazendo consigo a religião muçulmana, que proliferava no Oriente Médio desde os anos 600 DC, fruto das pregações do profeta Maomé.



Maomé, O Mensageiro, iniciou em 610 da era cristã o amálgama do povo árabe em torno de uma nova fé, o islamismo, religião monoteísta que representa a submissão à vontade de Deus e encontra sua definição e ordenamento no Corão, livro sagrado que, segundo o profeta do Islã, teve seu conteúdo a ele ditado por Alah, Deus único do Islã, por intermédio do anjo Gabriel. A migração de Maomé de Meca para Medina, em 622, é o marco inicial da era muçulmana e da expansão do islamismo.



É curioso observar que, até o surgimento do islamismo e do Corão, o livro que registra a história dos judeus (ou israelitas, como eram denominados na antiguidade) era adotado como livro sagrado pelos cristãos e pelos povos árabes que hoje formam o mundo islâmico. Trata-se da Bíblia. Na verdade, a Bíblia cristã, o Corão dos islâmicos e a Torah dos judeus consagram, para as três religiões monoteístas principais (cristianismo, judaísmo e islamismo), princípios historicamente e teologicamente relacionados à veneração de um mesmo e único Deus; e pregam os mesmos princípios de amor ao próximo, benevolência, tolerância, piedade e repulsa à violência. Não obstante, cristãos, judeus e muçulmanos jamais hesitaram em lançar mão da guerra para alcançar seus objetivos maiores. As guerras das tribos de Israel, rumo a Canaã, contra os habitantes da Palestina; as várias Cruzadas da Idade Média, desencadeadas pelos cristãos europeus contra os muçulmanos para tomar Jerusalém (a primeira delas convocada pelo Papa Urbano II, em 1.095, e todas visando libertar Jerusalém do domínio muçulmano); e os atuais conflitos árabe-israelenses que incendeiam o Oriente Médio, presentemente extravasando na forma de terrorismo islâmico para os países simpatizantes de Israel (vide o ataque às torres gêmeas e ao Pentágono, nos EUA, em 2001), são manifestações da Guerra Santa, a Jihad, que portanto existe há milênios e não dá sintomas de se extinguir. Depreende-se que a Guerra Santa, seja durante o Êxodo judeu para Canaã, seja durante os séculos das Cruzadas, seja na forma da Jihad islâmica dos tempos presentes, não é uma postura guerreira exclusiva de qualquer das três religiões que ensangüentaram aquelas terras ao longo dos tempos: todas a praticaram, embora sua versão islâmica dos tempos atuais seja mais chocante, por sua divulgação visual instantânea pela mídia eletrônica e por nos afetar diretamente.



O grande conflito que, a cada nova guerra, permanece vivo até os dias presentes (sem perspectivas de terminar bem) é um milenar contencioso entre povos cujas convicções religiosas eram similares, construídas sobre os mesmos pilares da crença e dos costumes sociais, mas que hoje vivenciam, no cenário judaico e islâmico, antagonismos capazes de colocar em risco a paz mundial. É importante observar, ainda, que embora as nações que hoje se digladiam no Oriente Médio vivessem há milênios na área dos conflitos, seus Estados e fronteiras são bastante recentes e ainda não consolidados, como se verá a seguir, o que em parte pode ser uma das causas de não terem muçulmanos e judeus logrado uma convivência pacífica na região.



Conflitos dos tempos mais recentes



Até as vésperas da 1ª Guerra Mundial o que se entende hoje por Palestina ocupava 26 mil quilômetros quadrados, abrigando cerca de um milhão de palestinos e 100 mil judeus, sob a dominação turca otomana. Com a derrota dos turcos na Grande Guerra, a Síria e o Líbano ficaram sob o domínio da França; e a Palestina passou à dominação britânica, tendo a Inglaterra se comprometido a ali criar um Estado judaico para os judeus da Palestina, dessa forma incentivando uma nova imigração desse povo, então disperso pelo mundo. Essa imigração se deu fortemente amparada pelo movimento sionista mundial, lançado ao final do século XIX pelo húngaro Theodor Hertzl. Desde então, os renovados objetivos dos judeus eram o novo retorno à "Terra Prometida", a Palestina, então ocupada majoritariamente, há séculos, pelos palestinos; a criação do Estado de Israel; e a realização do sagrado dever de uma nova reconquista de Jerusalém (disputada também há muitos séculos por cristãos, judeus e muçulmanos como cidade sacra). Observe-se que a posse de Jerusalém, cidade sagrada para as três maiores religiões monoteístas do planeta, está no epicentro de muitos conflitos do passado e do presente (e provavelmente do futuro, face ao radicalismo que norteia o pensamento religioso de judeus e islâmicos).



Os assuntos do Oriente Médio passaram, após a 1ª GM (1914/18), a ser decididos nas capitais dos vencedores, Londres e Paris, sem levar na devida conta a história, a cultura, as tradições e a vontade dos povos que o habitavam. As reações anti-colonialistas não tardaram a surgir no mundo árabe. Foi fundada, no Egito, a Irmandade Muçulmana, firmemente disposta a expulsar os estrangeiros e a restabelecer o respeito aos princípios do Corão e aos costumes do Islã. Aí reside o berço do fundamentalismo islâmico, fruto da pregação da fiel observância à lei islâmica, que determina ser dever de todo muçulmano, entregando sua vida se necessário, libertar suas terras sagradas de qualquer dominação ou influência dos ocidentais infiéis. As primeiras guerrilhas contra os ocupantes estrangeiros então começaram a manchar de sangue a terra.



Paralelamente, a Europa enfrentava uma seqüência de crises nacionais e conflitos internos, que resultaram na 2ª. Guerra Mundial (1939/45). Na Alemanha, Hitler construiu uma formidável força bélica e, nos anos 30, iniciou uma implacável perseguição aos judeus espalhados pela Europa, que responsabilizava pelos males do mundo. Isso reforçou a imigração destes para várias partes do planeta, principalmente para a Palestina. Com o término da 2ª. GM os britânicos, desgastados politicamente pela ocupação e militarmente pelas guerrilhas, decidiram deixar a Palestina, colocando sobre os ombros da ONU a solução dos milenares problemas locais. Assim é que, em 1947/48 a ONU, então presidida pelo brasileiro Oswaldo Aranha, aprovou um plano de divisão das terras em disputa, contemplando a existência de dois Estados, um judeu (com 57% da área) e um palestino (com 47%). Jerusalém ficava sob gestão internacional. Na época habitavam a região 600 mil judeus e 1 milhão e 300 mil palestinos. O mundo árabe, como era de se esperar, rechaçou essa proposta. Ainda assim os judeus decidiram proclamar em 1948 a existência do Estado de Israel, consoante seus antigos desideratos; e assim fizeram com o apoio das potências ocidentais, interessadas nas maiores jazidas de petróleo do planeta.



Palestinos e árabes recusaram-se a reconhecer o novo Estado, acendendo o estopim da primeira guerra árabe-israelense dos tempos modernos (1948/49). Israel não só venceu o conflito contra a Liga Árabe (Egito, Síria, Jordânia e Líbano) como, ainda, expandiu suas fronteiras, ocupando quase 80% da área da faixa de Gaza. O pretendido Estado Palestino sucumbiu, dividido entre Israel, Jordânia (que tomou a Cisjordânia) e Egito (que ficou com Gaza). Tem nascedouro neste conflito a Questão Palestina, marcada pela fuga de quase um milhão de palestinos das áreas ocupadas militarmente por Israel e agravada pelo enfraquecimento, em 1952, da decisão da ONU sobre um país palestino. É a diáspora palestina, dispersando esse povo pela região, passando os deslocados a viver em condições precárias em acampamentos de refugiados espalhados pelos países vizinhos ou tornando-se um povo errante, tal como ocorrera dois mil anos antes com os judeus.



Passados sete anos o Oriente Médio foi palco, em 1956, de uma segunda guerra entre árabes e judeus, desta feita causada pela nacionalização do Canal de Suez pelo nacionalista Gamal Abdel Nasser, presidente do Egito (que derrubara a monarquia egípcia em 1952). Israel, França e Grã-Bretanha juntaram-se militarmente contra Nasser, cuja derrota foi evitada pela intervenção de americanos e soviéticos, sob a lógica da Guerra Fria que passou a dividir o mundo em duas áreas geopolíticas de influência. Prevaleceu o jogo do equilíbrio bipolar entre Moscou e Washington, pois não interessava aos EUA nem à URSS o domínio egípcio sobre aquela via estratégica de navegação marítima; o canal permaneceu nacionalizado, mas aberto à navegação de todos os interessados. Como parte dos acordos de então, Israel desocupou a Península do Sinai e recuou para as fronteiras de 1949. Uma Força de Emergência da ONU (da qual tropas brasileiras fizeram parte) estabeleceu-se em Gaza, de onde só saiu em 1967.



A Questão Palestina, porém, tomou vulto e gerou reações, desde 1956. Foi criada em 1959 a Al-Fatah, organização combatente cujo nome significa “reconquista” em árabe. Dentre seus fundadores, destacava-se Yasser Arafat, um engenheiro nacionalista palestino, simpatizante de Nasser. Mais adiante, em 1964, diante dos fracassos dos esforços para que a ONU equacionasse a contento os problemas de seu povo, Arafat criou a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), que de pronto iniciou guerrilhas contra Israel para a retomada das áreas ocupadas pelos judeus. A pregação da destruição do Estado de Israel, inicialmente defendida por Nasser, passou a ganhar força e adeptos no mundo árabe. O Oriente Médio tornou-se um barril de pólvora, e dissipou-se qualquer possibilidade de uma coexistência pacífica entre árabes e judeus.



Não tardou uma terceira guerra, ocorrida em 1967, tão logo as forças de paz da ONU retiraram-se da fronteira entre Egito e Israel. Com auxílio logístico dos Estados Unidos, Israel atacou simultaneamente o Egito, a Síria e a Jordânia, que alegadamente preparavam uma ação militar conjunta contra o Estado judeu. A surpresa permitiu que toda a aviação desses países árabes fosse neutralizada no solo; e em seis dias de combates (daí o nome de Guerra dos Seis Dias) Israel saiu novamente vitorioso. As forças israelenses voltaram a ocupar a faixa de Gaza, a Península do Sinai, as colinas sírias de Golan e a Cisjordânia jordaniana. O êxodo palestino, por conseqüência, aumentou, tendo em 1968 sido avaliado em 1 milhão e 600 mil os refugiados palestinos espalhados em Gaza, Cisjordânia e sul do Líbano. A Al-Fatah e outros grupos radicais intensificaram as ações terroristas contra Israel. Em 1969 Yasser Arafat assumiu pessoalmente a direção da OLP, que crescia como organização líder dos extremistas que pregavam a destruição de Israel. Os países árabes perderam o controle da organização, tendo chegado a ocorrer um ataque contra suas bases, em 1970, ordenado pelo rei Hussein da Jordânia, operação que passou à História com o nome de Setembro Negro. A OLP teve que se transferir para o Líbano e, mais tarde, para a Tunísia, devido às divergências entre os próprios países árabes, receosos de terem seus Estados ameaçados por abrigarem a organização extremista. Milhares de palestinos morreram nesses conflitos internos.



Em 1973 teve lugar novo confronto militar, quando Síria e Egito (este agora governado pelo sucessor de Nasser, Anuar Sadat) atacaram Israel na sua data religiosa (Yom Kippur para os judeus e Ramadã para os árabes), objetivando a recuperação de territórios. A vantagem inicial dos árabes, que retomaram Golan e um trecho do Sinai, foi em duas semanas revertida por Israel, novamente com auxílio americano, recuperando as colinas sírias e a península egípcia. Esta quarta guerra árabe-israelense causou profundas alterações no tabuleiro de xadrez do Oriente Médio, levando o Egito para a esfera de influência americana e a Síria (onde prevalecia a ortodoxia islâmica) para a esfera soviética. Além disso, a crise do petróleo que sobreveio em 1973 elevou o preço do barril de 14 para 34 dólares, causando grande impacto na economia mundial, especialmente na Europa e Japão. A dependência do resto do mundo do petróleo árabe veio à tona em sua verdadeira grandeza.



O ano de 1979 testemunhou um acordo de paz entre Egito e Israel, fruto da distensão política da Guerra Fria (conhecida como detènte), mas isso não reduziu a violência dos atos da OLP e de outros grupos palestinos radicais, seguindo-se anos de terrorismo. Esse mesmo ano foi, também, o marco de um novo acontecimento de grande relevância no cenário: a Revolução Islâmica Iraniana, através a qual os xiitas islâmicos, liderados pelo carismático e radical aiatolá Khomeini, derrubaram a monarquia persa da dinastia Reza Pahlevi (aliado dos Estados Unidos) e proclamaram a República Islâmica do Irã. Khomeini instalou no país um regime teocrático, não influenciado pela lógica da política da Guerra Fria, que dividia o mundo sob a égide das duas superpotências, os EUA e a URSS. A jihad ganhou extraordinária força, intensificando-se a pregação da extinção de Israel e o crescimento da campanha anti-americanista. Anuar Sadat, sucessor de Nasser no Egito que vinha buscando acordos com o governo israelense de Menahen Begin, resultou assassinado por extremistas muçulmanos durante uma parada militar no Cairo, em 1981. Não ficou imune a União Soviética, que passou a ter preocupações muito maiores com os países muçulmanos separatistas ao seu redor, como o Cazaquistão, o Turcomenistão e outros da região do Cáucaso. As conseqüências, aliás, estão visíveis ainda hoje no "cinturão muçulmano" que circunda o sul da Rússia, representadas pelos conflitos do governo russo (após a extinção da URSS) com os vários países caucasianos de maioria muçulmana (a Chechênia é o exemplo mais expressivo). Também não escapou o subcontinente indiano, com o recrudescimento das hostilidades entre a Índia e o Paquistão muçulmano, tendo como motivação principal a posse da Caxemira (também majoritariamente muçulmana). A Guerra Santa, portanto, alastrou-se para outros continentes, sempre carregando em seu bojo o radicalismo islâmico.



Voltando ao Irã, é relevante observar a posição intransigente com que seu atual presidente, o fundamentalista islâmico Mahmoud Ahmedinejad, com o apoio dos aiatolás, preconiza a extinção de Israel, representando ameaça permanente ao Estado judeu e aos interesses norte-americanos no Oriente Médio. Outrossim, desde 1975 tiveram início dissidências graves entre o Irã, majoritariamente xiita, e os árabes iraquianos sunitas, revelando as fortes divisões internas reinantes no mundo islâmico. O contencioso girava em torno de terras iraquianas que haviam passado ao controle iraniano, mas o pretexto formal para a guerra entre Irã e Iraque, que estalou em 1980 opondo árabes e persas, foi o controle das águas do Chatt-el-Arab, o canal de acesso para o escoamento do petróleo do Iraque para o Golfo Pérsico. Foram oito anos de uma guerra devastadora entre os dois países, que terminou sem vencedores mas deixou evidente o apoio incondicional norte-americano a Israel, ao Iraque de Sadam Hussein, à Arábia Saudita e a outros governos árabes conservadores, enquanto a URSS apoiava a Síria e outros governos árabes nacionalistas. Curioso é observar que, nessa guerra, interessou aos EUA apoiar Sadam Hussein contra o Irã; e que, decorridos alguns anos, os mesmos norte-americanos iriam invadir o Iraque e depor Sadam Hussein, mostrando ao mundo como gira a roda gigante dos interesses das potências hegemônicas...



Só em 1985, com a posse de Mikhail Gorbachev na URSS, veio a ocorrer uma nova distensão no cenário da Guerra Fria, sob a abertura política conhecida como glasnost. Em 1988 Yasser Arafat, pela primeira vez, admite negociar a paz com Israel em troca de territórios palestinos ocupados, logo após os sérios incidentes de 1987 que deram causa à revolta palestina conhecida como Intifada, que convulsionou Gaza e Cisjordânia. Um novo obstáculo, porém, surgiu no cenário: a invasão do Kuwait pelo Iraque em 1990, quando Saddam Hussein tentou anexar o país petrolífero vizinho. Era o início da Guerra do Golfo, defrontando o Iraque com a coalisão ocidental capitaneada pelos Estados Unidos. Empurrados de volta os iraquianos e terminada a guerra, os diálogos entre a OLP e Israel puderam prosseguir, tendo finalmente Yasser Arafat e o premier israelense Yitzak Rabin apertado historicamente as mãos em Washington, em 1993. Já não mais estava em cena o antigo equilíbrio de forças bipolar entre Washington e Moscou, mas sim os interesses das potências ocidentais, fazendo da Guerra do Golfo o primeiro confronto militar internacional ocorrido sob as novas regras do jogo, após a dissolução da União Soviética; regras essas, aliás, que centralizavam no petróleo aqueles interesses ocidentais.



O acordo de paz foi um marco histórico nas relações entre árabes e judeus, mas não resistiu ao fanatismo radical. Em 1995 um extremista judeu assassinou Yitzak Rabin, fazendo retornar a violência ao cenário recém pacificado. Não obstante os novos esforços de Arafat e do premier israelense Ehud Barak, em Camp David, EUA, em 2000, o caminho da paz definitiva não resultou bem pavimentado. A situação permanece explosiva no Oriente Médio, com os ódios alimentados pelas recentes invasões norte-americanas do Afeganistão e do Iraque e com os radicalismos reacendidos pela subtração de Arafat, falecido em 2004, do cenário político. Há cerca de 400 mil refugiados palestinos no Líbano; outros tantos estão na Síria; cerca de 1 milhão e 700 mil ocupam campos na Jordânia; quase 700 mil estão na Cisjordânia; e quase 1 milhão em Gaza. O número total de campos de refugiados, espalhados por diferentes países, chega a quase 60; e a Questão Palestina permanece não resolvida: inexiste um Estado Palestino unificado.



Dos quase quatro mil anos de sacrificada história dos povos israelitas e quase sessenta anos de conflitos recentes, resultou a existência do Estado de Israel, em área pouco fértil, encravada em meio a povos milenarmente adversários, mas com o apoio das grandes potências ocidentais interessadas no petróleo do Golfo Pérsico e do Vale do Cáspio. As muitas lutas havidas na região, todavia, não concederam aos palestinos, até agora, reunir as condições para a criação de um Estado pátrio, em que pesem as resoluções da ONU; e tudo indica que, sem a existência de um Estado Palestino, muitas outras refregas virão.



Nesse atual contexto é que se desenvolvem as atrições na faixa de Gaza entre Israel e os militantes do Hamas, partido palestino radical que venceu as eleições parlamentares na Palestina, substituindo (democraticamente, aliás) a liderança de Arafat pela de um partido radical; e com o Hezzbolah libanês, que se abriga sob o cenário da Questão Palestina no sul do Líbano (país vítima de um conflito que, a rigor, dadas suas origens fenícias, não lhe pertence). A História poderá nomear estes confrontos como sendo a quinta guerra árabe-israelense.



O novo capítulo da guerra sem fim: Líbano, 2006



O hiato deixado pela morte de Arafat foi preenchido de forma adversa para os israelenses, com a vitória do partido radical Hamas nas recentes eleições palestinas e a retomada do discurso da eliminação de Israel. O caminho da paz, longamente trabalhado, viu-se novamente ameaçado; e Israel tomou medidas retaliatórias drásticas, como o corte de verbas essenciais para viabilizar o governo da Autoridade Palestina. A direção do Hamas não tardou em pedir auxílio político e financeiro ao Irã, onde conta com apoio. Militantes do Hamas na Faixa de Gaza logo iniciaram hostilidades contra Israel. Concidentemente ou não (pois não se pode afirmar a existência de uma ação coordenada, nem de uma vinculação direta entre o Hamas e o Hezbollah), o Hezbollah também as iniciou no sul do Líbano, fazendo Israel se defrontar simultaneamente com dois inimigos islâmicos, um ao norte e outro ao sul. O Irã revelou-se, com o beneplácito e o apoio sírio, como sendo o braço logístico do Hezbollah, fornecendo-lhe armas (principalmente mísseis, logo usados pelo Hezbollah para atacar o norte de Israel) e outros recursos; e o governo libanês não se mostrou capaz de conter o ímpeto do movimento (que aliás já ocupa dois ministérios no governo e já elegeu diversos representantes para o parlamento libanês). Em apertada síntese, esse é o cenário do mais recente conflito, iniciado em julho de 2006 e do qual resultou o bombardeio de diversas cidades libanesas pela aviação israelense (inclusive a capital Beirute) e a invasão do sul do Líbano por tanques e tropas de infantaria de Israel.



O Líbano, há longo tempo sob a influência síria e iraniana, vê-se palco de uma guerra na qual palestinos, iranianos e sírios hostilizam Israel, sob uma mesma motivação islâmica. Embora o povo libanês, diante da pesadíssima reação israelense, esteja se unindo contra o que, no momento, mostra-se como o inimigo comum, o país não revela uma unidade político-religiosa sólida. Dentre os muitos grupos em que se divide a sociedade libanesa desde o fim do domínio otomano em 1917, 60% são muçulmanos (sendo 35% xiitas, os menos prósperos e mais radicais; e 25% sunitas, mais prósperos, mais moderados e espalhados em centros urbanos); 25% são cristãos maronitas que fugiram das perseguições na Síria no século VII e se concentram em Beirute, seus arredores e sopés das montanhas; 10% pertencem a outros ramos cristãos, inclusive o grego ortodoxo; e 5% são drusos, comunidade pequena e fechada que vive há décadas em atrição com o governo central e com a parcela muçulmana xiita. Nesse cenário, os militantes do Hezbollah, concentrados principalmente no sul, se consolidaram e iniciaram os ataques a Israel, sem que o governo libanês tivesse dado apoio formal a essas ações belicosas (o que não ocorre pela primeira vez, pois em 1993 e 1996 também ocorreram ataques desses militantes e Israel reagiu com operações militares que resultaram na fuga de centenas de milhares de civis para outras regiões do Líbano, tendo sido necessárias as atuações diplomáticas dos Estados Unidos e da Síria para apaziguar os ânimos).



O Hezbollah, ou Partido de Deus, tornou-se uma poderosa organização política e uma agressiva milícia, formada principalmente por muçulmanos xiitas do Líbano. Surgiu em 1982, após a invasão do país por Israel. A saída das tropas israelenses no ano 2000 (seguida pela saída das forças sírias em 2005) parece ter coroado os esforços desse braço armado do movimento conhecido como Resistência Islâmica, que tudo indica ter recebido recursos financeiros e bélicos do Irã e apoio da Síria. Desse sucesso resulta, em grande parte, a simpatia do povo libanês, que apoiou a transição do Hezbollah para o cenário político (eleição de representantes no Parlamento e ocupação de alguns cargos de governo) e a concessão de apoio governamental, na forma de serviços médicos e sociais. Territorialmente, o movimento islâmico acusa Israel de ter ocupado as granjas de Sheeba, área no sopé das colinas de Golan que, segundo a ONU, pertenceria na verdade à Síria, e não ao Líbano. Abrigando-se na causa palestina e usando de pressão para deter as incursões israelenses em Gaza e na Cisjordânia, esse partido radical mostra seu retorno à arena política na fase de transição que o Líbano, após o assassinato em 2005 do premier libanês Rafik Hariri, atravessa. E os ataques a Israel servem de aviso ao governo de que o movimento está vivo e forte. A liderança do sheik Hassan Nasrallah, chefe do Hezbollah, ganha força política e, com isso, o governo libanês fica enfraquecido e congela suas ações, pois é financeiramente dependente da Síria, que junto com o Irã apoia o Hezbollah. Uma grande confusão, como se depreende, no historicamente complexo cenário político libanês, que ainda se recuperava da terrível guerra civil da década de 80. O país mais democrático e pluralista do Oriente Médio, que tinha sua capital vista como a pérola do Mediterrâneo no passado, está sendo novamente destruído, e isso não contribui para o projeto (ocidental, na verdade) de democratizar a região.



Para Israel, o fato de que os ataques com mísseis e os seqüestros de soldados foram desencadeados por um grupo instalado no território libanês, e não pelo governo libanês, é irrelevante: trata-se, do ponto de vista da segurança do Estado judeu, de um ataque armado ao seu território, desfechado por uma força irregular bem armada e adestrada, que deveria e poderia ter sido contida pelo governo do Líbano, na visão israelense. Argumentam ainda os judeus que, desde a retirada de suas tropas do território libanês há seis anos, vêm advertindo o Líbano e a comunidade internacional sobre a imperiosa necessidade de o Exército libanês ocupar o sul do país e neutralizar as ações do Hezbollah, que vinha desde então se armando e treinando suas milícias, às claras, preparando o ataque a Israel, com o apoio político e logístico de países islâmicos vizinhos, Irã e Síria. É o caso de questionar-se os motivos pelos quais o Hezbollah não atacou as tropas israelenses durante sua ocupação no Líbano, quando inclusive poderia contar com alguma compreensão da ONU, que já vinha recomendando a retirada israelense; mas prevaleceram outros interesses, à espera de melhor oportunidade e melhor aprestamento.



O fato é que, independentemente de se julgar se devia ou não existir o Estado de Israel em terras que os palestinos reivindicam como suas, Israel nelas existe; e foi atacado, reagindo em legítima defesa. Após intensos bombardeios pela Força Aérea israelense das áreas em que alegadamente se encontram instalados os milicianos xiitas ou seus órgãos de direção e suporte, sem que os disparos de foguetes e mísseis contra o território israelense cessassem (uma vez mais demonstrando que as teorias de Douhet sobre a suficiência do Poder Aéreo não funcionam bem), tornou-se necessário o emprego dos tanques e da infantaria, adentrando o sul do Líbano. E a tendência é que as forças israelenses progridam até as margens do rio Litani, empurrando o Hezbollah uns 20 quilômetros para o norte e formando uma zona de proteção, até que um cessar fogo seja alcançado e tropas da ONU voltem a ocupar a região, protegendo Israel de novas agressões até que o governo libanês (que já manifestou concordância em enviar 15 mil soldados) posicione suas próprias tropas na área principal do conflito. Para a crítica da mídia internacional, que reprova a destruição de grande parte da infraestrutura libanesa (estradas, aeroportos, portos), os israelenses têm a resposta de que estão interditando as vias logísticas que, ao longo de anos, têm sido usadas pelo Hezbollah para receber armas e suprimentos diversos da Síria e do Irã (via Síria). Isso explica também a desproporcional resposta militar israelense às ações do oponente, o que na verdade é muito mais do que uma simples retaliação ao seqüestro de soldados e aos ataques com foguetes contra Israel: é uma ação estratégica, a ser mantida tão limitada quanto possível, mas cujo objetivo é interditar as vias de suprimentos bélicos essenciais ao prosseguimento das operações dos extremistas islâmicos. Mas nem por isso a comunidade internacional perdoa o grande número de baixas entre a população civil libanesa, que decorre da mistura dos milicianos às populações das localidades em que se instalaram, causando centenas de vítimas civis.



Outrossim, mesmo que o Exército libanês venha finalmente a ocupar a área, os israelenses não se sentirão totalmente seguros, pois trata-se de tropa heterogênea, mal treinada e mal equipada, talvez pouco capacitada a conter uma milícia bem treinada, homogênea e muito motivada pela jihad. Basta dizer que, tal como a estrutura governamental reserva a presidência para um cristão, o cargo de primeiro ministro para um sunita e a liderança do parlamento para um xiita (numa tentativa de balancear forças políticas dissidentes e neutralizar os antagonismos entre cristãos e muçulmanos), o Exército (que tem mais de 60% de muçulmanos xiitas e sunitas em suas fileiras) é comandado por um cristão e tem a chefia do estado maior exercida por um druso, o que significa que sua operacionalidade torna-se muito dependente do entendimento entre as forças políticas internas. Além disso, é questionável se as forças libanesas regulares conseguiriam empurrar para o outro lado do rio Litani, e lá manter, as milícias xiitas, pois ao norte do rio está a zona sunita; e é também duvidoso que essas forças regulares, que têm 35% de xiitas, combateria, caso necessário, as milícias do Hezbollah, de mesma formação.



Trata-se de um conflito claramente assimétrico. A superioridade do Poder Militar de Israel, em meios bélicos e em tecnologia, é gritante. Para o lado militarmente mais fraco fica a opção da guerra não convencional, caracterizada pela ação da guerrilha e do terrorismo, forças irregulares capazes de causar sério desgaste ao inimigo, em longas confrontações. Como agravante, tem-se as alegadas participações de elementos da tropa de elite iraniana, a Guarda Revolucionária, pelo menos no treinamento dos combatentes do Hezbollah, o que parece ser feito tirando partido da falta de firmeza do governo libanês. Se é verídica essa participação subterrânea de forças iranianas, mais difícil se torna neutralizar as milícias xiitas no Líbano.



É relevante observar que o oponente militarmente mais fraco, embora seja essencialmente uma milícia armada, vem contando com o apoio de armamento de origens externas, provavelmente obtido no passado. Além dos foguetes e mísseis fornecidos pelos vizinhos, que podem ser iranianos, sírios e russos, houve pelo menos um episódio em que um míssil, alegadamente de origem chinesa, atingiu e causou sérias avarias em um navio da Marinha de Israel que realizava bombardeio da costa libanesa, passando pelas defesas de ponto da belonave sem que seus dispositivos de guerra eletrônica lograssem detectá-lo a tempo de reagir. Esse episódio decerto irá dar motivo a estudos de americanos e israelenses sobre a eficácia de seus equipamentos de contramedidas eletrônicas.



Conseqüências relacionadas com o terrorismo global



A organização islâmica Al-Qaeda, liderada por Osama Bin laden, não deixa dúvidas sobre sua atuação nitidamente terrorista, intensificada desde a invasão do Afeganistão pelos EUA e, mais recentemente, do Iraque. Inicialmente, recrutou seus combatentes para a jihad dentre aqueles que haviam combatido a invasão soviética do Afeganistão, anterior à intervenção americana. Com o passar do tempo, foi aumentando seus efetivos com voluntários de outros países, todos dispostos a morrer pela causa muçulmana (e assim conquistar o paraíso, segundo a crença islâmica). Após o September Eleven nos EUA em 2001, outros atentados atribuídos à Al-Qaeda tiveram lugar em 2002, em Bali; 2003, em Istambul; 2004, em Madrid; 2005, em Londres; e, no momento em que este artigo era escrito, a polícia britânica acabava de frustar o que seria um novo ataque terrorista de escala mundial, que pretendia explodir simultaneamente vários aviões civis americanos sobre o Atlântico. Embora neutralizado a partir de informações obtidas pela inteligência britânica (com a cooperação da inteligência paquistanesa), esse último plano ainda assim rendeu aos terroristas os frutos desejados, pois as providências de segurança praticamente paralisaram o mundo durante um dia, com sérias conseqüências para os viajantes e para a economia mundial.



Nota-se, na evolução da estratégia da Al-Qaeda, que seus militantes suicidas continuam sendo muçulmanos e, em geral, árabes ou descendentes de árabes, mas em vários casos evidenciou-se serem nacionais dos países-alvo dos ataques. Na recente ocorrência de Londres, o governo britânico informou que os terroristas eram cidadãos britânicos de origem árabe, ou seja, o recrutamento desses insanos militantes da jihad já se dá dentro dos países-alvo. Isso mostra a real magnitude da transnacionalização e da globalização do terrorismo islâmico, que aparentemente iriam implementar, como parte das reações à invasão do Líbano por Israel, um plano longamente arquitetado pela Al-Qaeda: a chuva de aviões sobre o Ocidente, não importando quantos inocentes seriam sacrificados.



Não seria adequado equiparar o Hezbollah, em termos de atuação, à Al-Qaeda. O Hezbollah prioriza a ação na área das disputas, e não parece visar, pelo menos no presente, o ataque remoto a países ocidentais simpatizantes (ou parceiros militares) dos EUA. Não obstante, o conflito no Líbano apresenta alta importância estratégica para o Hezbollah e para seus mais chegados aliados, o Irã e a Síria. Vindo a lograr sucesso (pelo menos político, pois militarmente isso só seria possível com o envolvimento das forças armadas sírias e iranianas na contenda), agregaria alto valor ao reforço das pretensões iranianas de propagar mais intensamente a Revolução Islâmica na região e no mundo, forçando o Ocidente a negociar uma solução para o permanente conflito do Oriente Médio, com será comentado adiante. Não logrando sucesso, é bem possível que seus líderes e militantes passem a se dedicar a ações terroristas contra Israel, EUA e seus simpatizantes, cooperando com a Al-Qaeda, o Hamas e outros movimentos islâmicos radicais na disseminação cada vez mais global do terror.



Ações terroristas dessa espécie horrorizam e apavoram o mundo, inclusive dentre as sociedades islâmicas que não as apóiam (que não são poucas). Semeando a barbárie com audácia e frieza, os terroristas acabam por fazer com que os ocidentais passem a ser mais tolerantes (ou estimulem) as posturas do governo norte-americano (e de seu aliado mais fiel, o governo britânico) na guerra anti-terror, e muitos governantes que ainda permanecem críticos ou silentes poderão vir a apoiar mais explicitamente as reações armadas preventivas defendidas pela doutrina Bush de defesa.



Conseqüências estratégicas para o Oriente Médio



Enquanto tudo isso acontece, o mundo passa por novo sobressalto, de vez que o governo teocrático islâmico radical do Irã renova seu discurso de extinção do Estado de Israel e suas ameaças de não abandonar o programa de enriquecimento de urânio em curso, apesar das reiteradas manifestações e ultimatos da ONU a respeito (inclusive brandindo ameaças de sanções de várias naturezas contra a República Islâmica do Irã). Os iranianos já desenvolveram vetores balísticos de médio alcance, capazes de atingir Israel e parte da Europa; e parecem, embora oficialmente seja negado, buscar a capacitação bélica nuclear, trazendo para o cenário do Oriente Médio esse perigoso ingrediente (tal como a Coréia do Norte vem fazendo no cenário que envolve o problema da unificação das duas Coréias, outra dor de cabeça - das grandes - para os Estados Unidos e seus aliados ocidentais).



Nesse perigoso cenário tem-se, por enquanto, uma típica guerra limitada e com objetivos específicos, sob o prisma do emprego das forças israelenses; e uma guerrilha irregular (atuando com apoio no terrorismo) no lado oponente, sem envolver forças regulares libanesas, sírias ou iranianas. Mas qualquer passo em falso da Síria ou do Irã, que os falcões da guerra do Pentágono julguem ameaçador aos interesses da sociedade norte-americana, pode levar a mais uma intervenção militar americana no Oriente Médio, alastrando o conflito com conseqüências ainda inimagináveis, na medida em que venha a envolver as forças regulares dos Estados Unidos e de seus mais tradicionais aliados contra as forças armadas (regulares e irregulares) dos países árabes vizinhos.



É importante observar as posturas norte-americanas diante da situação criada no Líbano. Uma tentativa da ONU de conter o avanço israelense e obter rapidamente um cessar fogo foi obstaculizada pelos americanos. Interessa aos EUA que Israel permaneça firmemente plantado onde está, como bastião dos interesses ocidentais nas riquezas petrolíferas da área; e não seria coerente, sob a óptica de George Bush, tolher Israel em seus movimentos de defesa, de vez que a política de defesa norte-americana preconiza até mesmo o emprego de ataques preventivos, quando ameaçados os interesses ou a segurança dos Estados Unidos (como negar esse direito aos aliados ?). Interessa também aos EUA que Israel use da oportunidade para mostrar sua utilidade na guerra contra o terrorismo islâmico, o que se daria pela derrota do Hezbollah (que, juntamente com a organização terrorista Al-Qaeda, soma o maior número de mortes de norte-americanos, bastando lembrar o ataque que vitimou mais de duzentos soldados americanos em 1983, perpetrado por aquele movimento). Outrossim, a avaliação do que aconteceu no Afeganistão e no Iraque, quando as intervenções armadas americanas e de seus aliados mais fiéis não logrou estabilizar esses países, nem logrou amedrontar os radicais islâmicos em sua determinação de livrar o mundo árabe da presença e da influência ocidentais, leva a pensar com certo ceticismo sobre o sucesso dessas estratégias.



Observar as posturas do Irã é igualmente crucial. O Irã parece buscar (em paralelo com as conquistas tecnológicas que podem torná-lo um player nuclear no Oriente Médio) a liderança do mundo islâmico, esfacelada e vazia desde a queda do Império Otomano. Com a severa repressão ocidental contra a Al-Qaeda, o sucesso do Hezbollah serviria como uma luva para essas pretensões, auxiliando o Irã a estender a influência da Revolução Islâmica sobre o Líbano e a Palestina, desestabilizando Israel e, por via de conseqüência, a influência americana (e ocidental em geral) na região. Embora não conte, pelo menos até agora, com o apoio político dos países árabes mais moderados, como Egito, Arábia Saudita e Jordânia (até mesmo porque os iranianos são persas, e não árabes, o que leva a alguma rejeição da pretendida liderança do Irã no mundo árabe), o governo teocrático iraniano não parece hesitante em motivar suas massas contra a existência de Israel e contra a hegemonia norte-americana, ambos considerados infiéis e inimigos diabólicos do Islã. O esmagamento do Hezbollah, nesse contexto, seria uma severa derrota estratégica na tentativa iraniana de vir a se tornar uma potência regional líder (que, se bem sucedida nesse intento, decerto prosseguiria na sua inabalável trajetória de, sob a inspiração da lei divina expressa no Corão, libertar as terras islâmicas da presença militar, cultural e econômica dos infiéis ocidentais).



A Síria também merece cuidados, pois seu governo tem declarado abertamente que, se atacada, revidará militarmente, no que contará com apoio do Irã, que não quer o enfraquecimento do regime sírio; e outros países árabes, hoje moderados, poderão vir a tomar atitudes hostis contra Israel e os EUA, conforme o desenvolvimento do conflito (ou o aumento do terrorismo interno em retaliação aos alinhamentos com os EUA) venha afetar suas sociedades.



Israel que, no passado, confiante em sua enorme supremacia bélica, não concordava com as tentativas da OLP de instalar uma força de paz multinacional na área, já não parece tão relutante. Com o apoio dos Estados Unidos, Israel não deseja um cessar-fogo imediato, antes de empurrar as milícias islâmicas para longe de suas fronteiras; mas percebe que voltar a ocupar o Líbano por longo tempo poderá resultar em grande desgaste, face à tenacidade das guerrilhas islâmicas, que tornam difícil uma vitória militar decisiva. A brutal resposta militar das forças israelenses contra o Hezbollah no Líbano e o Hamas em Gaza serve de aviso à Síria e ao Irã sobre a determinação dos judeus, mas também serve de alerta a todo o Ocidente de que, sob certas condições, é chegado o momento de contar com forças internacionais que ocupem as áreas críticas e sejam capazes de evitar a escalada dos conflitos. Mas se tais forças (e aí residem os condicionantes) não forem enérgicas o bastante para evitar as violações de tréguas e o terrorismo (sem o que Israel não aceita sua presença), novas respostas militares israelenses sacudirão o cenário. Acordos diplomáticos que viabilizem uma presença internacional eficaz passam, necessariamente, por difíceis conversações com Irã, Síria e os partidos islâmicos mais proeminentes (Hezbollah e Hamas). Não está afastada, porém, para Israel e EUA, a opção de, caso dificultadas essas negociações, colocar em prática pela força o cumprimento da resolução 1.559 da ONU, que em 2004 determinou a saída das tropas sírias (o que já ocorreu) e o desarmamento das milícias do Líbano, para torná-lo mais governável. Essa resolução também contemplava a intervenção de forças internacionais, mas se executada apenas parcialmente (leia-se, desmantelamento do Hezbollah pelas forças israelenses) estar-se-á diante da possibilidade de uma séria escalada do conflito, dependendo das reações do Irã e da Síria.



Sob o prisma da estratégia das potências ocidentais que, sob a liderança americana, entendem ser necessária a implantação da democracia (nos moldes ocidentais) como parte do solucionamento dos problemas da região, as experiências iniciais não são animadoras. No Iraque, no Líbano e nos territórios palestinos as eleições têm levado ao poder grupos islâmicos que não abrem mão de perseguir os tradicionais objetivos do islamismo, persistindo em manter milícias armadas e consentindo a violência. Hamas e Hezbollah, por exemplo, de fato conquistaram cadeiras e cargos públicos via eleições democráticas, mas voltaram seus esforços políticos para servir aos propósitos das facções extremistas. Esses fatos levam os mais céticos a questionar se a democracia, tal como a praticam os ocidentais, terá sucesso em terras que há milênios cultivam outros conceitos culturais.



Uma solução sensata para a Questão do Oriente Médio (que transcende à Questão Palestina) certamente requer a criação do Estado Palestino unificado e a construção de uma coexistência pacífica deste com Israel. Requer também a cessação da disputa por Jerusalém, com algum controle internacional da cidade sagrada e acesso garantido a judeus e muçulmanos (e naturalmente aos cristãos). Requer forças internacionais capazes de resfriar os ânimos nas áreas críticas, como Gaza e sul do Líbano. Requer, ainda, uma ampla negociação com todo o mundo árabe para que os governos dos países que hospedam movimentos radicais e terroristas (como o Hamas e o Hezbollah) neutralizem suas ações extremadas e os desarmem (mas sem deixar de contemplar suas participações legítimas, enquanto movimentos sócio-políticos, nas sociedades hospedeiras e em seus parlamentos). E requer também um esforço integrado de todos os órgãos de inteligência dos países desejosos da paz para neutralizar, em tempo, antes que ocorram, os atos terroristas planejados pelos grupos islâmicos mais extremados, usando para tanto suas forças policiais, e não as forças armadas. Uma tarefa gigantesca, a desafiar os governantes, a diplomacia dos países envolvidos e a Organização das Nações Unidas nas décadas iniciais do século XXI, mormente diante de posições intransigentes como a do atual governo iraniano, que prega com virulência a varrida de Israel do mapa e pode tornar-se um figurante dotado de armas nucleares.



No momento em que era encerrado este texto, a ONU finalmente conseguiu um acordo unânime sobre a cessação das hostilidades, antes que ocorresse um confronto de Israel com Síria e Irã. Após mais de trinta dias de combates (e somente após as forças israelenses já terem penetrado no Líbano com mais de 30 mil homens e causado grande destruição na infraestrutura que serve ao Hezbollah), os americanos abriram mão de seu poder de veto e o governo israelense manifestou que aceitaria um cessar-fogo. A resolução da ONU, a vigorar a partir de 14 de agosto, estabelece a cessação dos ataques dos milicianos xiitas a Israel; o fim imediato da ofensiva israelense; o envio de tropa internacional para ocupar o sul do Líbano e apoiar as forças armadas regulares libanesas no restabelecimento da ordem; e, last but not least, determina que sejam estabelecidas as condições para que o Hezbollah seja desarmado, como já havia sido decidido em 2004 pela resolução 1.559 da Organização. Sintomaticamente, na véspera da decisão, Israel realizou um amplo esforço de ampliação da ofensiva, procurando tirar o melhor partido militar possível da situação. Não obstante a unanimidade agora alcançada e a concordância, já manifestada, do governo libanês, o dirigente máximo do Hezbollah, Hassan Nasrallah, já deixou claro que aceitará a cessação das hostilidades, mas desde que precedida da retirada das tropas israelenses; e nada disse, pelo menos num primeiro momento, sobre o desarmamento de suas milícias. Esperemos que as condições para a completa implementação da resolução sejam consolidadas, mas não será fácil. O amanhã ainda é uma incógnita.



Enquanto uma solução abrangente para o problema do Oriente Médio (se é que existe) não venha a ser alcançada, e enquanto o petróleo permaneça como insumo crucial para a economia mundial, conflitos localizados continuarão a ocorrer, acrescentando novos capítulos às guerras árabe-israelenses; homens-bomba continuarão a explodir na região; aeronaves civis continuarão a ser dinamitadas nos céus internacionais; cidades populosas importantes continuarão a viver o medo de explosões terroristas em seus meios de transporte e locais de concentração popular; e a humanidade permanecerá amedrontada e insegura pela presença invisível e letal do terrorismo, praticado em nome da libertação das terras islâmicas das influências econômicas, culturais e militares ocidentais. Estamos na era do medo global.



From: emirsader@uol. com.br
.Subject: difundir amplamente, na Carta Maior e em outros espaços.
Date: Sun, 4 Jan 2009 12:54:32 -0300


Doze regras de redação da Grande Mídia
Internacional quando a noticia é do Oriente Médio
1) No Oriente Médio são sempre os árabes que atacam primeiro e sempre Israel que se defende. Esta defesa chama-se represália.
2) Os árabes, palestinos ou libaneses não tem o direito de matar civis. Isso se chama "terrorismo" .
3) Israel tem o direito de matar civis. Isso se chama "legitima defesa".
4) Quando Israel mata civis em massa, as potencias ocidentais pedem que seja mais comedida. Isso se chama "Reação da Comunidade Internacional" .
5) Os palestinos e os libaneses não tem o direito de capturar soldados de Israel dentro de instalações militares com sentinelas e postos de combate. Isto se chama "Sequestro de pessoas indefesas."
6) Israel tem o direito de seqüestrar a qualquer hora e em qualquer lugar quantos palestinos e libaneses desejar. Atualmente são mais de 10 mil, 300 dos quais são crianças e mil são mulheres. Não é necessária qualquer prova de culpabilidade. Israel tem o direito de manter seqüestrados presos indefinidamente, mesmo que sejam autoridades eleitas democraticamente pelos palestinos. Isto se chama "Prisão de terroristas" .
7) Quando se menciona a palavra "Hezbollah", é obrigatória a mesma frase conter a expressão "apoiado e financiado pela Síria e pelo Irã".
8) Quando se menciona "Israel", é proibida qualquer menção à expressão "apoiada e financiada pelos EUA". Isto pode dar a impressão de que o conflito é desigual e que Israel não está em perigo de existência.
9) Quando se referir a Israel, são proibidas as expressões "Territórios ocupados", "Resoluções da ONU", "Violações dos Direitos Humanos" ou "Convenção de Genebra".
10) Tanto os palestinos quanto os libaneses são sempre "covardes", que se escondem entre a população civil, que "não os quer". Se eles dormem em suas casas, com suas famílias, a isso se dá o nome de "Covardia". Israel tem o direito de aniquilar com bombas e misseis os bairros onde eles estão dormindo. Isso se chama Ação Cirúrgica de Alta Precisão".
11) Os israelenses falam melhor o inglês, o francês, o espanhol e o português que os árabes. Por isso eles e os que os apóiam devem ser mais entrevistados e ter mais oportunidades do que os árabes para explicar as presentes Regras de Redação (de 1 a 10) ao grande público. Isso se chama "Neutralidade jornalística" .
12) Todas as pessoas que não estão de acordo com as Regras de Redação acima expostas são "Terrotistras anti-semitas de Alta Periculosidade" .

(Texto francês anônimo, enviado por leitor ao Blog da Carta Maior)



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José Guilherme Castro